Nestes tempos em que os doidos varridos dominam o mundo e nos subjugam à sua vontade, arte será tudo aquilo que os malucos quiserem. Se eles dizem que um doido a rebolar-se no chão constitui uma expressão artística, ou que uma banana colada numa parede se trata de um conceito artístico do mais alto recorte, não serei eu, simples e ignorante mortal, a questionar a sapiência desses tresloucados. Como diz o povo, na sua imensa sabedoria, malucos e bêbados nunca se contrariam.
Acredito que, de acordo com os critérios vigentes entre o pessoal da cultura, a fotografia que encima este texto retrate uma obra de arte. Urbana, já que foi executada com elevada mestria numa parede de uma qualquer cidade. O traço do artista revela-nos, de forma provocatória, a nova forma de vivenciar a urbe. Evidencia a diferença, a desigualdade e questiona os valores de uma sociedade que julga os seres humanos pela maneira como cagam.
Por mim, se fosse eu que mandasse, tentava identificar o artista. Não, obviamente, com intenções opressoras que eventualmente colocassem limites ou barreiras à sua criatividade. Pelo contrário. Reconheceria o mérito artístico da obra e trataria de garantir as condições necessárias para que a inspiração nunca lhe faltasse. Nomeadamente, a atribuição de um subsídio destinado à aquisição, em momentos mais duros, de comprimidos para a obstipação. Quiçá, até, ordenasse a preservação das mais icónicas criações, proibindo os donos de os remover sob pena de agravamento do IMI. Desde que a parede não fosse minha, claro.
















