terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Eu também sou muito mentiroso...

Tenho o maior respeito pelos depositantes do Banco BPP. Quase tanto como o desprezo que nutro pelos “gestores” que os colocaram na situação em que agora se encontram. A sua frustração pela impossibilidade de disporem do dinheiro que amealharam - não interessa agora para o caso a maneira como o conseguiram - não justifica, no entanto, que manifestem uma visão distorcida da realidade. Ao ponto de considerarem violência policial o facto de dois ou três agentes da polícia de segurança pública tentarem impedir, quase de forma amistosa, a entrada dos clientes alegadamente lesados nas instalações daquela instituição.
Se as ocupações de delegações do banco em diversos pontos do país se afiguram uma forma de luta mediática, revelam-se igualmente pouco capaz de dar frutos. Não me parece que por insistirem em ir ao banco em horas pouco próprias e por lá pretenderem permanecer durante uns tempos as coisas se resolvam. Se calhar um esquema manhoso, quase tão manhoso como o que eles dizem terá sido usado para os tramar, era capaz de dar mais resultado. Tipo uns tabefes nos administradores. Assim mais vale usar o homebanking…
Apesar do desespero de quem não pode pôr a mão na massa – que por sinal é sua – não é aceitável que seja o Estado a garantir os chamados produtos de retorno absoluto. Até porque o dito banco continua ainda hoje, no seu sítio na internet, a garantir que se trata de um investimento com elevado grau de segurança.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Coisas de milhões

A julgar pelas notícias que a comunicação social tem trazido a público nos últimos dias, 2009 não terá sido um ano assim tão mau para os milionários portugueses. Ao que tem sido divulgado os magnatas lusos terão conseguido juntar à sua fortuna mais uns largos milhões de euros. Fico satisfeito por isso. Pena que não haja muito mais pessoas a consegui-lo e, pena maior ainda, que entre elas não esteja eu. Embora, verdade se diga, não tenha feito investimentos que me permitissem sequer sonhar em ganhar mais que meia-dúzia de euros. Excluindo, naturalmente, a aposta semanal no euro milhões.
Face a estes ganhos parece cada vez mais ridícula a oposição que estes senhores fazem ao novo valor do salário mínimo previsto para o próximo ano. Mesmo não se tratando de dividir o que ganham pelos pobres – até porque a função das empresas que gerem não á a pratica da caridade – não se afigura como razoável discutir tostões quando se ganham muitos milhões. A manterem esta postura arriscam-se a ser comparados ao governador do Banco de Portugal. E comparação dessas é coisa de que ninguém orgulha.
Muitos milhões, mas neste caso dos nossos impostos, vai o governo injectar nos chamados hospitais epe. O objectivo é ajudar a pagar as dívidas das unidades hospitalares que foram transformadas em entidades de gestão empresarial com a finalidade, recorde-se, de criar “um modelo organizativo, económico-financeiro e cultural centrado no utente e assente na eficiência de gestão”. Pois.
A julgar pelos milhões em causa este fantástico modelo não terá trazido assim tanta eficiência, demonstra pouca capacidade organizativa, económica e financeiramente é um desastre e a cultura de responsabilização da gestão pelos resultados obtidos estará longe de ser implementada. A grande vantagem será a existência de mais quinze conselhos de administração…

domingo, 27 de dezembro de 2009

A solidariedade fica-lhes tão bem...

Acho comovente a preocupação - quase sempre genuína, quero acreditar - amplamente demonstrada pelos militantes, simpatizantes e apaniguados em geral dos partidos de esquerda, perante a existência daquilo a que chamam presos políticos. Na blogosfera nacional não é difícil encontrar os mais variados manifestos de solidariedade e apelos à libertação de gente que se encontra enclausurada por esse mundo fora, por aquilo que os partidários das causas fracturantes e modernaças consideram ser delitos de opinião. Limitar o direito, legitimo na opinião deles, a fazer explodir bombas e matar pessoas é, de facto, intolerável.
Ao contrário do que seria de supor nenhum dos activistas - nome pelo qual gostam de designar terroristas e outros criminosos – merecedor das preocupações da esquerda está preso em Cuba, na Arábia Saudita, na Coreia do Norte ou no Irão. O que, bem vistas as coisas, nem constitui grande surpresa. As amplas liberdades de que desfrutam os trabalhadores e o povo desses países contrastam de forma clara e gritante com a repressão que é exercida contra os norte-americanos, franceses ou espanhóis vítimas da tirania dos seus governos.
Ainda mais estranho é não ter encontrado o nome de nenhum cidadão nacional nas inúmeras listas de prisioneiros que suscitam os ímpetos solidários dos bloguistas portugueses. Nem do Mário Machado. Provavelmente esqueceram-se. Ou então a culpa é do Código Penal. Ou do Sócrates.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Dichotes politicamente (in)correctos

Quando alguém toma uma atitude mais corajosa ou manifesta de forma desassombrada o seu ponto de vista, nomeadamente quando em causa estão questões melindrosas ou polémicas, é usual dizer-se que teve, ou tem, “tomates”. Metaforicamente, claro. Porque os “tomates” em causa são os testículos e não o fruto do tomateiro.
Ora é contra o uso dessa expressão que hoje me insurjo. Acho até que - em nome da igualdade do género, da não discriminação e de outras coisas que agora não me ocorrem - tal dichote devia ser erradicado da linguagem corrente. Mais. O seu uso, por claramente discriminatório, poderia ser considerado como um insulto para com aqueles que não os têm ou, mesmo tendo-os, é como se não os tivessem.
Esta expressão parece limitar a um grupo restrito de elementos da sociedade o exclusivo da coragem e da frontalidade. Enquanto se enaltece a masculinidade esquecem-se valores essenciais como a feminilidade e outros menos comuns resultantes de opções esquisitas agora tão em voga. Podíamos, por exemplo, começar a introduzir – ou vulgarizar para não ferir susceptibilidades - no léxico nacional ditos como “teve ovários…” se nos quiséssemos referir à coragem de uma mulher, ou “teve recto…” se pretendêssemos elogiar a frontalidade de um panasca. Poder, podíamos e se calhar até era a mesma coisa.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Piadas dos outros

É uma daquelas piadas de que não me importava nada de ser o autor de tão jeitosa que é. Mas não. A minha imaginação não dá para tanto. Limito-me por isso a reproduzi-la. Não cito o autor porque já a vi em, pelo menos, meia dúzia de blogues.
Raciocínio simplex :
1. deixem que todos os homens que queiram casar com homens, o façam...
2. deixem que todas as mulheres que queiram casar com mulheres, o façam...
3. deixem que todos os que queiram abortar, abortem sem limitações...
4. em duas gerações, deixarão de existir socialistas...

"Problogger's"

Embora em Portugal ainda não seja comum, há já quem ganhe bastante dinheiro com os blogues e, até mesmo, quem se dedique a esta actividade a tempo inteiro e dela faça profissão. Claro que num “mercado” como o português - apesar dos louváveis esforços do governo no sentido de massificar o acesso à internet – não é fácil conseguir um número de visitas mensal que permita obter uma rentabilidade sequer satisfatória, quanto mais a dedicação em “regime de exclusividade”. Mesmo blogues de topo, como o Arrastão, o Blasfémias, o 31 da Armada e outros, não vão além das três ou quatro mil visitas diárias o que fica a anos-luz do milhão de visitantes mensais de muitos congéneres brasileiros e norte americanos cujos autores arrecadam, ao que se escreve na Net, avultadas somas resultantes da publicidade. Segundo alguns estudos, nos Estados Unidos haverá quase tantas pessoas a viver da blogosfera como advogados. Coisa que, à luz da nossa realidade, se torna difícil de entender.
Por cá não existem dados que permitam aferir se existirão ou não muitos profissionais nesta área. No entanto alguns rumores – apenas rumores porque ninguém se confessa – apontam para a existência de um número ainda pouco significativo, mas em franco crescimento, de gente a tentar tirar partido de todas as potencialidades que estes novos meios de comunicação proporcionam. Pena que a nível nacional estejam ainda a ser dados os primeiros passos na exploração deste segmento publicitário e, mesmo assim, apenas por pequenas empresas que só muito lentamente conseguirão ir ganhando algum espaço. De lamentar também que o “Sapo”, a Cofina e outros não abram o mercado da publicidade contextual à afiliação e continuem a apostar na sua inserção somente nos seus sites.
Quanto ao Kruzes Kanhoto, dois mil e nove foi um ano negro relativamente a esta matéria. Primeiro, provavelmente em consequência da crise, se ter verificado uma baixa acentuada do valor dos anúncios do adsense e, posteriormente, pela exclusão por razões muito mal explicadas do dito programa de afiliados. As alternativas ao programa da Google, embora sejam muitas, são de rentabilidade quase nula. Nomeadamente para um blogue que apenas publica um post por dia e não vai além dos cento e cinquenta a duzentos visitantes diários. Acalento, no entanto, expectativas que as coisas melhorem e que os meus leitores reparem um pouco mais nos anúncios que por aqui vão aparecendo…

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A todos um bom Natal!

A todos os leitores, comentadores e demais visitantes que, diária ou ocasionalmente, têm a paciência de ler o que por aqui vou escrevendo, desejo um Feliz Natal, com muita saúde e vontade de continuar a acompanhar as opiniões irrelevantes nem sempre fundamentadas do Kruzes Kanhoto!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Abel - o Xavier - e o islão

Ao contrário do que esperam muitos dos meus leitores – dois ou três, vá - não me vou pronunciar nem fazer umas quantas piadas mais ou menos javardolas acerca da conversão de Abel Xavier ao islão. Primeiro porque não tenho nada contra quem, como individuo, professa essa religião mas sim contra tudo o que ela significa enquanto ideologia, o que representa e o que pretende impor à nossa sociedade. Em segundo lugar pelas alegrias que, enquanto profissional de futebol ao serviço do Benfica, Abel Xavier me proporcionou. Não foram muitas, é verdade, mas pelo menos uma é inesquecível. Refiro-me, obviamente, ao mítico jogo de Leverkusen onde com um fantástico golo, na sequência de um remate a trinta metros da baliza, contribuiu decisivamente para umas das mais brilhantes exibições que me recordo de ver ao Glorioso. Foi um jogo épico e pleno de emoção, daqueles a que raramente temos o privilégio de assistir por só acontecerem de muitos em muitos anos, e este agora islamita contribuiu para isso.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pressão baixa

Sei que por cá ninguém lê blogues. Não espero, por isso, que quem tem cão leia o Kruzes. Contudo desconfio que um daqueles cães a quem só falta falar, como gostam de afiançar os donos babados perante as façanhas dos seus filhos de quatro patas, anda a ler o que por aqui escrevo acerca dos dejectos que os da sua espécie vão largando à minha porta. Pena que o desgraçado só leia. Era melhor que falasse. Assim podia ofender-me em lugar de escolher esta miserável forma de pressão.
Durante meses, anos até, refutei a existência de qualquer tipo de pressão contra os autores dos blogues de Estremoz. Cheguei, inclusivamente, a garantir que isso não era mais que um pretexto mal amanhado para deixar de escrever depois de esgotada a inspiração ou atingido o objectivo a que se tinham proposto e agora… fazem-me isto! Há três ou quatro dias, invariavelmente a cada manhã, lá está um valente monte de merda bem à minha porta. O que, em meu entender, constitui uma tentativa – inútil garanto desde já – de me pressionar, intimidar e de silenciar o meu protesto relativamente a esta matéria. Mole, asquerosa e onde me apetecia enviar o focinho do dono e a tromba da dona.

sábado, 19 de dezembro de 2009

E o reaccionário sou eu?!

Há quem não se incomode com o crescente avanço da influência islâmica no ocidente, em particular na Europa, e veja até a progressiva islamização do velho continente como algo de positivo na medida em que contribuirá para enriquecer a nossa diversidade cultural. Não comungo dessa ideia, não me canso de o afirmar e, com as poucas armas que tenho ao meu dispor, lutarei contra ela até ao último dos meus dias. Ainda que os admiradores da esquerda moderna, progressista e bem pensante me condenem por isso deverão ter, pelo menos, a honestidade intelectual de reconhecer que é um direito que me assiste. Embora, nessas coisas dos direitos, a esquerdalha e os ditadorzecos do politicamente correcto manifestem uma selectividade tão estranha como os seus princípios…
Se por cá os sinais de afirmação do islão ainda não são preocupantes o mesmo não se pode afirmar de outras regiões da Europa. Em França, por exemplo, as reivindicações dos seguidores dessa ideologia estão a atingir níveis que vão muito para além do razoável e, em muitas circunstâncias, colidem com o modo de vida dos franceses pondo mesmo em causa direitos, liberdades e garantias que eram dados adquiridos para qualquer ocidental.
Segundo relatos da imprensa francesa em algumas empresas os trabalhadores de origem muçulmana exigem a retirada dos menus que incluam carne de porco das respectivas cantinas. Isto porque não aceitam que seja confeccionada ou consumida carne daquele animal no local onde tomam as suas refeições. As reivindicações atingem o ridículo de exigir que as empregadas que os servem estejam devidamente cobertas e não ostentem decotes ou os braços destapados! Também algumas piscinas, pavilhões e outros equipamentos desportivos municipais, por pressão da mourama, adoptaram já horários diversificados para homens e mulheres.
É, como se vê, o regresso à ditadura, ao fascismo e à idade das trevas. À substituição da democracia pela “sharia”. Tudo com o beneplácito da esquerda, dos que advogam a tolerância e dos multiculturalistas. Ou dos traidores, como prefiro considerá-los. Cobardes que não se cansam de escrever e falar em nome de amanhãs, mas que se preparam para deixar aos seus filhos um mundo que em nada honra a memória dos seus pais e dos seus avós.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Aumento chocante

Os argumentos recentemente apresentados como justificação para o aumento do preço da electricidade em quase três por cento, muito acima da inflação e dos aumentos salariais previstos, são uma verdadeira ofensa à inteligência dos portugueses. Lamentavelmente não se registaram reacções significativas a este anúncio, o que me faz pensar que andamos todos distraidos ou então já ninguém liga às parvoíces com que nos vão enganando.
Justificar o aumento do preço com o facto de se ter verificado uma quebra no consumo parece-me de muito mau gosto e uma desculpa de mau pagador. Ou, no caso, de mau vendedor. Principalmente quando existem estímulos de vária ordem, nomeadamente governativos ao nível da concessão de benefícios fiscais, para o uso de energias alternativas que substituam o consumo da energia eléctrica fornecida pela EDP.
Para irem ainda mais ao fundo do bolso podiam ter arranjado explicações mais convincentes. Por exemplo que os ordenados principescos dos administradores, as inúmeras viaturas de serviço ou alguns investimentos megalómanos terão de ser pagos por alguém. Os do costume, de preferência. Já estão habituados.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária

Para gáudio de uma certa malta o governo aprovou finalmente as alterações legislativas que vão permitir alargar o âmbito do conceito de casamento. Haverá, calculo, muita gente a rejubilar com mais uma sábia medida, do não menos sábio, líder do mais genial governo de todos os tempos. Exceptuando, talvez, o que nos governou nos últimos quatro anos e meio. Por mim hesito em rejubilar. Isto porque estou inteiramente de acordo com a decisão do governo, embora simultaneamente de opinião contrária e, por outro lado, é coisa pela qual manifesto mais profundo desprezo.
Concordo porque é bom para a economia. Toda a indústria casamenteira, chamemos assim, terá um incremento significativo no seu volume de negócios e, com certeza, isso irá gerar mais uns quantos postos de trabalho. A conflitualidade conjugal e a decorrente litigância sofrerá igualmente um acréscimo, o que motivará uma maior actividade nas áreas de negócio ligadas à justiça e ao direito. Finalmente também o Estado, como não podia deixar de ser, sairá a ganhar. Dois paneleiros ou duas fufas que decidam casar irão pagar substancialmente mais irs do que pagariam se continuassem solteiros. Logo, também pela via fiscal, esta parece uma medida positiva.
Por outro lado estou-me nas tintas. Eles que façam o que muito bem lhes apetecer com o rabiosque, simulem o que quiserem, brinquem ao faz de conta, casem, briguem-se e paguem mais impostos que, desde que não me chateiem, é coisa que não me interessa.
O desagradável desta nova realidade terá mais a ver com aspectos burocráticos. Imagine-se que alguém, no preenchimento de um qualquer formulário, pergunta a outrem se é casado e, perante uma resposta afirmativa, se com um homem ou com uma mulher. Isto enquanto a lei não contemplar o direito ao casamento entre espécies, claro. Não sei como a maioria das pessoas normais reagirá mas, quanto a mim, dou-lhe um murro nos cornos. Ou, pelo menos, fico com vontade de lho dar.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Janela improvável

Esta foto não tem nada de especial. Nada mesmo. Deve ser por isso que pouco me ocorre para escrever acerca dela. Verdade que a coexistência de três elementos me deixa de certa forma curioso. Mármore, gradeamento e azulejos convivem ali numa coexistência improvavel e simultaneamente estranha. Ou inútil.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Apanhados do clima

Como já escrevi inúmeras vezes nunca achei grande piada aos ecologistas, ambientalistas, pacifistas e outra malta, normalmente de aspecto duvidoso, que parece não ter mais nada que fazer na vida senão andar a protestar de cidade em cidade por esse mundo fora onde se realizem reuniões de chefes dos governos mais importantes do planeta. Não consigo descortinar qualquer tipo de credibilidade nem acreditar nas motivações científicas de uma criatura pouco menos que maltrapilha, com aspecto de manter uma relação inconciliável com a higiene e, em alguns casos, de cara tapada com se tivesse receio das verdades absolutas que nos pretende transmitir.
Para além dessas, outras questões não menos inquietantes, se levantam. Será que esse pessoal não trabalha ou, mesmo que o faça, como consegue arranjar tanto tempo livre e disponibilidade financeira para as deslocações? Ou, como há quem garanta, haverá uns quantos lobbies a financiar certas verdades tidas como convenientes? O fumo dos produtos que consomem não será, também ele, prejudicial, sob as mais diversas formas – desde o que vai para a atmosfera até ao posterior tratamento das consequências que provoca – para o planeta que dizem querer mais limpo?
Por fim, o modo escolhido para demonstrar o seu apego ao ambiente e a indignação contra as mudanças climáticas não podia ser pior. Partir montras, escavacar sinais de trânsito e mandar umas pedradas à polícia não me parece a forma mais eficaz de garantir a sustentabilidade do planeta. É má educação, descredibiliza as ideias por que dizem lutar e, pior, vai exigir que mais recursos sejam gastos a repor o que os meninos malcomportados estragaram.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

E se fosse uma mesquita?

A construção da nova Igreja de S. Francisco Xavier, no Restelo, em Lisboa, está a motivar acesa polémica. O projecto, que apresenta a igreja em forma de caravela dourada, tem motivado reacções negativas que colocam em causa, entre outras questões, a sua localização, volumetria e altura de uma das torres do edifício.
Podem até todos ter razão. Provavelmente terão. A mim, que não sou muito dado a essas coisas da religião nem aprecio fundamentalismos de qualquer espécie – sejam eles urbanísticos ou religiosos – fica-me apenas a dúvida se, caso se tratasse da construção de uma mesquita com um minarete, os que agora contestam manteriam a mesma posição. Talvez um destes dias venhamos a descobrir… 

domingo, 13 de dezembro de 2009

O maior progenitor português foi um padre!

Sexo, religião, politica e justiça constituem ingredientes bastantes para uma boa história de sacanagem. Como a que a seguir transcrevo e que pode ser encontrada na wikipédia. É só procurar que está lá tudo. Da sua leitura facilmente se conclui que algumas questões que ainda hoje ensombram a vida pública já se arrastam através dos séculos. A libertinagem de alguns agentes da igreja, a desertificação do interior e a ingerência do poder político nas decisões judiciais são, entre outras, as que podemos encontrar na breve historieta que se segue:
O Padre Francisco Costa foi provavelmente o maior progenitor português. Ele era prior da cidade medieval de Trancoso no século XV, dando origem a 275 filhos concebidos por 54 mulheres. Em processo movido por libertinagem na época o padre chegou a confessar que manteve relações sexuais e teve filhos com 29 afilhadas, 9 comadres, 7 amas, 2 escravas, 5 irmãs e uma tia, além da própria mãe.
Conforme sentença proferida em 1487 (cuja cópia repousa no Instituto Arquivos Nacionais Torre do Tombo, em Lisboa) ele foi condenado e a sua pena passava pelo arrastamento nos rabos dos cavalos pelas ruas públicas, com seu corpo em seguida sendo esquartejado e posto aos quartos, onde a cabeça e as mãos seriam depositadas em diferentes distritos. Porém o rei D. João II entendeu perdoar-lhe a pena e ordenou que fosse enviado para casa no dia 1 de Março desse mesmo ano, baseado no facto de "o padre Francisco Costa ter contribuído para o povoamento da Beira Alta".
A casa onde viveu o padre Francisco Costa é agora o restaurante "O MUSEU".
Sentença Proferida Em 1487 Contra O Prior de Trancoso
Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Autos arquivados no armário 5, maço 7:
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado, o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido:
- Com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos;
- De cinco irmãs teve dezoito filhas;
- De nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas;
- De sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas;
- De duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas;
- Dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas,
- Da própria mãe teve dois filhos.
Total: "duzentos e setenta e cinco, sendo cento e quarenta e oito do sexo feminino e cento e vinte e sete do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e quatro mulheres".

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Food Alentejo

Se bem entendo os princípios da coisa – da causa, talvez – o denominado Movimento Slow Food terá como finalidade contrariar o fast food, o ritmo frenético da vida actual e o desaparecimento das tradições culinárias. Pretende igualmente este Movimento internacional promover o interesse das pessoas pela procedência e sabor dos alimentos que consomem, bem como desenvolver programas de educação alimentar a favor da biodiversidade. Tudo, portanto, boas razões para nos congratularmos com a sua existência.
Como acontece quase sempre com os denominados “Movimentos”, deve ser por isso que se chamam assim, também este se espalhou pelo planeta - mais uma espécie de franchising - e chegou, há algum tempo, ao Alentejo. Nada de mais. Principalmente se tivermos em conta a má afamada lentidão nossas gentes – uma injustiça contra a qual voltarei a salivar um destes dias – e a rica tradição dos “comeres” alentejanos. Verdadeiras iguarias que, diga-se, estão por estes dias a ser promovidos junto da criançada que, lamentavelmente, já conhece melhor o sabor de uma lasanha congelada do que o excepcional gosto de umas migas com carne de porco.
Reconheça-se no entanto que há coisas que não se devem juntar. Água com azeite será o exemplo mais conhecido. Com as palavras sucede o mesmo. Lembro-me de, em tempos já distantes, o Portimonense ter uma dupla de centrais que obrigava os gajos dos relatos radiofónicos a fazer uma pausa quando anunciavam a constituição da equipa. Eram o Amílcar e o Alhinho. Ou do outro que insistia em ser conhecido pelo nome com que o padrinho o tinha baptizado – Adolfo - e pelo apelido do seu distinto pai. O Dias.
Com este movimento sucede algo parecido. “Slow Food Alentejo” lido assim, para o pessoal que nem o inglês técnico conseguiu tirar, é capaz de parecer outra coisa. Boa, igualmente, e que, se quisermos ser brejeiros, dará para fazer umas quantas piadolas relacionadas com a gastronomia. Ou uns trocadalhos do carilho.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Solidariedade selectiva

Esta zovem, provavelmente a soldo do capitalismo e do imperialismo ocidental, quase de certeza também dos interesses americanos no petróleo da zona, insulta de forma vil o Presidente do seu país, democraticamente eleito pelo povo em eleições livres e justas. É perante coisas destas que me apetece dizer: “O fascismo não passará!”. Ou, em alternativa, “o multiculturalismo é uma coisa muito linda”.
Claro que esta atitude seria muito mais valorizável se o gesto fosse destinado a um suíço e a zovem lutasse pelo seu direito inalienável a ver construídos muitos minaretes nas terras helvéticas, lugares habitados por gente sem cultura e reaccionária como o caraças, mas é o que se pode arranjar.
Curioso como os protestos de rua e a brutal repressão que foi exercida sobre os manifestantes que em Teerão lutam pela liberdade, contra o regime ditatorial e criminoso dos ayatollahs, não merecem da esquerda nem da intelectualidade bem pensante qualquer referência nem suscitem entre os habituais defensores das lutas latino-americanas ou palestinianas o mais ténue protesto.

Apenas agora é que MC deu por isso?!

Confesso que já achei mais piada a Medina Carreira. O discurso do caos está a tornar-se repetitivo, a perder a graça e a insistência em fazer um diagnóstico do apocalíptico do estado do país, sem apresentar soluções, começa a aborrecer-me. As mais recentes tiradas do antigo ministro das Finanças dirigiram-se, desta vez, ao programa “Novas Oportunidades” e fizeram-me recordar este texto que publiquei, em Novembro de 2007, na primeira versão do Kruzes Kanhoto, então no Sapo.
Cursos do Noddy
Foi com algum entusiasmo e muita expectativa que me inscrevi no Programa “Novas Oportunidades”. Pretendia, pela via do RVCC - Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências - concluir o ensino secundário que, em resultado de uma mistura de inépcia natural para a matemática e uma irresponsabilidade que hoje tenho alguma dificuldade em compreender, ficou por concluir desde o tempo em que era suposto e normal ter sido concluído.
No entanto, após o primeiro contacto com o referencial que alguém se lembrou de elaborar para servir de guia a este programa, o entusiasmo esmoreceu e a expectativa transformou-se em frustração.
Contrariamente ao anunciado e que seria expectável, o RVCC não se trata de reconhecer a aprendizagem que o formando efectuou ao longo do seu percurso de vida e certificar esses conhecimentos em termos académicos. Pretende-se antes que se relatem experiências, nem interessa se verdadeiras, e se escreva, de preferência muito, sobre temas variados. No meu caso, devo fazê-lo sobre temas tão diversos como o aparelho de telex, com que trabalhei na tropa, a importância e evolução dos electrodomésticos ou, algo tão relacionado com o meu percurso profissional, como o tema “Educar hoje”.
Evidentemente que, acções deste tipo, têm como finalidade aumentar estatisticamente o nível académico da população e premiar com o diploma do ensino secundário quem, ainda que pouco ou nada saiba, tenha algum jeito para contar histórias. Nem que sejam da carochinha. Ou do Noddy.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Crime - dizemos nós.

Citando um mediático presidente de Câmara, “sempre que ouço falar em cultura só me apetece sacar da calculadora”. Por isso raramente aqui me refiro a eventos de índole alegadamente cultural que, quase sempre, mais não são que manifestações de gosto duvidoso e um esbanjamento descarado dos dinheiros públicos e que raramente teriam lugar se os responsáveis pela sua organização tivessem que as pagar do seu próprio bolso. Lembro, por exemplo, um “espectáculo” realizado no adro da Igreja de S. Francisco em que uns quantos jovens davam uns pinotes – não havia música senão ainda podia supor que estavam a dançar – enquanto eram regados por várias mangueiras de água. Provavelmente, a julgar pelas palmas no final, as dezenas de espectadores presentes terão percebido a essência da coisa. Eu, garanto, não entendi patavina. Mas isso sou eu que sou burro, nem manifesto capacidade intelectual para descortinar o quanto artísticas podem ser várias sequências de pulos abundantemente regados.
O mesmo não posso dizer das exposições que periodicamente estão patentes ao público no centro cultural. Ainda que não seja assíduo frequentador vou, com alguma regularidade, acompanhado o que por lá se expõe. Garanto, com a mesma convicção com que escrevi o parágrafo anterior, que vale a pena. É o caso da que por estes dias se pode visitar, em que pode ser apreciado um conjunto de fotografias que documentam o derrube da igreja paroquial de Santo André, bem no centro da cidade - ocorrido no princípio da década de sessenta do século passado - para em seu lugar edificar o Palácio da Justiça e que será certamente um dos maiores crimes contra o património histórico de Estremoz. A par, talvez, da demolição de uma vasta área de muralha efectuada anteriormente.
“Igreja de Santo André – História de um crime” é, por isso, uma exposição a visitar. Para que, pelo menos, todos tenhamos a consciência da dimensão do disparate que foi cometido.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A maga e a publicidade

O marketing, mesmo entre os bruxos e actividades similares, está cada vez mais agressivo. A prova disso, como se fosse preciso prová-lo, é que acabo de ser alvejado com um molho de prospectos publicitários, atirados de um carro em andamento, onde são divulgadas as capacidades curativas de uma tal “Dona Mara” que, segundo reza o folheto, consulta em todo o país. Estaremos portanto em presença de uma maga ambulante. Um novo e interessante conceito, convenhamos.
Apesar da agressividade das técnicas de divulgação do serviço anunciado, verificam-se ainda evidentes lacunas que urge melhorar. Digo eu, que apesar de leigo nestas matérias da publicidade e da bruxaria, gosto muito de dizer coisas. Tanto que vou até deixar algumas dicas – oportunidades de melhoria é capaz de ser mais apropriado – que se poderão revelar úteis a quem se queira iniciar na arte de resolver problemas nas áreas do “Amor – Saúde – Negócios – Divórcios – Casamento, Namoros, etc “ e saída para a crise em geral, como anuncia o dito papelucho que por pouco não me acertava em cheio.
Para começar o titulo. “Querido paciente” parece profundamente inadequado. “Querido” soa a coisa de tias e quem recorre a esta gente são por norma pessoas com pouca paciência para resolver os seus problemas pelas vias normais. “Fofinho desesperado” era capaz de ser mais apelativo. E muito mais moderno, também.
Diz-se a seguir que “Chegou novamente a Portugal depois de uma breve viagem para aprofundar os seus conhecimentos a famosa senhora de grandes poderes naturais e sobrenaturais.” Ora, como é fácil de constatar, esta frase está repleta de contradições. Ninguém acredita que, numa breve viagem, seja possível aprofundar assim tanto os seus conhecimentos, a não ser, talvez, José Sócrates, mas esse não é para aqui chamado e de mago tem muito pouco. Também a parte dos “poderes” me parece bastante incoerente. Se alguém tem assim tantos poderes sobre naturais não estou a ver para que raio quer os naturais. Nem o contrário. Além que não deixa de ser estranho ter sido dotada logo com os dois. Nestas e noutras coisas quando a esmola é grande o pobre desconfia, por isso o melhor será optar apenas por uma versão dos poderes. Ou, em alternativa, ir variando e conforme a ocasião escolher o que dê mais jeito. Nunca os dois em simultâneo.
Garante ainda a publicidade que a senhora “Trata e cura com as suas próprias mãos”. Aqui a coisa melhora significativamente mas, mais uma vez, o marketing volta a falhar por não incluir uma foto da criatura. É verdade que quem vê caras nem sempre vê mãos, e mesmo que as veja não fica, só por isso, a saber das suas habilidades. Mas lá que ajuda muito na hora de decidir pôr alguma coisa na mão de uma qualquer maga lá isso ajuda.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Islão não obrigado!

As causas da esquerda têm o condão de me aborrecer. Por norma são incoerentes, parvas e quase sempre os seus defensores mais não pretendem do que dar ares de gente muito evoluída intelectualmente. A evolução é de tal ordem que acham inadmissível que alguém ouse discordar das suas ideias ou pense de maneira diferente. É o caso dos suíços. Tiveram a ousadia de rejeitar a construção de minaretes no seu país – sim, no seu, não noutro qualquer – e têm agora a intelectualidade bem pensante europeia a acusá-los de racismo, xenofobia e islamofobia.
A admiração da esquerda e dessa malta urbana, de superior formação cívica e de consciência social a toda a prova, relativamente à ideologia islâmica deixa-me perplexo. Sabe-se que é entre esta gente que se encontram os principais defensores dos direitos dos homossexuais e de outro pessoal com gostos e práticas esquisitas. Ora, sabendo-se igualmente o tratamento que nos países onde vigoram regimes islamitas é aplicado a quem tem essas tendências, parece-me que existe uma clara incoerência na protecção que reclamam para os costumes islâmicos no ocidente.
Há quem se declare anti-comunista. Ou anti-fascista. Por mim não tenho qualquer tipo de preconceito em me declarar anti-islâmico. Enoja-me esta ideologia e tudo o que com ela está relacionado, considero as suas práticas próximas da demência e desejo vê-las o mais longe possível do lugar onde vivo.
Não posso deixar de estranhar que gente que enche a boca de conceitos como a igualdade entre homens e mulheres aceite de bom grado, trate como igual e reclame o direito à propagação das suas ideias, gente que considera as mulheres como seres inferiores. Quanto a mim não tolero que alguém pense que sou filho e pai de alguém inferior. Se outros aceitam lá terão as suas razões…

domingo, 6 de dezembro de 2009

Calma!

É por demais evidente quanto o actual Partido Socialista convive mal com a democracia. Nisto incluo os actuais dirigentes, os militantes e até os próprios apoiantes. Não suportam as críticas ao líder, que para eles constitui uma espécie de Deus, e tudo o que lhes cheire a opinião divergente da doutrina oficial, passada ou presente, soa como uma heresia ou um vil ataque com o fim exclusivo de prejudicar o partido. Ou o país, não tem bem a certeza. Como se o desejo de ver este canto progredir e tornar-se um lugar melhor fosse um exclusivo seu. Este estado de paranóia é de tal ordem e ameaça atingir tais proporções que, sinceramente, começo a recear pela saúde mental de muito boa gente.
Por muito que isso lhes custe, as instituições, não só as judiciais mas todas as outras, vão continuar a funcionar sem que, agora, as possam controlar de forma absoluta. A comunicação social, ainda que refém de um mercado publicitário onde o PS tem uma “voz” demasiado poderosa, não poderá ser toda silenciada e a blogosfera continuará a não ser passível de sofrer qualquer tipo de controlo.
Neste contexto os apaniguados do actual directório socialista – que não confundo com o Partido Socialista que lutou na rua pela liberdade e pela democracia – o melhor que fazem é manter o fair-play e não se amofinarem com as críticas. Nem com as piadolas do Kruzes. Que, como não me canso de salientar, para além de não deverem ser levadas a sério, são apenas opiniões irrelevantes nem sempre fundamentadas.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Cão bem comportado

O dono - cujo nome não será aqui revelado – deste simpático cachorro sempre me garantiu que ele não é cão de andar por aí a cagar pelos passeios. Quando muito faria as suas necessidades no alcatrão. E isso, na sua opinião que eu em parte corroboro, não faria grande mal porque os automóveis encarregam-se de espalhar a matéria sem que daí resulte algum prejuízo para quem anda a pé. Confesso que tinha, até hoje, algum cepticismo acerca da intuição do animal em escolher a faixa de rodagem em detrimento do passeio como local de eleição para fazer a sua cagada. Provavelmente será um qualquer desprendimento relativamente às coisas terrenas, ou então um fraco instinto de sobrevivência, que o faz optar pelo sítio onde circulam potenciais ameaças capazes de o levar, digamos, a falecer. Seja como for é preferível que assim continue.
Acredito que por esta altura já muitos estranhem a ausência de impropérios e a benevolência com que me refiro ao canito que, espantar-se-ão uns quantos, até apelido de simpático. Acreditem que é mesmo. É dos poucos que não me rosna e embora não revele especial afectividade para comigo, manifesta uma relativa tolerância à minha passagem por aquilo que será o seu “território”. Ou seja, sou-lhe completamente indiferente. O que já não é mau.
O desfoque da imagem, na zona do focinho, destina-se a preservar a identidade do cão. Numa altura em que tanto se reclama do direito de reserva relativamente à vida privada, mesmo quando publicamente se faz tanta merda, parece-me da mais elementar justiça que, por tão pouca, se use o mesmo princípio. Por isso e porque o canito, qual Manel Maleiro de quatro patas, ainda era capaz de considerar a hipótese de me processar por clara devassa da vida privada!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Estórias de um reino distante

Naquele reino distante, tão distante que até chateia de tão distante que é, o rei, convencido por um dos barões mais chegados, decidiu importar um conceito todo modernaço e implementar um sistema de gestão da qualidade lá na corte. Durante anos a fio os diversos serviços do reino, em lugar de trabalhar para o bem-estar do povo, entretiveram-se a inventar esquemas, cada um mais ardiloso que o outro, para provar que eram bons e que cumpriam os requisitos tendentes a obter a certificação de qualidade. Como não podia deixar de ser – eram eles a pagar - ganharam o desafio, foram-lhes concedidos uma espécie de certificados muito jeitosos e conquistaram até uma bandeira que, todos ufanos, hastearam nas varandas do palácio real.
Claro que esse facto nada mudou na corte, no reino ou na vida dos subditos. Essa coisa da qualidade, por mais orgulhosa que deixasse a realeza, em nada interessava à plebe. Nem tão pouco aos escudeiros, pajens, aias e outra vassalagem que, para mal dos seus pecados, eram obrigados a cumprir, ou a fingir que cumpriam, objectivos ridículos ou rebuscadamente idiotas - não raramente as duas coisas – inventados pelos escrivões do séquito real. O que, como é fácil de calcular, contribuiu para o descrédito do rei, não causando por isso estranheza de maior que tivesse sido posto um ponto final ao seu reinado e que este fosse forçado a abandonar o trono.
Obviamente que a qualidade é, como o próprio nome indica, uma coisa boa. Estabelecer como prioridade para a criadagem da limpeza a redução do número de pisadelas na merda de cão, devidamente confirmadas por uma comissão independente especializada no assunto, seria um objectivo simpático. Até porque a merdoca canina está na rua, onde o povo a pisa, e não dentro do palácio real onde o rei e o restante séquito têm quem lhes trate dos sapatos.
Tudo isto, repito, passou-se num reino distante. Tão distante que até chateia de tão distante que é.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ideias parvas

Qualquer reportagem, inquérito de rua ou outra forma de auscultar a opinião daqueles que vendem alguma coisa revela que os portugueses compram pouco porque, garantem os vendedores, não tem dinheiro. Quase todos se lamentam dos ordenados baixos da generalidade dos trabalhadores o que, de uma ou outra forma, faz com que o seu negócio se mostre cada vez mais inviável por falta de poder aquisitivo dos potenciais compradores.
O mesmo acontece com os que produzem os bens que os primeiros nos vendem. Consumo em queda, matéria primas em alta, concorrência dos países emergentes e outras coisas que ficam por dizer mas que facilmente se adivinham de tão óbvias, constituem o leque de motivos que tem levado ao longo dos últimos anos ao desaparecimento de grande parte do tecido produtivo nacional.
Perante este cenário não deixa de ser espantosa a posição veiculada pelo Fundo Monetário Internacional – presidido, tal como o Banco de Portugal, por um socialista – relativamente à politica salarial a seguir pelo governo português. Reduzir os já de si parcos vencimentos dos funcionários públicos poderia constituir uma catástrofe de dimensões difíceis de imaginar, nomeadamente em pequenos concelhos do interior onde a esmagadora maioria da população activa trabalha na autarquia e nos poucos serviços públicos que lá existem. Qualquer diminuição do seu poder de compra representaria o colapso do tecido económico local em vastas zonas do país, com todas as consequências que são fácies de adivinhar. Por todos menos por aqueles que conhecem melhor as câmaras de televisão do que a realidade em que vivem as pessoas que tem de aturar as suas teorias parvas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os pândegos

Por mais que me esforce não consigo levar os economistas a sério. Eu bem tento mas a insistência desta classe em traçar cenários e fazer conjunturas quanto ao que nos reserva o futuro, principalmente quando não foram capazes de prever uma crise como a que estamos a atravessar, fazem-me rebolar de riso sempre que algum abre a boca.
Garantem agora estes pândegos que 2010 terá de ser um ano de forte contenção salarial. Quiçá até de congelamento das remunerações. Por mim iria mais longe. Aconselharia uma fortíssima redução do vencimento dos gestores de topo das empresas. Públicas e das outras. Para justificar os obscenos salários que auferem usam quase sempre o argumento das qualificações e que aos melhores se deve pagar muitíssimo bem se não procuram outras paragens. Pois que assim seja. Procurem outras paragens. Mais depressa encontrará um emprego bem remunerado no Luxemburgo um operário indiferenciado, de uma dessas construtoras da moda, que ganha o ordenado mínimo, que um qualquer gestor da mesma empresa ainda que só exija metade do que ganha por cá.
Já quanto à função pública entre economistas, gestores e outros pseudo-analistas, preconiza-se o congelamento de salários e, em casos extremos, opina-se mesmo que o ideal seria promover despedimentos ou redução de salários. Eu, que acredito na bondade humana e na inteligência de quem andou anos a fio a estudar estes assuntos, quero crer que quem afirma estas coisas sabe do que está a falar e que essa será a melhor solução para o país. Outros, mais desconfiados ou apenas más-línguas, juram que eles querem é que sobre mais dinheiro do Estado para pagar pareceres, estudos, assessorias e outras coisas que não vêem ao caso. Mas isso são os outros a dizer, porque eu não acredito.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O "gay" Leão

A nova promoção do Sporting, “Gamebox Duo”, está a deixar as bichas lagartonas irritadas com o seu clube do coração. Isto porque o produto colocado à venda, que mais não é do que uma promoção tendente a levar mais mulheres ao estádio, apenas é vendido a casais de sócios que queiram ter descontos na aquisição de lugares anuais no Estádio de Alvalade.
Como não podia deixar de ser houve quem reagisse mal e visse um claro propósito discriminatório na intenção dos dirigentes leoninos por a promoção não abranger um par de criaturas – não um casal que isso é uma coisa completamente diferente - que mesmo sendo associados do clube tem a particularidade de ambas possuírem um pirilau a que não sabem dar uso.
Absolutamente extraordinário é que gente aparentemente tida como séria e inteligente, ligada ao Sporting, veio já contestar a limitação desta promoção a casais, questionando, inclusivamente, a sua legalidade. Para além de não quererem perceber que está apenas em causa uma estratégia de marketing, parece pretenderem colocar a instituição numa posição deveras embaraçosa. É que a vingar a tese da “não discriminação” os leões tornar-se-iam em pouco tempo no clube com mais sócios larilas do planeta. Para aproveitar o desconto proporcionado pela “Gamebox Duo” acredito que seriam muitos os lagartos a comparecer nos locais de venda de mão dada com o parceiro das idas à bola e capazes de jurar que “arrecadam a costeleta” desde que fazem a barba.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ausências notadas na blogosfera local

Raramente neste espaço teci comentários ou analisei aquilo que se vai passando - ou não – na blogosfera local. Das poucas vezes que o fiz fui mal interpretado, provavelmente por escrever de forma pouco escorreita ou, embora coloque sérias reservas quanto a essa possibilidade, os que se sentiram lesados não disporem de um sentido de humor minimamente razoável ou manifestarem uma clara intolerância à critica. Não é, claramente, o caso daqueles a quem hoje me vou referir - os meus amigos Albino e José Ramalho – que, de forma nenhuma, integram qualquer dos grupos acima mencionados.
Claro que cada um sabe de si, se fosse religioso acrescentaria que Deus sabe de todos, mas não posso deixar de manifestar a minha estranheza e, sobretudo, o meu lamento pela retirada que ambos parecem ter feito destas lides e terem deixado as “trincheiras da internet” local bastante mais pobres. Mesmo sem participar nas “lutas” que ambos travaram - não necessariamente um com o outro, como é óbvio – tenho acompanhado de perto os seus blogues, que lia com prazer, e habituei-me a considerá-los como verdadeiras referências da blogosfera de Estremoz. Até porque, sempre o afirmei, os propósitos que os motivavam a escrever eram muitíssimo mais nobres que os meus.
Para manter estes espaços é necessário, entre outras coisas, muita paciência. Sei por experiência própria que há gente – alguma até perigosamente perto – que tem um gosto especial em encher com ofensas, a tudo e a todos, as caixas de comentários. Muitas vezes, arrisco-me a dizer quase sempre, apenas com o objectivo de silenciar o autor através da saturação que, supõe, este possa atingir perante a persistência da crítica, da ameaça ou do insulto (não confundir com “pressões” porque quanto a isso já é sobejamente conhecido aquilo que penso). É essa vontade de contrariar – ser do contra dá-me um gozo do caraças! - que, mesmo após este blogue ter perdido o principal motivo da sua existência, me faz continuar. Não que eu seja grande exemplo mas, neste caso, acho que deviam fazer o mesmo!

domingo, 29 de novembro de 2009

Os minaretes da discórdia

De forma inequívoca os suíços manifestarem hoje nas urnas a sua oposição à construção de minaretes no seu país. Esta decisão, que deixou em estado de choque a esquerda e a intelectualidade bem pensante, constituirá um ponto de referência na luta contra a islamização da Europa. É, embora haja quem não perceba, uma grande vitória da democracia, da luta contra o fascismo islâmico e um marco na luta pela manutenção da liberdade no velho continente.
Não escondo que gosto tanto do estilo de sociedade e dos conceitos de vida que nos pretendem impor os que professam a ideologia islâmica – sim, ideologia – como eles apreciam o toucinho e que a construção na minha terra de um desses poleiros, de onde um qualquer maluco barbudo guinchasse estridentemente o chamado à oração, era coisa para me deixar irritado. Embora não acredite que tal questão venha a ser suscitada por cá. As entidades com responsabilidades na defesa do património arquitectónico, tão ciosas das nossas ruínas que nem permitem o restauro de uma simples moradia, jamais o permitiriam. Ou alguém acha que arquitectos como aqueles que tão bem conhecemos iam aprovar coisas dessas?! Ná…por cá essa malta das barbas grandes e toalha enrolada aos cornos não se safa.

Ganha que atira mais alto?

Parece confirmar-se que o arremesso do saco do lixo é uma modalidade em franca expansão e que cada vez conquista mais praticantes entre os estremocenses. Depois de aqui ter feito referência ao lançamento de resíduos - acondicionados ou não - no Bairro de Santiago, onde é usada a técnica do “comprimento”, ou seja ganha quem atira mais longe, detectei este fim-de-semana uma nova variante desta prática pouco cívica e que está longe de ser salutar. Foi numa zona mais central da cidade e aqui o objectivo, tudo o indica, é lançar o lixo à maior “altura” possível. No caso o praticante tentou superar a barreira constituída pela vedação mas, como a imagem demonstra, não conseguiu. Provavelmente andará a faltar aos treinos, algum factor adverso – uma brisa mais intensa, por exemplo – influenciou o lançamento ou, além de porco, é fracote. De corpo e de espírito. Acrescente-se.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dia sem compras

Assinala-se amanhã o “Dia sem compras”. Uma iniciativa destinada a promover a reflexão sobre o modo de consumo nas sociedades capitalistas. O que retira à efeméride, o carácter global e mundial que os seus mentores supostamente pretendem atingir. Ou então trata-se de discriminar os felizardos que vivem nas sociedades, a caminho da perfeição, onde o capitalismo não é o sistema vigente e as pessoas raramente compram seja o que for. Até porque não há. Nem, mesmo que haja, tem dinheiro para comprar.
Confesso que me cheguei a entusiasmar com a ideia. Um dia sem pagar os impostos incluídos nos bens que não iria consumir ou, em alternativa, não contribuir para o enriquecimento dessa malta que vive à margem da lei pareceu-me, à primeira vista, uma coisa interessante. Mas passou-me depressa. Afinal os organizadores pretendem apenas promover aquilo que consideram ser a sustentabilidade do planeta, o consumo consciente e local, o comércio justo e a reutilização e troca de bens. Seja lá isso o que fôr. O que me cheira a grupos de ecologistas, ambientalistas, hippies, ganzados, esquerdistas e outra malta com uma relação difícil com as coisas sérias.
É por isso que não vou aderir. Com o subsídio de natal ainda fresco na conta bancária até sou capaz de perder a cabeça e fazer uma extravagância.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ensinem os vossos filhos a usar a sanita!

Reclamo para Estremoz um lugar no Guinesses - o livro que regista os recordes mais estapafúrdios, os feitos mais extraordinários e, também, as maiores parvoíces – como a cidade em que os seus habitantes mais vezes cagam, vomitam e, a julgar pelos antecedentes tudo me leva a crer, mijam na piscina pública. Nem sei se o equipamento deverá continuar a ser considerado como tal. Provavelmente o melhor será mudar o nome para sanita municipal e, aí sim e sem qualquer margem para dúvidas, veríamos o nome da nossa terra como sendo a que possuiria a maior sanita colectiva.
Como já escrevi noutras ocasiões, nomeadamente aqui, são necessários quase todos os dedos de ambas as mãos para contar os dias em que, desde Outubro, a piscina fechou por uns quantos meninos terem conspurcado a água com as suas fezes ou o seu vómito. De salientar que numa das ocasiões as fezes seriam daquelas que apenas podiam ter sido libertadas após um esforço significativo nesse sentido. Cagalhões daqueles bem consolidados, chamemos-lhe assim. O que afastará, de todo, a tese de mero acidente. Consta até que a criancinha e a mamã terão abandonado as instalações rindo que nem umas tólinhas com a espantosa proeza conseguida pela pequena cria…
Mesmo que não hesite em atribuir a responsabilidade destes atentados à saúde pública aos papás inconscientes e sem condições para educar uma criança, não deixo de lamentar que após tantos incidentes a direcção daquele espaço ainda não tenha feito nada para alterar a situação. Afinal parece-me legitimo perguntar: Quem manda está ali a fazer o quê?!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

É da (di)vida!

A impossibilidade legal de denunciar publicamente um caloteiro é algo de surreal e constitui mais um pretenso direito, saído das amplas liberdades conquistadas no tempo do prec, que mancha a nossa organização social e devia fazer corar de vergonha quem tem competência para legislar ou aplicar a legislação vigente quanto a esta matéria. Como em muitos outros aspectos, a lei protege o criminoso e deixa a vitima praticamente à sua sorte, sem se poder defender não só do crime de que foi vitima mas também das armadilhas que esta gente que gira em torno das coisas da justiça lhes vai preparando.
Vem isto a propósito da intenção dos senhorios criarem uma espécie de lista negra de inquilinos maus pagadores. O que, como não podia deixar de ser, é inviável por violar uns quantos direitos fundamentais, nomeadamente o direito à privacidade do caloteiro, como já veio a público reafirmar o representante de uma associação de inquilinos. Indignado perante tal hipótese o homem garantiu mesmo que processaria judicialmente quem ousasse divulgar o nome de quem não paga o aluguer que contratou de livre e espontânea vontade e que ainda assim se acha no direito a continuar a ter casa, bem como a permanecer incógnito para poder continuar a “ ferrar o cão” a outros incautos cidadãos. A ameaça ao recurso a vias judiciais parece constituir assim uma nova prática entre os que revelam fraca disponibilidade para regularizar pagamentos em atraso. É da (di)vida!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Irritações luminosas

Imagem retirada daqui
Tirando aquela parte de conduzir percebo muito pouco de automóveis. Daí não entender, e constituir para mim um indecifrável mistério, o facto de ao meu meio de transporte, um pequeno utilitário, um boguinhas vá, lhe ter dado desde há algum tempo a esta parte para manter ininterruptamente acesa a luz do interior da bagageira. É suposto a lâmpada apagar quando se fecha a porta. Mas esta não. Insiste em iluminar a mala mesmo quando tal já não se revela necessário e, seja em andamento ou estacionado, nada a demove de cumprir a missão para a qual foi concebida. Iluminar. A menos que mantenha as portas trancadas não há nada a fazer para manter a irritante luzinha apagada.
Apesar de detestar traquitanas que aparentam ter vontade própria, parecem mais determinadas em fazer o contrário do que determina a lógica, estabelece o bom senso e, em última instância, se espera delas, o melhor talvez seja ver a coisa pelo lado positivo e deixá-la tal como está. Assim, se um dia for assaltado e encafuado na bagageira, pelo menos não fico às escuras. É que, exceptuando a vaga intenção de passar pela oficina, todas as ideias que me ocorreram para resolver aquilo que suponho ser uma avaria envolvem a utilização de um martelo.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Estereótipos e preconceitos

O Bloco de Esquerda gosta, entre outras coisas, de se afirmar ao lado das minorias. Não interessa quais e quanto mais minoritárias forem melhor. Está agora aquela agremiação política preocupada com os ciganos nómadas que, no Alentejo, “são objecto de profunda discriminação” e onde “as famílias ciganas têm enfrentado inúmeras dificuldades”. Lamenta ainda o partido de Anacleto Louça que estas famílias "não conseguem fixar-se nas terras a que sentem pertencer", porque "são alvo de vigilância apertada". Tudo porque “esta situação resulta, muitas vezes, dos inúmeros estereótipos e preconceitos, que se alimentam do desconhecimento, e da ausência de uma estratégia concertada, quer a nível local como a nível nacional, que permita contrariar a situação de pobreza e exclusão social em que se encontra a comunidade cigana”.
Desconheço se este grupo social incluirá no seu seio um significativo número de eleitores do Bloco de Esquerda. Provavelmente não. Mas, ainda assim, não deixa de ser bonito - comovente até – ver como alguns que preferem morar longe dessas comunidades, das quais apenas conhecem o lado romântico de canções e poemas em que o cigano sem eira nem beira é o protagonista, o herói, o homem dos sete instrumentos que é livre como o vento, insultam aqueles que sempre tiveram por vizinhos ou que conviveram relativamente de perto com elas.
Não vejo que o facto de sobre nómadas ser exercida uma especial e apertada vigilância constitua a infracção de um qualquer direito. Pelo contrário, parece-me ser o mínimo que se espera seja feito pelas autoridades. Já quanto à “extrema pobreza” e às “inúmeras dificuldades” seria bom que os esquerdistas alargassem os seus horizontes. Gente a reunir estes requisitos que a intelectualidade urbano-depressiva gosta de atribuir a certas minorias é o que não falta por este Alentejo fora. Gente que trabalhou toda uma vida e que contribuiu honestamente para que estes e outros políticos possam viver longe destes problemas. Tecer considerações pouco abonatórias a seu respeito não parece constituir a melhor maneira de retribuir. Mas, também isso, já não nos surpreende.

domingo, 22 de novembro de 2009

Felizmente há comando

Programas televisivos com putos a cantar ou a exibir outras habilidades até altas horas da noite constituem de há um tempo para cá o novo filão, explorado de forma mais que abusiva, pelos canais generalistas nacionais para preencher a emissão durante os os serões de fim-de-semana. Para além de não se perceber a quem pode interessar este tipo de programação - para além de familiares, vizinhos e amigos dos protagonistas – e sendo o tempo em televisão algo bastante caro, constitui um verdadeiro mistério a razão porque tais programas se mantém em antena durante meses seguidos.
Desconheço se estas macacadas terão ou não uma audiência significativa ou se haverá gente com paciência para ver este tipo de programação deprimente durante horas a fio. Se houver, então, não há mesmo esperança. Estamos perdidos. Felizmente existe uma coisa chamada “comando”.

sábado, 21 de novembro de 2009

Ganha quem atirar mais longe?

A julgar pela imagem o lançamento do lixo muralha abaixo deve constituir o desporto favorito de alguns moradores do Bairro de Santiago. A quantidade de resíduos acumulada é de tal ordem que é visível a uma distância significativa. O que me leva a concluir que a modalidade em causa terá muitos praticantes e que haverá quem utilize esta prática como forma de exercitar o corpo. Já a mente fica de fora desta actividade porque quem a pratica evidencia um fraco uso da mesma.

Bem podem os serviços municipais proceder regularmente à recolha do lixo ali depositado por alguns residentes – a menos que o pessoal de outras zonas da cidade vá para lá atirar coisas só para depois poder estigmatizar quem ali mora - ou colocar avisos a proibir o seu arremesso que, pelos vistos, nada demove algumas criaturas de continuar a praticar um exercício tão divertido.
Não sei do que está à espera uma associação de moradores, de ambientalistas, de amigos, de jovens ou de outra coisa qualquer, que exista na área, para promover uma jornada de limpeza e recolha do lixo existente na base da muralha como forma de sensibilizar a população – a parte que tem este comportamento deplorável – a mudar de atitude e a depositar os resíduos sólidos nos locais apropriados que, quero acreditar, também devem existir naquele bairro.
Enquanto isso não acontece vão-se fazendo piadas. Como as que fui obrigado a ouvir nas piscinas municipais, de onde esta foto foi obtida, da boca de uns quantos forasteiros que apreciavam a magnifica vista da cidade que dali se pode desfrutar.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

De tolerância em tolerância até à intolerância final

Tem vindo a ganhar força um pouco por toda a Europa a tese que a religião e os seus símbolos, normalmente dito num sentido lato mas que todos sabemos de qual se trata, devem ser afastados de tudo quanto é vida pública e confinada aos lugares destinados ao culto. Chega-se, há frequentes notícias de ocorrências desta natureza em países como a Espanha ou a Inglaterra, ao ponto de algumas escolas públicas não celebrarem datas como o Natal ou a Pascoa para não ferir a susceptibilidade de alunos de outras comunidades religiosas. Quase invariavelmente a islâmica.
Vivemos numa ditadura do politicamente correcto, promovida por uma certa intelectualidade de quem poucos ousam discordar, que tolera e aceita de bom grado a islamização do Ocidente em nome de uma suposta tolerância e de um alegado multiculturalismo. Permite-se que alunas e funcionárias de origem muçulmana vestidas com roupas – se é que se podem chamar roupa aquilo – onde apenas lhes aparecem os olhos, frequentem escolas onde são proibidos crucifixos. Tolera-se que mouros rezem de cú para o ar em plena via pública, mas exige-se que as manifestações da fé católica se restrinjam aos templos. Aceita-se sem protestar que nos hospitais as mulheres muçulmanas seja atendidas apenas por pessoal feminino, mas resmunga-se contra a existência de capelões nas unidades hospitalares. Considera-se racista, xenófobo ou outros insultos da moda, a quem se manifesta contra a construção de mesquitas por essa Europa fora, mas critica-se a edificação de novas igrejas. Acha-se perfeitamente razoável que um fulano trepe ao minarete e berre a plenos pulmões o chamado dos crentes à oração, mas invoca-se a lei para silenciar os sinos dos campanários.
Para que conste, por menos que isso interesse, apenas sou católico para efeitos estatísticos. Nada do que está associado à liturgia católica significa para mim mais que um ritual e uma tradição que está ligada às nossas origens enquanto europeus e ocidentais e da qual não nos devemos envergonhar nem marginalizar em nome seja do que for. Mesmo que, como é o meu caso, não lhe liguemos importância nenhuma.
A quem não concorda comigo e que por esta altura já me apelida de islamofóbico – um insulto muito catita revelador de uma elevada superioridade moral de quem o profere – deixo a questão, que considero pertinente, se não será melhor abolir os feriados religiosos e acabar com o pagamento do subsídio de natal a todos os que trabalham por conta de outrem. É que aquela malta barbuda de toalha enrolada à volta da cabeça ainda é capaz de se sentir ofendida… e isso nós não queremos, pois não?!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para os leitores sportinguistas

Mais um video "captado" em Portimão. Este, no entanto, é muito pior do que o protagonizado pelos funcionários da Câmara Municipal lá do sitio. A letra, a música, os interpretes...tenho dificuldade em escolher o que é pior!

Pesquisas inquietantes

De vez em quando vou aqui dando conta de pesquisas mais ou menos estranhas que conduzem os visitantes até este blogue. Quem procura por expressões como “Piadas parvas” e “gajas nuas” é frequentemente encaminhado pelo Google até ao Kruzes e compreende-se com relativa facilidade porquê. Pelo menos na parte das piadas parvas. Já quanto às gajas nuas, ou até mesmo com pouca indumentária, lamentavelmente, ainda não há. Nem - é o mais certo - haverá, porque isto é um blogue sério que não precisa de ganhar audiências com essas poucas vergonhas.
Em consequência do acima exposto surpreende-me que buscas como a que destaco hoje tenha cá vindo parar. É verdade que há por aqui um ou outro vídeo. No entanto, que me recorde, nos mais de novecentos posts que já publiquei não tenho ideia de ter dedicado nenhum a “lambidelas”, sejam elas de que espécie forem, ou sequer de ter mencionado esta palavra em algum lugar de qualquer texto. Embora, reconheça-se, seja uma palavra tão boa como outra e que, quem sabe, poderá em breve ter por aqui o merecido destaque.
Do que tenho a certeza é que nunca por aqui escrevi a palavra “vargina”. Até porque nem desconfio do que se trata ou significa tal palavra. Pior. “Lambidelas de vargina” trata-se de um tipo de pesquisa que, para além de invulgar, é algo que me perturba. Saber que andarão por aí “varginas”, seja lá isso o que for, às “lambidelas” é coisa que me deixa inquieto. Escandalizado, até.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

As causas da esquerda imbecil

O Bloco de Esquerda é um partido, um movimento, um grupelho ou outra coisa qualquer que signifique a união de um conjunto de pessoas que acreditam ser dotadas de uma inteligência muito acima da média, convencidas que são donas absolutas da verdade, da razão e que nutrem um profundo desprezo por todos os ignorantes que não conseguem vislumbrar a luz que irradia das suas mentes.
É por isso que gostam de causas fracturantes. Daquelas em que ninguém vê grande utilidade ou para as quais a generalidade dos cidadãos se está simplesmente a borrifar. Aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, símbolos religiosos nas escolas, touradas, circos sem animais e outras parvoíces patrocinadas pelo cónego – o gajo tem mesmo ar de padrecas – Anacleto Louça, têm proporcionado ao Governo a possibilidade de ir mantendo o pessoal distraído de outras causas menos fracturantes mas, ao que consta, muito mais facturantes. Pelo menos para alguns.
Avizinha-se já, vinda igualmente da esquerdalha, uma nova frente. Acha aquela malta que é necessário proceder à alteração do enquadramento jurídico dos animais no Código Civil para que deixem de ser considerados coisas e passem a ter direitos. Provavelmente a começar por poder casar com outros animais do mesmo sexo, a fumar umas ganzas e, principalmente, a não serem comidos. Acredito que o fundamentalismo daquela maralha ainda nos tornará a todos, por lei, vegetarianos. Isto se algum maluco não se lembrar que o grão-de-bico ou o feijão carrapato também têm direitos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Processos duvidosos

O fim-de-semana correu manifestamente mal à malandragem. Pelo menos à mais miúda. Quatro meliantes encontraram a morte ao volante de um carro roubado, que lamentavelmente destruíram por completo para azar do legítimo proprietário, e outro ficou entalado de rabo ao léu quando se pretendia introduzir numa superfície comercial através de uma abertura que, comprovou demasiado tarde, se revelou estreita em demasia para deixar passar o azarado candidato a gatuno.
Também por cá a semana não começou da melhor maneira para uma pacata e conhecida família de comerciantes – que comercializarão… coisas, digamos - residente no centro da cidade, que terá acordado com a casa cercada por todos os lados, inclusive pelo telhado, pelo Corpo de Intervenção da Policia de Segurança Pública. Até ao momento desconhece-se o que procuravam as forças policiais e ainda menos o que terão encontrado, se é que havia algo para encontrar.
Haverá com certeza matéria mais que suficiente para incriminar o proprietário do supermercado por não ter uma abertura que permita a passagem com razoável comodidade a quem necessite aceder ao seu interior quando o mesmo está encerrado. As consequências físicas para o assaltante, por ter passado largas horas em posição instável e altamente vulnerável, podiam ter-se revelado de uma gravidade excepcional e de difícil reparação. Igualmente os danos psicológicos resultantes da humilhação a que foi sujeito podem deixar marcas difíceis de superar. A exigir choruda indemnização e acompanhamento por psicólogos da segurança social, no mínimo.
Também a actuação do Corpo de Intervenção, no caso do acordar madrugador daquela malta cuja origem étnica não será aqui revelada, é merecedor de reparo. Andar sobre telhados molhados pela chuva da véspera não é nada boa ideia. Se, por acaso, algum daqueles matulões partisse uma telha e caísse no interior do edifício, mesmo em cima de uma criancinha, ia ser uma chatice. Quase tão grande como terem fechado a rua ao trânsito.

sábado, 14 de novembro de 2009

Usem o Magalhães, porra!

O episódio das escutas está a indignar o país. Uns porque acham que o primeiro-ministro não tinha nada que ser escutado, outros porque querem saber o que ele disse nas conversas escutadas e mais uns quantos para quem a simples presença de José Sócrates na cena política nacional já é motivo bastante para indignação.
Como não podia deixar de ser também eu revelo níveis significativos de desagrado relativamente a toda esta matéria. Por todos os motivos acima expostos. Não gosto que escutem o homem, acho até que ninguém o devia fazer, não tenho interesse nenhum em saber o que ele disse ao seu amiguinho – falaram, com certeza, do Benfica e do grande momento que atravessa – e, finalmente, porque estou farto do gajo. O que por si só constitui razão mais que suficiente não já não suportar noticias relacionadas com a criatura.
Há, no entanto, algo em toda esta história que me decepciona. Parece que as ditas escutas envolvendo o nosso primeiro prolongaram-se por quatro meses. É tempo demasiado. Para além de ser um espaço de tempo suficiente até para tirar duas ou três licenciaturas, ao que noticiam alguns órgãos de comunicação social, deu para encher mais de cinquenta cassetes com conversas em que, supostamente, participará o engenheiro. E é precisamente o meio de suporte das gravações que me decepciona ainda mais. Em pleno choque tecnológico, que tem constituído uma das medidas mais emblemáticas do governo, guardar as conversas do homem que mais tem feito pela massificação das novas tecnologias em Portugal em meios de armazenamento completamente obsoletos, como é o caso das cassetes, constitui uma verdadeira ofensa. Para todos. Até, acredito, para José Sócrates. Pelos menos usem o Magalhães, porra!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Só à bengalada!

A comunicação social revelou há poucos dias ao país o caso peculiar de uma família possuidora de um património assinalável, a quem seiscentos mil euros ganhos no totoloto permitiu a aquisição de imóveis e viaturas, e que ainda assim estará a beneficiar da atribuição do Rendimento Social de Inserção. Ao que parece não existirá qualquer ilegalidade na atribuição deste apoio social porque, segundo os técnicos da segurança social, o agregado familiar em causa reunirá todos os requisitos indispensáveis para que o mesmo lhe seja concedido. Justificam-se ainda os serviços que assim decidiram que, apesar do património que comprovadamente possuem, não têm liquidez financeira.
É conhecida a fraca propensão da malta do social para lidar com números. Ou mesmo com as palavras. Acreditam em qualquer patranha, crêem na mais básica pantomina e não resistem a um ou dois narizes ranhosos. Principalmente se em causa estiverem membros de minorias étnicas ou gente com pouca apetência para fazer aquela coisa que envolve algum esforço vulgarmente conhecida como trabalho. Ora, se esta posição vingar, poderemos estar prestes a assistir a uma verdadeira corrida ao subsídio estatal. A ser levado à letra este entendimento, nada impede que muita gente igualmente de posses e que à semelhança desta família não possua liquidez necessária para o dia-a-dia a obtenha através da segurança social. Basta, por exemplo, aplicar todas as suas economias em obras de arte para, de imediato, ficar sem as disponibilidades financeiras necessárias a prover o seu sustento e o dos seus. Se a coisa se generalizar sempre quero ver como é que se resolve o imbróglio. Talvez à bengalada, como no tempo do Eça.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Coisas realmente insustentáveis

Aumentos salariais para o próximo ano de um e meio por cento são, segundo um qualquer governante que nem me apetece mencionar, insustentáveis. Não posso estar mais de acordo. É realmente insustentável, para a maioria dos portugueses que ganham entre quatrocentos e quinhentos euros liquidos verem os seus salários crescer, mesmo deixando de lado a inflação, uns miseráveis sete ou oito euros. Mas isso pouco importa ao ministro cujo nome não me apetece mencionar ou aos seus coleguinhas de governo.
Não deixa também de ser extraordinário que as confederações patronais continuamente reclamem dos custos do trabalho, que considerem inviável o aumento do salário mínimo nos termos há muito acordados e que rejeitem aumentos de ordenados nesta ordem de grandeza. Ou de pequenez, é capaz de ser mais apropriado. No entanto as empresas que representam continuam, a ser verdade as noticias que quase diariamente nos entram casa dentro, a injectar centenas de milhares de euros – os mesmos que não têm para pagar salários dignos - nos bolsos de conhecidos figurões.
Deve vir daí a tal insustentabilidade. Entre pagar ordenados condignos e “investir” em algo que mais se assemelham a “activos tóxicos” o empresariado português parece não revelar muitas dúvidas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Estremoz...à tarde.

Estremoz é, de um modo geral, uma cidade tranquila. Hoje por exemplo, em pleno centro e a meio da tarde, era possível desfrutar de toda a tranquilidade que a imagem demonstra. Coisa que não é para todos. Temos pena. Ou não.

Coisas que não me importava ter escrito...

Carta aberta ao primeiro-ministro José Sócrates
Autor: João Miguel Tavares
Excelentíssimo senhor primeiro-ministro: Sensibilizado com o que tudo indica ser mais uma triste confusão envolvendo o senhor e o seu grande amigo Armando Vara, venho desde já solidarizar-me com a sua pessoa, vítima de uma nova e terrível injustiça. Quererem agora pô-lo numa telenovela - perdoe-me o neologismo - digna do horário nobre da TVI é mais um sintoma do atraso a que chegámos e da falta de atenção das pessoas para as palavras que tão sabiamente proferiu aquando do último congresso do PS:”Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe, e não um qualquer director de jornal ou uma qualquer estação de televisão.” O senhor acabou de ser reeleito, o tal director de jornal já se foi embora, a referida estação de televisão mudou de gerência, e mesmo assim continuam a importuná-lo. Que vergonha.
Embora no momento em que escrevo estas linhas não sejam ainda claros todos os contornos das suas amigáveis conversas, parece-me desde já evidente que este caso só pode estar baseado num enorme mal-entendido, provocado pelo facto de o senhor ter a infelicidade de estar para as trapalhadas como o pólen para as abelhas - há aí uma química azarada que não se explica. Os meses passam, as legislaturas sucedem-se, os primos revezam-se e o senhor engenheiro continua a ser alvo de campanhas negras, cabalas, urdiduras e toda a espécie de maldades que podem ser orquestradas contra um primeiro-ministro. Nem um mineiro de carvão tem tanto negrume à sua volta. Depois da licenciatura na Independente, depois dos projectos de engenharia da Guarda, depois do apartamento da Rua Braamcamp, depois do processo Cova da Beira, depois do caso Freeport, eis que a “Face Oculta”, essa investigação com nome de bar de alterne, tinha de vir incomodar uma pessoa tão ocupada. Jesus Cristo nas mãos dos romanos foi mais poupado do que o senhor engenheiro tem sido pela joint venture investigação criminal/comunicação social. Uma infâmia.
Mas eu não tenho a menor dúvida, senhor engenheiro, de que vossa excelência é uma pessoa tão impoluta como as águas do Tejo, tirando aquela parte onde desagua o Trancão. E não duvido por um momento que aquilo que mais deseja é o bem do Pais. É isso que Portugal teima em não perceber: quando uma pessoa quer o melhor para o País e está simultaneamente convencida de que ela própria é a melhor coisa que o País tem, é natural que haja um certo entusiasmo na resolução de problemas, incluindo um ou outro que possa sair fora da sua alçada. Desde quando o excesso de voluntarismo é pecado? Mas eu estou consigo, caro senhor engenheiro. E, com alguma sorte, o procurador-geral da República também. Atentamente, JMT.
Texto escandalosamente surripiado pelo KK ao 31 da Armada

Tá bem abelha...

Dúvida parva:
“Sou nova nisto tudo, ainda só tenho 4 dias de existência como vegetariana e tenho muitas dúvidas sobre muitos temas. Por exemplo quais são os materiais (roupa) vegan que podemos usar, quando queremos respeitar os animais e o ambiente?”
Resposta idiota:
“Em relação à roupa é procurar o mais simples possível; tudo sem ingredientes de origem animal, mas por vezes é complicado descobrir se a tinta usada na roupa tem corantes feitos de insectos esmagados…”
Camisas onde a tinta usada foi feita à base de melga esborrachada são, de facto, de evitar. E que dizer das calças em que, só para a cor, foi necessário massacrar milhões de moscardos?! E quantos zilhões de moscas varejeiras são por ano abatidas, provavelmente em condições degradantes, só para colorir as fatiotas do Sócras?! Até me arrepio só de imaginar a quantidade de vidas – de insecto, mas vidas – que são sacrificadas…
Exterminar insectos inocentes, não tarda, vai constituir crime. O fim dos insecticidas e repelentes ou até, quem sabe, a proibição do fabrico e comercialização de mata-moscas poderão ser, a curto prazo, as novas causas fracturantes do Partido Socialista e do seu irmão mais traquina, o Bloco de Esquerda. Não era coisa para me surpreender.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Badalhoco!

Há, de facto, gente de uma baixeza ao nível da merda de cão. Coisa que, como se sabe é um dos temas chave deste blogue. É por isso que hoje publico esta foto. Talvez a editora do Saramago a aproveite para a capa do seu próximo livro se este continuar a sua saga de temas bíblicos.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mamocas e outros regabofes

A propósito do excelente vídeo protagonizado pelos funcionários do Município de Portimão, que divulguei aqui ainda antes do mesmo se ter tornado um fenómeno de popularidade, tenho lido, nos mais variados sites e blogues, comentários pouco abonatórios visando, de uma maneira geral, todos os que trabalham na função pública. Nada de extraordinário nem de muito relevante se tivermos em conta que vivemos num país de invejosos, crápulas e manhosos, para quem a galinha da vizinha é sempre mais gorda. A nossa generosidade, que também temos, não nos permite aceitar de bom grado que o sucesso ou o bem-estar alheio ultrapasse o nosso. Os outros podem até ser ricos e felizes, desde que o sejam um bocadinho menos do que nós.
Está enraizada a convicção que os funcionários do Estado, ou das autarquias, trabalham pouco e ganham muito. Acredito. Tanto como nas anedotas em que os alentejanos são todos malandros ou parvos e, como no anedotário brasileiro, em que todos os portugueses são estúpidos. No Estado e nas autarquias haverá quem trabalhe pouco, quem trabalhe muito, poucos que ganham muito e, sobretudo, muitíssimos que ganham uma miséria. Actualmente, a função pública é o retrato quase perfeito do que se passa no restante mundo laboral e onde a perda de direitos ou, como alguns insistem em considerar, certas regalias tem sido uma constante. Há portanto, lamento desapontá-los, pouco para invejar.
Não levo a sério esse tipo de discurso. Considero-o próprio de indigentes mentais, de labregos vá, com notórias dificuldades em olhar mais longe que o umbigo e visíveis problemas em lidar com a realidade vigente. O que me deixa possesso, verdadeiramente fora de mim, é aquele remate malicioso com que garantem ser “à custa dos meus impostos”. Deles, entenda-se. Principalmente quando, ao que afirmam reputados fiscalistas, reinará em termos fiscais um verdadeiro regabofe no sector privado em que pagamentos por “baixo da mesa”, “por fora” e “sem ir ao vencimento” serão prática corrente na generalidade das empresas.
É por estas e por outras que seria interessante saber quantas plásticas às mamocas, rabiosques e partes menos favorecidas, são por ano objecto de dedução em matéria de IRS. Pelo menos sempre podia afirmar, perante um renovado e vistoso par de mamas, que foi à custa dos meus impostos. Mesmo que daí não tire proveito nenhum.

domingo, 8 de novembro de 2009

Eco-parvoíces

Muitas foram as ocasiões em que nestas páginas manifestei a minha antipatia, desprezo até, pelos ambientalistas. Não contra nenhum em particular, nem para com a causa ambiental, mas relativamente ao fundamentalismo que os grupos organizados colocam naquilo que consideram ser defesa do meio ambiente e que, quase sempre, mais não é que manifestação de parvoíce e desconhecimento da parte de quem cresceu e vive no meio do betão, sem nunca ter vivido no campo ou ter tido contacto com a natureza e com a bicharada que por lá habita.
É por estas e por outras que gosto de, de vez em quando, dar uma vista de olhos por sites e fóruns onde estes temas são tratados e discutidos. Vale a pena, garanto. As questões suscitadas pelos intervenientes estão quase ao nível do consultório sentimental da “Maria” e as perguntas colocadas podem ser consideradas como a versão ecológica das que se lêem naquela publicação. Em lugar da jovenzinha ingénua que pretende ser esclarecida quanto à probabilidade de engravidar por ter passado à porta de um WC para homens ou se pelo facto de outro jovem a ter olhado de soslaio estará apaixonado por ela, podemos encontrar coisas deste tipo:
“Como posso repelir um rato que apareceu na minha cozinha sem o magoar?”. A solução sugerida, com imagem e tudo, surge ao melhor estilo de um qualquer aprendiz de McGyver e é a que se segue:
“A melhor forma de apanhar ratos sem crueldade nem morte consiste no seguinte:
Arranja um tubo de papel higiénico e faz dois vincos no sentido do comprimento de maneira a obter um túnel com os lados planos;
- Põe uma guloseima ao fundo do tubo;
- Arranja um balde alto;
- Coloca o tubo mal equilibrado na ponta de uma mesa ou balcão com a guloseima directamente sobre o balde;
- O rato correrá através do túnel e cairá no balde;
- Liberta o animal bastante longe da tua casa”.
Arranjar um gato era capaz de ser uma alternativa igualmente ecológica…a menos que esta gente seja fundamentalista ao ponto de tornar o bichano vegetariano.
E casos há ainda mais dramáticos. Veja-se este: “Gostaria de saber como posso repelir centopeias de casa, evitando o seu sofrimento. Para mim, isto é uma informação muito importante, pois aparecem bastantes em minha casa e eu tenho quase fobia a elas”:
A resposta não ajuda muito e é a que se segue:
“Fobia de centopeias? lol, entendo, mas não se deve ter fobia de animal nenhum, ainda mais quando eles são inofensivos. Eu já tive uma grande fobia às aranhas e venci-a. Devemos pensar sempre que o animal de que temos medo é que tem medo de nós, e não deixar que o nosso medo injustificado nos leve a sacrificar uma vida. Quanto ao que fazer para as afastar, peço desculpa mas não posso ajudar muito…”
Bolas…e eu è espera de uma solução mais engenhosa do que aquela que preconizo e que envolve uma vassoura e o esmagamento sumário do rastejante…