Dez anos é muito tempo, já dizia o gajo das cantigas. No que toca a informática, então, é para lá de uma eternidade. Daí que seja natural um equipamento com essa bonita idade ter há muito ultrapassado o prazo de vida útil. O disco rígido deste computador andava a ameaçar entregar a alma ao criador fazia uns tempos e não fora tê-lo em dual-boot, a cirurgia a que o submeti esta semana – a substituição por outro HD que guardei do antecessor - não podia ter sido adiada tanta vez.
Embora não faça questão de ter o último grito da moda em tecnologia, em matéria de software gosto de estar sempre actualizado. Mas, como é óbvio, software recente em hardware antigo é uma combinação que raramente resulta. O Windows, por exemplo, desde o XP que não é suportado por esta máquina. Mesmo o Linux, que adoptei como sistema operativo quando ainda tinha cabelo, apenas nas versões mais leves funciona de maneira minimamente aceitável.
Tudo isto porque eu não uso nenhum programa pelo qual tenha de pagar. Nem, tão pouco, pirateados. Bem que todos aqueles que aqui pelas redes sociais – ou noutros sítios, não interessa – levam a vida a papaguear contra as grandes empresas, as multinacionais e o capitalismo em geral podiam fazer o mesmo. Usar software livre. Há muito, completamente à borla, faz o mesmo do que o da Microsoft e não contribuíam para aquilo a que chamam lucros escandalosos. Mas não. Garantem que não gostam do capitalismo, mas não querem viver sem as suas maravilhas. Criticam o sistema e alguns querem mesmo derrubá-lo desde que isso não signifique abdicar do Windows, do Office ou do Photoshop. O que, evidentemente, não tem mal nenhum. O capitalismo também precisa de clientes. Não precisam é de fingir um sentimento anti-capitalista. Até porque ninguém acredita muito nisso. Sobretudo quando a revolução é organizada a partir de um portátil comprado a prestações e publicada numa rede social avaliada em milhares de milhões.

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