O actual Ministro da Administração Interna declarou em várias ocasiões que combater o discurso de ódio constituiria uma das principais prioridades. Até porque esse discurso - também manifestou esse sentimento em diversas oportunidades - revela-se um problema sério a que urge dar luta. Ou seja, o homem tal como qualquer outro português de bem odeia o discurso de ódio. Oral, escrito e, presumo, quando levado à prática.
Trata-se, convenhamos, de uma postura irrepreensível. Daquelas que dificilmente encontram oposição, a menos que alguém se assuma publicamente como defensor do insulto gratuito. Não há como não gostar deste princípio. Qualquer um concordará que é preciso acabar com aquele discurso do “passa aí a carteira, senão levas uma facada”, esse clássico intemporal da retórica urbana. Ou outras variantes igualmente sofisticadas, que combinam criatividade linguística com uma forte componente pedagógica sobre as consequências da não colaboração. Muito bem, portanto, o senhor ministro por se insurgir contra tamanha barbárie verbal.
De louvar, igualmente, a intenção de dar guerra sem quartel ao discurso de ódio nas redes sociais, esse território onde a humanidade dá o seu melhor. Por exemplo, aquela mania, que muitos pacóvios não se cansam de alardear, de fazer piadas de mau gosto associando os alentejanos a determinados estereótipos tem de ter um fim. Ou pelo menos uma comissão de acompanhamento, um grupo de trabalho, um observatório e um portal para denúncias com autenticação por chave móvel digital. Insistir em associar um imigrante ao crime, um cigano ao RSI, um negro a África ou um alentejano à preguiça não é aceitável e deve ser combatido com firmeza, sensatez e uma boa dose de relatórios trimestrais. O recém-empossado MAI garantiu que vai fazê-lo, o que nos deixa a todos mais descansados, sobretudo sabendo que a Internet é um espaço tradicionalmente dócil à autoridade.
Por mim, fico na expectativa não vá dar-se o caso de, num momento de fraqueza ou excesso de liberdade de expressão, ter de vir aqui fazer aquele discurso inconveniente que associa os políticos à pantominice. O que, como todos sabemos, seria profundamente ofensivo para os pantomineiros em geral e constituiria, eventualmente, um discurso de ódio.
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