Tenho pouco apreço por medidas, ainda que aparentemente simpáticas, dirigidas especificamente a um segmento da população. Revelam, na maioria das circunstâncias, o carácter interesseiro e o apego ao poder por parte de quem as promove. O que me faz ter em relação a essas pessoas um apreço ainda menor do que aquele que já tenho pelas ditas medidas. Assim uma cena quase ao nível do desprezo, digamos. É o que sinto, também, relativamente a isto do chamado “IRS jovem” e a quem teve teve a ideia. O mesmo sentimento quanto aos que defendem que, em vez disso, preferiam manter tudo como está em termos fiscais e usar o montante equivalente à perda de receita de IRS para aumentar as reformas aos velhinhos. É um clássico dizer que são todos iguais. A diferença está, pelos vistos, no público-alvo. Uns desconfiam que ganham as eleições com os jovens, outros com os velhos. Os que pagam estas tolices são os do costume. A esses só lhes compete pagar.
sexta-feira, 11 de outubro de 2024
sábado, 11 de novembro de 2023
Qual é a pressa?!
Por alguma razão que me está a escapar, anda por aí um clamor nacional a favor da aprovação do Orçamento de Estado antes que o governo vá abaixo. Assim de repente não estou a ver vantagens, em quantidade substancialmente maiores do que as desvantagens, para que se reclame tanta urgência. Ou, como perguntava o outro, qual é a pressa? Verdade que, por uma ou outra razão, o atraso na entrada em vigor do OE no dia um de Janeiro pode causar constrangimentos em algumas áreas de decisão. Mas, por outro lado, vejo uma série de motivos para considerar positivo o seu adiamento. Um deles seria a impossibilidade do Estado aumentar a despesa em relação ao ano em curso. O que, convenhamos, não teria mal nenhum. O outro seria, pelo menos enquanto não houvesse novo Orçamento, o salário mínimo nacional ficar sujeito a retenção na fonte. O que era excelente para que uma larguíssima franja da população ficasse a saber o que é essa coisa do IRS. Quando tantos enchem a boca com a necessidade de políticas que promovam a inclusão, essa seria uma medida do mais inclusivo que há. Até, acredito, sentiriam o seu espírito de cidadania muito mais reconfortado.