As autarquias são uma fonte inesgotável de noticias. Ou não fossem trezentas e oito, se apenas contarmos os municípios. A acrescentar a esse número, já de si despropositado, temos ainda mais mais três mil duzentas e cinquenta e oito freguesias. Um fartote. Não admira, por isso, que haja todos os dias relatos de comportamentos, digamos, mais ou menos exóticos por parte dos autarcas. Embora aquilo que chega ao público não passe, na maior parte das ocasiões, de fait-divers. As cenas alegadamente mais cabeludas – se é que as há - poucas vezes são noticia. Até porque são com as bruxas, mas ao contrário. Todos acreditam que há, mas nunca são vistas. Salvo um ou outro raríssimo exemplo, vá.
Os dois casos onde hoje intervieram as autoridades judiciais enquadram-se, ambos, no âmbito da diversão. Um deles literalmente. Diz que uma das autarquias pagou lautos banquetes a eleitos, funcionários e a quem mais calhava. Desde que a diária do subsidio de refeição tenha sido descontada no vencimento não estou a ver, assim de repente, motivos para reparo. Juntar todo esse pagode à mesa contribuiu para estimular o espírito de grupo – e outras coisas, eventualmente – e dinamizar a economia local, nomeadamente na área da restauração. Nem são precisos grandes dotes adivinhatórios para prever que a “operação lagosta fumada” – diz que os repastos incluíam a degustação de crustáceos e terminavam com os convivas a fumar charutos – não vai dar em nada. A não ser perda de tempo. Daquele bem pago, obviamente.
O outro ainda é mais bizarro. Envolve bufaria. Da chique. E não me estou a referir aquelas criaturas que não sabem se são Franciscos ou Franciscas. São queixinhas contra um Presidente que, veja-se o desplante, entende ser sua prioridade governar para quem trabalha e paga impostos. Mesmo sendo uma ideia manifestamente excêntrica, essa de priorizar quem faz alguma coisa útil na vida, também desconfio que o contingente policial deslocado para o local não vai conseguir reunir matéria de facto que convença o tribunal a condenar o homem. Até porque ninguém o pode obrigar a fazer um Plano de Habitação Paralelo.
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