terça-feira, 3 de março de 2026

ZLAN - As placas que salvaram o mundo

Parece-me manifestamente exagerada a teoria que o Irão nos vai atacar. Nomeadamente ao nível do armamento atómico. Não pelo facto de, segundo garantem, não terem dessas cenas, mas porque grande parte do nosso território é uma zona livre de armas nucleares. Não sei se as potencias que as possuem sabem disso, mas é óbvio que quando tomarem conhecimento dessa interdição recuam de imediato na intenção de nos bombardear. Por mais vontade que tenham de o fazer, de certeza não vão correr o risco de violar essa proibição. Nem o Trump nem nenhum Mohamed desta vida são malucos a esse ponto.   

Tudo isto porque nos anos oitenta, várias zonas do nosso país eram ornamentadas por placas informativas com a sigla ZLAN. O cidadão era assim informado de que estava numa Zona Livre de Armas Nucleares. Maioritariamente, essas zonas coincidiam com concelhos de maioria comunista, onde as respetivas Câmaras Municipais reproduziam a propaganda pacifista soviética. Que, na prática, se resumia à defesa do desarmamento das democracias ocidentais enquanto a União Soviética se armava até aos dentes com armas convencionais e nucleares. Aquilo era uma espécie de redundância folclórica, porque Portugal era todo ele livre de armas nucleares. Servia apenas para dar um sinal de que estávamos perante gente pacífica e pouco dada a bombardeamentos. E, diga-se, também tinha a nobre missão de arrancar um sorriso trocista a quem reparasse nas placas. Porque, em boa verdade, não abonava em nada a credibilidade – ou, vá, da sanidade mental -  dos autarcas da altura. Inclusive os que cá na terra também nos incluíram nesse clube de malucos.

Sem comentários:

Enviar um comentário