“Imobiliário enche os cofres das Câmaras” proclamava um destes dias a capa de um jornal diário. Olha a novidade. Pouco importa, no entanto. A culpa do actual panorama do sector da habitação não pode ser dos municípios. Era o que mais faltava. Para os sectores que têm voz e, principalmente, formam opinião é muito mais interessante apontar outros culpados.
A actual situação do imobiliário tem muito padrinhos. Quase todos identificados, embora uns mais negados do que outros conforme a camisola partidária do especialista na especialidade. E há muitos, cada um mais especializado do que os outros todos. Ainda assim parece abusivo dizer que estamos no meio de uma enorme crise nesta área. Não estamos. Que o diga quem está a ganhar dinheiro.
Mesmo aqueles que, seja no que for, gostam sempre de acusar quem está a lucrar com um problema, nunca incluem as autarquias entre o rol de culpados. São, no entanto, os municípios os principais beneficiários do actual estado de coisas. As receitas provenientes do imobiliário, nomeadamente o IMI e o IMT, têm aumentado a um ritmo alucinante nos últimos anos e, em alguns casos, já atingem valores estratosféricos absolutamente inimagináveis há meia de dúzia de ano atrás. Com tendência para crescer, mesmo que o balão rebente e venha para aí uma crise. Quem esteve atento à nota de cobrança do IMI deve ter notado.
Aos municípios interessa manter a actual situação de valorização dos imóveis. Daí, por exemplo, não se facilitar a instalação de casas modulares, moveis e toda uma imensa panóplia de soluções que já existem. Como são mais baratas, pagariam menos e isso seria uma chatice. Alguém tem de pagar a “cultura” e as festas, festinhas e festarolas.
















