Caso o ataque do fim de semana a uma manifestação, marcha ou lá o que queiram chamar a um ajuntamento de pessoas que defendem valores pouco valorizáveis de acordo com os actuais padrões definidos pela opinião publicada, tivesse sido contra idêntica iniciativa promovida pela esquerda, teríamos assistido a debates intermináveis em todos os canais noticiosos e o assunto constituiria noticia de abertura de todos os telejornais. O perigo da extrema-direita e a imperiosa necessidade de a combater estaria na ordem do dia. Assim, ninguém quer saber. A noticia apenas chegou às televisões horas depois de circular pelas redes sociais e, quase, como nota de rodapé. Não houve indignação das redacções, especialistas da especialidade a defender ilegalizações, regulações nem outras acções. Era, afinal, um cocktail democrata. Do bem, até. Pena não ter acertado, escreveram sem qualquer pudor na puta da tromba, muitas criaturas que enchem a boca de liberdade, democracia e outros conceitos muito jeitosos desde que se apliquem apenas aos ideais que defendem.
Não surpreende esta reacção desencabrestada de extremistas mais exaltados. A esquerda acha que a rua lhe pertence. Tal como também considera ter uma espécie de direito divino a, mesmo perdendo as eleições, continuar a ocupar os lugares – desde os importantes aos folclóricos - que o Estado tem para distribuir. Os que consideram que o PS deve continuar a ter a mesma representação no Tribunal Constitucional ou senhora do PCP a mandar num museu qualquer, não são muito diferentes dos que acham que só eles têm direito à rua. O povo para além de ter o direito de se manifestar contra ou a favor do que lhe apetecer tem, também, o direito de escolher a quem quer dar de mamar. Desta vez escolheu outros.





















