Há quem garanta que existem apenas duas inevitabilidades na vida. A morte e os impostos. Quanto à primeira, convém empurrá-la para o mais longe possível. Na segunda, ainda que não incumprindo descaradamente a lei, é imperativo fazer de tudo para pagar o menos que se puder. Daí que, no que toca ao IRS, os últimos dias do ano sejam o momento ideal para quem não se precaveu antes sacar da calculadora, fazer contas e tentar aproveitar todas as oportunidades legais para emagrecer a factura. Haverá várias ferramentas, mas deixo a sugestão deste simulador de IRS para rendimentos de 2025 a pagar em 2026. Muito completo, fácil de usar e com a enorme vantagem de permitir, com antecedência, avaliar a dimensão do “estrago”. E, se for caso disso, tentar minimizar, mesmo que modestamente, a escala do assalto.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
quinta-feira, 1 de maio de 2025
Estudos, poupanças e analfabetismo em geral
Um estudo qualquer revelou hoje, entre outras coisas acerca da realidade actual do país, que a maioria dos trabalhadores são mais qualificados que os patrões. Adianta ainda o mesmo estudo que Portugal lidera na União Europeia o ranking de empregadores sem escolaridade. Ambas as coisas, ao que fui ouvindo ao longo do dia, são más. Ao que dizem os especialistas especialmente especializados na análise de estudos acerca de coisas que não interessam para nada. Até porque se trata de algo de fácil resolução. Basta que os trabalhadores – mesmo que apenas uma pequena minoria – abram a sua própria empresa e passem à condição de patrão. Se até alguém sem escolaridade consegue, uma criatura com um “canudo” não é capaz? Ou será que a parte do estudo acerca da capacidade de iniciativa dos portugueses ficou por divulgar?
Entretanto acabo de ver na TV a sugestão de um guru da poupança acerca da maneira de aumentar o reembolso do IRS do próximo ano e, confesso, ia caindo do espanto abaixo. O homem sugeriu que peçam à empresa para, mensalmente, fazer uma retenção maior. Eu sei que vivemos um processo de infantilização da sociedade, mas pedir ao Estado que me vá guardando todos os meses dinheiro para depois, lá mais para a frente, voltar a dar-mo todo junto porque eu não tenho capacidade para gerir o meu ordenado, já é um bocadinho demais. É coisa para gente mesmo muito poucochinho. Mas que, apesar de não saberem governar a própria vida, conhecem todas as soluções para todos os males do mundo. Lamentavelmente também votam.
quinta-feira, 3 de abril de 2025
IRS - Deduções eleitorais
Há um ano atrás, mais dia menos dia, sucediam-se as declarações de gente da área do PS e do Chega a reivindicar para os respectivos partidos a paternidade da alegada redução de IRS acabada de aprovar. Nomeadamente naquela parte em que se vangloriavam de ter obrigado o governo a abandonar a sua ideia inicial – que previa um alivio fiscal para a classe média – e a colocar em prática as medidas da oposição no sentido de, segundo eles, aliviar quem ganha menos.
Chegados à entrega da declaração anual há quem esteja a constatar com espanto, horror e muita indignação à mistura que afinal essa coisa da redução de IRS foi uma refinada aldrabice. Da qual nenhum dos aldrabões acima mencionados assume a culpa. Preferem culpar o governo por, na atualização das tabelas de retenção, dar dois meses de “borla” fiscal. O que fez, como é óbvio, diminuir a devolução aquando do acerto de contas. E nisto, já dizia a minha avó, quem o come em chibo não o come em bode.
Não fosse a iliteracia financeira, desinteresse por estes assuntos e manifesta ignorância dos portugueses e isto não passaria de um não assunto. Nas actuais circunstâncias não “receber o IRS” é um drama para muita gente. Embora dê jeito aos políticos – da oposição e do governo – a verdadeira tragédia é que os eleitores não percebam que ninguém “recebe irs” nem, pior ainda, que o imposto sobre o rendimento constitui um roubo inqualificável, uma das maiores injustiças que se faz a quem trabalha e, talvez, uma das maiores causas para o fraco crescimento económico do país. Mas que importa isso num país de invejosos e onde mais de metade dos habitantes nem sabe o que são impostos?
sexta-feira, 21 de março de 2025
IRS, nem um euro a mais!
Percebo que o tema dos impostos não seja especialmente popular ou suscite grande interesse entre os três ou quatro leitores que têm a paciência de me ler. É normal. Eu também não sou apreciador de assuntos como as gracinhas de canitos a quem só falta falar, receitas de culinária, ultimas tendências da moda ou outros temas de igual relevância. É a vidinha. Cada um é como cada qual e ninguém tem nada a ver com isso, já garantia a minha sábia avó.
No entanto, como quase sempre acontece por esta altura, dá-me para dissertar acerca do IRS. Até porque a data de o fisco ajustar contas connosco aproxima-se e isto nada como estar preparado para conhecer a dimensão do saque. E minimizá-lo, se possível. Para tanto há que ter em conta, por exemplo, o imposto retido pelos bancos quando do pagamento dos juros dos depósitos a prazo. Para quem os tem, obviamente. Mas, atendendo aos números divulgados, será uma parte muito significativa dos contribuintes. Pode não constituir um valor capaz de transformar alguém num milionário, mas sejam umas dezenas ou centenas de euros a menos a pagar ao Estado é sempre de aproveitar. É fazer a conta, simular e ver o que é mais vantajoso e optar – ou não – pelo englobamento. O dinheiro é nosso, não é do Estado, deve por isso estar no bolso de quem o ganhou. Mais do que lamentos é nestas alturas que podemos fazer algo de útil. A nós.
terça-feira, 18 de março de 2025
O imposto voluntário

O “Imposto de Renda” é, no Brasil, o equivalente ao nosso IRS. Lá como cá é sempre preciso mais e mais dinheiro para alimentar os desvarios governativos. É que, ao contrário do que muita gente acredita, no poder não são todos corruptos. Pelo contrário, muitos são de uma generosidade extrema e encaram o exercício governativo como um lugar onde podem fazer caridade com o dinheiro que não lhes pertence. Uns chamam-lhe solidariedade e outros, entre os quais me incluo, uma maneira de esturrar o dinheiro que nos roubam em prol da sua reeleição. Mas, seja qual for a perspectiva pela qual se olhe para o assunto, o facto é que o dinheiro dos imposto é sempre pouco para tanta vontade de gastar. Terá sido por isso que, no Brasil, alguém teve a ideia de criar o programa “Heróis do Tesouro” destinado a todos os que queiram pagar mais impostos do que aqueles que lhes são exigidos pelo Estado. Parece-me uma excelente ideia. Acho até que, na ausência de semelhante iniciativa por parte do políticos portugueses, devia ser criada uma petição a exigir tal possibilidade. Com tanta gente a considerar que não pagamos impostos suficientes, voluntários é coisa que não deve faltar. Podiam chamar-lhe, sei lá, o imposto patriota ou, vá, a taxa otária.
domingo, 26 de janeiro de 2025
É fazer a conta...
A noticia da obrigatoriedade de declarar, apesar de isentos, diversos rendimentos que até aqui não constavam da declaração anual de rendimentos está a deixar muita gente em polvorosa. Não é caso para tanto. Em termos de tributação – roubo, se preferirem – vai tudo continuar igual. A metade do país que paga IRS vai na mesma ser espoliada de parte significativa do fruto do seu trabalho e a parte que não paga vai continuar a não contribuir.
Esta novidade – uma norma que consta do OE de 2024, ainda o PS era governo – é uma belíssima ideia. Especialmente se todos os campos que lhes dizem respeito já aparecerem pré-preenchidos na declaração anual. A única critica que me suscita é aplicar-se apenas a valores superiores a quinhentos euros. Devia, para ser ainda mais justa, aplicar-se a partir de um euro.
Presumo que se pretenderão, entre outras coisas, melhorar os dados estatísticos dos rendimentos e controlar os apoios sociais a contribuintes que, apesar de declararem baixos salários, possuem rendimentos de outra natureza. Nomeadamente apertar um pouco a malha de beneficiários da miríade de subsídios derramados pelas autarquias e que têm apenas como critério de atribuição os rendimentos que constam na declaração de IRS.
A parte mesmo boa da coisa é que este procedimento pode contribuir para sensibilizar mais contribuintes – a opção existe desde sempre, mas por desconhecimento poucos a usam - a englobarem os rendimentos obtidos com a remuneração dos depósitos a prazo e certificados de aforro. Caso, obviamente, daí resultar a redução do imposto a pagar ou o aumento do reembolso do que já pagaram. É fazer a conta, mas para quem está sujeito a uma taxa até 25% é capaz de valer pena.
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
Liberalidades
O líder do PS está manifestamente desagradado com as novas tabelas de retenção na fonte, publicadas pelo ministério das finanças, na sequência da baixa de IRS engendrada no parlamento por socialistas e cheganos. Terá o governo, segundo o opositor-mor, ido longe demais. O que, argumenta, levará a que para o ano o reembolso seja menor ou, no limite, resulte imposto a pagar para alguns contribuintes.
Não sendo eu especialista da especialidade desconheço se o governo se terá esticado com o intuito de, momentaneamente, colocar mais dinheiro no bolso de quem trabalha por conta de outrem. Acredito que sim. Mas, se assim for, ainda bem. Continuo a achar que não tenho nada de começar em janeiro a adiantar ao fisco o dinheiro que apenas lhe tenho de pagar em Agosto do ano seguinte. Mas isso sou eu que tenho a veleidade de achar que devo ser eu e não o Estado a gerir o meu dinheiro.
Outra vantagem que resulta destas tabelas de retenção é que durante dois meses vamos todos poder viver, em termos de imposto sobre o trabalho, uma realidade próxima daquilo que defendem os perigosos liberais. Coisa que, para alguns, constituirá quase uma afronta. Onde é que já se viu colocar no bolso das pessoas o que dinheiro que lhes pertence?! Um horror, isso.
sábado, 24 de agosto de 2024
E você, tem a certeza que não é um super-rico?
Anda muita gente embevecida, a começar pela comunicação social, com a ideia de se avançar com um imposto sobre os muito ricos. Como já está a fazer o governo socialista de Espanha, repete-se com ênfase sempre que se fala do assunto. Por cá, segundo as contas dessa malta, o fisco teria um encaixe a rondar os 3,6 mil milhões de euros. O que daria, ainda segundo os entusiastas da ideia, para gastar em imensas coisas. Em tudo menos para reduzir a carga fiscal sobre o trabalho ou a poupança. O que diz muito acerca dos que veem com agrado esta possibilidade.
Há, no entanto, qualquer coisa que está a falhar nestas contas. É que em Espanha esperavam obter com este imposto uma receita de três mil milhões, mas cobraram apenas 623 milhões. Ora, desconfio eu, o país vizinho terá mais mega-milionários e, quase de certeza, ainda com mais graveto que os nossos mega-milionários. Assim sendo como é que as criaturas que propõem este imposto estimam que a receita fiscal a obter seja cinco vezes superior à arrecadada em Espanha?! Das duas uma. Ou não sabem fazer contas ou, pior, o conceito de super-rico a aplicar por cá será muito mais abrangente. Se calhar é como aquilo dos prémios do Euromilhões ou de qualquer outra lotaria. Em ambos os países a taxa de imposto é de 20%, mas lá só são tributados acima de 40000 euros enquanto cá qualquer prémio superior a 5000 é logo taxado. Querem mesmo taxar os ricaços? Força nisso, mas depois não se queixem se receberem também a respectiva nota de cobrança...
sábado, 17 de agosto de 2024
Não é problema meu, logo não há problema

Sei, desde que o Kruzes é Kruzes, que o tema “IRS” é dos que mais desinteressa aos leitores que por aqui vão passando. É natural. Trata-se de um assunto que pouco importa à esmagadora maioria dos portugueses. Os que ganham à volta de novecentos euros ou menos, porque não os afecta e outros, ainda que tenham rendimentos bastante superiores, porque vivem à margem do sistema fiscal. Ainda bem para eles. Percebo que, por isso, para todo esse pessoal seja um tema desinteressante e aborrecido. A conversa acerca do preço dos combustíveis, da habitação ou das bolas de Berlim também me deixa profundamente entediado. Mas esperem pela pancada. Com o aumento vertiginoso e absolutamente irracional a que está a aumentar o salário mínimo, não tardará o dia em que, inevitavelmente, o SMN e as reformas a rondar esse valor terão de estar sujeitos a IRS. Sob pena de, em vez de metade dos portugueses não pagarem, passar para oitenta por cento o número de contribuintes que deixarão de o ser. Com a agravante de, então, passarem a ter direito a todo o tipo de apoios que magnânimo Estado-ladrão-social vai generosamente distribuindo. E aí quero ver quem é que o vai sustentar o monstro…
sexta-feira, 16 de agosto de 2024
É pá, decidam-se!
Ao que parece, segundo os estudiosos do assunto, as últimas reformas do IRS têm agravado as desigualdades salariais quando aquilo que se pretendia era que os maiores ganhos fossem para os escalões mais baixos. Confesso a minha ignorância, mas não estou a ver como é possível atingir esse desiderato. Sempre que existir uma baixa de IRS, como quem ganha o salário mínimo não é vitima desse roubo, ficará sempre mais distante, em termos líquidos, daqueles que pagam o dito imposto. A mim, que não sou de intrigas nem especial adepto da teoria da conspiração, o que me parece é que aquilo que se pretende é não reformar a sério o IRS e trazer as taxas para valores minimamente justos e razoáveis. Do ponto de vista destes especialistas da especialidade nunca poderá haver uma redução do imposto sobre o rendimento pois, por mais pequena que seja, ela agravará sempre a desigualdade entre quem paga e quem não paga. Ou seja, para quem ganha pouco só há uma maneira de aumentar o salário. É aumentar o salário. Já dizia o outro. E só há uma maneira de baixar os impostos. É baixar os impostos. Digo eu.
sexta-feira, 26 de julho de 2024
Impostos bons e incentivos maus. Ou o contrário...
Segundo o “Correio da Manhã”, que se baseia num estudo do fisco, mais de metade das rendas escapam aos impostos. Apesar de considerar a carga fiscal elevadíssima – ao nível do furto – e de achar que, no actual quadro fiscal, escapulir ao pagamento dos impostos é um acto de legitima defesa esta é uma prática que não recomendo. Não neste sector. Por muitas razões. Umas que tem a ver com as garantias do próprio senhorio e outras com as do inquilino que, coitado, nestas circunstâncias se vê impossibilitado, também ele, de resistir ao esbulho fiscal nos casos em que é igualmente vitima.
Nisto de impostos os portugueses são, na sua maioria, uns absolutos analfabetos. É arrepiante a ignorância que, nesta matéria, por grassa. Mesmo entre gente com cursos superiores e em posições sociais ou profissionais com algum destaque. Deparo-me todos os dias com criaturas que, por exemplo, desconhecem como funciona o IRS ou os rendimentos sobre os quais incide. Há, até, quem nem saiba ao certo o que isso é. Mas, confesso, aos que acho mais piada são aqueles – malta de esquerda, essencialmente - que espumam com a intenção do governo de reduzir o IRC. Não é que seja um entusiasta da ideia, mas relativamente a esta coisa de baixar impostos aos ricos, às grandes empresas e ao grande capital em geral gosto sempre de recordar os “incentivos” que os municípios de todas as cores concedem a essa tropa com o fundamento da atracção do investimento. Lembro-me, inclusivamente, de um que se recusava a reduzir a sua participação no IRS, mas arranjou maneira de isentar de IMT um certo figurão. Tudo dentro da legalidade, obviamente. É, no fundo, aquela velha mania lusitana de “se for eu a fazer não tem mal nenhum, se forem os outros é que está errado”.
quarta-feira, 5 de junho de 2024
Eles comem tudo...eles comem tudo!
Diz que os portugueses nunca tiveram tanto dinheiro em depósitos a prazo como agora. Apesar dessa coisa da crise, ou lá o que é. Serão, ao todo, 183.2 mil milhões de euros. É muita massa. No entanto, para quem usa esse mecanismo de poupança, o ganho não é significativo. Assim numas contas rápidas e básicas digamos que a remuneração média será de 2.5% ao ano. O que se traduzirá em 4.58 mil milhões em juros pagos pelos bancos aos depositantes dos quais o Estado vai sacar 1.29 mil milhões de euros. Um terço, quase. Ora atendendo a que, depois do saque fiscal, a taxa de juro líquida cifra-se em 1.8% e a inflação anda pelos 3.5% está-se mesmo a ver quem é que ganha com este negócio. A banca e o Estado, que nem um nem outro estão cá para perderem. Ou, como dizia a minha avó, junta-se a fome com a vontade de comer. E, estes dois, comem que se fartam. Mas, como quem o alimenta não reclama, deve estar tudo bem. Desconfio, até, que para os invejosos do costume se calhar ainda podiam taxar mais, que isto há desgraçados para tudo.
Vá lá. Consegui escrever este texto sem usar a palavra roubo, que é a primeira que me ocorre quando penso no IRS, mas não quero ofender os profissionais do gamanço que, perante tal apropriação do dinheiro alheio, não passam de reles amadores na arte se surripiar o graveto ao próximo.
sexta-feira, 24 de maio de 2024
Dinheiro? Há que esturrá-lo!
É por demais conhecida a iliteracia financeira dos portugueses. Tanta que muitos até acreditam que recebem IRS. Daí que não exista entre nós a valorização da poupança e do investimento. Estes conceitos são até, em muitas circunstâncias, alvo da critica social. E quando se trata de usufruir do retorno desse investimento ou dessa poupança o investidor ou o aforrador é visto quase como um criminoso. Provavelmente, mais do que qualquer outro, talvez seja este o principal motivo do atraso e da pobreza do país. Até porque os dirigentes replicam na governação estes sentimentos da população.
Um bom exemplo do que escrevo foi o diálogo entre a jovem vencedora de um concurso televisivo e a apresentadora do dito programa. “E agora, o que vai fazer como o dinheiro do prémio? Uma viagem, não?”, questionava a apresentadora. “Não…”, retorquiu a premiada. “Oooohhhhhh…” interrompeu desapontada a apresentadora sem deixar a jovem ganhadora terminar a frase. “Vou investir num projecto que tenho em mente...” concluiu esta perante o manifesto desinteresse da interlocutora.
E é isto. Valorizável mesmo é esturrar. Depois a culpa da falta de guito é do capitalismo selvagem, das políticas liberais e do que mais calhar. Nossa é que não é.
sexta-feira, 12 de abril de 2024
IRS - O outeiro pariu um escaravelho
Afinal parece que a anunciada redução do imposto sobre o rendimento vai ser uma coisinha de nada. Começam bem. Para continuarem melhor só falta darem aos professores e às força de segurança o que estes reivindicam. Ou seja, não podem reduzir o imposto à generalidade da população porque precisam do dinheiro dessas pessoas para o dar a outras. Bonito.
Imposto, para além do razoável, é roubo. E o actual nível de fiscalidade sobre o rendimento – seja do trabalho ou das poupanças – está muito para além do suportável. Há quem goste de argumentar, especialmente a metade que não paga ou paga um insignificância, que baixar o IRS coloca em causa o estado-social. Pois que coloque. Quem, depois de todos os descontos, ganha pouco mais do que o salário mínimo não deve ser sacrificado para que outros usufruam das benesses dadas pelo governo. Mas, pelos vistos, vai continuar a ser.
domingo, 24 de março de 2024
Estado Ladrão...ou coisa pior!

Está a começar a época dos impostos. Dentro de dias inicia-se a entrega da declaração de IRS, mais semana menos semana aparece a cartinha do IMI e, no meu caso, o pagamento do IUC. Quanto ao primeiro, a manutenção das taxas escandalosas que incidem sobre o rendimento apenas tem sido possível por os governos isentarem sistematicamente mais de metade da população. Caso contrário, estou em crer, já teria havido um qualquer levantamento popular. Só para que se perceba a dimensão do roubo e a injustiça fiscal deste imposto, tenho como exemplo uma declaração que irei submeter este ano na qual o sujeito passivo tem despesas para dedução à colecta superiores ao rendimento colectável e, ainda assim, vai ter de pagar ao fisco umas centenas de euros em cima do que lhe foi retido mensalmente ao longo do ano. E não, não comprou nenhum Porche. Trataram-se todas de despesas essenciais à vida, mas das quais o Estado apenas aceita deduzir um valor meramente simbólico. Deve ser isto a que chamam Estado social, ou lá o que é.
Os outros – o IMI e o IUC – constituem receita dos municípios. O que incide sobre os imóveis é um dos impostos mais estúpidos do mundo e o que tributa os veículos automóveis, com a carga fiscal que incide sobre os combustíveis, não passa de uma redundância. Mas, lá está, é necessário dar dinheiro às autarquias para que estas o utilizem em prol das pessoinhas. Se não fosse assim como é que a malta se divertia?
domingo, 18 de fevereiro de 2024
O IRS do vizinho
Não faço contas à viabilidade das propostas da direita, nomeadamente da Iniciativa Liberal, sobre a redução do IRS. Até porque não as sei fazer. Para quem apresenta a proposta seriam quatro ou cinco mil milhões, para a Esquerda, que está contra tudo o que é redução de impostos, os cofres do Estado deixariam de contar com nove mil milhões caso a proposta fosse implementada. Tudo, obviamente, estimativas. Nem uns nem outros saberão ao certo qual o impacto de uma medida desta natureza. Dependeria sempre do que cada um fizesse com o dinheiro que lhe sobraria no bolso. Se, por exemplo, eu gastasse os meus – suponhamos – cem euros de alivio fiscal em bifes o Estado perderia noventa e quatro euros, mas se optasse por gastá-los em gasolina só perdia quarenta, mais coisa menos coisa em ambos casos. Já se fosse gastar os cem paus ali a Badajoz, aí sim, o Estado perdia tudo.
Seja como for, reduzir o IRS é da mais elementar justiça. O que nos estão a fazer constitui um roubo. De tal forma que a Esquerda já nem recorre à lengalenga habitual do “Estado-social”, da Educação ou do SNS. Prefere apelar ao sentimento de inveja e justificar a sua oposição à redução do imposto sobre o trabalho com a desculpa que quem ganha ordenados milionários é mais beneficiado. Ou seja, prefere prejudicar milhões de trabalhadores para não beneficiar dois ou três mil indivíduos. Não espero, obviamente, que os portugueses entendam o que está em causa e deem o merecido castigo a quem tem estas opções. Metade não paga IRS e, portanto, estes assuntos nada lhes dizem. Da outra metade muitos não sabem sequer ler o recibo de vencimento ou sentem-se confortáveis com o que pagam. É lá com eles. Só me aborrece é que ainda tenham o descaramento de achar que eu é que estou errado. Perdoai-lhes Senhor, que deve ser doença…
sexta-feira, 1 de dezembro de 2023
Isto anda tudo ligado

1 – Ai anda, anda. Há muito que dei conta que os gajos do Facebook escutam as nossas conversas. Falamos de um produto qualquer e, vai daí, aparece-nos publicidade a uma qualquer marca que comercializa o dito produto. A foto, no entanto, ilustra uma coisa diferente. Aquilo não é publicidade. Nem truncagem. É apenas uma curiosa sequência na timeline daquela rede social. Mesmo muito curiosa. Só isso. Até porque, quase de certeza, não será aquela funerária a fazer – num dia que se espera longínquo – o enterro do velho peidoso.
2 - Garante um estudo qualquer que a “maioria dos portugueses (63%) aceitaria um aumento do imposto sobre os rendimentos para ajudar as pessoas com rendimentos mais baixos a suportar os custos da adaptação climática e transição energética”. É o que dá fazer estes inquéritos na fila para o RSI. Ou a quem ganha o SMN. Eu, se me perguntarem, também garanto que aceitaria com toda a bonomia do mundo o aumento dos impostos sobre o tabaco, a posse de animais de estimação ou, até, sobre o sushi.

3 - Entretanto fiquei hoje a saber que graças ao “Livre”, pelo incrível preço de quarenta e nove euros mensais posso adquirir um fantástico passe ferroviário que me vai permitir viajar de comboio por onde me apetecer. Ou quase. Que aquilo não serve para todos os comboios. Nem para todo o país. Nem, muito menos, para todos os portugueses. O que me parece mais uma boa razão a juntar a todas as outras pelas quais não gosto de pagar impostos.
sábado, 11 de novembro de 2023
Qual é a pressa?!
Por alguma razão que me está a escapar, anda por aí um clamor nacional a favor da aprovação do Orçamento de Estado antes que o governo vá abaixo. Assim de repente não estou a ver vantagens, em quantidade substancialmente maiores do que as desvantagens, para que se reclame tanta urgência. Ou, como perguntava o outro, qual é a pressa? Verdade que, por uma ou outra razão, o atraso na entrada em vigor do OE no dia um de Janeiro pode causar constrangimentos em algumas áreas de decisão. Mas, por outro lado, vejo uma série de motivos para considerar positivo o seu adiamento. Um deles seria a impossibilidade do Estado aumentar a despesa em relação ao ano em curso. O que, convenhamos, não teria mal nenhum. O outro seria, pelo menos enquanto não houvesse novo Orçamento, o salário mínimo nacional ficar sujeito a retenção na fonte. O que era excelente para que uma larguíssima franja da população ficasse a saber o que é essa coisa do IRS. Quando tantos enchem a boca com a necessidade de políticas que promovam a inclusão, essa seria uma medida do mais inclusivo que há. Até, acredito, sentiriam o seu espírito de cidadania muito mais reconfortado.
quinta-feira, 12 de outubro de 2023
De acordo com tudo e o seu contrário
É enternecedora a preocupação que certas pessoas demonstram pelos pobres. Dá gosto ver e toca fundo até nos corações mais empedernidos. A mim comove-me sempre ouvir falar de vulneráveis, de gente que não dispõe de competências para gerir financeiramente a sua vida, da importância dos apoios sociais e, modo geral do Estado-Social, no combate à desigualdade e para tornar a sociedade mais justa. Um discurso bonito e que, confesso a minha lamechice, quase me faz verter uma lágrima. Tenho-o ouvido com frequência sempre que, pelo menos desde 2012, me insurjo contra o saque fiscal que se abate sobre o rendimento de quem trabalha, investe ou tem alguma coisa de seu. Nomeadamente para contrariar e reprovar a minha ambição de ver o magro estipêndio que aufiro, aliviado da gula tributária que lhe devora uma parcela significativa.
Agora, que finalmente parece ir haver uma redução de impostos sobre os financiadores disto tudo, estou mortinho por ouvir essas almas caridosas perorar acerca desta magnânima intenção do governo de me deixar ficar com mais umas centenas de euros no bolso. Será, estou preparado para ouvir e ler, reveladora de uma infinita genialidade na arte de bem governar pois, apesar de cortar na carga fiscal sobre os salários, ainda aumenta os tais apoios sociais, dirão os indefetíveis do regime. Isto porque, em contrapartida, vão aumentar – e muito – os impostos indirectos. Os tais impostos cegos que mais prejudicam quem menos tem, recordo-me de ouvir dizer para justificar o IRS elevado. Por mim, que sempre defendi essa opção, não me vou queixar do aumento destes tributos. Nem, sequer, quando pagar muito mais IUC de um carro com vinte anos para financiar o desconto das portagens onde não passo, aos donos dos “Teslas” acabadinhos de sair do stand.
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
Engordar gulosos
1 - Diz que há restaurantes que cobram uma taxa quando os comensais partilham a sobremesa. Não conhecia esta prática, mas sendo por mais conhecido o espírito empreendedor da maioria dos tasqueiros não me surpreende que o façam. Qualquer dia vão também cobrar pela utilização da cadeira, pelo açúcar do café ou pelo número de vezes que o empregado se desloca à mesa. Mais, mas isso já fazem, a sugestão da gorjeta. Tudo sujeito à taxa legal de iva, suponho. O tal imposto que eles alegam pagar, mas que sai do nosso bolso.
2 – Leio que alguém do PS terá declarado – provavelmente depois de almoço – que “o governo de António Costa já baixou e vai continuar a baixar os impostos”. Por mais piadolas que se possam fazer acerca desta declaração, convenhamos, nenhuma teria tanta graça...
3 – Não fossem as redes sociais e nunca imaginaríamos a quantidade de malucos que andam por aí. Hoje um saiu-se com esta: “Impressionante como o capitalismo financeiro consegue produzir mais desigualdade que o esclavagismo, feudalismo e colonialismo respectivamente”. Impressionante, de facto. Fiquei visivelmente impressionado com tanta desigualdade. Já o comunismo foi o que criou mais igualdade. Milhões e milhões de pobres. Mortos, muitos deles. Mas iguais.