quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bom 2015!


É costume, quando se está prestes a entrar em qualquer coisa nova, desejar que o putativo penetrante o faça com o pé direito. Ora, quando estamos quase a chegar a um novo ano, é algo parecido que desejo a todos os leitores e visitantes ocasionais do Kruzes. Que entrem com a mão direita em 2015 e lhe dêem muito uso para aquilo que mais lhes aprouver. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Presumir, cada um presume o que quer e eu presumo o contrário do que vocês presumem. E, por mais que presumam outra coisa, a minha presunção é tão boa como a vossa.

Para quem, do ponto de vista das emoções, se está absolutamente nas tintas para a politica partidária, chega a ser enternecedora a forma como algumas almas – muitas até, reconheço – defendem o cidadão José Sousa. Dá mesmo a ideia que existe entre elas uma espécie de competição para definir quem é mais amigo do homem, quem acredita mais que o senhor é quase santo e que as leis que são aplicadas a milhares de cidadãos não se lhes devem aplicar. Devia, na opinião dessa maralha, estar fora da alçada da lei e, em suma, gozar de total impunidade.
Há, também, os que levam a vida a comparar com outros processos. Ou com outros figurões da politica e da finança. Como se os alegados crimes de uns atenuassem os de outros. Faz-me lembrar os tempos da escola primária em que, para tentar salvar o coiro, quando dava erros no ditado argumentava em casa que o Sicrano e o Beltrano tinham dado muitos mais.
Isto para além dos auto proclamados ilustres que vão visitando o senhor Sousa. Não se coíbem de, quase à descarada, dar a entender que essa coisa de cumprir a lei é, sim senhor, muito bonita mas digam lá aos senhores juízes que tenham tino porque isso não é para aplicar a toda a gente.
Acreditar na inocência da criatura parece ser mais uma questão de fé do que outra coisa qualquer. A mim, por mais respeito que tenha por algumas opiniões e por aquilo que, eventualmente, a justiça venha ou não a apurar, é mais fácil acreditar que os pastorinhos viram uma senhora a pairar sobre uma azinheira do que na presumível inocência do sujeito. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A faixa já durou mais do que certos casamentos...


Calculo que o evento anunciado nesta faixa publicitária tenha sido um êxito. Pelo menos publicidade ao certame foi coisa que não faltou. O que, imagino, deve ter custado uma pipa de massa só em taxas. E, quase de certeza, muito mais em coimas aplicadas pelas autarquias por o reclame ao acontecimento, mais de um mês depois, ainda não ter sido removido. Sim, isto paga-se – também era o que mais faltava não se pagar – muito caro. Até porque, como se sabe, o espaço e o dinheiro público são dos contribuintes.  

domingo, 28 de dezembro de 2014

Um gato às direitas. Um bom bichano, portanto.

Não é que eu seja de acusar ninguém sem as devidas evidências apontarem para a culpabilidade do alegado praticante do acto. Muito menos tratando-se de um gato. Mas, no caso, tudo me leva a desconfiar que é este o bichano que fez do meu quintal o local de eleição para aliviar a tripa. Habita na vizinhança e, a julgar pelas aparências, trata-se de um gato à antiga. É visto com frequência nos telhados e não faz amizades contra-natura com ratos ou com a diversa passarada que por aqui abunda, como já vai acontecendo com alguns maricas da sua espécie. Pelo contrário. Persegue-os e caça os que pode. Um gato como deve ser, portanto.
Só isso me leva a tolerar as pegadas que deixa no pavimento do quintal, as escavações que faz nos canteiros ou a merda que larga na relva e que, pacientemente, trato de recolher. Embora, confesso, de seguida a deposite num local onde, quero acreditar, possa causar algum incomodo aos donos. 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Serviço público vs serviço ao público...

A privatização da TAP tem motivado um frenesim difícil de entender para um leigo como eu nestas coisas. É que, assim de repente, não estou a ver motivos para preocupações de maior. Nem no caso da transportadora aérea nem nas restantes privatizações que desde há trinta anos os sucessivos governos têm vindo, e bem, a fazer.
Sou do tempo em que o Estado não era dono de bancos, seguradoras, empresas de transporte, imobiliárias ou estaleiros navais. E, por mais estranho que isso possa parecer a quem não viveu nesse tempo ou já se esqueceu como era, o país funcionava. Melhor até, em muitas circunstâncias, do que funciona hoje. Convém, também, não esquecer que o Estado não criou nenhuma empresa dos sectores acima referidos. Tratou-se, isso sim, num período de absoluta loucura colectiva de as roubar aos legítimos donos.
Compreendo que algumas elites hoje se sintam preocupadas com o desmantelar do sector empresarial do Estado. A empregabilidade dos desempregados da politica é capaz de, no futuro, ser substancialmente afectada. Já no que respeita ao cidadão comum não estou a ver motivo para preocupação. A não ser, num cenário pós-privatização, já não termos quem em nome da defesa dos nossos interesses não nos preste o serviço que antecipadamente pagámos. Coisa que, obviamente, nos é cara. E muito.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Maus tratos psicológicos




Esta mania de vestir os animais, nomeadamente os cães, é das mais parvas que conheço. Argumentam que, coitadinhos, também têm frio. Presumo, digo eu, que tenham defesas naturais para isso ou não teriam sobrevivido ao longo dos últimos cem mil anos. Não é que, dada a proliferação destas fatiotas, me espante muito de cada vez que vejo estas figuras ridículas. Até porque depois de um dia destes ver, em plena baixa lisboeta, uma gaja toda regalada a fazer um bruto “linguado” com um cão, já pouca coisa me pode surpreender. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Trinta e cinco azarados... e muitos mais otários!

Afinal, contrariando as previsões mais pessimistas, os automóveis do fisco foram mesmo entregues. Todos. E não consta que nenhum dos trinta e cinco contemplados tenha, ao contrário do que por aí se profetizava, visto a sua vida arruinada pelos encargos exorbitantes que, segundo os muitos especialistas na matéria, teria de enfrentar só por ter o azar de lhe sair o carrinho.
Já quanto aos números divulgados pela Autoridade Tributária, seja das facturas emitidas com NIF ou da cobrança de IVA, considero-os um verdadeiro fracasso. A esmagadora maioria dos contribuintes continuam a não exigir factura das suas despesas. Nem, sequer, daquelas que lhes permitem pagar menos IRS. Por outro lado, são mais que muitos os comerciantes que continuam a manter uma relação pouco estreita com a honestidade. Daí achar que os valores agora anunciados deveriam ser, em muito, superiores aos alcançados e dos quais alarvemente a AT tanto se ufana.
Tenho alguma expectativa acerca do comportamento de todos os que blasfemam contra isto de pedir factura. É que com as novas regras do IRS, só quem gostar muito, mas mesmo muito, de pagar impostos é que vai dispensar a facturazinha. Ou então quem for parvo. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

As luzes na ribalta...

Tenho alguma dificuldade em perceber a fixação que algumas pessoas têm pelas iluminações de Natal. Ou, principalmente, pela sua falta. As mesmas, se calhar, que acham uma piroseira os pais natais pendurados de paredes, portas ou chaminés, quando comprados pelos donos das casas, mas que acham lindo se for constituído por um conjunto de lâmpadas coloridas e encavalitado no topo de um poste a expensas de uma autarquia qualquer.
Admito que luzinhas espalhadas pelas ruas possam constituir um regalo para a vista. Mas só isso. Em cidades como a que vivo – ou nas outras aqui à volta – em que o comércio tradicional está para lá de moribundo, não são as iluminações natalícias que contribuem para o aumento do volume de vendas. Nem, sequer, para atrair visitantes. Ao que consta os portugueses preferem outros destinos e um eventual roteiro turístico que envolvesse uma volta ao Rossio a olhar para lâmpadas acesas estaria, inevitavelmente, condenado ao fracasso.
Ainda assim acho curioso que sejam alegados defensores do rigor, da austeridade e da teoria de que vivemos acima das nossas possibilidades os principais defensores do esbanjamento de recursos públicos em ornamentações de natal. Como se, assim de repente, o dinheiro que antes não havia agora já brotasse das pedras. O mesmo graveto que, recorde-se, continua a não haver para, por exemplo, reduzir a carga fiscal. Prioridades. Nas quais, como salta à vista, as boas contas não entram. Aliás, isso das contas é coisa que aos apreciadores de luzinhas interessa muito pouco...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Alguém que interne esta gente...e depressa!

Anda por aí muita gente a salivar por causa da pipa de massa que, via fundos comunitários, vai entrar no país durante os próximos anos. Percebe-se porquê. É preciso garantir aconchegos de vária ordem, difíceis de concretizar sem o dinheiro vindo de Bruxelas.
O que tenho mais dificuldade em perceber é o entusiasmo da populaça. Nomeadamente quando vejo munícipes de concelhos híper endividados, daqueles a precisar de socorro do Estado central para acudir às necessidades de funcionamento mais básicas, a exigirem aos seus autarcas que candidatem obras a este novo quadro de financiamento. Não entende esta gente que o seu município não tem dinheiro, só tem dívidas e fornecedores desesperados por as receber. Nem percebe, o que ainda é mais estanho, que foi, na maior parte dos casos, a pretensa ajuda comunitária que arruinou os seus concelhos e que nos obriga agora, a todos, a pagar as consequências.
Não coloco, como é óbvio, em causa a importância dos fundos comunitários para o desenvolvimento do país. Desde que, não menos óbvio, não constituam encargos incomportáveis no futuro, não contribuam para criar divida e sejam aplicados em investimentos realmente úteis. Nem, já agora, que sirvam para coisas de que ultimamente muito se tem ouvido falar. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O peidorreiro esteve bem...

A subserviência é das características do ser humano que mais me aborrece. Nomeadamente aquela que acontece em contexto laboral. Daí que as palavras pouco simpáticas de Pinto da Costa, à entrada da prisão de Évora, não me causem espanto nem motivem qualquer sentimento de solidariedade para com os jornalistas atingidos pela boçalidade do velho peidolas. A comunicação social, no seu conjunto, merece este tratamento.
Ao longo das últimas décadas o chefe do clube do Porto tem sido tratado reverentemente, como poucos, em Portugal. Todos se curvam, desde políticos a jornalistas, perante a criatura. A forma agressiva como outras figuras públicas são confrontadas pela comunicação social não é usada perante este fulano e, mesmo noutro tipo de trabalhos jornalísticos que não a entrevista, as menções ao gajo são sempre cerimoniosas. Daí que não surpreenda esta reacção. Já a minha avó – essa sábia senhora que muito me ensinou – garantia que quanto mais nos agachássemos mais nos aparecia o cú. Foi o caso. E muito bem feito, acrescento eu.
Ainda assim, mesmo perante a baixeza das declarações do fulano, não houve ninguém que tivesse tido a coragem – ou o descaramento, vá – de lhe perguntar qual o nível de afinidades entre ele e o prisioneiro 44. Ou, por exemplo, se tinham negócios em comum. Nem, já que a coisa estava a azedar, se devia algum favor ao ex-governante. Critérios.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Muito se "contracepta" em Lisboa...

Nem me vou alongar muito a dissertar sobre o que leva um país falido, sem gente e à beira de pedir um resgate financeiro porque nem dinheiro tinha para pagar vencimentos e reformas, a esturrar quase quatro milhões de euros em contraceptivos. Só pode ser falta de juízo. Ou de vergonha. O mesmo juízo e a mesma vergonha que faltam a quem agora se pavoneia por aí como salvador da pátria e aos que se preparam para os recolocar no poder.
Igualmente fantástico o pormenor de um fornecimento deste valor ser feito por ajuste directo. Haverá, quase de certeza, uma boa razão para ter sido este o procedimento escolhido pela ARS de Lisboa e Vale do Tejo. Seja ela, a razão, qual for. Até porque, como sabemos, há certas coisas que não podem aguardar determinadas burocracias. E a que se relaciona com o produto em questão será uma delas...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Não roubem o futuro...por mais curto que seja!

A diferença de tratamento que é dispensada aos reformados e aos trabalhadores a recibo verde é, para ser simpático, absolutamente revoltante. Isto perante a passividade geral da sociedade. Se, quanto  aos primeiros, qualquer tentativa de redução do valor da reforma provoca um imenso movimento de protesto, declarações de incontitucionalidade e uma histeria quase geral, já quando os rendimentos dos segundos são brutalmente reduzidos  a indiferença é, excepção feita aos visados, praticamente total.
Obviamente que as pensões mais baixas devem ser protegidas. Ninguém, acredito, colocará isso em causa. Mas o mesmo tratamento deveria ser adoptado relativamente às centenas de milhares de chamados trabalhadores independentes. Muitos dos quais, talvez a maioria, a ganhar bastante menos do que os reformados que toda a gente acha devem ser protegidos. Deve ser essa coisa dos direitos adquiridos, ou lá o que é. Ou, se calhar, da solidariedade  inter-geracional, em que os cortes nos baixos salários dos mais novos evitam a redução das elevadas pensões dos mais velhos.
Sou, por principio, contra todo e qualquer tipo de cortes nos vencimentos e pensões. Todos. Incluindo por aumento de impostos sobre o rendimento ou contribuições para a segurança social.  Está amplamente demonstrado que nada resolvem.  O que considero intolerável é a discriminação com que se tratam uns e outros.

sábado, 13 de dezembro de 2014

A culpa é dos outros, obviamente...

Culpar a fuga aos impostos - a par da ausência de rigor nos gastos do Estado – como a causa de todos os males que nos afectam, não constitui nenhuma descoberta cientifica merecedora de um prémio Nobel. É, apenas, constatar uma realidade que só não vê quem não quer ver. Algo que, apesar de tudo o que tem sido feito – e não é pouco, convenhamos – pela administração fiscal, parece não parar de crescer. Muito por culpa dos portugueses, diga-se. Que, neste como noutros casos, têm o que a sua ignorância os faz merecer.
Há muito que não abordo aqui a questão das facturas com NIF. As mesmas que já terão levado muitos a insultarem-me mentalmente, uns quantos a escarnecer da minha insistência na facturazinha com número de contribuinte sempre que beberrico o café e, por essa blogosfera fora, uma infinidade de gente a considerar esta minha mania de pedir factura absolutamente desprezível e a atirar para o pidesco. Pois graças a essa teimosia terei este ano uma dedução que rondará os trinta euros. Para todos os que me insultaram ou menosprezaram a minha atitude pode, acredito, não significar nada. Ainda bem para eles, mas a mim dão-me jeito.
Estou curioso acerca do comportamento que estes críticos vão adoptar de Janeiro em diante. Com a reforma do IRS vão perder a dedução pessoal que, como calculo que saibam, será substituída pelas “despesas gerais”. Ou seja as tais facturas com NIF que juraram não querer ver nem pintadas. Podem, para manter a coerência e ajudar os que fogem ao fisco, continuar a optar por não as pedir. Mas isso, assim por alto, é capaz de garantir um aumento no IRS a pagar em perto de duzentos euros por contribuinte. Mais um motivo para culpar o Passos, o Portas, a troika, a Merkel e, já agora,o Rato Mickey.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

E depois há os que nem deviam ser levados a sério...

Não conheço nenhum politico que não seja sério. Agora que há muitos que não o parecem, lá isso há. Nomeadamente aqueles, seja na Europa ou cá pelo rectângulo, que andam por aí a defender que algumas dividas sejam excluídas do apuramento do défice do Estado. Ainda que – ao menos isso – não ponham de parte a obrigação de as pagar. Num dia muito distante, provavelmente.
Os defensores desta causa são, na sua maioria, as pessoas que foram responsáveis pelo estado a que isto chegou e que, dentro de pouco tempo, estarão de novo no poder a continuar a obra de demolição do país. A ideia que agora tentam vender não é nova. Antes da chegada da troika havia estratagemas, coincidentemente, parecidos. Como aquela coisa fantástica dos empréstimos bancários que não contavam para o apuramento da divida. Medida que, poucos saberão, se aplicava aos estádios de futebol construídos por ocasião do Euro 2004 e a obras financiadas por fundos comunitários. Graças a esta habilidade contabilistico-financeira muitas Câmaras, nomeadamente aquelas que são noticia todos os dias por estarem à beira da falência, gozavam de uma larguíssima margem para continuarem a fazer obra à custa da obtenção de empréstimos para financiar a contrapartida nacional dos financiamentos europeus. Com o resultado fantástico que se conhece. E é disto que uns quantos bem instalados na vida, secundados por uma imensa mole de ignorantes, têm saudades... 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Engordar gulosos...

Se o Natal é quando o homem quiser, as festas tendo como público alvo os eleitores mais idosos são sempre que dêem jeito aos autarcas. Muitas e espalhadas ao correr do calendário, não vão os velhinhos esquecerem-se de quem os passeia, diverte e paga comezainas. Tudo, evidentemente, à conta dos que pagam impostos.
Embora o interesse público destes acontecimentos apenas possa ser justificado com base em interpretações mirabolantes da lei e de nula consistência com o rigor a que deve presidir toda a despesa pública, a verdade é que, com a chegada de Dezembro, multiplicam-se, de norte a sul, os eventos destinados à chamada terceira idade. Pior. Já não chega empanturrá-los de comida. Agora há que agasalha-los. Como é o caso de uma Câmara do norte do país que resolveu esturrar quase vinte e dois mil euros – com iva rondará os vinte sete mil - em casacos corta-vento para oferecer aos idosos que participem no "Natal do idoso" promovido pela dita autarquia. Deve ser por causa das correntes de ar...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Desigualdadezinha com que ninguém se importa...

Como não li, nem ouvi, nada acerca do assunto presumo que seja a minha imaginação doentia a pregar-me mais uma partida. Ou, hipótese igualmente bastante provável, que se trate da minha ignorância a revelar-se em todo o seu esplendor. Isto a propósito da chamada reforma do IRS recentemente aprovada e da, a confirmarem-se as suspeitas, discriminação de que continuam a ser vitimas os trabalhadores da função pública.
Parece que vai continuar a ser possível deduzir, em sede de irs, as despesas efectuadas com seguros de saúde. O mesmo beneficio continua a não ser extensível aos 3,5% do vencimento que os funcionários públicos descontam para a ADSE. Trata-se de uma manifesta dualidade de critérios de difícil explicação e que violará, estou em crer, uns quantos princípios constitucionais nessa coisa de tratar todos os contribuintes por igual.
Neste caso já nem colhe o argumento de que só descontam para o subsistema de saúde dos funcionários do Estado aqueles que querem. Os seguros de saúde, obviamente,também são voluntários e só os faz quem quer e pode. Daí que o tratamento fiscal deveria ser igual. Até porque hoje, como tem sido amplamente divulgado, a ADSE já é sustentada pelas contribuições dos beneficiários e não constitui nenhum encargo para os cofres públicos. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Venham, mas levem o lixo!


Não será propriamente bonito ter a sala onde se recebem as visitas neste estado. Mas, convenhamos, também é de muito má educação deixar a sala de quem se visita nestas condições. Fácil é culpar quem não limpou. Por mim prefiro culpar quem sujou. Mas isso sou eu, que acho que se é para virem para cá aborrecer mais vale ficarem nas suas terrinhas. 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Ainda há tempo para essa extravagância do poupar...

Deitar contas à vida não constitui, infelizmente, um hábito para a generalidade dos portugueses. Os resultados da ausência desse exercício, que de forma continuada devíamos fazer, estão bem à vista. A todos os níveis. Seja na gestão da coisa pública, para os que têm essa responsabilidade, seja a nível individual com as nossas finanças domésticas.
Veja-se o caso dos impostos. Um saque feito à descarada à nossa carteira. Mas, ainda assim, poucos se preocupam em planear alguma poupança fiscal. Não terão, provavelmente, tempo para isso de tão ocupados que estão em criticar quem o faz. Embora quase a queimar o prazo para “minimizar os estragos” fica a sugestão deste simulador que permite, de forma fácil e intuitiva, calcular o irs de 2014 a pagar em 2015.
Uma dica para quem tem depósitos prazo ou outras aplicações financeiras. Verifiquem se vale a pena optar pelo englobamento de rendimentos. Pode, em determinadas circunstâncias, fazer toda a diferença entre pagar ainda mais ou receber algum do que já se descontou...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Eu é mais aerofagia...

Longe de mim pretender questionar as opções jornalísticas seja de quem for. Era o que mais me faltava. Por todas as razões que vão desde o facto de não perceber nada de jornalismo até não me apetecer. Muito menos questiono o interesse do assunto que é puxado para a primeira página de um dos dois jornais locais. Que será, do ponto de vista editorial, certamente o bastante para constituir motivo de destaque na edição da semana. Nada, reitero, tenho a ver com isso.
Preocupante – isto, claro, do meu ponto de vista que, como é óbvio, vale o que vale e apenas a mim importa – será a ausência de acontecimentos, cá pela terra, que mereçam uma parangona capaz de me fazer comprar um exemplar do jornal. Com noticias boas, de preferência. Ou, em alternativa, com boas nas noticias.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Terroristas de trazer por casa. Umas fadas do lar, quase.

Diz que muitos dos meninos mimados do ocidente que foram combater para as fileiras do Estado Islâmico estão desapontados e com vontade de voltar. Afinal, aquilo por lá não é grande coisa. Parece que a vida que encontraram não corresponde às expectativas que tinham quando decidiram fazer a trouxa e rumar às inóspitas paragens do deserto.
Queixam-se de tudo, os decepcionados aspirantes a terrorista. O corte de cabeças é actividade que não lhes está destinada, combater revela-se mais perigoso do que parece na televisão ou no ecran do computador e principalmente – drama, horror, tragédia, tudo em simultâneo - nem o telemóvel funciona de jeito. Para estragar o resto os jihadistas puseram-nos a trabalhar e nem sequer lhes dão oportunidade para aterrorizar um camelo.
Por cá, as mamãs tratavam-lhes de tudo. Desde a roupa à comidinha. Lá, imagine-se, são eles que têm de fazer isso para os terroristas verdadeiros. Coisa para desanimar qualquer um, realmente. Capaz, mesmo, de fazer perder a cabeça. A própria. Coragem rapazes. Façam-no!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Não havia um perú negro para indultar?!


Parece que serão já umas quantas as cidades norte americanas mais ou menos em pé de guerra por causa da morte de jovens negros alegadamente abatidos pela polícia. Argumentam os críticos das forças da ordem que existirá da parte destas um manifesto sentimento racista relativamente às comunidades não brancas. Devem ter razão, devem. E isso do racismo começará logo nas mais altas instâncias lá do sítio. Ou terá sido por acaso que no Dia de Acção de graças, em que tradicionalmente são sacrificados perus aos milhões, o indulto presidencial foi para um peru branco?! Mas, curiosamente, ainda não ouvi reclamar da Obamica decisão...


domingo, 30 de novembro de 2014

Sócrates, Oliveira e Lima. Tudo bons rapazes. Uns gajos porreiros, até.

A conversa em torno do Sócrates já aborrece. Principalmente por haver da parte de quase toda a gente uma estranha comichão relativamente à maneira como o gajo foi detido, ao facto de ter ficado em preventiva, às duvidas acerca daquilo de que será suspeito, ao segredo de justiça alegadamente violado, à desconfiança que se tratará de mais uma cabala e, para muitos, a quase certeza da inocência do homem. Isto para além das inevitáveis menções aos perigos que a democracia estará a correr, às preocupações quanto às interferências da justiça na politica e mais uma porrada de coisas, todas em defesa do prisioneiro 44, que agora não me ocorrem.
Podem, os que assim divagam, estar absolutamente certos. Admito, até, que estejam carregadinhos de razão. Tenho apenas uma dúvida a inquietar-me o espírito. Por que razão não disseram, nem escreveram, o mesmo – ou, pelo menos, algo vagamente parecido – relativamente à detenção de outros políticos?! Um ex-secretário de Estado e um ex-líder parlamentar foram, num passado assim não muito distante, igualmente detidos sem que tenha havido uma expressão de estados de alma, sequer, comparável. E, assim de repente, não são conhecidas do grande público diferenças significativas entre os casos do Sócrates, do Oliveira e Costa ou do Duarte Lima.
Este quase consenso nacional, no que se refere ao tratamento à base de pinças do tema da detenção de José Sócrates, pode ter dois significados: O primeiro, o facto de o homem, pensam eles, ser de esquerda. Logo impoluto. Um ser genial e incapaz de ganancias como as que se soam e que, normalmente, são reservadas à execrável escumalha da direita. O segundo significado pode ter, quiçá, a ver com algo mais complicado. Assim do tipo, como escrevi há dias, com aquela coisa das labaredas a darem cabo das barbas do vizinho. É que quando o gajo do topo vai de cana, nem o fulano que se “engana” a contar as moedas da caixa das esmolas dorme tranquilo...

sábado, 29 de novembro de 2014

Emigrar à procura de um subsidio melhor

O facto de existirem uns quantos portugueses que foram para o Luxemburgo, ou para outros países europeus, viver à pala da generosidade das seguranças sociais respectivas não se me afigura, em nada, condenável. É, afinal, o que fazem outros povos oriundos de muitas outras paragens. Veja-se, por exemplo, o que está a acontecer no Mediterrâneo, diariamente atravessado por centenas de africanos e asiáticos, ansiosos por viver à custa dos fantásticos benefícios proporcionados pelo estado social europeu.
Toda esta gente está, apenas, a aproveitar a ingenuidade de quem criou um sistema que tem permitido, a consecutivas gerações, viver sem necessidade de trabalhar. Como era inevitável a coisa está a tornar-se insustentável e, mais dia menos dia, dará o berro. Só não deu ainda porque acabar com as inúmeras maroscas que contribuem para a sua falência não é politicamente correcto. Lá, tal como cá, é socialmente muito mais aceitável aumentar impostos...
Por isso, antes que a bolha rebente, é aproveitar. Nem sei por que raio a malta do governo não se lembrou deste esquema. Assim como aconselhou os jovens a emigrar podia, também, ter aconselhado os beneficiários do RSI a sair da sua zona e a procurar o conforto dos chorudos subsídios, luxemburgueses. Ficávamos todos a ganhar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Free Sócrates! Libertem o novo Mandela, pá!

Com maior ou menor índice de jocosidade, as piadolas acerca da prisão do Sócrates são já mais do que muitas. Os momentos de pura diversão, proporcionados mais por protagonistas ridículos do que pela situação em si, têm-se sucedido a uma velocidade vertiginosa e, ou muito me engano, a comédia a puxar à risota ainda vai durar uns dias.
Hoje foi Mário Soares a contribuir para a hilaridade geral. Aquilo teve piada. Tanta que, por breves momentos, me arrependi dos nomes que lhe chamei – e, até, dos que ainda lhe hei-de chamar – quando pretendo estacionar na rua onde o gajo mora e a viatura oficial que lhe é destinada está estacionada “ao atravesso” a ocupar dois lugares de estacionamento em espinha. Isto perante o olhar condescendente – e de profundo aborrecimento, também – do policia que lhe guarda a porta.
Para além do anedotário nacional, a economia pode igualmente sair beneficiada com a detenção do individuo que governou – há quem insista em continuar a achar isso – o país durante sete anos. Para já é o senhor do café do outro lado da rua. Mas, ao fim de semana, se o tempo ajudar aquilo é capaz de animar. Auguro uma espécie de romaria. O que é bom. Nomeadamente para o gajo das castanhas ou para o dinâmico empresário que se lance no mercado das t-shirts. É que, confesso, estou um pouco desapontado por ainda não ter visto ninguém com uma camiseta a dizer “Free Sócrates! Libertem o novo Mandela.” Já foi feito com o Zico e resultou.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Deve ser aquela coisa das barbas do vizinho...

Compreendo muito bem que tantos se sintam incomodados com a prisão de um ex-primeiro-ministro. É natural. Se a justiça chega aos gajos do topo é porque, mais facilmente ainda, pode chegar aos outros. Aos do meio da tabela, digamos assim. E esses, alegadamente, serão mais que muitos. Tenham medo…

Alguém se lembrou do 25 de Novembro de 1975?

Acredito que poucos se terão lembrado da data que hoje se assinala. Um dos dias mais importantes da história recente do país. Outros acontecimentos – deploráveis, por sinal – encarregaram-se de fazer esquecer o dia em que foi travada a marcha forçada para uma nova ditadura. Uma injustiça para todos os que arriscaram o coiro pela nossa liberdade, este esquecimento.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Gratuito?! De borla? À pala?!

Não percebo. Uma autarquia cede, a titulo gratuito, um imóvel sua propriedade – público, portanto – para a realização de uma festa privada?! E pode fazê-lo?! Nomeadamente se a dita festa não constituir, de alguma forma, uma acção de relevante interesse social, cultural ou recreativo para a comunidade local? Nem vou especular acerca da natureza ou proveniência dos convivas mas, assim de repente, tenho algumas reservas que a dita comunidade tivesse algum interesse na realização da tal festa. Que, como foi amplamente noticiado na região, acabou precocemente e de forma quase trágica para alguns intervenientes.
De uma maneira geral – deixando de lado o caso acima – não falta, entre os autarcas nacionais, quem “trabalhe” assim. Pondo e dispondo a belo-prazer do património público como se fosse seu e sem que nos cofres públicos entrem as respectivas contrapartidas. Isto do “fosse seu” é, naturalmente, uma maneira de escrever. Ainda não se constou que nenhum tenha emprestado o próprio quintal ou a garagem para uma festa de ciganos. Nem para outra iniciativa qualquer.

domingo, 23 de novembro de 2014

Estacionamento tuga

Não me apetece escrever nem falar do Sócrates. Já foram produzidas alarvidades suficientes acerca da detenção do sujeito. Tantas que, dissesse ou escrevesse fosse o que fosse, dificilmente conseguiria ser original. E também porque, face àquilo que há anos, alegadamente, correrá por essa Internet fora, seria apenas uma questão de tempo até acontecer o que aconteceu. Deve ter sido por isso que o PNR abriu uma garrafa de champanhe lá para o Campus da Justiça...
Prefiro, hoje, discorrer acerca do estacionamento tuga. Desta vez o protagonismo vai para um profissional do protesto que entendeu por bem estacionar o popó, onde se deslocava a propagandear a realização de mais uma manifestação contra as coisas do costume, no lugar reservados aos deficientes. Deve achar que o pode fazer. Provavelmente por entender que, estando a praticar uma espécie de actividade politica, a policia não o vai incomodar. Com razão, de certo. Já se a paragem se destinasse a carregar um saco de batatas acabado de comprar no mercado era melhor não arriscar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Eles ladram. São uns ladrões, portanto.

Esta trapalhada da subvenção vitalícia que desde ontem agita o país, está a suscitar, da parte dos defensores da medida, o desenvolvimento das mais inesperadas teses em defesa da opção entretanto retirada. Uma delas, talvez a mais rebuscada, é a de que os políticos merecem esta “atençãozinha” porque “largaram” tudo para se dedicar ao bem comum. O que quererá dizer – interpretação minha – que pelo facto de se terem dedicado à politica terão prejudicado a sua vida pessoal, a sua profissão ou negócio e descurado o seu conforto financeiro.
Se assim é, parece-me, estaremos perante uma análise muito enviesada da coisa. Se quisesse ser populista, demagogo ou evidenciar outro defeito que costumam atribuir a quem diz mal dos políticos, podia argumentar que eles não “largaram” nada. Eventualmente podem é alguns deles ter-se agarrado a qualquer coisita. Embora isso por cá nunca aconteça. Como todos sabemos é costume mais enraizado nalguns países longínquos.
O facto de não existirem ex-titulares de cargos políticos na pobreza também não abona a favor do argumentário evocado para defender a subvenção. Eu não conheço nenhum que depois de sair do cargo esteja pior do que quando entrou. Mas, admito, num dos tais países longínquos é capaz de haver um ou outro.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Assim que ganhou o Costa, a subvenção foi logo reposta...


Por algum motivo que escapa ao meu entendimento há quem insista em considerar que PS e PSD são, no essencial, diferentes um do outro. Faz-me espécie que não percebam que, indiferentemente de quem for o oportunista que os lidere, eles são como irmãos. Daqueles que até se podem esfolar mutuamente mas que, quando chega a hora, protegem a família e tratam do seus.

Isto sim, é que são reivindicações a sério...

Desconheço se o STAL – Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local – representa, também, os trabalhadores das autarquias palestinianas. Igualmente não é do meu conhecimento – nem teria de ser, até porque nada tenho a ver com isso - se entre os seus filiados se encontrará um ou outro palestiniano que exerça por cá a actividade de funcionário autárquico. Nada disso impede que me sinta curioso acerca do que levará, a não se verificar nenhuma das condições acima mencionadas, um sindicato português a abraçar uma causa que não é sua, não diz respeito aos trabalhadores que alegadamente representa e que, muito provavelmente, nada diz à esmagadora maioria dos trabalhadores das autarquias. Que, convenhamos têm muitos mais assuntos com que se preocupar e muitas mais razões para se indignarem com o governo. Para exigir que este reconheça a Palestina está lá o PCP. Presumo que, sozinho, seja capaz de o fazer sem necessitar de recorrer aos satélites sindicatos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A lei é um empecilho do caraças.

A propósito das dificuldades em obter os vistos do Tribunal de Contas para contratos alegadamente essenciais ao funcionamento do município que dirige, a senhora presidente de uma das autarquias mais endividadas do país terá declarado, segundo relato de alguma imprensa, que teria de encerrar a Câmara.
Aprecio este tipo de afirmação. A sério. Só terá faltado dizer que atirava a chave ao rio. Ou, melhor, a engolia. É extraordinário que, perante a incapacidade de gerir uma instituição de acordo com as leis do país, se declare peremptoriamente que a solução é fechar a autarquia. A menos que se trate do arrendatário do espaço é óbvio que a criatura não tem legitimidade para fechar seja o que for. Em lugar de alarvidades do género tem é de governar cumprindo a lei e de acordo com os recursos financeiros que dispõe. Se não tiver competência, ou lhe faltar vontade para o fazer, então que se vá embora.
Seria bom que quem governa o país, uma câmara ou a agremiação recreativa lá do bairro, percebesse que está apenas mandatada para gerir algo que não é seu. É de todos. Está no lugar transitoriamente a cumprir uma missão que os seus eleitores lhe confiaram. Só e apenas isso.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Que recorde fabuloso, daqueles que mais ninguém quer saber a não ser o assessor para os recordes, irá hoje bater o CR?


A selecção de futebol não me entusiasma. E não é só de agora. Nunca entusiasmou por aí além. Não consigo vibrar com aquilo e, a bem dizer, nada naquela equipa – seja a de hoje ou de há dez anos atrás – me puxa ao sentimento. Dou um salto com os golos do glorioso ou do CFE, mas com a equipa da federação não há músculo que se mexa. Nem banha, sequer. Prefiro os jogos da segunda melhor equipa do país. O Benfica B. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Gorduras do Estado

Por mais que me esforce – e nesta matéria até me esforço muito – não consigo encontrar uma única justificação racional para as freguesias e municípios recorrerem aos serviços de professores de natação. Nem de nenhuma outra actividade desportiva, diga-se. Isso é coisa que compete aos clubes, associações e demais entidades organizadas da sociedade civil. Mas não. Os autarcas são lá capazes de ficar sossegados a tratar daquilo para que realmente foram eleitos. Fazer concorrência a quem está naturalmente vocacionado para estas práticas e arranjar lugar para os amiguinhos, camaradas ou outros interesseiros que seguram o pau de quatro em quatro anos, é que é bom. Depois, obviamente, vêm as taxas, taxinhas, impostos, cortes nos vencimentos e pensões...Mas, desde que o benemérito seja eleito, isso é coisa que não interessa nada.
Assessoria também é algo que dá sempre jeito. Nomeadamente para fazer coisas. Daquelas que se não fossem feitas ninguém lhes achava a falta. Como, por exemplo, promover actividades inúteis que justifiquem a sua contratação e encontrar formas de financiamento que a sustentem.

sábado, 15 de novembro de 2014

A taxa da vizinha...

O que eu me tenho rido com os comentários dos indefectíveis apoiantes do Costa a propósito das taxinhas que ex-ministro de Sócrates, futuro ex-presidente da câmara de Lisboa, próximo primeiro-ministro e um dia destes o gajo mais detestado por aqueles que agora lhe tecem loas, pretende cobrar a todos os que ousem por os pés no aeroporto ou os costados numa espelunca da capital...
Não contesto que se aplauda a medida. Ele há gostos para tudo, como se sabe. As mesmas opções – ou parecidas – são seguidas em muitos outros locais e, obviamente, não é por isso que o turista deixa de os visitar. Admito que possam existir pessoas que apreciem o facto de serem taxadas por tudo e por nada. Também não me parece mal que possa haver quem nutra especial simpatia por taxas e impostos se estes forem inventados por gajos da sua cor politica e os odeiem se os autores da ideia forem de outro partido. Admitir, admito. Tenho até, como dizia o outro, o maior respeito por todos eles. Mas dão-me vontade de rir, o que é que querem?!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Eles têm sete vidas, lembram-se?!


Gosto de gatos. Talvez mais, até, do que de cães. Excepto, claro, dos que cagam no meu quintal. Mas mesmo esses ainda os vou tolerando. Não os mato, nem nada. 
Aprecio a personalidade forte destes pequenos felinos, o espírito de independência e a sua capacidade para sobreviverem sem os donos. Talvez por isso não me pareça bem que se alimentem os animais vadios, como farão os moradores da zona onde a foto foi obtida. Os gatos, desde que na plenitude das suas capacidades físicas, não morrem à fome. Alimentá-los assim, além de ilegal e de constituir um perigo para a saúde pública, é matar o seu instinto de sobrevivência.  

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Deve ser uma espécie de cúmulo do egoísmo...

Diz que sete em cada dez famílias europeias não têm filhos. Talvez seja verdade. As pessoas não estão para ter chatices a aturar gaiatos. Pelo contrário, os europeus preferem ser catraios a vida inteira. Uns pirralhos mimados, foi nisso que se tornaram as novas gerações. É muito melhor ter cães, viajar pelo mundo fora ou ter toda a mais recente tralha tecnológica. São opções de vida que vamos pagar caro. Principalmente quem as toma. Se calhar ainda não perceberam que ao não terem filhos não terão quem lhes pague as reformas. Por mim não me importo muito porque, em princípio, terei quem ma pague. Eles.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Possidónios do caraças!


Ao que escreve o JN de hoje, Menezes diz que só tem um quintal no Douro. Ora isto é uma coisa que me apoquenta. A ser verdadeira esta afirmação – e nada me leva a duvidar do ex-autarca de Gaia ou do jornal em questão – é deveras preocupante que alguém, depois de tantos anos a dar o seu melhor em prol das populações do concelho que governou, nada mais tenha de seu do que um quintal. Ainda que no Douro. Nem uma quinta, ao menos. Uma fazenda, vá. Nada, nadinha mesmo para além do quintal. Pobrezito. E ainda há populistas da treta a vociferar contra os rendimentos dos políticos… Um país de possidónios é o que é!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Os novos salteadores

Obviamente que não será por pagar vinte euros em taxas que uma família inglesa, alemã ou angolana deixará de vir passar um fim-de-semana prolongado a Lisboa. Nem essa é, quanto a mim, a questão principal. Chular os turistas, portugueses na sua maioria, não vai ser exclusivo do “Messias” Costa.  Já outros autarcas o fazem com uma imensidão de taxas e taxinhas – impostos, porque não são outra coisa - sobre dormidas e actividades turísticas diversas.
O que está errado é o princípio legislativo que permite este esbulho cujo limite parece ser apenas a prodigiosa imaginação de gastadores compulsivos que, por não saberem fazer mais nada na vida, necessitam da política para se governarem. Começam por taxar quem chega de avião a uma cidade mas, um destes dias, vão fazê-lo a quem chega de barco, comboio ou autocarro. Taxam as dormidas em hotéis mas, num futuro não muito distante, estenderão a cobrança a refeições em restaurantes, cafés e pastelarias. Ameaçam colocar portagens à entradas das cidades mas, mais cedo do que tarde, iremos voltar a pagar uma taxazinha pelo facto de possuirmos uma bicicleta… Não acreditam? Eu também não acreditava que um dia ia pagar imposto sobre os sacos de plástico.

Não sejas uma bosta, vota no Costa!


Gosto das propostas do Costa. A sério. Nomeadamente daquela de acabar com a sobretaxa de IRS. Se bem que a outra de repor os salários e pensões, nos valores anteriores à crise, seja igualmente bastante prazenteira. Falta só aquela de acabar com o horário das quarenta horas. Mas, pronto, o homem não se pode lembrar de tudo ao mesmo tempo e, embora não constando da lista, vai de certeza dar outra vez as trinta e cinco horas à malta. Ah, “ganda” Costa! O candidato de quem o povo gosta. Ainda que não me pareça menos verdade que com o Costa no poder os portugueses vão-se f****. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Remate kruzado


O Glorioso, para a generalidade dos adeptos rivais e de grande parte dos comentadores desportivos, é sistematicamente beneficiado pelas arbitragens. Na douta opinião daquela rapaziada, toda e qualquer vitória do maior clube do mundo nunca se deve ao facto de ser melhor do que o adversário. Nem de - por vezes também acontece – ser bafejado pela sorte. Ou, vá, a maior parte dos adversários serem fraquinhos. Nada disso. As vitórias do Benfica são sempre, no dizer desse pessoal, obtidas à custa dos favores dos árbitros. Estaria, a haver justiça, para aí na quarta divisão distrital…

sábado, 8 de novembro de 2014

Somos todos muito tolerantes...desde que concordem com as nossas ideias!

Os portugueses, diz-se, são o povo mais simpático do mundo a menos que tenham um volante nas mãos. Ou, acrescento eu, tenham as unhas em cima de um teclado. Em ambos os casos desaparecem todos os sinais de simpatia, some-se a tolerância perante o erro ou a opinião alheia e transfiguram-se em verdadeiras bestas.
É assim, por exemplo, nos blogues. Gente aparentemente normal, de espírito aberto, tolerante, respeitadora da diversidade de opiniões, adepta da multiculturalidade e, em suma, intelectualmente muito avançada, é incapaz de aceitar uma critica ou uma opinião divergente da sua. Não que isso me surpreenda. Ou, ainda menos, me incomode. Pelo contrário. Na maior parte das ocasiões, para não dizer sempre, até me diverte.
Como, por exemplo, no caso do blogueiro – jovem, presumo – que me chamou uns quantos nomes por eu o ter contrariado quando, num post alusivo ao 25 de Abril por ele publicado, garantia que por alturas da Abrilada os miúdos do campo, na sua maioria, iam à escola descalços. Ou, também a propósito da mesma temática, uma senhora que se ofendeu por eu achar, num comentário que fiz a um texto do seu blogue, que em 1974 o facto de as portuguesas não se poderem ausentar do país sem a autorização dos maridos não era, para a generalidade das mulheres, aquilo que mais as preocupava. Vejam lá que me atrevi a sugerir que a guerra colonial era bem capaz de estar uns furos acima na escala das preocupações... Parvoíce minha, estava-se mesmo a ver.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Legalizar o roubo

Diz que uns quantos municípios se preparam para licenciar a actividade de arrumador. Daqueles que alegam zelar pela preservação da integridade das viaturas que estacionam na sua zona de acção caso os automobilistas acedam a dar-lhes a moedinha da praxe. Ou, se não contribuírem, arriscam ver pintura do carrinho devidamente assinalada.
Sabe-se que, regra geral, os cofres municipais estão depauperados. Por norma não resistem à indómita vontade de esturrar dinheiro que afecta quase todos os que enveredam pela carreira de autarca. Tudo, nestes tempos difíceis, para valer para sacar mais algum ao incauto cidadão. Até, pelo vistos, cobrar uns euros pelo licenciamento do roubo.
Espero que, à semelhança do que se faz relativamente a outros assuntos, alguém elabore e divulgue uma lista das localidades onde esta vigarice conta com o beneplácito autárquico. Serão, sem dúvida, terras a evitar.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

E que tal uma licenciatura em canalização? Ou um mestrado em marcenaria, quiçá...

Desconheço se Portugal tem ou não licenciados a mais, como garante a gaja que manda nisto tudo. Só sei que se por acaso necessitar dos serviços de um advogado devo ter pelo menos uma dúzia deles aqui na cidade. O mesmo se aplica a médicos das mais variadas especialidades, arquitectos ou especialistas vários nas mais diversas áreas do conhecimento cientifico. Isto numa cidade que terá, quando muito, oito mil habitantes. Já se por algum infortúnio a canalização, a instalação eléctrica ou a mobília cá de casa sofrerem um dano mais grave, pode ser que, com sorte, consiga encontrar um profissional com a agenda disponível para, num prazo razoável e por especial favor, resolver o meu problema.
Mas isto, reitero, não quer dizer que existam licenciados a mais. Provavelmente haverá é electricistas, canalizadores ou carpinteiros a menos...

A lógica que perspicazes autarcas não percebem


Segundo o INE a cidade de Borba é a segunda mais envelhecida do país. Daí que, em reacção a estes números, o presidente da câmara da vizinha localidade tenha manifestado a sua convicção que a construção de lares de idosos é muito mais necessária do que a construção de escolas. Pode ser uma verdade de La Palisse. Uma tirada, quase, à capitão Obvious. Será isso tudo e mais um par de botas. Mas revela que este autarca sabe em que terra vive. Ao contrário da maioria dos seus pares, que continuam a insistir em construir escolas onde apenas existem velhos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Os xuxus da crise


Mais agricultura. Mas esta nem é bem da crise. Embora também pudesse ser. Neste caso o agricultor, como facilmente se depreende pela excelência da colheita, não sou eu. Nem a horta onde cresceram foi o meu quintal. O hortelão é o meu pai que na sua imensa sabedoria nestas artes consegue produzir estas maravilhas. E muitas mais que ainda lá estão por colher. A maioria com quatrocentas a seiscentas gramas. No supermercado custam cerca de dois euros o quilo. É, como dizia o outro, fazer a conta...

terça-feira, 4 de novembro de 2014

As batatas da crise


Pouca coisa vai medrando cá pelo quintal. Decididamente a crise também se abateu sobre a agricultura da crise. Apesar de todos os cuidados que foram dispensados ao incipiente projecto de horta, os resultados insistem em não aparecer. Agora foram as batatas. Tubérculos com este aspecto deplorável e pouco digno de um tubérculo. Estou frito. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

E consequências?! Não há...Estamos em Portugal!!!!!




Foi a investir que chegámos a isto...

Investimento público. Parece ser esta a única solução que o fulano que todos acham vai ser o próximo primeiro ministro tem para apresentar. E que, estranhamente, merece o aplauso de uma imensa faixa de pessoas que, pasme-se, acreditam piamente que aquilo que nos atirou para a crise é o que nos pode tirar dela. Sim, porque hoje só um tolo – e lamentavelmente ainda por aí há muitos, como demonstram as ultimas sondagens – não percebem que foi o investimento público que rebentou com isto tudo.
O país não precisa que o Estado esturre o dinheiro que não tem. Não precisamos de mais estradas, pontes, centros culturais, nem de outras merdas que não servem para nada a não ser elevar os egos e as contas bancárias de quem as promove. Nada disto traz emprego. A não ser a ucranianos e africanos, como muito bem disse Manuela Ferreira Leite. Criatura que, recorde-se, é hoje muito citada quando se comentam decisões governativas.
Do que necessitamos com urgência é de quem saiba gerir o que existe. Que não invente. Que esqueça essa coisa do investimento público, que tenha coragem de meter o investimento privado na linha e, sobretudo, que não queira fazer do país um “tubo de ensaio” para ideias parvas. Mas isso, se calhar, é pedir demasiado. O esclarecido eleitorado português jamais elegeria alguém que apresentasse um programa assim. O pessoal quer é investimento. Depois queixem-se...

domingo, 2 de novembro de 2014

Mas só eu é que tenho de pagar impostos?


Há gente que se indigna por tudo e mais alguma coisa. Parece a história do velho, do rapaz e do burro. Nunca estão satisfeitos. Pela Internet anda meio mundo enfurecido pela fiscalização da Administração tributária realizada a quem vendia flores à porta de um ou outro cemitério. Onde está o mal?! Por mim apenas no facto destas acções, nos cemitérios ou noutro lado qualquer, constituírem a excepção e não a regra... 

sábado, 1 de novembro de 2014

Dia das bruxas?! Isso, ao certo, é o quê?


Ontem à noite andaram uns quantos gaiatos a fazer barulho aqui pela rua. Na altura estranhei. Assim, aparentemente, não me parecia haver motivo para festejar. Ainda pensei que fosse por causa da vitória do Benfica. Ou de outra coisa com um grau de importância quase parecido. Afinal não. Diz que era o dia das bruxas. Nem sei como me fui esquecer desta ancestral tradição portuguesa...

Putas jihadistas

Tenho o maior respeito pelo sofrimento dos pais das moçoilas jihadistas. Compreendo que movam este mundo e o outro para as trazerem de volta. Posso, até, concordar que o seu regresso seja permitido pelas autoridades nacionais. Mas, apesar desta pouco vulgar abertura de espírito, será absolutamente intolerável que o seu eventual retorno ao país não tenha consequências. Para elas, evidentemente. A sua viagem terá de ter como destino a prisão e, de preferência, mantidas longe da restante população prisional. Coisa que se afigura muito pouco provável atendendo à justiça que por cá se pratica.
Ao que se sabe estas jovens foram para aquele fim do mundo – para lá de onde Judas perdeu as botas – de livre vontade. Porque lhes apeteceu. Agora que a coisa, para elas, terá perdido a graça quererão voltar. Os pormenores desta súbita mudança ainda não são publicamente conhecidos – talvez sejam revelados na próxima entrevista do ministro dos negócios estrangeiros ou Marques Mendes os divulgue na SIC – mas seria de todo o interesse que fossem divulgados. Até para desmotivar outras de seguir o mesmo caminho. 

Coisas aparentemente não relacionadas. E sublinho aparentemente.


Não tenho por hábito dissertar sobre assuntos desta natureza, mas o drama que um casal português está a viver no Dubai recorda-me duas coisas. Que o serviço nacional de saúde não é tão mau como insistem em pintá-lo e que, num passado assim não tão distante, um governo socialista pagou a trasladação para Portugal de uns quantos empresários que, em viagem privada, tinham ido ao Brasil dar, portanto, uma volta. Ou mais, que de ir tão longe para dar só uma é manifestamente pouco. 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Artigos de última necessidade


No mercado das velharias vende-se de tudo. E, provavelmente, de tudo se compra. Ainda que os produtos expostos sejam, na maior parte dos casos, de duvidosa utilidade e quase certa inutilidade. Os compradores, esses, são mais muitos. Pelo menos a julgar pela afluência de público que todas as manhãs de Sábado acorre ao local. Nomeadamente espanhóis e lisboetas em grande número que, por apenas cinco euros, se podem tornar orgulhosos proprietários de uma raqueta de ténis em segunda mão ou de um penico em segundo cú. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A culpa é do mosquito...

Diz que não é com vinagre que se apanham moscas. Mas isso devia ter sido noutro tempo. A garrafa da fotografia contem uma mistura de vinagre e açúcar – muito açúcar, no caso – e constitui um irresistível chamariz para moscas, mosquitos e uma panóplia de insectos esvoaçantes de raça indefinida. Tantos que a mistela tem de ser substituída com regularidade.
A ideia, no caso, é proteger as laranjeiras da mosca da fruta. Ou lá o que chamam a uma espécie de abelha – uma abelhosca, vá - que pica o fruto e o faz apodrecer. Um insecticida natural, barato e que resulta. Só espero que não apareça por aí a GNR ou os gajos do ambiente a acusarem-me de dizimar mosquitos em vias de extinção...

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Ui...tão sensíveis que nós somos...

Somos muito sensíveis nós, somos. Agora deu-nos, pelo menos a uns quantos entre os quais se incluem jornalistas e um rol de comentadores nas redes sociais, para ficarmos indignados com as declarações que uma alegada actriz brasileira terá proferido acerca do resultado das eleições presidenciais.
A senhora em questão escreveu que O Brasil foi explorado tantos anos por Portugal e agora continuará sendo pelo PT! Não é à toa que a sigla de Portugal é PT! #EuVoteiAecio45”. Gravíssimo. Do pior, mesmo. Coisa para deixar os portugueses possessos. À beira de um ataque de nervos, até. A destilar ódio contra a criatura e tudo o que é brasuca.
Cambada de burros. Sem ofensa para os asnos que, coitados, não têm culpa nenhuma. A senhora não pode – na opinião dos tugas ofendidos - expressar a sua opinião sobre Portugal e os portugueses, mas nós, portuguesinhos sensíveis, podemos achincalhar outros portugueses – nomeadamente contando piadolas jocosas de alentejanos - e dizer deles o que maomé não diz do toucinho... Coerente, parece-me.

sábado, 25 de outubro de 2014

E se, antes de abrir a boca, usassem a cabeça? Ou a cabecita, vá

Os portugueses gostam muito de dizer coisas. Parvoíces, na maior parte das ocasiões. Os comentários que li e ouvi acerca da tributação fiscal do prémio do euro milhões que ontem saiu em Portugal enquadram-se perfeitamente nesse âmbito. E, também, no da estupidez.
Aos prémios de jogo superiores a cinco mil euros, como se sabe, é aplicada uma taxa de 20% a titulo de imposto de selo. No caso em questão serão trinta e oito milhões de euros que vão direitinhos para o tesouro nacional. Coisa que deixa indignada muito boa gentinha.
Já o facto de qualquer cidadão ver o rendimento das suas poupanças – incomparavelmente menos, na maior parte dos casos – tributado a uma taxa de IRS de 28% parece não chocar a generalidade da populaça. Nem, ainda menos, que essas poupanças se esfumem na falência de um banco em que investiram porque todos diziam que era um investimento seguro.
Nada disto me surpreende. É tudo perfeitamente normal. Não se pode esperar muito de um povo que se prepara para recolocar no poder quem rebentou com isto tudo. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Praxes?! E se fossem praxar a santa senhora que os pariu?

Acaba de passar na televisão uma reportagem em que um grupo de miúdos é humilhado publicamente por meia dúzia de outros. Chamam-lhe praxe ou lá o que é.
Tenho notória dificuldade em entender estas coisas. Mas isso devo ser eu que não aceito que ninguém me esfregue na cara a sua superioridade. Como, no caso, fazia aos berros uma javardola nojenta alegada aluna mais velha.
Admiro, eu que até nem costumo ferver em pouca água, a capacidade de encaixe que os chamados caloiros possuem perante o chorrilho de ofensas – físicas e psicológicas - que lhes são dirigidos. Por muito menos ter-lhes-ia dado um murro nos cornos. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Perante isto ainda é possível duvidar que não há dinheiro?!

Há números que podem ter as mais diversas interpretações. Outros nem por isso. São o que são e pronto. Mas todos – os números – deviam ser do conhecimento geral. Especialmente aqueles que importam por condicionarem a nossa vida. E os números do orçamento do Estado estão entre os que ninguém devia desconhecer. Pena que poucos tenham paciência para os ler e que muitos, com responsabilidade na matéria, façam de conta que não os conhecem.
Veja-se o mapa acima. É o resumo das despesas do Estado para o próximo ano. Mais de cento e quarenta mil milhões de euros, ao todo. Dos quais noventa e dois mil e quatrocentos milhões são destinados ao serviço da divida. Que é como quem diz os juros e amortizações de empréstimos a pagar no próximo ano. Significa isto que sessenta e seis por cento da despesa do país é para pagar a quem nos financia. Se acrescentarmos as despesas pessoal e a segurança social... É fazer a conta. Como dizia um dos maiores esturradores de dinheiro que este país já conheceu.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Uma questão inquietante: Como é que em termos fiscais se beneficia quem não paga impostos?

Ao que parece a taxa do IRC vai, mais uma vez, ser reduzida. Coisa que desagrada a muita gente. Nomeadamente ao PCP e ao BE que já manifestaram o seu mais profundo repúdio pela intenção do governo. Aliás, repúdio à séria tem de ter profundidade e nisso de repudiar profundamente a malta da esquerda é exemplar.
Não estranho a opinião do PCP. Nem a do Bloco. Também eu não estou particularmente entusiasmado com a ideia. O que me aflige é o argumento utilizado pelas ditas agremiações. Ao que dizem apenas beneficia as grandes empresas. O que muito me surpreende. Cuidava eu, mas ninguém me manda ser parvo, que o IRC era um imposto que incidia sobre todas as empresas. Grandes, médias ou pequenas. Que pagariam mais ou menos consoante os lucros obtidos ou a capacidade para engendrar esquemas, manhosos ou não, que permitissem pagar o menos possível.
Se calhar não será bem assim. Comunistas e bloquistas saberão, de certeza, do que estão a falar. Realmente quem não paga impostos não beneficia nada se as taxas baixarem...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Pobretes mas na moda e tecnologicamente bem equipados

Esta historieta de agora termos mais pobres do que em 1974 está muito mal contada. Principalmente quando aqueles que insistem em contá-la ou ainda não eram nascidos nessa altura ou já se esqueceram do que era a vida no Portugal de então. São duas realidades distintas. Incomparáveis. A pobreza de hoje, que é muita, nada tem a ver com a pobreza de há quarenta anos.
Calças “Lois” ou sapatilhas “Sanjo” não estavam, em 1974, ao alcance de todos. Hoje os jovens que estatisticamente são considerados pobres vestem roupa e calçam ténis de marca e possuem todo o tipo de tecnologia topo de gama. Como aquela mocinha que, um destes dias, reparando no meu telemóvel Samsung E 2230 de 24,90 euros, me confidenciou ter sido um igual o seu primeiro telefone portátil. Mas isso foi há muito tempo. Agora, mostrou-me toda satisfeita, tem um aparelho todo catita que custa seiscentos euros. Daqueles que só falta fazer tostas. Oferta do namorado que, tal como ela, recebe o RSI e vai trabalhando naqueles programas ocupacionais para entreter o tempo.