sábado, 21 de abril de 2012

Contas furadas


Isto, tal como se esperava, não está a correr nada bem. Por “isto” entenda-se o programa de ajustamento orçamental a que o país está a ser sujeito. O cada vez mais evidente falhanço não surpreenderá muita gente. Até porque os indícios são evidentes. Avizinha-se, portanto, mais austeridade. O que também não surpreende. Apesar dos anos usados a queimar as pestanas – ou a lubrificar as goelas, talvez – os economistas convertidos à política não conseguem encontrar alternativas inteligentes e, vai daí, insistem nas soluções que, comprovadamente, apenas trazem mais problemas.
Tal como revela a síntese da execução orçamental de Abril, divulgada por estes dias, a receita continua a cair a pique e a despesa a subir em flecha. Exactamente o contrário daquilo que se pretendia e que os actuais governantes, quais génios da táctica e magos da estratégia económico-financeira, se propunham realizar. Os números demonstram o evidente falhanço desta gente e desta política. Aliás quase todos sabíamos que ia ser assim. E isto é apenas o princípio.
Dos dados agora divulgados saliento apenas dois aspectos que me parecem significativos. O Imposto Municipal sobre Transmissões - a antiga sisa - e o Imposto sobre Veículos caíram, respectivamente, 31% e 47,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Sintomático, sem dúvida. No seu conjunto a receita fiscal, apesar do brutal aumento de impostos, tem uma quebra de 5,8% e a despesa, apesar de todos os cortes, verifica um aumento de 3,5%. Numa empresa, os responsáveis por resultados desta natureza, já estavam todos na rua. Neste caso isso não acontece. Os accionistas até parecem  continuar satisfeitos.

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