Sempre que os preços dos combustíveis sobem é um corrupio de jornalistas juntos dos postos de abastecimento. Quando a diferença relativamente a Espanha se alarga ainda mais do que já é habitual, o arraial estende-se ao lado de lá da fronteira. Agora que o governo esquerdalho espanhol resolveu, por uma questão de sobrevivência política, tomar aquelas medidas que fizeram cair os preços, tem sido o delírio jornalístico. Curiosamente, ou talvez não, as referências à conflitualidade dessas medidas com as directizes europeias não suscitam grande interesse à nossa comunicação social. Havia de ser cá. Não faltariam horas de debates acerca das consequências dramáticas para o país, das grosseiras violações das normas da UE, do desprezo pelas alterações climáticas e do que mais calhasse. Isso e, quase de certeza, manifestações dos meninos que padecem dessa doença misteriosa designada ansiedade ambiental. Já andariam por aí a manifestar-se pelo fim dos combustíveis fósseis, bloquear estradas, a partir montras e a berrar que o capitalismo não é verde.
O mesmo frenesim jornalístico se verifica nas grandes superfícies, mercados e em todos os locais onde se vendem coisas. A preocupação aparenta ser grande. Com, evidentemente, alguma razão para isso. O que nunca se questiona, vá lá saber-se porquê, é o efeito da especulação nos preços dos produtos. Uma velhinha, na caixa de uma mercearia, garantindo que com esta carestia de vida quase não tem dinheiro para comer, enquanto paga um pacote de massa e duas latas de comida para cão, provoca muito mais comiseração. Qualquer activista sabe isso.
Entretanto os dados indicam que o valor dos depósitos a prazo e em certificados de aforro atingiu, mais uma vez, máximos históricos. Sabendo-se que estes produtos financeiros não estão entre os preferidos pelos mais ricos ou com maior literacia financeira, fico a aguardar com expectativa as próximas reportagens televisivas à porta dos bancos e dos Correios. E um ou outro estudo académico, vá.



















