É quase enternecedor — se não fosse obsceno — ver como o chamado “centrão” se entende às mil maravilhas sempre que o assunto é proteger o seu quintal. Veja-se, por exemplo, a farsa pomposamente baptizada de “eleição” das CCDRs. Hoje, com a mesma unanimidade bovina, voltaram a dar as mãos para aprovar a legislação que visa controlar as redes sociais. Uma medida fascizóide que nos querem fazer acreditar se destina a proteger os jovens, combater a desinformação, travar o discurso de ódio e lutar contra a extrema-direita. Deve ser, deve.
Eu, pela minha parte, nem sequer vou desconfiar das intenções desta gente. Longe de mim. Eles só querem o meu bem. Têm um carinho especial por mim, eles. Tão grande que até me simplificam a vida. O acesso fica muito mais simples com a chave móvel digital e esquecer as passwords passa a ser coisa do passado. Tudo muito moderno, ecológico e para minha segurança. Ficam a saber exactamente quem sou, onde estou e o que digo. Mas qual é o problema? Só paranoicos é que se preocupam com isso.
Era o que mais me faltava ter medo de rapazolas imberbes saídos das jotas, de gajas mal-casadas com tiques de comissárias dos bons costumes e de toda uma fauna de criaturas cuja única habilidade na vida é encontrar forma de se eternizar à mesa do orçamento. Gente que nunca produziu nada de útil, mas que se acha com legitimidade para decidir o que eu posso dizer, ler ou pensar. Não passarão!











