domingo, 11 de agosto de 2024

Goodbye democracia, goodbye liberdade...

A Europa está a ficar um lugar estranho. E perigoso, também. As imagens que nos chegam do Reino Unido são especialmente perturbadoras. Não tanto pela pancadaria, manifestações, protestos de diversos sectores ou violência sobre pessoas e bens. Isso acontece por todo o lado e a toda a hora. O preocupante, neste caso em especifico, é a repressão que está a ser exercida em nome daquilo que resolveram chamar “discurso de ódio”. Alegadamente estarão a ser detidas pessoas que postaram – ou, simplesmente, partilharam – comentários, fotos e até, pasme-se, “memes” em que manifestam o seu desacordo com o comportamento anti-social daqueles que demandaram a Europa para fugir à miséria. Ou, não sejamos anjinhos, com outros fins muito menos lícitos. No entanto – e aí não estranho nada – quando o tal “discurso de ódio” é dirigido aos nativos europeus já não passa nada. Deve ser discurso do bem, esse.


A demografia vai, mais cedo do que tarde, fazer o seu papel e o continente europeu acabará por ficar sob o domínio muçulmano. Começo a pensar que, por este andar, tal ocorrerá ainda no meu tempo de vida. Confesso que, de certa forma, dar-me-ia algum gozo. Nomeadamente poder assistir ao tratamento que os governos constituídos por essa malta irão dar aos grupos de gente esquisita que tanto os apoiam. Lamento, apenas, pelas mulheres. Embora muitas que andam por aí a manifestar-se em defesa dessas causam, estejam mesmo a pedi-las. Depois não se queixem.

sábado, 10 de agosto de 2024

A paisagem chegou à cidade...

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Isto do deficiente funcionamento do SNS, do fecho das urgências hospitalares e, ainda que em menor escala, da má qualidade do atendimento de muitos outros serviços públicos constitui uma maçada. Um realíssimo aborrecimento, na verdade. Não se trata de uma realidade nova. Não começou com este governo nem, sequer, com o anterior. É coisa que já vem de há muito tempo. Só que antes ninguém se importava. O encerramento, primeiro temporário e depois definitivo, dos serviços prestados pelo Estado era algo que apenas afectava o interior e daí que ninguém ligasse peva. Não mora lá ninguém, os poucos que restam são velhos e há que racionalizar os recursos públicos que isto não dá para tudo e o Estado não pode ter um hospital em cada terrinha eram argumentos que ouvi e li vezes sem conta. Tudo verdade, não há como negar. Daí que não perceba a indignação de tanta gente – que antes olhou com desdém para os que no interior do país se queixavam do mesmo - com o caos na saúde e, modo geral, restantes serviços públicos. Ou será só porque agora os afecta a eles? Nem vou estar a recordar exaustivamente o que já fechou, a nível de serviços à população, em Estremoz desde o 25 do A. Lembro apenas que um dos primeiros a encerrar foi a maternidade, mal o SNS foi criado. Racionalização de recursos, já então garantiam os especialistas da especialidade. Um argumento que, reitero, era encarado como perfeitamente aceitável fora das localidades onde estes serviços fechavam. Agora, como já os incomoda, é que é uma chatice...

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Beneficios fecais

 


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É disto por todo o lado, sem que ninguém se importe ou faça alguma coisa contra este despautério. Correndo o risco de me repetir, reitero que enquanto vivi no campo sempre tive um cão e um gato. Daqueles que cagam e mijam. Andavam por onde queriam e arreavam o calhau ou alçavam a pata onde e quando a natureza o exigia. No campo, recordo. Na cidade não havia destas coisas. Agora vejo merda e vestígios de mijadelas desde que saio de casa. E o mais espectacular é que o Estado até lhes concede beneficios fiscais por terem cão. Em vez de, como seria lógico, penalizá-los por toda a javardice que fazem. Deve ser coisa do progresso, ou lá o que é.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Dizer que… não há necessidade

Há uma nova mania – nova é como quem diz, não é de hoje nem de ontem – de, no discurso oral, iniciar todas as frases com “dizer que”. Ou, caso o monologo se prolongue, com as variantes “dizer também” ou “dizer ainda”. Porquê?! Há necessidade de, no inicio de cada frase anunciar que a seguir se vai dizer qualquer coisa? Não chega simplesmente dizer o que se tem a dizer e esquecer essa parte de avisar que se vai dizer seja o que for? É para criar suspense? Independentemente do motivo, afigura-se-me despropositado. A mim – mas, se calhar, é só a mim – deixa-me logo sem vontade de continuar a ouvir o que o orador diz que tem para dizer.

domingo, 4 de agosto de 2024

Prioridades mais divertidas

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Estamos habituados a que o provisório se torne definitivo. Tanto assim é que já nem damos conta de medidas que foram tomadas de forma a acautelar transitoriamente uma determinada situação, mas que acabaram por se perpetuar. Esta será uma delas. Na sequência da derrocada da estrada entre Borba e Vila Viçosa diversas vias, confinantes com pedreiras, sofreram condicionamentos à circulação automóvel. Neste caso a pedreira foi tapada há larguíssimos meses – quiçá, mesmo, anos – mas, ainda assim, as barreiras que condicionam o trânsito por lá continuam. Não deve haver pessoal disponível para as remover. É muito comum nos municípios, a falta de mão-de-obra. Ou, então, está todo alocado às verdadeiras prioridades autárquicas. As que importam. Aquelas que divertem a malta.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Não será mais fácil chamar um urologista?

Aquela coisa das Olimpeidas começou mal - com uma espécie de circo das aberrações, logo na abertura – e parece que não pára de ficar pior. Agora é aquilo das gajas do boxe. Uma delas, ao que se diz, não cumprirá todos os requisitos para ser considerada mulher. É nestas alturas que me lembro de uma tirada de um saudoso colega e amigo durante uma acção de formação onde se discutia de forma bastante acessa uma questão que, afinal, se revelou de uma simplicidade de meter dó. Perante uma sala repleta de gente com canudo – excepto ele, eu e mais dois ou três colegas – e que não parava de tentar encontrar soluções para um problema que nem chegava a ser, sentenciou alto e bom som: “Isto é tudo muito simples, os doutores é que complicam”. Nisto de se saber se é homem ou mulher é tudo, igualmente, fácil de resolver. É chamar um especialista da especialidade para lhes meter o dedo no cú. Tem próstata é homem, não tem é mulher. Qual é a dúvida? Ah, e tal, cromossoma não sei quantos para aqui, testosterona para ali. Eh pá, azarinho. Ou sorte, conforme a situação.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

A esquerda odeia quem trabalha

A esquerda está horrorizada com a medida aprovada nos Açores que visa dar prioridade no acesso às creches aos filhos de pais trabalhadores. A hipótese de o mesmo se aplicar igualmente no continente está a deixá-los à beira de um ataque de nervos, ainda que o actual partido do governo – o PS B – já tenha garantido que não alinha nessa cena de facilitar a vida a quem trabalha.


Não percebo qual é a dúvida que esta situação suscita. É do mais elementar bom-senso. Não se trata de discriminar ninguém. Qualquer pessoa, percebe que quem já empregado tem menos opções para deixar os filhos durante o período em que está a laborar. Já nem vou por aquela parte de pagar impostos que garantem um serviço e, ainda assim, ter de pagar por ele. A menos que, se calhar é o que pretendem esses iluminados, que quem tem filhos se desempregue e passe à condição de subsiodependente.


Há muito que a esquerda deixou de defender os trabalhadores. Abraçou outras causas, privilegia os interesses das minorias e é, muitas vezes, o pior inimigo dos pobres. Este é só mais um exemplo. Depois admiram-se dos resultados eleitorais. Por este andar, não serão apenas o PCP e o BE a desaparecer. O próprio PS levará o mesmo caminho. A lei natural da vida tratará disso.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Atirei o pau ao gato...e um dia hei-de acertar-lhe!

E pronto, voltámos ao mesmo. Mais um gato vadio adoptado pela vizinha adoradora de gatos. Adoptado é como quem diz… é alimentado na via pública - à porta de casa – que dentro da habitação não terá o bichano ordem de pôr as suas patas de gato vadio. Por mim seria coisa que pouco me importaria não fosse o raio do bicho ter escolhido o meu quintal como local de eleição para arrear o calhau. Tal como, noutra ocasião, já aconteceu com outro gato sarnoso e cego de um olho que baptizei de Camões. Este - o Lombrigas - de aspecto igualmente repugnante, anda por aqui há meses. O pior é que o desgraçado deve ter um qualquer desarranjo intestinal que o faz vir, ao longo do dia, inúmeras vezes ao meu quintal. Sendo que, muitas delas, o infeliz não consegue evacuar. Ainda assim escava e destroi o que está semeado.


A queixa aos serviços municipais não deu em nada, obviamente. Calculo que não tenham pessoal. Ou vagar. Ou ambas. É que, ao contrário do que ainda acreditei - mas isso é problema meu, ninguém me manda ser parvo -  não apareceu ninguém para o capturar. Nem, sequer, para lhe fazer uma festa. No lombo.

domingo, 28 de julho de 2024

Depois não se queixem...

Os jogos olímpicos de Paris, nomeadamente a cerimónia de abertura, estão a causar muita indignação. E, simultaneamente, ainda mais indignação contra a indignação que provocaram. Nem me pronuncio. Como disse uma vez um homem sábio, não vi e não gostei. Olímpeidas não são coisas que me entusiasmem. Entusiasmados devem estar a extrema-direita e os movimentos islâmicos pelo imenso bónus que a organização lhes está a dar…


Entretanto na Venezuela é dia de eleições. Por lá foi feito tudo aquilo que, por cá, muita gente – alguma, até, aparentemente normal – reclama. Controlo por parte do Estado das empresas estratégicas e da banca, fixação de preços, aumento de salários, política monetária progressista e, em suma, um governo que defende os interesses dos trabalhadores e do povo. Os resultados de tudo isso são noventa por cento de pobres. Mas, há quem tenha a lata de dizer – e sem se rir – que a culpa é das sanções aplicadas pelos EUA. Os mesmos que não se incomodam por o desmiolado que manda naquilo garantir que haverá um banho de sangue caso perca as eleições.


Por falar em malucos, Trump prometeu que caso seja eleito não haverá necessidade de mais eleições. Uma chatice, essa coisa de andar sempre a votar, em campanha eleitoral e do povo escolher por quem pretende ser governado. Uma maçada a que se deve pôr fim quanto antes. O Hamas fez o mesmo em Gaza e, a julgar pela quantidade de apoiantes que andam por aí, ninguém se importa com isso. Depois não se queixem.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Impostos bons e incentivos maus. Ou o contrário...

Segundo o “Correio da Manhã”, que se baseia num estudo do fisco, mais de metade das rendas escapam aos impostos. Apesar de considerar a carga fiscal elevadíssima – ao nível do furto – e de achar que, no actual quadro fiscal, escapulir ao pagamento dos impostos é um acto de legitima defesa esta é uma prática que não recomendo. Não neste sector. Por muitas razões. Umas que tem a ver com as garantias do próprio senhorio e outras com as do inquilino que, coitado, nestas circunstâncias se vê impossibilitado, também ele, de resistir ao esbulho fiscal nos casos em que é igualmente vitima.


Nisto de impostos os portugueses são, na sua maioria, uns absolutos analfabetos. É arrepiante a ignorância que, nesta matéria, por grassa. Mesmo entre gente com cursos superiores e em posições sociais ou profissionais com algum destaque. Deparo-me todos os dias com criaturas que, por exemplo, desconhecem como funciona o IRS ou os rendimentos sobre os quais incide. Há, até, quem nem saiba ao certo o que isso é. Mas, confesso, aos que acho mais piada são aqueles – malta de esquerda, essencialmente - que espumam com a intenção do governo de reduzir o IRC. Não é que seja um entusiasta da ideia, mas relativamente a esta coisa de baixar impostos aos ricos, às grandes empresas e ao grande capital em geral gosto sempre de recordar os “incentivos” que os municípios de todas as cores concedem a essa tropa com o fundamento da atracção do investimento. Lembro-me, inclusivamente, de um que se recusava a reduzir a sua participação no IRS, mas arranjou maneira de isentar de IMT um certo figurão. Tudo dentro da legalidade, obviamente. É, no fundo, aquela velha mania lusitana de “se for eu a fazer não tem mal nenhum, se forem os outros é que está errado”.

domingo, 21 de julho de 2024

Etnia, fica onde? É perto daquele vulcão italiano!?

Se há coisa que prezo é o rigor terminológico. Quase tanto como desprezo o discurso politicamente correcto. Ora, conciliar estes dois conceitos é missão praticamente impossível. Há que fazer escolhas e, geralmente, optar pelo segundo faz com que o optante nos deixe confusos face à linguagem pouco clara – ou notoriamente manhosa – para transmitir o que nós já sabemos, sem dizer o que nós sabemos quer ele quer dizer. Foi o que aconteceu a quem redigiu o comunicado a lamentar os danos causados nas viaturas das corporações de bombeiros que acorreram a combater um incêndio num bairro – aglomerado de barracas, é mais apropriado – cá da cidade. Os soldados da paz, chegados ao local, foram recebidos à pedrada pelos moradores. Lá terão, os ditos habitantes, as suas razões. Não me parece é existir razão para, no dito comunicado, se afirmar que os agressores são “cidadãos de etnia”. Não, não são. Que eu saiba não existem por cá etnienses. Se calhar são cidadãos de Estremoz, mesmo. Podem, quando muito, é desconhecer o conceito de cidadania, ou lá o que é.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Tirem as patas da minha carteira

A Associação de imprensa terá proposto uma taxa sobre tarifários móveis destinada a apoiar os média. Ou seja, se esta ideia for aprovada quem tem telemóvel – toda a gente, portanto - estará sujeito ao pagamento de mais uma taxa. Depois de já termos salvo a banca, parece que chegou a hora das empresas de comunicação social serem socorridas com nosso dinheiro. Outras, de outros sectores igualmente em dificuldade, certamente se seguirão a exigir uma taxa sobre qualquer coisa para salvar o seu negócio. Os CTT reclamarão uma taxa por cada e-mail, os cafés uma taxa sobre as cápsulas, os revendedores de combustíveis uma taxa os automóveis elétricos e por aí adiante até tudo ser taxado e vivamos, enfim, felizes e contentes numa espécie de ditadura da taxa.


Aflige-me esta cultura do subsidio. Devo ser só eu que acho uma falta de vergonha alguém ter, sequer, a ideia como, pior ainda, atrever-se a defendê-la publicamente. O mesmo relativamente aos muitos que concordam com isto. Nomeadamente aqueles que rasgam as vestes quando o Estado concede benefícios fiscais a empresas que criam riqueza e agora demonstram uma inusitada simpatia com a possibilidade de todos passarmos a ser financiadores directos de empresas privadas que, em muitas circunstâncias, apenas servem para difundir a propaganda das forças políticas a que a redação é afecta.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Rouba bem e gasta mal...

O Estado não está interessado em saber se gasta bem ou mal o seu dinheiro, segundo conclui o Tribunal de Contas num recente relatório dedicado a analisar uma cena qualquer. Estamos, logo para inicio de conversa, perante um enormíssimo erro. O dinheiro que o Estado gasta não é dele. É nosso. É a nós que é extorquido sob as mais diversas formas. Será pois natural que o Estado não tenha grandes preocupações com a forma como o esbanja.


A generalidade dos portugueses também não quer saber dessas minudências. Desde que a respectiva Junta de Freguesia os leve a Fátima, a correspondente Câmara Municipal faça festas com fartura e o governo lhes dê um “subsidio” qualquer está tudo bem e o resto pouco importa. O dinheiro há-de aparecer, garantem enquanto emborcam mais uma jola.


É por outras e especialmente por estas, que não consigo criticar aqueles que conseguem eximir-se ao pagamento de impostos. Lamento, isso sim, não poder fazer o mesmo. Nem ter coragem para fazer como tantos que até as facturas do supermercado ou do combustível usam para aumentar a dedução no IRS. E fazem eles muito bem. Todos temos legitimidade para resistir quando somos vitimas de violência e, por mais que a esquerda esperneie, há que reconhecer que o nível de fiscalidade em Portugal não difere muito de um crime violento. Fugir ao fisco, portanto, é legitima defesa.

domingo, 14 de julho de 2024

À vontade não é o mesmo que à vontadinha...

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São cada vez mais as vozes a garantir que países como Espanha, França ou o Reino Unido são casos perdidos em termos civilizacionais e democráticos. Provavelmente, a médio ou longo prazo, todo o ocidente e a própria democracia, nuns sítios mais do noutros, também o são. A existência de gente, ainda que nascida entre nós, a odiar os nossos valores e os princípios de vida que nos proporcionam uma sociedade de – ainda – relativo bem estar, associada à vinda massiva de gente que odeia esses mesmos valores e princípios e que os pretende substituir pelos dos seus países de origem, a isso conduzirá mais cedo do que tarde.


Os sinais estão aí. Só os não vê quem não os quer ver. O caso da fotografia nem é particularmente relevante. Qualquer maluco faz uma idiotice destas ou outra realmente grave. Preocupante é existir quem se sinta à vontade para as praticar e, pior, existirem muitos doidos varridos capazes de fazer o que for preciso para as tornar realidade quando um qualquer líder tresloucado lhes transmita essa ordem. Dir-me-ão que são coisas sem importância nenhuma. Concordaria facilmente se em Islamabade, Teerão ou, vá, Marraquexe outro maluco se sentisse suficientemente à vontade para fazer o mesmo, substituindo “emirato islâmico” por “reino cristão”.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Arrenda-se...

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Vários meses depois do prazo inicialmente previsto – devido a peripécias mais ou menos rocambolescas que afectaram o empreiteiro – e incontáveis horas de trabalho dos malandros dos proprietários, a obra está finalmente pronta e a casa colocada no mercado de arrendamento. Acaba-se, assim, a agricultura da crise na sua vertente realmente significativa. Daqui para a frente apenas no quintal de casa o que, como dizia o outro, são peanuts.


Trata-se de uma vivenda com cento e vinte metros de área coberta, a cerca de três quilómetros de Estremoz, com dois quartos, sala com lareira, garagem, sótão, furo, pequeno tanque para rega, poço, árvores de fruto e um quintal – o tal da agricultura da crise – com noventa metros quadrados. Tudo por oitocentos euros por mês. Uma renda altamente especulativa e manifestamente exagerada, dizem-me. Algo impossível de pagar para quem ganha o salário mínimo e que justifica a sua completa destruição por parte do futuro inquilino, acrescentam outros. Concordo com todos, excepto na parte do vandalismo. Recordo, no entanto, que há apartamentos T1, com cinquenta metros quadrados, arrendados por seiscentos euros no centro da cidade. Já quanto a isso do salário mínimo, não é, obviamente, cena que entre nas minhas preocupações. Quem ganha isso – ou mesmo que ganhe muito mais – terá sempre de procurar uma casa que possa pagar. Para os que não podem e que insistem em me aborrecer, tenho uma tenda onde cabem três pessoas que lhes posso vender por tuta e meia. A pronto.


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Concordo, reitero, com a exorbitância do preço. Mas os custos da recuperação não foram menos exorbitantes e o Estado vai abotoar-se com o igualmente exorbitante montante de vinte e oito por cento do valor da renda. Serão, no caso, duzentos e vinte e quatro para o Estado e quinhentos e setenta e seis para mim. Mas disso, que constitui quase em terço, ninguém se queixa. Pudera. São coisas que, desconfio, as capacidades intelectuais das “criadoras de conteúdos” armadas em opinadeiras, não permitirão entender. 

domingo, 7 de julho de 2024

Sujidadezinha da boa...

Quando era gaiato gostava, tal como a restante gaiatagem, de chapinhar nas poças de água. Para além de molhados ficávamos com a fatiota salpicada de lama. Coisa que colocava as respectivas mães à beira de um ataque de nervos, face à escassez de indumentárias alternativas e que, não raras vezes, levava a que nos chegassem a roupa ao pêlo como forma de castigo e de dissuasão desta prática.


As crianças de hoje, acho eu, não se dedicam as estas actividades. Ou poucas terão, sequer, oportunidade para tal. Em contrapartida os adultos até pagam para se sujarem. A infantilização da sociedade leva a estas idiotices. Por mim, estou como dizia a minha avó, cada um diverte-se como quer e pode. Mesmo aquelas velhas que, no tempo em que eram novas, malhavam os filhos quando apareciam a casa com a roupa suja por divertirem a pular na lama e que agora acham o máximo ficarem, elas próprias, todas borradas por pozinhos coloridos. Ou outras não tão velhas que igualmente apreciam essas “corridas coloridas”, mas que se indignam muito com o pó provocado pelo vizinho que precisa de cortar uns azulejos para as obras que tem em casa.


Continuar a ser criança aos vinte, quarenta ou setenta anos é uma forma de vida muito legitima. Que muitas autarquias do país, com o dinheiro dos contribuintes, proporcionem aos seus eleitores essa oportunidade, também. Não tem mal nenhum. É para o lado que durmo melhor. E eu durmo igualmente bem para todos os outros. Mas também é legitimo que ache estas cenas uma realíssima parvoíce. Tenho, legitimamente, esse direito.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Cuidado com a língua

Há quem assegure que a língua portuguesa é muito traiçoeira. Não sei se isso corresponde ou não à verdade porque, a bem-dizer, isso da língua nem é o meu forte. Sou melhor noutras habilidades. Acho eu, que de vez em quando gosto de me gabar já que depois da partida da minha avó nunca mais ninguém me gabou. Mas, escrevia, de línguas percebo pouco. Se calhar outras serão muito mais traiçoeiras do que a nossa. A mim as línguas sempre me causaram uma certa espécie. Até com a espanhola, que se fala ali mesmo ao lado e aos sábados aqui na terra, tenho alguma dificuldade em lidar.


Estas patacoadas vêm a propósito de um dito que ouvi hoje de manhã numa televisão a propósito de um trágico e lamentável acidente no mar. Dizia o repórter no local que o barco ficou de pernas para o ar. A gente percebe, mas coitados dos estrangeiros que ouviram a notícia. Coisa pouco inclusiva ao nível noticioso, portanto.


Também neste âmbito das traições linguísticas, em certa ocasião um eleito do município cá da terra afiançou a quem duvidava da duvidosa utilização de algumas viaturas municipais, que todas elas dormiam nos estaleiros. Uma ou outra até ressonava, parece-me. E, já agora que com estas memórias até fiquei um bocadinho nostálgico, recordo-me igualmente quando num meeting de natação o juiz-arbitro da prova ter anunciado no sistema de som que um atleta foi desqualificado por causa de uma braçada subterrânea. E não, não era uma toupeira nem a prova foi na piscina do Benfica.

domingo, 30 de junho de 2024

Moda?! Tá bem, tá...

Há quem garanta que Estremoz está na moda. Não sei se está. Nem a bem-dizer isso me importa muito. É que, assim de repente, não estou a ver em que essa alegada situação contribui para a minha felicidade. Pelo contrário, deve ser por isso e pela vontade de chular quem nos vem visitar atraído por essa fama que os comerciantes locais inflacionam os preços quase ao nível dos sítios verdadeiramente importantes no âmbito do turismo.


Começando pelo mercado de sábado, vi um molho minúsculo de beldroegas à venda por dois euros!!!! Para quem não sabe, trata-se de uma erva – uma praga, quase - muito apreciada na gastronomia alentejana, que nasce espontaneamente nas hortas e que não requer qualquer investimento nem ocupa tempo de trabalho. Depois o café. Paguei oitenta e cinco cêntimos por umas gotinhas que mal cobriam o fundo da chávena. Aliás, se a inclinasse via mesmo o fundo. Por fim um gelado. Uma bola equivalente a uma colher de sopa custou-me dois euros e meio. De realçar que nenhum dos dois estabelecimentos são especialmente “chiques”. São tascos absolutamente banais, daqueles que existem em todas as terriolas.


Serão, certamente, os custos de viver num local que alegadamente estará moda. Será, tudo isto, o mercado a funcionar. Certamente que sim. Nem eu quero que, como noutros tempos, seja o governo a fixar o preço da beldroega, da bica ou do gelado. Mas, digo eu, convinha ter juízo. É que não acredito ser possível aos comerciantes cá do sitio viver apenas dos que nos visitam. Se espantarem os clientes da terra praticando estes preços especulativos não lhes auguro grande futuro. E isto da moda é, como toda a gente sabe, uma coisa muito passageira...

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Foge cão que te fazem banqueiro

A banca portuguesa – ou a operar em Portugal, se calhar é mais rigoroso – constitui um exemplo de eficiência, modernidade e de outras cenas mais. Tem quem lhe pague os prejuízos e salve da falência quando o negócio dá para o torto, cobra juros altos e paga juros baixos, fecha balcões e obriga os clientes a fazer o trabalho pelo qual antes pagava aos seus funcionários e ainda lhes cobra por isso. De refereir que no âmbito de sacar dinheiro ao próximo por tudo e por nada, manifesta uma capacidade imaginativa fora do vulgar para inventar comissões só superada pela imaginação do PS a criar taxas quando está no governo. Com a diferença que este partido, quando na oposição, revela igual imaginação a acabar com elas e os bancos não acabam com nenhuma mesmo quando têm lucros extravagantes, chamemos-lhe assim.


Sempre na busca da evolução permanente a banca pretende ser agora mais inclusiva. Seja lá isso o que for. No caso a inovação tem a ver com a criação de agências “pet-friendly”. Ou seja daquelas onde os clientes podem entrar com os seus bichinhos de estimação. O que me parece bem. Há que acabar com a limitação de acesso a qualquer lugar em função do número de patas. Não sei como anda aquilo do crédito mal parado, mas perante este cenário nunca a expressão “vou ali ferrar o cão” foi tão apropriada.

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Aturem-me!

Raro é o dia em que alguém não me questiona se já estou aposentado. Outras variantes da questão, igualmente frequentes, são se ainda estou a trabalhar ou quando é que me reformo. Pois que não sei. Um ano destes, talvez. Num futuro mais ou menos distante, quiçá. É que, para o bem e para o mal, não faço parte daquela geração de funcionários públicos que se aposentaram com trinta e seis anos de serviço e sem cortes. Melhor do que isso. Muitos foram promovidos dois ou três meses antes de se reformarem e, dado que deixaram de ter descontos e a pensão era igual ao último salário, passaram até a auferir mais do que quando trabalhavam. Ainda bem para eles, mas isto não dá para todos. Só para alguns. Os que chegaram primeiro, no caso. No fundo é como dizia a minha avó, quem primeiro chega primeiro se avia.


Perante este cenário de corte permanente das reformas – as futuras, claro, que esse é um corte indolor no presente e que apenas provoca uma perspectiva de maleita futura – não faço a mais pequena ideia quando atingirei a condição de aposentado. Se os direitos adquiridos fossem para todos já levaria sete anos de reforma. Assim, se calhar, terão de me continuar a aturar outros tantos porque, já estou como o outro, quanto mais trabalho mais tempo falta para me reformar. Ninguém merece. Nem eu, nem quem tem de me aturar.

domingo, 23 de junho de 2024

Esquemas manhosos

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Sempre ouvi o meu pai dizer que quem guarda o que não presta encontra o que precisa. Não sigo muito essa máxima pelo que, em consequência disso, já me aconteceu em variadas circunstâncias deitar fora um objecto e daí por uns tempos ter de comprar algo igual ou semelhante para resolver uma situação em que a peça jogada no lixo teria servido na perfeição. Apesar disso – e porque é impossível guardar tudo - estou a tentar livrar-me de muita coisa, tentando a sua venda através do Marketplace.


Este post, contudo, não tem a ver com a utilidade presente ou vindoura da tralha que vamos acumulando. Tem, antes, a ver com os burlões que enxamerdeiam – mesmo não existindo parece-me uma palavra adequada – as redes sociais. São, na maior parte dos casos, estrangeiros com perfis falsos que a cada anúncio publicado me invadem o Messenger com propostas quase irrecusáveis de aquisição do item. Inclusivamente oferecendo um valor superior ao pedido. Por norma ignoro, mas já mantive com gente desta diálogos de elevada comicidade. Não foi o caso deste último que, vá lá perceber-se porquê, não aceitou a minha generosa contra-proposta.


Se eu dissesse que concordava com a oferta a criatura iria pedir os dados que, na resposta, lhe pedi. Já, noutras tentativas de burla, tentei enrolar a conversa no sentido de perceber o que fariam com os elementos que eventualmente lhe forneceria. Não obtive sucesso, mas dado que não me pediram dinheiro – ou pelo menos não chegámos a essa fase – continuo sem saber como se consuma o crime. Para além da rudimentar recolha de dados pessoais e eventual utilização em trafico ou “clonagem” de identidades, alguém tem ideia de como funciona este esquema?

terça-feira, 18 de junho de 2024

Café chei(r)o.

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Ainda sou do tempo em que pedíamos um café, uma bica, um cimbalino ou lá o que lhe quiséssemos chamar e traziam-nos uma chávena cheia da saborosa bebida. Quem não apreciava a “baldada” e preferia uma quantidade mais pequena de café pedia uma italiana. Fácil, eficiente e toda a gente se entendia. Agora não. Para conseguir beber um café normal tenho sempre de realçar que quero “cheio” e mesmo assim vem, digamos, ali a três quartos. Se nada disser trazem-me uma chávena com uma gotícula no fundo que faz menos volume do que as moedas – se colocadas na horizontal - necessárias para a pagar. Deve ser uma modernice qualquer. Uma mania pretensamente gourmet, ou assim. Ou para poupar na luz e na água, ou isso. É que no café já eles poupam muito com as misturas que fazem. Alegadamente, claro. 


Por estas e por outras prefiro cada vez mais beberricar o meu cafezinho em casa. Além de mais barato e de saber que ponho os beiços numa chávena limpa, não tenho de pagar quase um euro – ou mais, dependendo da espelunca – por uma quantidade de liquido preto de qualidade duvidosa que cabe numa carica virada ao contrário.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Barracadas

Nas últimas semanas não tenho tido tempo nem para me coçar. O que é uma chatice. Por causa da comichão, nomeadamente. Coisas de porco capitalista, esta falta de vagar. Não estou por isso a par dos grandes temas noticiosos. Se é que os há, mas calculo que sim. Limito-me, assim de fugida, a ler as capas dos jornais. O que, convenhamos, me transmite uma ideia do país e do mundo que, receio, esteja muito longe da realidade.


Leio, por exemplo, na capa do Jornal de Noticias de Domingo que os imigrantes estão a encher o país de bebés. A ser verdade muita coisa mudou nestes dias. Quando eu ainda era um gajo informado os imigrantes enchiam algumas cidades de tendas. Mas, se calhar, isto está tudo ligado. E muitíssimo bem pensado, também. Eu é que não percebi para que é que eles queriam as tendas...

sábado, 15 de junho de 2024

Eleições europeias

Podem fazer o quiserem. Até ir buscar o pessoal a casa ou permitir o voto pelo telefone. Dá igual. O pessoal não quer saber. A Europa é uma realidade distante com que apenas alguns – nomeadamente autarcas e empreiteiros – se importam. Nem, sequer, os políticos à séria evidenciam especial empenho pelo tema. Basta atentar nos candidatos que os partidos escolhem para as listas. Desde rapazolas especializados em mandar bitaites a gajas que acham que ainda estão no secundário a concorrer para delegadas de turma. Ou, então, ex-lideres que as actuais estruturas directivas dos partidos querem mandar para bem longe, onde nunca mais vamos ouvir falar deles.


Os resultados foram os que se esperavam. Incluindo o do Chega e o da Iniciativa Liberal. O primeiro porque o candidato – lá está – tinha tanto jeito para aquilo quanto eu e, também, porque o balão já encheu o que tinha a encher. Já os liberais ganharam por nestas eleições não existir aquela coisa do voto útil. Nas próximas voltam ao normal.


Os festejos é que me pareceram demasiado exagerados. Nomeadamente por parte da CDU e do BE. Festejaram o quê, ao certo? Terem perdido apenas metade dos deputados que tinham anteriormente? Parece-me tão estúpido como se os benfiquistas fossem para o Marquês festejar o segundo lugar no campeonato por, apesar, disso, conseguirem o acesso à liga dos campeões e respectivos milhões.

domingo, 9 de junho de 2024

Figuras tristes

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O que levará um idiota qualquer a escrevinhar por todo o lado? A estupidez inata de que foi generosamente dotado à nascença ou que foi sendo adquirida ao longo dos anos – possivelmente ainda poucos – e que não terá sido contrariada por uma educação adequada transmitida pelos progenitores, certamente. Outra coisa não estou a ver que possa ser. Aquilo dá despesa, trabalho e ocupa tempo que podia ser ocupado a fazer outras cenas mais interessantes. Mesmo para um jovem. E alternativas não faltam. A maior parte muito mais apelativas e que não envolvem fazer figuras tristes.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Em politica o que parece é...

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Do mais desinteressante que há, estas eleições para o parlamento europeu. Uns malucos acham que os direitos das mulheres estão em perigo – quais direitos e de que mulheres, convinha esclarecer – outros doidos varridos apostam em teorias da conspiração que vão para além da indigência mental e os alucinados do costume continuam a alucinar como sempre. A sorte é que, relativamente aos últimos, será quase de certeza a última eleição em que ainda fazem parte da primeira liga. Para a próxima já estarão na liga dos últimos. Ou dos pequeninos.


Com mais interesse está a política nacional. Não se sabe muito bem quem governa, constituem-se as coligações mais improváveis e atira-se dinheiro para cima dos problemas como se o guito estivesse a nascer das árvores. Daí que não me pareça mera coincidência o conteúdo da minha caixa do correio. É, antes, sintomático. O PS e o Chega, para além de partilharem os mesmos objectivos politicos, partilham igualmente o mesmo distribuidor de propaganda. Diria até, aproveitando a publicidade da óptica que vinha junta, que aqueles dois partidos são o reflexo um do outro e têm ambos o mesmo foco.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Eles comem tudo...eles comem tudo!

Diz que os portugueses nunca tiveram tanto dinheiro em depósitos a prazo como agora. Apesar dessa coisa da crise, ou lá o que é. Serão, ao todo, 183.2 mil milhões de euros. É muita massa. No entanto, para quem usa esse mecanismo de poupança, o ganho não é significativo. Assim numas contas rápidas e básicas digamos que a remuneração média será de 2.5% ao ano. O que se traduzirá em 4.58 mil milhões em juros pagos pelos bancos aos depositantes dos quais o Estado vai sacar 1.29 mil milhões de euros. Um terço, quase. Ora atendendo a que, depois do saque fiscal, a taxa de juro líquida cifra-se em 1.8% e a inflação anda pelos 3.5% está-se mesmo a ver quem é que ganha com este negócio. A banca e o Estado, que nem um nem outro estão cá para perderem. Ou, como dizia a minha avó, junta-se a fome com a vontade de comer. E, estes dois, comem que se fartam. Mas, como quem o alimenta não reclama, deve estar tudo bem. Desconfio, até, que para os invejosos do costume se calhar ainda podiam taxar mais, que isto há desgraçados para tudo.


Vá lá. Consegui escrever este texto sem usar a palavra roubo, que é a primeira que me ocorre quando penso no IRS, mas não quero ofender os profissionais do gamanço que, perante tal apropriação do dinheiro alheio, não passam de reles amadores na arte se surripiar o graveto ao próximo.

terça-feira, 4 de junho de 2024

Usem a faixa da esquerda, porra! (III)

Também fora das cidades, ainda que no perímetro urbano, se multiplicam as vias com quatro faixas. Duas em cada sentido. O que, como é óbvio, não tem mal nenhum. Construtora que faz duas, faz quatro. Até porque o terreno já ali está e nunca se sabe o trânsito, ou os condutores, que o futuro nos traz. Os do presente não querem saber disso. Um deles seguiu-me numa dessas vias, sem ultrapassar, pelo menos umas boas centenas de metros. Quando, já exasperado com a minha lentidão, resolveu finalmente dar uso à faixa da esquerda – completamente disponível e sem utilizadores em todo o espaço livre e visível – buzinou furiosamente no momento da ultrapassagem. E é aqui que não me contenho. Já irritado com os outros, que uns minutos antes dentro da cidade me tinham “perseguido”, colei a buzina e, de janela aberta, vociferei mais insultos do que o capitão Haddock num livro inteiro do Tintim. Acho que o tipo, a julgar pelo sinal dos travões, ainda pensou em parar à minha frente. Lamentavelmente não o fez. Podia-me ter ajudado com o maldito GPS ou explicar-me como chegar ao destino. Eu, em contrapartida, ensinava-lhe como circular numa via daquela natureza.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

Usem a faixa da esquerda, porra! (II)

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Os autarcas são pessoas conhecidas por amarem os seus munícipes mais do que a si próprios. Amam-nos tanto que não querem que nos falte nada. Nem, sequer, aquelas coisas que não nos fazem falta nenhuma. Mas, justiça lhes seja feita, é graças ao seu inusitado dinamismo que vão surgindo as cenas importantes que contribuem para o desenvolvimento das nossas terras. Como, por exemplo, amplas avenidas com duas faixas rodagem em cada sentido entre-cortadas por inúmeras rotundas. O que é bom, pois faz fluir o trânsito melhorando a circulação de pessoas e bens. Ou não. Porque, como escrevi ontem, o pessoal está sensibilizado para usar apenas a faixa da direita.


Circulava eu um destes dias numa dessas terras, com um olho no GPS e outro nas rotundas à procura de uma saída que me levasse ao destino, na faixa mais à direita e a baixa velocidade, quando dou por mim a comandar um pelotão mais ou menos compacto de seis ou sete carros. Todos devidamente alinhados atrás do meu bólide. O primeiro dos quais coladinho à minha rectaguarda. Por mais que eu reduzisse a velocidade nenhuma das criaturas me ultrapassava. Isto numa recta com centenas de metros, pouquíssimo trânsito e com a faixa da esquerda completamente livre. Afinal para que andou o desgraçado do autarca a esturrar dinheiro?! Se aquilo está ali é para ser utilizado, porra. Ou é apenas vontade de pressionar o forasteiro que não conhece a urbe? Seja como for, é parvo. Mas a coisa ainda piora, como hei-de contar amanhã. Ou um dia destes.

domingo, 2 de junho de 2024

Usem a faixa da esquerda, porra!

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De nós dizem que, quando não temos um volante nas mãos, somos o povo mais simpático do mundo. Não me revejo neste estereotipo. Primeiro porque não sou simpático e, segundo, tenho uma paciência de santo para as tropelias dos demais condutores. Desde que não me aborreçam, obviamente. Também se diz que os automobilistas tugas não fazem caso nenhum de campanhas de sensibilização e que apenas ficam sensibilizados – e ainda assim por pouco tempo, porque esquecem estas coisas depressa – quando são multados. Até ontem acreditava nesta premissa. Mas não. É falsa. Estão a ver aquelas campanhas em que, quando existem duas ou mais faixas de rodagem, nos instigam a circular pela mais à direita? Os portugueses adoptaram esse comportamento e agora não querem conduzir de outra maneira. Só mudam de faixa se obrigados à base do estaladão. Que foi, diga-se, o que me deu vontade de fazer como forma de os convencer. Nomeadamente se tivesse menos vinte anos, outros tantos quilos a mais e o meu irritómetro não estivesse programado para disparar um cagagésimo acima.


(Continua amanhã – ou quando calhar – que o texto já vai longo e desconfio que pelo menos quatro dos meus três leitores não tenham paciência para uma leitura demasiado prolongada)