sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Revellionzinho

A foto que acompanha este texto serve de perfeito contraponto ao post de ontem. Apesar de os autarcas das freguesias raramente obterem o reconhecimento que a esmagadora maioria merece, é amplamente reconhecido - pelo menos por aqueles que têm algum conhecimento destes temas – que é a este nível da administração que o dinheiro dos portugueses melhor é gerido. Talvez por ser pouco. Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, os cortes do Sócas nas transferências para as autarquias só pecam por demasiado pequenos. 
Atendendo a tudo o que assistimos ao longo dos últimos anos, nomeadamente daquele que agora finda, atingiu-se um ponto de inversão de valores difícil de compreender, onde o exemplo é, inexplicavelmente, pedido aos de baixo. O que, pensando bem, nem será coisa que me deva admirar assim tanto. Afinal a malta lá de cima não passa de uma cambada de invertidos. Quem não acredita, ou acha que estou a ser injusto, que vá ler a legislação produzida por esta gente.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Festejar hoje e pagar (talvez) um dia destes.

O fim do ano está a chegar e com ele as festas de arromba. O que é bom. Nomeadamente as festas. Nada como festejar. Sejam quais forem os motivos. Todos eles são bons e passar de um ano para o outro em animada festarola afigura-se-me como algo bastante prazenteiro. 
Deve ser o que pensam os uns quantos municípios que, apesar de endividados e de cofres vazios, não prescindem de ver os seus munícipes alegres. Para que tal aconteça, resolveram assinalar condignamente a ocasião. Claro que, da noite para o dia, muitas centenas de milhares de euros vão voar para fora dos respectivos concelhos. Poderá até pensar-se – uns quantos parvos, se calhar, vão ter o atrevimento de o fazer – que com esse dinheiro podiam pagar umas quantas dividas a empresas que venderam produtos ou prestaram serviços à autarquia e, assim, contribuir para a sua sobrevivência e para garantir postos de trabalho. Mas não. Ter a malta animada é que é uma coisa importante. Constituirá, desconfio, o principal desígnio de qualquer autarca que se preze.
A liderar este tipo de festividades, no sentido em que se esmera no programa com que brinda quem por lá quiser passar de ano, está uma autarquia que devia, em trinta e um de Dezembro de dois mil e nove, mais de sessenta e dois milhões de euros aos seus fornecedores. Bagatelas.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Empatas

Penso ter, em tempos, escrito qualquer coisa acerca da perplexidade que me causa a estranha e absoluta necessidade daquelas pessoas que não têm ocupação nem horário a cumprir – porque estão reformadas, desempregadas ou por outro motivo qualquer que não é para aqui chamado – e, apesar disso, escolhem precisamente a hora de almoço, ali entre o meio dia e meia e as treze horas, para fazer as suas compras diárias. Volto hoje ao tema porque continuo a acreditar, mas isso sou eu a dizer, que não custava nada tratar da aquisição dos bens essenciais à sua subsistência aí pelas dez da manhã. Ou pelas onze, vá. Até porque não acredito que seja gente para prolongar manhã dentro a sua estadia na cama. De resto para deitar cedo e tarde erguer boa companhia se há-de ter e não me parece que seja o caso. 
Isto aplica-se especialmente às senhoras de idade mais avançada. O que, estando Estremoz cheio delas, assume proporções alarmantes. Tenho o maior respeito pelas velhotas. Até porque, não tarda, serei tão velho como elas são agora e, quase de certeza, ainda mais chato e rabugento. Mas, confesso, causa-me uma especial irritação sair do emprego e ver os minutos da minha hora de almoço esvaírem-se na fila da padaria, do talho ou do supermercado porque, à minha frente, umas quantas velhinhas - ou outros desocupados - escolheram exactamente aquela altura para fazer o que podiam ter feito nas três horas anteriores. Isto porque, ao contrário delas, não posso ficar a degustar tranquilamente a minha refeição pela tarde fora. 
Se viver o suficiente para isso, vou vingar-me. Hei-de fazer o mesmo. Talvez, até, pior. Depois de fazer as compras passear-me-ei de carro pela cidade. A dez à hora. Só para chatear aqueles malucos apressados, que insistem em cumprir horários, e que vão atrasados para o emprego porque perderam parte da hora de almoço empatados por quem podia fazer compras noutro horário.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Inversões

A paneleiragem nacional, nomeadamente aquela que se expressa na blogosfera e na comunicação social, rejubila com a adopção de uma criança pela parelha de paneleiros constituída por um conhecido cançonetista britânico e alegado marido. É pelo menos assim que se referem as noticias que nos relatam o acontecimento quando mencionam o larila que vai ao cú do tal cantante. 
Afirmar que o rebento é filho do casal de rabetas, apesar de concebido numa barriga de aluguer e de nenhum dos dois ter tido qualquer intervenção no acto que gerou aquela vida, denota, manifestamente, uma falta de rigor quase tão grande quanto a vontade de ver por cá legalizada idêntica possibilidade. Seria, com certeza, muito mais correcto informar que dois fulanos adoptaram uma criança. Mas isso não seria noticia. Já noticiar que um casal mediático – marido e esposa, portanto – são agora pais tem outro impacto, parece uma coisa importante e constituirá até um exemplo de transbordante modernidade que nos faz exultar de alegria. Mesmo que se trate de um par de panascas que, provavelmente, terão pago uma fortuna pelo petiz.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Misturas muito caras

Não tenho grandes preocupações ambientais. Acredito que o planeta terá uma capacidade de regeneração maior que os estragos que lhe vamos fazendo e que, muito provavelmente, sobreviverá, ao contrário de nós, às nossa agressões. 
O desprendimento relativamente a estas questões não impede de me indignar com a forma como os estremocenses – e os portugueses em geral – tratam os resíduos domésticos que produzem. Apesar de o número de ecopontos, pelo menos na cidade, ser já relativamente significativo, continua a ser um procedimento recorrente a ausência de separação do lixo. Em muitas circunstâncias nem se pode falar de comodismo porque, no caso da imagem, o local correcto para depositar os garrafões está a cinco metros. 
Esta atitude negligente custa anualmente a cada município muitos milhares de euros. Numa altura de aperto como a que vivemos em que cada euro é importante, cada um pode, à sua maneira, contribuir para racionalizar recursos. Separar o lixo e depositá-lo no sitio certo é uma delas. Mas, pelos vistos dá muito trabalho. É mais fácil berrar contra os escandalosos ordenados e outras mordomias dos malandros dos funcionários municipais.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Dar desconto aos descontos

Entre os muitos rectângulos de plástico, com chip incorporado ou banda magnética colada nas traseiras, que quase todos transportamos na carteira – o cartão tornou-se um elemento fundamental nas nossas vidas – encontram-se um, ou mais, cartões de uma qualquer cadeia de lojas onde, com mais ou menos frequência, deixamos uma parte do nosso ordenado. Ou rendimento. Estes cartões, que oferecem inúmeras e fabulosas vantagens que até chateiam de tantas e tão fabulosas que são, procuram fidelizar o cliente e através de um sistema de acumulação de pontos, descontos ou promoções levá-lo a voltar ao local da compra e, de preferência, a gastar mais. Nada de anormal quanto a este procedimento nem, assim à primeira vista, nada de reprovável nesta estratégia. Afinal o gajo da loja está ali para vender e quem compra fica satisfeito porque acredita que ganhou qualquer coisita. 
A coisa muda de figura quanto querem fazer do consumidor parvo. O que, em muitas circunstâncias, conseguem sem esforço de maior. Veja-se, para não irmos mais longe, o caso dos alegados descontos do Modelo e Continente. Mesmo deixando de lado que o valor do desconto obtido apenas pode ser usado em futuras compras – constitui uma das cláusulas do contrato que regula o uso do cartão de fidelização – o produto onde é conseguido é, por norma, substancialmente mais caro que outro equivalente. A titulo de exemplo refira-se que um bolo rei nestas condições custava sensivelmente o dobro de outro a que a promoção não se aplicava. E nem sequer era uns daqueles produtos amaricados a que agora chamam gourmet - ou lá o que é - tratava-se de um bolo, assim à primeira vista e à excepção da embalagem, exactamente igual ao outro. 
Este é um procedimento recorrente para o qual devemos estar atentos. Se a quem vende interessa fazer sair a mercadoria do estabelecimento, quem compra tem obrigação de estar cada vez mais atento e não se deixar levar em promoções, descontos e outros esquemas manhosos em que quem fica a ganhar são sempre os mesmos. Até porque é para isso que eles lá estão.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Post de Natal

Talvez por causa da crise, do desemprego, da fome, da miséria e de tudo o que mais se sabe – também por causa da espírito natalício, claro - foi reconfortante ver todas as mesas – sublinho todas – da cafetaria do Modelo de Estremoz, na manhã de sexta-feira, ocupadas por famílias ciganas residentes no bairro contíguo ao supermercado. Papás, mamãs, putos ranhosos e um ou outro avô ou avózinha, desgrenhados e com cara de quem acabou de acordar, tomavam o seu pequeno almoço. Galões, leite com chocolate, bolos e torradas enchiam as mesas enquanto guardanapos de papel, restos e coisas dificilmente identificáveis ocupavam o pavimento em redor. Outros, provavelmente com o estômago já aconchegado ou aguardando a sua vez para o aconchegar, deambulavam pelo local em alegre algazarra. Foi bonito, pá. E diz que é assim todos os dias. 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Há gente com cada ideia...

“Os sacrifícios têm de ser equitativamente distribuídos por todos”. É o que acha um bispo da Igreja católica portuguesa. Vá lá saber-se porquê existem pessoas com a mania de distribuir coisas. Nomeadamente as más. Devem pensar que são uma espécie de Pai Natal mas ao contrário. Justo, mas mesmo justo, seria dividir as coisas boas por todos. Isso sim. Agora dividir as más – assim tipo...os sacrifícios – parece-me muitíssimo mal. Cá para mim os  ditos sacrifícios devem ser distribuídos pelo menor número e, de preferência, pelos do costume. Assim como assim já estão habituados.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mouro queixinhas

Um extremoso papá muçulmano, a viver em Espanha mais a sua numerosa prole, ficou irritado porque na escola pública espanhola frequentada pelo seu rebento – um pequeno Mohamed, presumo – o professor cometeu o atrevimento – heresia, como eles dizem – de citar o presunto como exemplo para melhor explicar a matéria que estava a leccionar. É, de facto, chocante e justifica perfeitamente a atitude daquele seguidor do profeta que, chateado com tamanho dislate, tratou de apresentar queixa contra o docente. Bem feita, porque isto de falar das pernas de um porco na presença de muçulmanos a residir na Europa, ainda para mais numa escola oficial, não lembra a ninguém. 
Se a atitude do queixinhas já é suficientemente parva, nem sei como qualificar a da policia. Ao que parece não só aceitaram a queixa, como se deslocaram à escola no intuito de ouvir o professor e suposto criminoso. Que por enquanto – e sublinho por enquanto - ainda não foi preso. Não tardará, qualquer referência a coisas que a mourama considere blasfémia, ainda que feita em território europeu, constituirá um crime punível sabe-se lá com que pena. Talvez, até, a morte por apedrejamento. Tudo, claro, com o alto patrocínio dos multiculturalistas.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Finalmente uma grande ideia!

Um jornal online pediu a algumas personalidades - umas mais conhecidas que outras – que, cada uma, desse uma ideia para o país. A maioria dos inquiridos não revelou grande imaginação e as respostas obtidas não constituirão, seguramente, grande contributo nem para a melhoria da nossa situação nem, com toda a certeza, merecerão especial atenção por parte de Sócrates e seus sócretinos. 
Cooperação, exigência, qualidade, são chavões mais que batidos e que, quanto mais são repetidos menos impacto vão tendo nos destinatários. Apesar disso incluíram a receita de alguns notáveis. Já a “fusão com o Brasil”, a “poupança de energia” e “aumentar o número de nascimentos” me parecem argumentos bastante valorizáveis. Até porque – e provavelmente não serei apenas eu a pensar assim – existe uma curiosa interligação entre eles que nem mesmo a questão da economia energética ali pelo meio consegue disfarçar. Principalmente para aqueles que preferem às escuras. 
Não sei se pode ser considerada como ideia, mas a afirmação proferida por um dos entrevistados é verdadeiramente genial e vale o tempo perdido a ler o conjunto de lugares comuns que até eu, que não percebo nada destas coisas, era capaz de proferir. Garante um dos elementos do painel que “todos os nossos problemas estarão resolvidos quando cada chinês beber uma garrafa de vinho português”. Por dia, acrescento eu.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Comprar, comprar, comprar...

Os portugueses estão a gastar euros aos milhões. Somos, aliás, um dos povos que, no mundo inteiro, mais dinheiro gasta em prendas de Natal. Embora isto do Natal mais não seja, quanto a mim, do que um pretexto para arejar a carteira. Hesito, por isso, entre considerar que seremos uns mãos largas ou que se trata apenas do gozo que nos dá gastar dinheiro. Ou de usar o cartão de crédito. 
Também gostamos de fazer boa figura, nomeadamente no que diz respeito à fatiota e, para andar bem vestidos, compramos trapinhos como se não houvesse amanhã. Deve ser por isso que não há na Europa quem gaste mais do que nós em roupa. Não admira, portanto, que ande por aí muita gente toda janota mas que, só por si, justifica a existência de dois ou três escritórios de agentes de execução. 
Para constatar a fiabilidade dos relatórios que fornecem este tipo de dados, basta dar um volta pelos supermercados e ver que os respectivos parques de estacionamento estão, nomeadamente ao fim de semana, completamente lotados. Mesmo em cidades de pequenas dimensões e diminuto número de habitantes, como é o caso de Estremoz, verifica-se uma verdadeira corrida a este tipo de estabelecimentos. Chega mesmo a ser difícil acreditar que por cá haja gente suficiente para encher quatro superfícies comerciais de média dimensão. 
Talvez, a juntar ao vicio de comprar, os portugueses estejam a antecipar o próximo aumento do iva. Se assim for está bem visto. Trata-se de um investimento seguro que renderá, a curto prazo, um ganho de dois por cento. Pelo menos, porque o aumento dos bens é capaz de incorporar outros custos que as empresas, generosamente, se encarregarão de partilhar com os consumidores.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Os esquemas da Mariana

Mariana tem trinta e sete anos, é funcionária pública, mora em Estremoz e, segundo o Sol online, encontrou uma forma inovadora – alternativa, até – de obter crédito mais ou menos imediato, que paga no mês seguinte, sem juros. O esquema é simples e funcionará mais ou menos assim: Mariana dirige-se à Modalfa compra roupa e no dia seguinte volta lá para devolver o que comprou. Apesar de ter pago com cartão de crédito a loja procederá, segundo a mesma fonte, à devolução do valor da compra em dinheiro. O que, alegadamente, lhe proporcionará a liquidez necessária sem ter de suportar juros. Acrescenta ainda que, neste Natal, voltará a utilizar o esquema que, a acreditar na história, terá repetido por diversas ocasiões. 
Mariana, do alto dos seus trinta e sete anos, teria outras opções menos ingénuas. Mas cada um sabe de si. E, de resto, nem sabemos se usará outras formulas, ainda mais criativas e menos onerosas para os próprios, que são cada vez mais usadas por colegas seus. Até porque, convenhamos, este esquema é fraquinho. Pode, por exemplo, comprar a crédito tudo o que a sua imaginação lhe sugera. Quando a conta aparecer na caixa do correio basta olha-la com desprezo e continuar a comprar como se não fosse nada com ela. Anos mais tarde um qualquer tribunal vai confiscar-lhe uma parte do vencimento. Pequena, diga-se, porque terá de ficar sempre com um valor equivalente ao salário mínimo, para que a Mariana possa continuar a viver com dignidade. O que significa que pode deferir no tempo – vinte, trinta ou cem anos – o pagamento dos seus calotes, enquanto vai vivendo à grande com o produto do crédito que entretanto tinha obteve. 
Tudo isto constituem as pequenas maravilhas da protecção ao prevaricador que as Marianas desta vida aproveitam com sabedoria. Claro que também podia viver a sua vidinha de acordo com um orçamento ajustado ao rendimento mensal. Poder até podia. Mas não era a mesma Mariana.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O que é que vão açambarcar a seguir?

Já se fazem apostas acerca dos bens ou produtos, supostamente de primeira necessidade, que desaparecerão misteriosamente do mercado quando os açambarcadores deixarem de se interessar por açúcar. De recordar que este, por sua vez, sucedeu aos medicamentos alvo de diminuição da comparticipação pelo Estado. Embora no caso dos fármacos, pese todos os esforços desenvolvidos por uma legião de idiotas, apenas em casos muito pontuais é que os stocks se foram abaixo. 
Segundo alguns o próximo bem a escassear poderá ser, também, do ramo alimentar. E, quase de certeza, daqueles que são capazes de suportar um largo período de armazenamento. Outros sugerem os combustíveis. Mas neste caso a constante subida de preços indicia claramente que este tipo de produtos não faltará no mercado. Pelo menos enquanto a tendência ascendente do custo se mantiver. 
Fontes geralmente bem dispostas garantem que serão os preservativos o próximo produto a escassear nas prateleiras dos supermercados, aos balcões das farmácias e até nessas maquinetas que disponibilizam camisinhas em cada esquina. Parece que factores climatéricos adversos estarão a condicionar negativamente a produção de latex das seringueiras brasileiras. Tal facto irá, necessariamente, reflectir-se na industria que trabalha com esta matéria-prima e afectar o sector de forma dramática. 
Daí à ausência deste bem essencial do circuito comercial será um ápice. Alertados por este post, os consumidores encetarão uma demanda por preservativos que só terminará quando não existir um único exemplar disponível para venda. Todas as manhãs, pontualmente, longas filas se formarão à porta dos locais suspeitos de ainda disporem de algumas unidades e rapidamente esgotarão o stock entretanto reposto. E, neste caso, alerto desde já, nem vale a pena ir a Espanha. As camisinhas espanholas são mais pequenas...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Candidatos de aviário

As presidenciais são, de todas as eleições, as mais desinteressantes. Os poderes do Presidente são pouco mais do que protocolares, pelo que se torna completamente indiferente quem ocupa o cargo. Quem vencer pouco ou nada pode fazer e, ainda que queira - e nem mesmo quanto a isso existem certezas acerca da vontade dos candidatos anunciados – pouco poderá interferir no sentido de alterar o rumo que o governo está a dar à politica nacional. Daí que a imagem da luta pelo pedaço de pão no bico da galinha assente que nem uma luva a este acto eleitoral. O lugar em disputa tem tanta importância quanta a fome que pode ser saciada pela migalha de pão pendurada do bico de um galinácio em fuga. 
Calculo que debates como o transmitido ontem sejam penosos para os intervenientes, para os que tem como função comentá-los e, principalmente, para quem assiste. Embora quanto aos últimos um comando à distância possa obviar a penosidade da coisa. Acredito que qualquer dos candidatos que ontem estiveram na TV sejam bons na área de actividade em que se notabilizaram. Também não tenho motivos para duvidar que a curar feridas ou a ligar cabos serão do melhor que existe entre nós. No entanto, pelo nível de argumentação usado no debate, nem  para Presidente da junta da minha freguesia me parece que reúnam qualidades.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Totós

Quase todos já fomos, pelo menos uma vez, abordados por alguém que nos pretendia inquirir, ao vivo ou pelo telefone, acerca de um assunto especifico para fins estatísticos, para a realização de um qualquer estudo de mercado ou desses a que vulgarmente chamam sondagens. Coisas destas há para todos os gostos – e alguns desgostos, também – muitas delas com resultados verdadeiramente surpreendentes. 
É o caso do estudo, recentemente divulgado pelo Jornal de Noticias, segundo o qual sessenta e um por cento dos portugueses não confiava a chave de casa ao alegado engenheiro que por cá nos vai lixando. O facto de trinta e nove em cada cem cidadãos equacionar a possibilidade de confiar a chave da sua residência à criatura, deixa-me absolutamente perplexo. Ao carteiro, ao homem que vai contar a luz, a água, levar a botija de gaz ou reparar a tvcabo, seria mais ou menos normal que assim fizessem. São, por norma, pessoas sérias. 
Apenas encontro alguma justificação para este facto se levarmos em conta que o universo dos inquiridos inclui pessoas que enchem a despensa de açúcar para os próximos dez anos, que adquirem medicamentos que deixam de ter comparticipação ainda que o mais provável seja estes passarem da validade muito antes que tenham tempo de esgotar o stock e que, por duas vezes, elegeu um pantomineiro compulsivo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fúria do açucar

A imperiosa necessidade de possuir reservas estratégicas de açúcar, evidenciada nos últimos dias pelos portugueses, é reveladora de sinais preocupantes. De parvoíce, logo para começar. De facto comprar quantidades absurdas de um produto, quando se necessita apenas de uma pequena quantidade, é parvo. 
Fazer uma peregrinação, em busca de açúcar, pelas diversas superfícies comerciais é também sinal de histeria. Bastou a comunicação social anunciar a sua eventual escassez para, num ápice, pessoas aparentemente normais se precipitarem para as prateleiras dos supermercados na ânsia de comprar o maior número possível de embalagens. 
Podia, finalmente, pronunciar-me acerca dos sinais de pouca lucidez que esta gente manifesta. Gastaram dinheiro quando não precisavam de o fazer, adquiriram um bem perecível que possivelmente se vai deteriorar antes que o consumam e criaram todas as condições para terem as suas casas invadidas por formigas. Mas não o vou fazer. Sugiro apenas que vão  tendo cuidado com o pacote.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Produzir mais e melhor?! Talvez bastasse só "produzir"!

A receita parece consensual. Precisamos de trabalhar e produzir mais e melhor. Até a mim, que por norma estou contra, esta ideia se afigura como razoável. Por outro lado sucedem-se os apelos contra o desperdício alimentar, nomeadamente das refeições que sobejam em restaurantes e cantinas, tendo mesmo sido criado um movimento de cidadãos que conseguiu já mobilizar uma parte significativa da sociedade para esta causa. Tal como a anterior também me parece uma intenção capaz de reunir o consenso de todos. 
Pena que não se consiga mobilizar ninguém – pelo menos sensibilizar, vá – para um outro problema bem mais grave, pelo menos na minha óptica, que tem a ver com a ausência de capacidade produtiva de bens essenciais à nossa alimentação e, consequentemente, com a necessidade de importar quase tudo o que consumimos. O que, num futuro que pode não ser muito distante, inevitavelmente nos trará problemas que, por agora, dificilmente imaginamos. 
Ainda sou do tempo em que cada metro quadrado de terreno era aproveitado. Por todo o lado cresciam hortas, searas ou simplesmente se plantavam couves ou semeavam batatas. Hoje nada disso acontece. Pior. Criou-se um circuito de produção que constitui um claro desincentivo a quem pretende produzir alguma coisa. 
Até como estamos na época da azeitona, atentemos neste exemplo. Um olival de pequena dimensão produzirá cerca de duas toneladas. Esclareça-se, desde já, que o proprietário tem emprego que não lhe permite ser ele a apanhar a azeitona pelo que terá de recorrer ao recrutamento de mão-de-obra. Como na região as pessoas em idade activa não abundam e as que restam estão ao serviço da autarquia ou no desemprego, a alternativa é procurar entre os ciganos ou a comunidade de leste quem esteja disponível para fazer o serviço. Se tiver a sorte de encontrar, pagará dezoito cêntimos por cada quilo recolhido. Ou seja trezentos e sessenta euros. Como não possui um tractor ou outro de meio de transporte com capacidade adequada, terá de fretar um para colocar a azeitona no lagar. Coisa para, a preço de amigo, mais uns cinquenta euros. O que totaliza quatrocentos e dez euros, portanto. Chegados ao lagar o preço proposto será de vinte cêntimos por quilo. Ou seja quatrocentos euros. O que representa para o proprietário, só nesta fase do processo, um prejuízo de dez euros. 
Claro que, perante este cenário, a azeitona irá ficar na árvore, apodrecer e cair ao chão. O pequeno olival produziu matéria-prima para cerca de duzentos e cinquenta litros de azeite. No entanto, por uma estranha lógica que influencia os factores de produção, o produto final nunca chegou a existir. Se calhar, também nestes casos, a culpa é dos mercados...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Pimbagaga

Diz que passou por aí uma senhora gaga que, por sinal, até canta. A criatura, de aspecto esquisito, arrasta consigo uma legião de fans dispostos a tudo, mesmo pernoitar à porta do local do espectáculo, para a ouvir cantar. Ou lá o que ela faz. Até, pasme-se, pagar entre cinquenta a oitenta e cinco euros por bilhete, mais os custos da deslocação para quem não reside pelas redondezas. 
A vinda da exótica senhora a Portugal terá representado a saída do país de mais de um milhão de euros. Mais coisa menos coisa. Quando, no Verão passado, o Presidente da República apelou a que os portugueses não fizessem férias no estrangeiro, porque isso representaria um incremento das importações, teria sido bom que tivesse igualmente lembrado este tipo de acontecimento. Não que tenha nada contra quem canta ou gosta de ouvir cantar. Mas, assim como assim e já que estamos na miséria, não percebo porque raio não se hão-de contentar com a Ana Malhoa, a Ruth Marlene, a Micaela ou com a Romana. Até porque qualquer delas é muito melhor que a tal Gaga.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Limpar as mãos à parede

As paredes dos wc's públicos constituem locais privilegiados para a exibição de mensagens mais ou menos exóticas. Chamemos-lhe generosamente assim. É, também, comum encontrarmos apelos ao asseio, à higiene ou, no mínimo, para que mantenhamos o local como o gostaríamos de encontrar. Este pedido, recomendação ou o que lhe queiramos chamar vai, convenhamos, um pouco mais longe. Mas o caso, há que reconhecê-lo, não é para menos. 
Limpar as mãos à parede, seja qual for o prisma pelo qual se olhe a coisa, não é bom. Estejam elas – as mãos, claro – cagadas ou não. No sentido literal do termo porque a parede fica suja e as mãos não ficam limpas. Em sentido figurado porque se trata de uma expressão popular que significa ter vergonha da sua obra e que se usa quando alguém fez mal qualquer trabalho. No caso em apreço ambos os sentidos parecem encaixar na perfeição. Limpar as mãos à parede, para mais cagadas, além de não contribuir para a higiene pessoal ou do lugar onde tão nojento acto é praticado, é de causar vergonha ao autor de tal serviço.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Consumistas iluminadas

Escapam-me os motivos que levam alguns seres, especialmente gajas, a sentir uma estranha necessidade de comprar coisas. Não porque, de facto, lhes sejam indispensáveis, mas apenas porque sim. Porque, dizem, lhes faz bem ao ego, lhes levanta o astral – seja lá isso o que for – para espairecer ou, apenas, porque gostam de comprar coisas que apesar de não lhes fazerem falta nenhuma estavam ali mesmo a suplicar que as comprassem. Não sei se este tipo de comportamento é ou não considerado uma doença. Mas se não é devia ser. Até porque o grupo de risco está, há muito, perfeitamente identificado e caracteriza-se por ter a carteira cheia e a cabeça vazia. 
Deve ser a este tipo de gente que se destinam as luzinhas que na quadra natalícia alumiam as nossas cidades. Embora haja quem não necessite de incentivos para consumir, acredita-se, vá lá saber-se baseado em quê, que o facto de as ruas estarem iluminadas constitui um estimulo ao consumo. A mim, sinceramente, não me parece. Excepto, claro, ao consumo de energia eléctrica e às demais alcavalas com que a EDP nos compõe a factura.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Bater? Talvez não seja má ideia.

Segundo relatos que se podem encontrar em diversos sites de informação, nos Estados Unidos uma mulher terá sido sovada pela policia na sequência de um desaguisado com os agentes de autoridade, durante o qual se terá recusado a recolher o cócó que a sua cadela largou na via pública.
Na terra do tio Sam as autoridades policiais não brincam em serviço nem, tão-pouco, se brinca com o serviço destas. Como, infelizmente, é vulgar noutras paragens. Haverá, com toda a certeza, muitas situações de abuso por parte dos agentes. Esta poderá ser uma delas. No entanto, e apesar disso, essas situações serão infinitamente menos numerosas do que aquelas em que por cá outros poderes ridicularizam a actuação da nossa policia.
Não pretendo com isto concordar que se desate por aí a malhar nessa malta que passeia os canitos e não recolhe a merda que estes vão largando. Mas, confesso, quase me sinto tentado a fazê-lo. Até porque a alguns apenas se perdiam as que caíssem no chão. Mas que se tem de fazer alguma coisa, lá isso tem. Sejam as policias, as Câmaras ou as Juntas de Freguesia. Senão, um destes dias, ainda alguém se vai lembrar de dizer que a quantidade de merda nas ruas é inversamente proporcional à qualidade dos nossos políticos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E porque não o "Dia do empréstimo"?!

Tal como se esperava o “movimento” iniciado pelo ex-jogador de futebol Eric Cantona, que pretendia levar os cidadãos a levantarem as suas economias dos bancos, não deu em nada. A ideia era parva e, em qualquer circunstância, condenada ao fracasso. 
Tenho, cá para mim, que era capaz de obter um apoio muito mais significativo se, ao invés, fosse lançado um movimento à escala europeia ou mundial em que, num determinado dia, todos nos dirigíamos a uma agência bancária para pedir um empréstimo. De montante elevado, claro. Isso sim é que tinha piada. Era parvo na mesma, lá isso era, mas muito mais divertido.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pontes

Admito que seja da minha má vontade mas, por mais que me esforce, não vejo qual o problema – gravoso ao que parece – da existência no próximo ano de vários feriados à terça e à quinta feira. Para haver as chamadas pontes que, ao que dizem, custam largos milhões de euros ao país, é necessário que o governo conceda tolerância de ponto e, mesmo assim, será uma situação que afectará apenas os funcionários públicos. O que, tratando-se de uma cambada de improdutivos, não deverá afectar assim tanto a economia nacional. A menos que essa coisa da improdutividade sirva apenas para outros argumentos. Nomeadamente àqueles que reclamam do excesso de funcionários públicos e que fazem exactamente o mesmo porque não está um em cada esquina para o servir. 
Uma “ponte”, na ausência de tolerância de ponto, é sempre feita à custa de um dia de férias de quem opta por prolongar os dias de descanso. Sabendo-se que o aumento da duração das férias não é coisa que se preveja venha a acontecer, parece lógico que quantos mais dias o trabalhador gastar em “pontes” menos de dias de férias irá gozar. O número de dias de ausência ao trabalho será, portanto, sempre o mesmo. Com “pontes” ou sem elas. Assim sendo não consigo entender o motivo de preocupação pela generosidade do calendário. Não é por nada, mas sempre gostava de saber se as criaturas que espalham estas atoardas vão conceder tantos dias de descanso às suas empregadas domésticas...

domingo, 5 de dezembro de 2010

O pior cego...

Lamento escrever isto assim, mas não encontro maneira mais simpática ou galhofeira de o fazer: Quem ainda apoia este governo em decomposição, quem permanece ao lado do actual Partido Socialista ou quem continua a considerar como boa a governação de José Sócrates é intelectualmente pouco sério. Pior. Se estiver convicto que governo, actual PS e o primeiro ministro, estão de boa-fé a fazer o melhor para o país e para os portugueses, então, não passa de um indigente mental. 
De inicio pensei que fossem apenas incompetentes. Depois apercebi-me que eram, afinal, oportunistas. Embora continuassem incompetentes. Pelo meio desconfiei que podiam ser ladrões. Vigaristas, até. Há quem assegure que são loucos. Suspeito de algo pior. Acho que nos querem exterminar. Tenho apenas uma certeza. “É preciso acabar com os pobres antes que eles acabem com os ricos”.  Como disse, alguém, em tempos idos. O facto desta gente não perceber isto não augura nada de bom... 
Sou suficientemente tolerante com opiniões diferentes da minha e não tenho qualquer dificuldade em reconhecer quando estou errado. Sei, também, que vivemos uma época de inversão de valores. Custa-me, no entanto, a aceitar – e já nem digo perceber – porque razão tantos andam há anos a ser enrabados por esta camarilha e, ainda assim, parecem continuar satisfeitos. Porra, não pode haver tanto paneleiro!

sábado, 4 de dezembro de 2010

Acção directa

Muitas vezes manifestei neste blogue a minha opinião acerca de movimentos grevistas e de como isso não tem a mesma eficácia de outras acções, concertadas ou não, quando promovidas com determinado fim. Independentemente da bondade das suas reivindicações, se é que existem, ou do que seja lá o que for que pretendem obter com a sua atitude, os controladores aéreos espanhóis demonstraram que é possível afectar muitíssimo mais o poder politico e económico com formas de luta alternativas. 
Nem todas as classes profissionais ou grupos de cidadãos têm, como é óbvio, o mesmo poder de causar prejuízos aos diversos poderes. Acredito, ainda assim, que a soma da acção de cada um, visando o mesmo objectivo, produz um efeito muito maior do que o obtido com uma qualquer greve. Argumentam alguns com o perigo que estes movimentos representam, quer em termos de ordem pública, de segurança ou, até, de comportamento cívico. Parece-me que não. Se calhar haverá é quem esteja preocupado com a ausência de controlo politico do protesto. Ou, os detentores dos diversos poderes, saberem que estas acções, por incontroláveis, afectarão bem mais os seus interesses.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Esqueceram-se dos robalos, foi?

O país recebeu com alivio a confirmação que o Mundial de Futebol de 2018 não se realizará, ainda que apenas uma pequena parte dele, em Portugal. É que, apesar de os optimistas de serviço nos garantirem que os custos seriam mínimos, nestas coisas que envolvem financiamento público o risco fica sempre por conta dos mesmos. Argumentos como o impacto que tal evento teria na economia nacional são, para mim, o principal motivo de satisfação por o campeonato do mundo se realizar noutro lugar. Basta lembrar os Estádios construídos para o Euro - que inexplicavelmente ainda não foram demolidos – e pensar na necessidade imperiosa de realizar investimentos que muitos assegurariam serem imprescindíveis. TGV, aeroporto e acessos a qualquer coisa teriam, caso nos tivesse calhado a fava, constituiriam de agora em diante mais um motivo para o auto intitulado engenheiro insistir na sua construção. 
Para além de tudo isso, ver o gajo de trombas também dá um gozo do caraças.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Poupança. Ou a falta dela.

A questão da poupança está na ordem do dia. Não há orgão de comunicação social que não nos forneça, gratuitamente sublinhe-se, as mais variadas dicas para poupar alguns trocos que, todos somados, no final de um determinado período de tempo representam uma quantidade considerável de euros. Isto porque apenas agora surgiu a convicção que refrear o elevado nível de consumo a que temos assistido ao longo dos últimos anos e estimular hábitos de aforro, constituirá uma das principais condições para melhorar a situação do país.
Receio que esta seja uma campanha condenada ao insucesso. Em matéria financeira os portugueses não têm juízo, não sabem gerir o seu pequeno orçamento doméstico e anseiam constantemente dar o passo maior que a perna. Que é como quem diz gastar mais do que aquilo que realmente podem. E, por mais estranho que pareça, gostam que o seu clube, a sua associação, a sua Freguesia, o seu Município ou o Estado façam o mesmo. Embora, relativamente a este último, até defendam algumas poupanças desde que estas, claro, não os atinjam. 
Mais do que poupar importa ser racional. Por isso muitas das sugestões de poupança que ultimamente têm vindo a lume, mais não são do que regras básicas que todos devíamos seguir no dia a dia. Recorrer ao crédito apenas na medida do estritamente necessário ou gastar o nosso dinheiro somente naquilo que nos é útil e indispensável são algumas delas. Outra, igualmente importante mas que todos parecem descurar, é exigir que a associação ou o clube de que somos sócios e que a autarquia onde exercemos o nosso direito de voto tenham igual comportamento.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Espionagem blogosferica

Consta, mas se calhar é só mais um mito urbano, que haverá pessoas mandatadas para analisar diariamente a blogosfera a fim de recolher dados a respeito de quem critica o governo. Serviço que, muito naturalmente,  estará a ser devidamente remunerado. A acontecer não me parece mal de todo. Será uma maneira de manter entretida uma certa gente, com pouca habilidade para fazer coisas úteis mas muita vontade de lamber coisas. Sapatos, nomeadamente. Ou até, quem sabe, botinhas de lã. Mesmo que estas, apesar do aspecto ternurento que possam evidenciar, vão deixando um ou outro borboto. 
Não sei se essas pessoas verificam o que vou escrevendo aqui pelo Kruzes nem se recolhem informações sobre o autor. Eu, no caso. Desconfio que não. Mas se estiver enganado e este sitio for visitado por quem alegadamente estará incumbido de transmitir as informações ao chefe, peço-lhes, encarecidamente, um favor. Já que se dão ao trabalho de ler as alarvidades que vou postando, sejam fofinhos e cliquem nos anúncios, inscrevam-se nos sites e comprem as coisas que publicito. Estarão, dessa maneira, a contribuir para que empresas nacionais vendam os seus produtos e a ajudar o nosso querido líder a não se sentir tão sozinho na árdua tarefa de puxar pelo país. Vão ver ele ainda vai agradecer. E eu também. Para além que, se fizerem isso, prometo não contar nada àquele linguarudo da wikileaks.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

As aventesmas do costume

O rigor informativo não é propriamente o forte da maioria dos nossos orgãos de comunicação social. Durante o fim de semana a maioria deles colocou particular ênfase no facto de o primeiro prémio do euromilhões ter saído a um grupo de apostadores madeirenses, entre os quais se incluirão algumas pessoas carenciadas. Ao que foi revelado, o custo semanal da aposta seria de dezoito euro por apostador. O que, a ser verdade, representará um encargo mensal de setenta e dois euros. Convenhamos que para carenciado é uma quantia considerável. 
Fico satisfeito por mais alguns portugueses se verem livres das leis sócretinas. Embora, como é natural, ficasse muitíssimo mais se o libertado fosse eu e todos os restantes vinte e oito sócios que comigo partilham a esperança de um dia nos tocar em sorte algo do género. Todavia acho completamente descabida essa necessidade informativa, talvez para romancear a coisa, de salientar a pretensa carência económica dos felizes contemplados. 
Pior só facto de agora haver já quem sugira que a vencedora é a dona da tabacaria. A senhora, como promotora da sociedade em causa apesar de não a integrar, é quem está na posse dos originais dos boletins. Pelo que, perante a Santa Casa da Misericórdia, é a legitima vencedora. Houve mesmo orgãos de informação que solicitaram a opinião de juristas e especialistas diversos acerca da matéria. Repugnante, quanto a mim, suscitar dúvidas quanto à titularidade do prémio. Quererão, provavelmente, os mentores destas questões provocar guerras e desavenças onde não há qualquer motivo para isso. Espero que toda a gente saiba manter a cabeça no lugar e aplicar o dinheiro que a sorte lhes atribuiu com ponderação e bom-senso. De preferência longe de jornalistas que apenas pretendem fabricar noticias. Alegadamente, claro.

domingo, 28 de novembro de 2010

Eco-deputados

O actual PS não pára de surpreender os portugueses com medidas verdadeiramente importantes. Na ausência de novas causas fracturantes os deputados – ou quem manda naquela malta – do partido que ainda ocupa o poleiro, entretêm-se a propor coisas que realmente importam ao país e que podem contribuir decisivamente para o fim do triste ciclo que actualmente se vive. Infelizmente nenhuma delas inclui o suicídio colectivo daquela trupe mas, ainda assim, são propostas louváveis. Ou de se lhe tirar o chapéu, vá. 
Ao que se sabe o grupo parlamentar do actual Partido Socialista - não confundir com outro partido, que por acaso tem o mesmo nome e a quem os portugueses muito devem – pretende, de ora em diante, obrigar os supermercados a conceder um desconto de cinco cêntimos, por cada cinco euros de compras, a quem prescindir dos habituais sacos de plástico para acondicionar as ditas. Livres da obrigação de dar o descontinho ficarão os agentes económicos que decidam cobrar um valor, admite-se que simbólico, a quem insistir em levar o saquito. Gosto particularmente desta medida. Há que acabar com o plástico, essa invenção capitalista. Pena não aproveitar a ocasião para regulamentar o modo de transporte e acondicionamento dos diversos tipos de bens entre a loja e o domicilio do comprador. 
O mesmo grupo para lamentar apresentou também uma proposta que visa acabar com a água engarrafada no parlamento e, por consequência, fazer com que os deputados passem apenas a beber água da torneira. Por mim estou quase de acordo. Apenas coloco um senão. Acharia melhor ainda se a proposta incluísse a recuperação da profissão de aguadeiro. Embora modesto, seria um contributo para a criação de postos de trabalho. Daqueles a sério em que se trabalha e tudo. Ah! E antes que me esqueça, aproveito desde já para me demarcar de qualquer proposta tendente a organizar excursões com o propósito de ir mijar para a água da barragem de Castelo de Bode.

sábado, 27 de novembro de 2010

Volta Sandokan, estás perdoado.

Faltam-me as palavras para definir o civismo dos meus conterrâneos quando conduzem um automóvel. Ou quando o estacionam. Este cenário constitui uma moda recente e que resulta, no essencial, de dois factores. A abertura de alguns estabelecimentos comerciais nesta zona do Rossio e o facto de o Sandokan já não chefiar o posto da Policia de Segurança Pública. Podia também mencionar uma terceira circunstância e que tem a ver com a necessidade tuga de levar o carrinho até à miníma distância possível do local de destino. Mas isso até se compreende. Há que poupar as energias para a caminhada do lusco-fusco.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vigaristas sem classe

Costumo dizer que se algum dia for confrontado com uma situação extrema, que implique a falta de recursos financeiros para satisfazer as necessidades mais básicas e não tiver outro meio de o fazer, não hesitarei em recorrer a métodos pouco lícitos para obter os rendimentos que considere adequados. 
Provavelmente é o que fazem as pessoas que enviam o tipo de email's da imagem ao lado e que diariamente me atafulham a caixa de correio. Podiam e deviam, como já tive ocasião de referir noutros posts em que o nível de desagrado com o volume de lixo acumulado me fez abordar a questão, era ter um pouco mais de respeito pela inteligência daqueles que escolhem como vitimas e adequar a forma de actuação ao público alvo que pretendem atingir. Uma história como a desta carta talvez resultasse, por exemplo, em Fátima num dia de peregrinação se fosse contada a uma das muitas velhotas de xaile e pelos na verruga. Assim, por mail e com um português manhoso de tradutor on-line, está condenada ao fracasso. 
Embora mais rebuscados, e já com um ou outro casos de sucesso, parecem-me igualmente fraquinhos os esquemas que visam caçar os códigos do home-banking. Para além dos constantes alertas dos bancos para estas tentativas de fraude, a coisa tem o senão de o burlão correr o sério risco de mandar um mail a pedir os dados bancários de um banco onde a potencial vitima não é cliente. O que, como é óbvio, a deixa alerta contra este tipo de burla. A menos que – e é sempre um dado a ter em consideração – o destinatário seja parvo. 
Como é bom de ver estes são métodos reprováveis a que não recorreria se me visse na situação descrita no inicio deste texto. Preferia outros igualmente desonestos mas com mais probabilidades de êxito. Como o daquele tuga que, coincidência do caraças, conseguia localizar todos os canitos que se perdiam no país e receber grande parte das recompensas atribuídas pelos desesperados donos...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Poltrões!

Ao contrário do anunciado e do que alguns – coitados – acreditaram, os sacrifícios exigidos, alegadamente para combater uma certa crise que se diz existir por aí, não são para todos. Só os tolinhos podiam pensar o contrário. Com o descaramento próprio das pessoas sem vergonha, PS e PSD viabilizaram a intenção do governo de não aplicar cortes salariais às empresas públicas. Pelo menos àquelas que o governo entender ou  onde a camarilha que por lá ciranda tenha a força de persuasão necessária, junto de um qualquer ministro, para se escapar à austeridade anunciada. 
O argumento dos bandalhos que assim decidiram é notável. Evitar que, por força da redução salarial, se verifique uma fuga de quadros para a concorrência privada é, de facto, uma argumentação digna das cabeçorras instaladas no poder. Como se alguém dos privados andasse permanentemente à pesca de funcionários, altos quadros ou administradores das empresas públicas. E, mesmo que se verifiquem transferências para as empresas privadas da concorrência não parece que daí venha grande mal ao mundo. Nem, mais importante ainda, ao mercado. Basta lembrar que Armando Vara saiu da Caixa Geral de Depósitos para o Banco Comercial Português e o banco do Estado continuou a existir. É verdade que as acções do BCP continuam a desvalorizar e, por este andar, qualquer dia até um sem abrigo pode comprar a sua totalidade. Se calhar é por isso que o governo optou por esta solução. Pagar-lhes bem para os gajos não saírem e, assim, não arruinarem o que ainda resta das empresas privadas em Portugal.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A greve tem destas coisas

Estou siderado com o exacerbado sentimento patriótico que hoje é possível encontrar em muitos portugueses. Nomeadamente entre os que não fizeram greve. Pelo menos a julgar pelas justificações para não aderir à greve e pelas opiniões dos muitos opinadores que hoje tiveram oportunidade, nos mais variados fóruns radiofónicos e televisivos, de manifestar a sua opinião desfavorável à paralisação geral decretada pelas centrais sindicais. Todos eles unânimes, trabalhadores e patrões, em garantir que o país precisa é de trabalho e que greves apenas contribuem para afundar ainda mais a nação. Pois sim. Lembrem-se disso quando forem passar férias ao estrangeiro, comprar inutilidades nas lojas dos chineses, prescindirem da factura para não pagar o iva ou, principalmente no caso dos empresários hoje particularmente patriotas, na altura de entregar a declaração anual às finanças. 
Ontem, pelo contrário, Francisco Van Zeller em entrevista televisiva manifestou a sua concordância com a greve geral. Para o empresário e antigo dirigente patronal existem fortes motivos de descontentamento que justificam a sua convocatória e que até é bom fazer um dia de greve, deitar a indignação toda cá para fora e depois voltar tudo ao normal. No seu entender é preferível este procedimento do que não se fazer nada e cada um optar por outras coisas. Que, obviamente, não especificou mas que se percebem. 
Já expressei neste blogue, em diversas ocasiões, a minha posição acerca das greves que visam objectivos como os que estão em causa. É tempo - e principalmente dinheiro - perdido. Por isso o antigo patrão dos patrões prefere a greve. Ele sabe porquê. Nós, os que somos atingidos pela loucura de quem nos governa, também devíamos saber e optar pelas tais coisas. E, mais do que perder dias de trabalho e de ordenado, usar a nosso favor todos os artifícios a que ainda podemos recorrer para obter algum beneficio. Já que parar a legislação idiota produzida por gaiatos ranhosos de capacidade intelectual duvidosa cujo único mérito é ter um cartão partidário, parece ser apenas possível através de outras lutas.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O regresso do escudo?! Livra...

Começa a surgir uma corrente de opinião, entre afamados especialistas em coisas, que entende que a saída do euro, de Portugal e outros países que se revelarem incapazes de controlar as contas públicas, constituirá uma inevitabilidade. Esta tese colhe, inclusivamente, a opinião favorável de alguns analistas portugueses que a consideram mesmo crucial para a sobrevivência das empresas nacionais, nomeadamente para o sector das exportações e para a retoma da economia. 
Como já escrevi em diversas ocasiões, desconfio dos economistas. De nenhum em particular, os que conheço são todos pessoas estimáveis, mas não gosto das suas ideias, das soluções que preconizam para a saída da crise – das crises, se calhar é mais correcto – nem das suas previsões acerca do que o futuro nos reserva. Mesmo percebendo as “vantagens” de, internamente, se controlar a politica monetária ou as taxas de juro e de ter uma mão-de-obra com o nível salarial do Bangladesh, parece-me, na minha modestíssima opinião, que esta teoria esbarra de frente com um ponto essencial. Mesmo que nós saiamos do euro ele continuará a existir. 
Uma medida desta natureza traria, no imediato, resultados catastróficos para o sistema bancário e para a economia. Seria a falência da nossa sociedade tal como a conhecemos. Toda a gente correria aos bancos a levantar o seu dinheiro ou, quem o pudesse fazer, apressar-se-ia a mudá-lo para lugar mais seguro. Colocá-lo ao largo, de preferência. Antes que ocorresse uma acentuada desvalorização da moeda e, por essa via, visse as poupanças esfumarem-se. Por mim, que não tenho grandes reservas nem sei como se fazem essas transferências manhosas, passava tudo para o paypal... 
Se a saída da moeda única tornaria competitivas as exportações, já do lado das importações iríamos ter um problema sério. Importando o país quase tudo o que consome, incluindo bens alimentares, as consequências de um acentuado e generalizado aumento de preço dos produtos mais básicos e essenciais seriam trágicas. A fome, a miséria e tudo o que lhes está associado atingiriam proporções alarmantes e, acredito, seria o colapso definitivo do Estado. Resta-nos a esperança que, com certeza, os economistas encontrariam uma solução...

domingo, 21 de novembro de 2010

Estacionamento tuga

Umas quantas cabeças pensantes - verdadeiros génios da táctica e sumidades da estratégia – resolveram  há quase três anos revolucionar o trânsito nos bairros da Salsinha, Monte da Razão e Quinta das Oliveiras. Lembro-me até de,  na altura, ter recebido um e-mail a dar conta da satisfação dos moradores dos referidos bairros por tão genial mudança. Obviamente que poucos residentes destas urbanizações estarão de acordo com as alterações introduzidas à circulação automóvel nestes locais. Conforme já escrevi em diversas ocasiões as distâncias a percorrer são bastante maiores, o que se reflecte nos consumos de combustível e no compreensível desrespeito por uma sinalização perfeitamente estúpida. Com as desagradáveis consequências que daí podem advir. 
Quem elaborou o plano actualmente em vigor – presumo que reputados técnicos com vasta experiência e nulo conhecimento do terreno – optou por não ouvir os moradores. Se o tivessem feito as preocupações que teriam ouvido prender-se-iam com aspectos completamente diferentes. Um deles seria de certeza o estacionamento de camiões de longo curso na entrada do bairro da Salsinha junto ao cruzamento para o Redondo, bem como nas ruas e nos locais para estacionamento de viaturas ligeiras. Verdade que as entidades a quem está atribuída a responsabilidade pelo arranjo urbanístico do bairro, pouco ou nada fizeram aos longo dos últimos vinte cinco anos no sentido de reabilitar o espaço não edificado. Verdade, também, que a falta de organização da zona e o visível desleixo a que a mesma tem sido votada ao longo do tempo potencia este tipo de abuso. Mas situações como as que mostra a foto que acompanha este texto podiam ser evitadas. 
Não é de esperar uma atitude cívica da parte dos proprietários e condutores das viaturas pesadas que por ali pernoitam e passam fins de semana. Qualquer arranjo urbanístico, desde que passe da fase de ideia até estar pronto, pode demorar largos anos. Mas, constituiu uma obrigação de quem tem soluções tão brilhantes para a regulação do trânsito - como as que pôs em prática nesta zona da cidade - tomar rapidamente medidas que ponham fim a uma situação que incomoda moradores, aborrece quem precisa estacionar o automóvel e desagrada a quem depara com mamarrachos deste quilate plantados em locais inadequados.

sábado, 20 de novembro de 2010

Gente séria

Presumo que a quantidade de manifestantes que desfilou hoje à tarde na Avenida da Liberdade irá variar consoante a fonte da noticia tenha origem nos organizadores do passeio, na policia ou no palpite dos jornalistas que acompanharam o acontecimento. Pelas imagens que as televisões mostraram não terão sido muitos. Nem, provavelmente por culpa do aparato policial, tão violentos como noutras paragens onde se realizaram cimeiras deste género. O que também não é de estranhar. Várias razões concorrem para isso: Somos um povo de brandos costumes, na manifestação havia uma elevada percentagem de velhotes ou de malta a ficar entradota, os estrangeiros que eram esperados não conseguiram entrar em Portugal e, por último mas não menos importante, o PCP e todas as organizações por si patrocinadas só querem aparecer e proporcionar aos seus apaniguados um motivo para exibirem as bandeiras e as causas. Perdidas, quase todas. 
Destas coisas das manifestações aprecio essencialmente as curtas entrevistas que as televisões fazem aos intervenientes. Extravasam superioridade moral e intelectual, irradiam cultura, mostram um conhecimento politico ao alcance de poucos – basta ver os resultados eleitorais – e evidenciam uma petulância que me suscita uma enorme vontade de rir. Foi o caso de hoje. Apesar do notório mau aspecto da maioria, alguns com evidentes sinais de não se aproximarem de água há meses, transmitiram-me ensinamentos importantes e que desconhecia por completo. Entre outras coisas fiquei a saber que a NATO é má. Faz maldades. Que as bombas atómicas matam que se fartam - excepto se forem do Paquistão, Índia, Coreia do Norte ou Irão – e que portanto há que acabar com o arsenal nuclear da Aliança Atlântica. Descobri também que não gostar de guerra é exclusivo da esquerda. O que me levou a uma preocupante conclusão. Varreram-se completamente da memória as gigantescas manifestações contra a a invasão soviética do Afeganistão, que o PCP organizou na década de oitenta.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tropa fandanga


Titula hoje o Correio da Manhã - e outra imprensa segue-lhes as pisadas embora em letras mais pequenas – que a Defesa, entenda-se a tropa, não terá dinheiro para pagar salários. Pois que não posso acreditar. Aliás, é absolutamente impossível que isso aconteça ou esteja prestes a acontecer. Ou, a ser verdade, alguém terá de ir preso. Não acredito que não haja carcanhol para vencimentos porque, é publico e está publicado, nas ultimas semanas foram promovidos centenas – talvez milhares, mas não me vou dar ao trabalho de os contar – de militares dos três ramos das forças armadas. É evidente e sou o primeiro – o segundo ou terceiro, vá – a defender que todos os profissionais tem direito à carreira e a progredir na dita mas, se não há dinheiro, tem que ser estabelecidas prioridades. E a primeira terá de ser, qualquer besta o sabe, assegurar os recursos para pagar ordenados. Se não houver para isso então as promoções, por mais justas que sejam, terão de esperar. 
A marosca nem sequer fica por aqui. Como é possível ver nos despachos publicados no Diário da República – e ainda hoje são publicados vários – as promoções tem, quase todas, efeitos retroactivos. Como é o caso, por exemplo, do Despacho nº 17407/2010, publicado hoje mas que produz efeitos a 29 de Dezembro de 2009. E depois queixam-se que não há dinheiro para vencimentos... Andam mazé todos a brincar com a tropa!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Xico, trata-te.

Louçã, o Anacleto, discursa por esta hora. O homem aparenta estar com problemas. Pior. Pela forma forma como vocifera parece nem tomar os medicamentos. Ou então não estão a fazer efeito. Outra hipótese é o discurso ser a consequência de um efeito secundário deveras estranho. Acha-se, logo ele, um lutador pela paz. Destila ódio contra os lideres europeus. Nomeadamente Sarkosy e Merkel. E amanhã estará na Assembleia da República. Diz que é uma espécie de deputado. Porque alguém – vá lá saber-se acometido de que patologia – votou nele.

Faz o que eu digo mas não faças o que eu faço


Ainda sou do tempo em que o Benfica apenas tinha jogadores portugueses. Mesmo que, em algumas épocas futebolísticas, o contingente africano constituísse mais de meia equipa. Hoje, graças à globalização e a outras parvoíce por demais conhecidas, já não é assim. Infelizmente. Muitos são os jogos em que, dos onze que entram em campo para representar o glorioso, apenas um ou dois nasceram em terras lusas. 
Neste contexto não posso deixar de considerar absolutamente ridícula a adesão do Benfica à campanha "COMPRO o que é nosso", que visa promover os produtos portugueses. Uma instituição que, ano após ano, compra os passes de dezenas de atletas estrangeiros, das mais variadas modalidades, preterindo claramente aqueles que são formados em Portugal e que, salvo raras excepções, apresentam uma qualidade futebolística idêntica ou superior e um preço muito mais em conta quando comparado com os milhões pagos aos que se trazem de fora, não me parece ser a entidade indicada para transmitir alguma credibilidade à campanha que se pretende promover.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Uma desgraça a que chamam país


Duas televisões exibiram hoje no telejornal da noite outras tantas reportagens em se abordava a relação difícil que os portugueses mantém com o fisco. Numa abordava-se a transferência de capitais para offshores sonegando, através de facturas falsas e esquemas manhosos, milhões de euros ao fisco. Noutra, eram divulgados os muitos milhões relativos a impostos que os portugueses se “esqueceram” de pagar às finanças. Dos números apresentados, conjugando um e outro caso e se, por remota hipótese, os portugueses fossem gente honesta – até mesmo aqueles que não andam na politica – pode-se facilmente concluir que o país ostentaria um saudável equilibro orçamental e que todos os sacrifícios por que agora temos de passar seriam evitáveis. 
O combate à fraude e evasão fiscal é o principal caminho- não descurando outros, obviamente - a percorrer no combate ao défice. Escrevo isso desde, pelo menos, o inicio deste blogue e é como muita estranheza que leio e ouço verdadeiras sumidades nestas matérias menosprezarem este aspecto. Alguns consideram-no mesmo de valor residual e insistem na velha cassete do corte de direitos e salários, bem como na concessão de mais e mais benefícios a empresas e empresários. Provavelmente para estes colocarem “ao largo”. 
Os números desta mega-fuga às obrigações fiscais constituem um verdadeiro escândalo e revela bem que tipo de gente vive cá pelo rectângulo. Ladrões, pantomineiros, vigaristas e aldrabões. Uns estarão no governo, outros terão lá estado e outros ainda terão vontade de para lá ir. De fora também não ficam os muitíssimos caloteiros, uma verdadeira manada de chicos-espertos, párias que vão vivendo à conta da sociedade e à margem de qualquer contributo que ajude a pagar o quanto nos custa a sua existência. Por fim todos os outros. Os que permitimos, com o nosso silêncio e inacção, que toda essa cambada assim vá vivendo e burlando quem cumpre. O resultado está à vista. Esta desgraça a que ainda chamamos país.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Os lixados do costume


Acho absolutamente ridículo o discurso de lideres políticos, sindicais e outros, garantindo a mobilização dos trabalhadores para a greve geral, ou para outras manifestações de repudio contra as politicas de austeridade promovidas pelo governo. Uma greve, uma manifestação ou qualquer forma de protesto pretende demonstrar, quanto a mim, que um determinado grupo de indivíduos está unido na defesa dos seus interesses comuns que, nesse momento, estão a ser postos em causa. 
Embora os ataques à generalidade dos portugueses que trabalham sejam violentos, aquilo a que se assiste nada tem a ver com um forte – nem sequer fraco – sentido de solidariedade e de união. Cada grupo de vitimas tenta safar-se por si, procura encontrar subterfúgios para que a sua classe não seja atingida e tenta escapulir-se bramindo argumentos que quase nunca potenciam um sentimento de unidade com aqueles que, pelos menos teoricamente, seriam companheiros de infortúnio. 
Nem vale a pena estar para aqui a dar exemplos. São mais que muitos, sobejamente conhecidos e todos os dias surge alguém a considerar que, por uma série de motivos, as medidas de alegada contenção não se deviam aplicar ao seu grupo profissional. Também não vou perder tempo a condenar este tipo de atitude. É um sinal dos tempos, das divisões que os governantes – principalmente os actuais – têm sabido provocar na sociedade para melhor impor as suas politicas e constitui uma prática com que todos nos temos de, cada vez mais, habituar a viver. Cada um por si e o do lado que se lixe. Até que estejamos todos lixados.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ocupação da via pública


Quando se fala de impostos idiotas é frequente dar-se como exemplo a licença de isqueiro que os portadores deste utensílio tinham de pagar nos idos anos do Salazarismo. Mais tarde foi a Sisa a ser considerada, pelo então primeiro ministro António Guterres, como o imposto mais estúpido do mundo. Fazendo jus à competência que evidenciou no desempenho do cargo, o curiosamente também engenheiro e socialista, mudou-lhe o nome e, com isso, mais ninguém achou o imposto que tributa a transacção de imóveis uma coisa absurdamente estúpida. 
Nos últimos dias muitos têm sido os que dão como exemplo de suprema parvoíce fiscal a taxa municipal de direitos de passagem ou taxa de ocupação do subsolo, que taxam, respectivamente, as operadoras de telecomunicações pela ocupação do espaço aéreo com os cabos e as distribuidoras de gás canalizado pela passagem das condutas no subsolo e que estas, obviamente, fazem repercutir na factura que apresentam ao cliente. 
O assunto veio a propósito da intenção de alguns municípios passarem a cobrar aos bancos uma taxa por ocupação da via pública com as máquinas multibanco. Apesar da ideia, pelo menos aparentemente, gerar algum consenso – se calhar por envolver os bancos como pagadores – a mim parece-me ainda mais estúpida que a tão gozada licença do isqueiro. Só com muito boa vontade, uma grande dose de imaginação e uma argumentação algo perversa, é que se pode concluir que uma máquina encastrada numa parede está a ocupar a via pública. Há até quem, num momento de invulgar delírio, compare a pobre ATM com uma esplanada de um qualquer restaurante que ocupa vários metros quadrados de passeio! Se os argumentos não primam pelo brilhantismo são, valha-nos ao menos isso, de rir até às lágrimas. 
Se o objectivo é endireitar as finanças autárquicas era capaz de haver muito por onde agir. Mas se não quiserem começar por cortar em despesas extravagantes podem, acredito com vantagens, pensar em receitas alternativas. De preferência daquelas que, para além de contribuírem para que os cofres municipais estejam menos vazios, possam representar também uma melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Estou, assim de repente, a pensar na introdução de portagens para acesso ao centro das cidades. Mas, como não há gente com tomates para isso, podem optar por soluções que embora igualmente parvas parecem um pouco mais lógicas. Como, por exemplo, taxar as antenas de televisão ou os marcos do correio. Com taxa agravada para os do correio azul.

domingo, 14 de novembro de 2010

Ideias parvas


Todos os dias surgem na internet movimentos espontâneos de cidadãos. Uns contra qualquer coisa, outros a favor de uma coisa qualquer, alguns antes pelo contrário e, outros ainda, simplesmente parvos. É o caso de um alegado “movimento popular” que pretende mobilizar os cidadãos europeus – ou da parte ocidental do mundo, sei lá – para que no dia sete de Dezembro se dirijam aos bancos de que são clientes e levantem todas as suas economias. 
Pretender-se-á com esta acção, nas palavras de um entusiasta da causa, mostrar aos bancos e aos governos que não terão assim tanto poder e que dependem do povo, que roubam descaradamente, para manter o seu negócio. Afirmam pretender instaurar uma nova ordem mundial – seja lá o que for que isso quer dizer – fazendo colapsar a actual sociedade assente no poder do dinheiro. Ou, digo eu, quererão fazer um ataque organizado ao sistema financeiro internacional e dar o passo que falta em direcção ao abismo fazendo a humanidade regredir até ao tempo em que vivíamos em cavernas. 
Claro que iniciativas destas estão, obviamente, condenadas ao fracasso. Nem, aliás, merecem esse titulo, porque iniciativa pressupõe que se trate de alguma coisa inteligente e uma ideia destas é um perfeito exemplo de idiotice. Até porque, mas isso sou só eu a suspeitar, os palermas que estarão por detrás desta proposta, bem como o tipo de malta que prevejo possa aderir, não terão dinheiro suficiente para esgotar as reservas de uma só caixa de qualquer agência bancária. Mas, caso esteja enganado e até tenham as contas relativamente bem providas, calculo que o dinheiro levantado depressa regresse ao banco. É que os traficantes de droga não costumam guardar o dinheiro debaixo do colchão...

sábado, 13 de novembro de 2010

Onde páram os defensores dos galináceos?!


Alguns defensores do direitos dos animais ficarão com certeza chocados com esta foto. Nada que me incomode. Aliás é até uma reacção bastante apropriada ao conteúdo da imagem. 
Todos os Sábados dezenas de galináceos são transaccionados no mercado de Estremoz e alguns destes estarão, por esta hora, no interior de uma panela. Lamentarmente ainda nenhum bacoco, militante de causas não menos bacocas, teve a ideia de, como forma de protesto pelo destino desta bicharada, se acorrentar a um sinal de trânsito, candeeiro de iluminação pública ou, numa demonstração de inusitada ousadia, à própria gaiola. Era parvo, mas lá que ia ser divertido lá isso ia.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Espionagem

Não sei se os meus leitores se interessam por espionagem. Se calhar não. Mesmo assim sugiro uma visita ao site a que nos conduz o banner publicitário, situado na barra lateral direita do blogue, e dar uma olhadela pelo fantástico material que ali é promovido. Coisas que farão, acredito, a delicia de qualquer espião. Ou de quem esteja interessado em espiar. Por mim prefiro os “chinelos detectores de metais”, que também constam da vasta gama de produtos que podemos encontrar à venda na loja on-oline a que a hiperligação nos leva. Chinelos esses que nem imaginam a falta me faziam neste momento. E não, não é por falta de calçado.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pobres e desinformados.


Jornais, rádios e televisões mostraram-nos ontem, de forma mais ou menos indignada, o quanto é inadequada a ajuda alimentar que a União Europeia envia para Portugal com a finalidade de ser distribuída a famílias carenciadas. Manteiga, arroz e cereais em quantidades astronómicas, muito para além da capacidade de consumo de qualquer família, constituíam no essencial o motivo da critica. Até porque, salientava um autarca particularmente chateado, apenas se podem candidatar a este tipo de ajuda famílias em que o rendimento per capita, depois de deduzidas uma série de despesas básicas, não ultrapassem os cento e oitenta e nove euros. Valor excessivamente baixo, no entender do Presidente de Junta ouvido pelas reportagens. 
Surpreende-me que nenhum jornalista, dos vários que abordaram o assunto, tenha questionado os valores exigidos como requisito para ter acesso aos apoios e a, pelo menos aparentemente, fraca adesão a este programa de ajuda alimentar. No actual contexto salarial parece-me que uma larguíssima faixa de portugueses se enquadra neste padrão de rendimentos. Um casal empregado em que cada um aufira quinhentos euros mensais, tenha dois filhos, pague uma renda de trezentos euros, cinquenta de luz e vinte de água, mesmo que todos sejam saudáveis e não tenha cada um mais que uma ou duas constipações por ano, cumpre as regras necessárias para ter acesso aos produtos alimentares que a Europa nos manda e que, pelos vistos, temos dificuldade em distribuir. Das duas uma. Ou, afinal, os portugueses não ganham assim tão pouco, ou andam distraídos e não conhecem os apoios a que se podem candidatar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estarei a ver bem?!


Vá lá saber-se porquê, a manchete de hoje do “Correio da Manhã” fez-me lembrar aquela velha história do homem que mordeu o cão. Não sei porque raio tal me terá ocorrido e, se calhar, é só uma associação de ideias completamente descabida. Ou então  encontrei aqui uma (i)lógica qualquer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os garganeiros


Intriga-me a absoluta necessidade de qualquer evento ou acontecimento da mais variada natureza, realize-se a norte ou a sul, terminar invariavelmente num repasto. Por vezes chega a dar a ideia que a realização de uma manifestação artística, recreativa, desportiva, cultural ou até mesmo de tipo indiferenciado ou difícil de enquadrar num conceito lógico e conhecido de manifestação, serve apenas de pretexto para, como diria o outro, encher a mula. 
Obviamente que comer, beber ou petiscar parecem-me actividades nada condenáveis. Antes pelo contrário. Desde que cada um pague aquilo que come, bebe ou petisca. Ou, se for à borla, que as despesas corram por conta da casa ou de algum patrocinador mais generoso. Mas, infelizmente, não é isso que acontece quando, no final dos eventos a que aludi, os participantes se transformam em comensais. São quase sempre as entidades públicas, com as autarquias à cabeça, que arcam com o pagamento das despesas e, como recentemente foi objecto de noticia na comunicação social, estão em causa montantes que, no todo nacional, assumem proporções verdadeiramente escandalosas. 
Numa altura em que os gastos públicos começam a ser esquadrinhados até ao mais ínfimo dos pormenores, são cada vez mais os que questionam a realização de despesas que não contribuem em nada para a melhoria de vida  da generalidade dos cidadãos e que, antes pelo contrário, apenas servem os interesses de um reduzido número de habituais garganeiros. É por isso tempo de os decisores, para além de fazer contas e pensar que há coisas mais úteis onde gastar o dinheiro de todos, comecem a perceber que talvez já não seja pela barriga que se ganham eleitores. A menos que seja a barriga dos que têm fome. Mas essa é outra história que hoje não vem ao post.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Badalhocos!


Muitos badalhocos do regime estão a fazer um alarido despropositado por causa das palavras do líder do PSD acerca da necessidade de responsabilizar, civil e criminalmente, quem gere demasiado mal os dinheiros públicos. (O demasiado resulta da minha interpretação do discurso do senhor Coelho). Como se isso não devesse constituir um dos princípios básicos a ter em conta por quem tem como responsabilidade administrar o dinheiro de todos. 
Os políticos, que nos conduziram à actual desgraça, gozam de total impunidade. São verdadeiros inimputáveis. Escudados nos resultados eleitorais acham que apenas o povo – e mesmo assim só nas urnas de voto – os pode condenar. Foi para isso que prepararam um emaranhado de disposições legais que lhes permite fazer praticamente tudo aquilo que querem sem que daí lhes possam ser apontadas responsabilidades de qualquer ordem. Excepto as eleitorais, claro. Mas, até essas, raramente acontecem. Basta ver os resultados eleitorais em Oeiras, Gondomar e muitas outras autarquias ou, em termos nacionais, as reeleições de Guterres e Sócrates. 
A coisa atinge um nível de absurdo de tal ordem, que é possível a qualquer governante ligeiramente mais visionário – seja autarca ou ministro – gastar os recursos que muito bem entender, sejam milhares ou milhões de euros, na construção de uma base de aterragem e respectivo centro de acolhimento a visitantes de outros planetas. Desde que cumpra todos os procedimentos legais para realização da despesa não há nada que o criminalize por isso. Tenha ou não dinheiro para tão inovador quanto desnecessário projecto. 
Mais tarde ou mais cedo, espero que mais cedo do que tarde, malucos deste quilate terão de responder perante a justiça pelos seus actos tresloucados. Por muito que isso custe a engolir aos Vitalinos, Jerónimos ou Anacletos desta vida.

domingo, 7 de novembro de 2010

Tristes

Para escapar a uma turba enraivecida – sem que se vislumbre uma única razão válida para tanta raiva - é quase necessária uma operação militar para colocar uma equipa de futebol dentro de um Estádio. No entanto, no mesmo país, são cometidas as maiores atrocidades de que as actuais gerações terão memória contra os direitos sociais e nada acontece. Nem uma pedra, uma bola de golfe, uma moeda vá, é atirada a um politico. Reconheço que é mais fácil atingir um autocarro em que a maioria dos ocupantes são estrangeiros, até por uma questão de tamanho, do que um automóvel ocupado por um ou dois governantes portugueses. Mas, por outro lado, mesmo que o Benfica ganhasse por dez a zero ao clube do porto daí não viria qualquer prejuízo para a qualidade de vida dos javardolas que por ali andam a vociferar. Se aqueles bandalhos protestassem com tanta energia quando um qualquer governante se deslocasse ao Porto, as coisas talvez fossem diferentes. Até porque, acho eu, cem ou duzentos euros a menos no pecúlio mensal é coisa para aborrecer muito mais que que perder vinte campeonatos do pontapé na bola. Mas não. Para aqueles doentes mentais o maior problema da vidinha deles chama-se Benfica. Tristes.

Choque tecnológico



sábado, 6 de novembro de 2010

E você, comprava um automóvel ao suposto engenheiro?

Se acho que os apaniguados, seguidores, apoiantes ou simples admiradores de José Sócrates, o ainda primeiro-ministro e relativamente engenheiro, são todos burros? Obviamente que não. Um ou outro não será. Até porque há gente que tem de defender o seu job e, portanto, é compreensível que inteligentemente vá manifestando apoio ao chefe. Embora, como vai sendo cada vez mais visível, de forma cada vez menos convincente. 
Quanto às qualidades do ainda líder do PS – por pouco tempo, espero – nada melhor do que ler a entrevista de Henrique Neto ao Jornal de Negócios. Segundo este histórico militante socialista, Sócrates "é um vendedor de automóveis" que "está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto". Será preciso dizer mais alguma coisa?!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O estado ladrão ou o ladrão do estado


Como era de esperar Alberto João, o rei da Madeira, já veio a publico manifestar o seu desagrado com a perspectiva de em Janeiro – caso a lei não seja inconstitucional ou as excepções não se transformem em regra - deixar de poder acumular a sua pensão de reforma com o vencimento que aufere como presidente daquela região autónoma. Tem, obviamente, toda a razão em expressar o seu lamento. E, mais ainda, quando não se coíbe de se indignar por este procedimento do Estado que apelida de ladrão. 
Alberto João tem, no entanto, uma grande vantagem relativamente a todos os portugueses. Depende apenas dele e só dele continuar ou não a poder auferir da reforma por inteiro. Basta apenas para isso que vá trabalhar para a iniciativa privada. Onde, com toda a certeza, alguém lhe pagará muito mais do que o tal Estado-ladrão lhe paga actualmente. Infelizmente a generalidade dos portugueses não tem essa opção. Por uma ou outra razão quase todos teremos no próximo ano menos dinheiro disponível nas contas bancárias e poucos terão a oportunidade de que dispõe o Alberto João. 
Sou desde a primeira hora – mesmo antes de o homem ter ganho as primeiras eleições – um critico convicto de Sócrates. Para mim é perfeitamente inconcebível que pessoas que tenho como muitíssimo mais inteligentes, cultas e letradas do que eu manifestem uma estranha admiração pelo primeiro ministro e consigam quase sempre justificar o comportamento do suposto engenheiro. No entanto não me custa reconhecer que neste caso, tal como na lei de proibição de fumar em recintos fechados, o governo esteve bem. Mas, para seis anos de poder, é manifestamente pouco.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Penso eu de que


Uma reputada jornalista, conhecida apoiante de causas fracturantes, manifestou no blogue em que habitualmente escreve a sua indignação contra os pensos rápidos. Não que, aparentemente, tenha alguma coisa contra este artigo de tão grande utilidade quando fazemos um pequeno golpe – daqueles que sangram, claro está – mas porque não acha adequado que os ditos pensos tenham, por norma, a cor da pele. Têm, argumenta em defesa do seu ponto de vista, a particularidade de uma resoluta recusa da diversidade do mundo. Ou, por palavras minhas, são uma forma intolerável de discriminação de todos os cidadãos não brancos. Imagine-se o desagrado de um negro, por exemplo, que quando se corta tem de passar pela humilhação de colocar um penso da cor da pele de um branco. Embora não sejam conhecidas estatísticas acerca de tão preocupante tema, acredito que haja por aí muitos negros que preferem esvair-se em sangue a colocar um adereço daqueles. Será, portanto, mais uma situação de racismo a que é urgente pôr cobro. 
Claro que tão fracturante assunto não podia passar despercebido à blogosfera e as reacções não se fizeram esperar. Nem o levantar de outras questões, de igual importância, em que igualmente se verifica uma preocupante insensatez na côr dos produtos que nos passam pela epiderme. Houve quem lembrasse, muito acertadamente, que a linha de sutura é preta. Coisa para causar danos psicológicos irreparáveis a qualquer cidadão de pele branca - ou rosácea, vá – que de repente se veja cozido com fios de uma cor que nada tem a ver com a sua. 
A mania do politicamente correcto e de ver em todo o lado, mesmo nas coisas mais insignificantes, algo que pode ofender alguém provoca-me níveis de irritabilidade bastante elevados e faz aumentar em proporções alarmantes o desprezo que esta intelectualidade me causa. Embora não aprecie contendas confesso que, perante disparates destes, sinto vontade de atacar alguém. À bofetada. De luva branca, evidentemente.