Os resultados eleitorais dão sempre azo às mais dispares interpretações. Cada um interpreta como mais jeito lhe dá e tortura os números de maneira a que eles digam o que convém ao analista de ocasião. O PCP fez isso décadas a fio. Os que andamos cá há mais anos recordamos as auto proclamadas vitórias eleitorais dos comunistas, mesmo quando os votantes minguavam.
As eleições de domingo não escaparam a esta regra. Quanto à retumbância da vitória do candidato eleito não podem existir dúvidas, a menos que alguém queira reinventar a aritmética básica. Há, no entanto, um aspecto que tem sido menosprezado entre o comentariado. Muitíssima gente disse e escreveu que esta seria uma escolha entre a democracia e o fascismo. Ora, a maior parte dessas criaturas são as mesmas que não se cansam de chamar facho a todos os que não fazem parte do clube cada vez mais restrito dos trinta e dois por cento que votam PS ou mais à esquerda. Ou seja, chamam facho a quase setenta por cento do eleitorado. Coisa pouca.
Acontece que Seguro foi eleito com cerca de sessenta e sete por cento dos votos. Mais do dobro do eleitores que, segundo aquelas luminárias, são os democratas e defensores dos valores de Abril, como eles fazem questão de proclamar. Parece-me, pois, licito concluir que segundo os cânones dessa gente, o novo Presidente foi eleito à custa dos votos daqueles a quem chamam fascistas. É fazer as contas. Ou morder a língua. Mas, se optarem por esta opção, cuidado não faleçam.











