terça-feira, 17 de março de 2026

Dietas ideológicas

Ainda me lembro de, ali por volta de dois mil e onze a dois mil e quinze, as noticias relatarem com frequência situações de pessoas que desmaiavam com fome nos comboios, nas paragens dos autocarros e onde mais calhava.

Mais tarde, depois da geringonça ter apeado o Passos Coelho e conduzido o país até às portas do paraíso, o problema passou a ser a obesidade. Os portugueses, esfaimados por causa da larica que tiveram de suportar durante o período da troika e do Coelho malvado, desataram a comer que nem uns garganeiros e ficaram badochas. 

De há um ano a esta parte, garante um estudo qualquer muito citado ultimamente, estão outra vez na penúria. Não conseguem pagar as contas e mesmo para comer – pior, agora, com esta coisa da guerra -  estão a ver-se aflitos. Não tarda estão outra vez magricelas e a desfalecer aí pelas esquinas. Perante isto, parece-me licito concluir que a esquerda engorda as pessoas, a direita emagrece-as e ambas as deixam doentes. 

Morando eu na região mais pobre do país era de supor que estes problemas tivessem por aqui uma especial incidência. Mas, se calhar, os residentes desenvolveram uma enorme capacidade de os disfarçar. É que qualquer um dos cinco supermercados da cidade — com cerca de sete mil habitantes — está sempre cheio de gente com carrinhos tão atafulhados que parecem preparativos para um Apocalipse. Ou tipo Covid, mas sem papel higiénico. 

Por outro lado, no país, praticamente todos os meses os valores depositados nos bancos e em certificados de aforro vão batendo sucessivos recordes. Dinheiro que terá de pertencer a alguém. E, de certeza, que não se enquadra nesse conceito bacoco de “grande capital”. Isso é outro patamar. Daí que igualmente me pareça licito concluir que somos todos uns piegas. Ou mal-governados. No geral e em particular.


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