terça-feira, 30 de junho de 2026

Miséria engravatada



São já mais de cem mil os contribuintes vitimas do chamado imposto Mortágua. É sempre assim. Quando se cria um novo imposto, taxa ou o que for argumenta-se que é apenas para os ricos. A malta do grande capital, como eles gostam de vender o saque. Depois a coisa democratiza-se, segue o seu curso natural e acaba por chegar ao bolso da maioria.

Claro que isto dá imenso gozo aos do costume. Nomeadamente dos que vivem sem bulir, à conta dinheiro dos outros. Aqueles que, apesar de verem o valor do seu património artificialmente aumentado, continuam com a mesma capacidade aquisitiva que tinham antes de serem ricos. Capitalistas e parasitas da pior espécie, no dizer dos indigentes mentais para quem o Estado tem obrigação de alimentar os seus devaneios ideológicos.

Hoje metade de um ordenado mediano desaparece em impostos, taxas e contribuições. Num futuro não muito distante, com as constantes exigências para o Estado financiar tudo e mais um par de botas, tenderá a ser ainda pior. É o regresso da escravatura. Sim, porque se quem trabalha sem receber nada é escravo, quem trabalha e apenas fica com metade do que recebe é o quê? Meio escravo? Presumo que alguns considerarão que será um meio rico mas, como diria a minha avó, é mais miséria engravatada.

sábado, 27 de junho de 2026

Coincidências coincidentemente coincidentes.

Parece que a Policia Judiciária descobriu uma marosca, planeada por um grupo de nazis, que visava matar uma quantidade pessoas. Figuras públicas, no caso. Entre as quais o actual primeiro-ministro, ex-governantes e outros políticos. Nada de surpreendente. Afinal os nazis têm esse hábito. É uma cena, digamos, assim quase cultural e que eles muito prezam.

Surpreendente é, entre outras coisas, a suposta lista de alvos a abater. Moedas, Montenegro e Cavaco estariam, ao que foi divulgado, entre as criaturas a mandar desta para melhor. Assim de repente não estou a ver por que raio haveria um nazi, só pelo facto de ser nazi, pretender matar qualquer uma daquelas criaturas. Só se, às tantas, se tratar de um nazi de esquerda. Espécime que, diga-se, existe em cada vez maior abundância. Basta ver as manifestações de alegado apoio à Palestina ou o que escrevem sobre os israelitas. E acerca de outras pessoas, também.

O mais extraordinário de tudo é que o SIS não sabia de nada. A razão oficial para os serviços responsáveis pela investigação e segurança do Estado estarem neste estado de ignorância terá sido a PJ e o Ministério Público não terem achado pertinente partilhar esta informação. O outro motivo, digo eu que gosto muito de dizer coisas, é não existir nada para saber.

Também não há muito tempo terá ficado a desconfiança, no caso do meliante abatido na Cova da Moura pela PSP, que terão sido “plantadas” provas no local do alegado homicídio. Desta vez a policia na qual o agora ministro Neves mandava, descobre uma organização criminosa da pior espécie dando razão aos alertas que o homem tem andado a fazer desde que tomou posse. Ele há cada coincidência...

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Dois desastres e uma hipocrisia

Como se décadas de regime esquerdista não constituíssem por si só um drama suficiente, a Venezuela foi agora assolada por um desastre natural de proporções épicas. Ninguém merece. Nenhum deles, quanto mais os dois em simultâneo. Durante estes anos os governantes locais, por quem o PS nutre especial admiração, ter-se-ão entretido a financiar partidos e organizações de esquerda um pouco por todo o lado. Nomeada e alegadamente na Europa. Terão também servido para esconder negócios de outros países alvo de sanções internacionais. Tudo isto enquanto o povo venezuelano vivia na pobreza e os recursos do país eram esbanjados de forma caritativa pelos amigos do regime. É, portanto, chegada a hora de todos esses camaradas se chegarem à frente. Vamos ver quantos o fazem.

Entretanto, por cá, o parlamento aprovou a concessão de incentivos fiscais, em sede de IRS, às famílias que tenham três ou mais filhos. Coisa que deixou a esquerda parlamentar visivelmente irritada. Porque, na opinião deles, a medida apenas beneficiará os ricos já que os pobres não pagam IRS. Quem ganha mil euros por mês – mais oitenta que o SMN – é, para a esquerda, um ricaço. Uma visão miserabilista que, infelizmente faz escola. Por mim, estou como o outro. Se o Estado não faz filhos, a não ser na AIMA, ao menos que saia de cima.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A taxa da coerência continua por inventar...

 


Para criar taxas, taxinhas, impostos ou legalizar o roubo em beneficio do Estado qualquer pretexto é aceitável. Diria até que em muitas circunstâncias é vibrante e entusiasticamente aplaudido pelos seus putativos beneficiários e pelos maluquinhos que acham ser dever dos outros cidadãos – sempre os outros e nunca eles – a sustentar os mais inusitados devaneios.

A taxa turística, por exemplo, foi criada para cobrir custos adicionais gerados pelo turismo. São já alguns municípios a recorrer a este meio de financiamento, com a justificação que o acréscimo de visitantes provoca a sobrecarga das infraestruturas municipais. Reconheço, embora não concorde com a cobrança da taxinha, que a fundamentação faz sentido. Eu e, diga-se, quase toda a gente. Ao que me é dado observar são raríssimas as vozes dissonantes.

O mesmo não se pode dizer do efeito que a entrada de milhão e meio de novos residentes produziu nos serviços públicos. Bom, na verdade poder, pode, mas quem o faz é fascista, xenófobo e não percebe nada do que está a falar. Nem há dados absolutamente nenhuns que o demonstrem, contradiz alarvemente a minoria ruidosa que percebe destas cenas. Como estão a fazer, por estes dias, à Ministra da Saúde que, coitada, teve a ousadia de achar que tanta gente a mais teria de ter algum efeito no SNS. Uma ideia parva, obviamente. Está bem de ver que quem vem de fora não usa escolas nem serviços administrativos ou de saúde. Só a água e os esgotos dos municípios. Eles lá sabem…

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Afinal a culpa não era do bloqueio...

 


Afinal parece que essa coisa da fixação de preços pelo Estado não funciona. Contribuirá, pasme-se, pelo contrário para a sua escassez, crescimento do mercado paralelo, consequente fuga aos impostos e, ao invés do pretendido, maiores custos para os consumidores. Quem, finalmente, reconheceu esta evidencia foram os comunistas cubanos. Pessoas, recorde-se, com setenta anos de experiência na matéria.

Já a minha avó, que não conhecia uma letra do tamanho de um burro nem percebia nada de economia, sabia que quando o preço do ovos descia era altura de fazer bolos e quando o preço subia não havia cá guloseimas para ninguém. Uma opção um bocado especulativa, porque retirava ovos ao mercado e consequentemente contribuía para o aumento do seu preço. Contrariar este comportamento nem, como se vê, uma ditadura é capaz.

Por cá, contra toda a lógica racional, existe muita gente a defender a intervenção do Estado no preço dos mais variados bens. Nomeadamente daqueles mais expostos à pressão inflacionária. Desde esquerdalhos inconscientes e comunistas empedernidos a pessoas relativamente esclarecidas acerca do funcionamento da economia. Mesmo eu, reconheço, às vezes sinto vontade que o Estado fixe o preço das beldroegas no mercado cá da terra. Depois passa-me. Lembro-me que afinal estou numa cena “cinco estrelas” - ou lá o que é – o que justifica a exorbitância dos preços praticados face aos mercados congéneres das outras terriolas que não têm estrela nenhuma.

E modernizar o blogger, não?!

Este regresso forçado ao blogger, na sequência do assassinato dos blogs do Sapo pelo grande capital, não tem sido fácil. Desta vez, assim de repente e sem que voluntariamente contribuído para isso, desapareceu a coluna lateral. Aquela que estava ali do lado direito de onde constavam os seguidores, links e outros elementos. Constatei depois que, por alguma razão que o meu conhecimento desconhece, se mudou bem lá para o fundo do blogue. Por mais que tente não a consigo convencer a voltar para o lugar original. Já fiz de tudo, mas pelos vistos nada é suficiente para a convencer a voltar ao lugar onde pertence.

Pouco me surpreendem estas dificuldades. Já, quando por aqui tinha andado noutros tempos antes de migrar para o Sapo, não achava a plataforma especialmente intuitiva. Agora, por comparação com o abrigo anterior e a outra onde tenho a segunda casa, ainda a acho menos amiga do utilizador. É que nestes anos todos que estive ausente não melhorou nada. Fruto, provavelmente, da ausência de investimento neste produto. O que, de certa forma, se compreende dado o declínio e o praticamente residual número de utilizadores.

Entretanto, como tudo na vida, o que uns não querem aproveitam outros. E o Blix.pt está a aproveitar muitíssimo bem a oportunidade criada pelo fim do Sapo. Não sendo o pináculo da perfeição e havendo alguns aspectos a melhorar, está a oferecer um espaço extremamente simples de usar e amigo do utilizador. É por isso que cada vez mais – ainda que, reitero, me vá mantendo por aqui – vá ser a primeira e mais actualizada morada do Kruzeskanhoto.blix.pt

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Segurem a carteira!

Há investimentos e investimentos. Embora, só por si, o conceito de investimento já seja uma coisa muito abrangente. Com muita elasticidade, vá. Nomeadamente quando se trata de justificar onde o Estado, em todo o seu esplendor, esturra o dinheiro de quem trabalha.

O anterior primeiro ministro, de má memória, garantia que até se arrepiava quando ouvia falar em reformas. Não, bem entendido as que envolvem velhinhos como eu, mas aquela-outras que são necessárias para alterar o que está caduco ou ultrapassado. É mais ou menos o mesmo que eu sinto quando ouço falar em investimentos estratégicos. Instintivamente, embora não me sirva de nada, levo logo a mão à carteira.

Desta vez foi o Montenegro, numa ideia que será certamente muito aplaudida pela esquerda, a anunciar a criação de um fundo soberano para investir estrategicamente em empresas consideradas estratégicas. Por mim, não tenho grandes dúvidas – nem pequenas, sequer – acerca do resultado desta estratégia. Até porque os nossos bolsos já estão habituados a que o Estado invista contra eles.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Foi bonita a festa, pá!

A longuíssima discussão acerca do chamado pacote laboral, que se arrastou penosamente durante quase um ano, pouco ou nada me interessou. Primeiro porque, enquanto funcionário público, pouco me dizia respeito e, principalmente, por nesta fase da minha vida as questões relativas ao descanso terem prioridade absoluta sobre as laborais.

Tive, ainda assim, o privilégio de enquanto degustava calmamente o almoço, assistir ao seu chumbo no parlamento e à reação entusiástica que isso provocou aos deputados da ala esquerda. Quase me emocionei. Faltou pouco para deixar cair uma lágrima – ou mesmo mais – de tanta emoção. Não foi por eles, os esquerdalhos, foi por mim. Percebo muito bem a alegria daquela gente. Também eu, de tão poucas oportunidades que me são proporcionadas para isso, celebro assim quando o Benfica ganha. Revi-me neles, por uns momentos.

Há, igualmente, motivo para risota por causa desta cena do pacote. Sucedem-se as declarações a garantir que tal chumbo se deve à “luta dos trabalhadores”. Obrigado pela piadola. Lamento desapontá-los, mas não. Não sejam mal agradecidos, que isso é uma coisa muito feia. A ingratidão é, convenhamos, um dos piores defeitos do ser humano. Agradeçam mas é ao Ventura. O homem estava tão feliz que até se virou para chefe da CGTP de braço erguido e punho fechado.

Foi um desfecho bonito de ver. Com tudo isto, o almoço ainda me caiu melhor do que habitualmente. A harmonia é uma coisa muito linda.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Vidinha galáctica

 


Diz que por estes dias – e noites, principalmente – os astros andam por aí num alinhamento manhoso, os marotos. Uma coisa rara, parece. Ou seja, passa-lhes depressa e mais noite menos noite volta cada um à sua sua vidinha.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Se a inveja pagasse imposto...

Admito que seja uma tese manifestamente popular. Ou populista, diria, se o termo se pudesse aplicar a ideias defendidas pela corrente ideológica que domina o espaço mediático. Refiro-me àquela ideia, igualmente defendida por muitos especialistas especialmente especializados em fiscalidade que o IRS deve ter uma função redistributiva e, assim, servir para combater a desigualdade social. Ou seja, o fisco seria uma espécie de Robin dos Bosques que rouba a quem ganha mais para dar a quem ganha pouco.

De certa forma já é. Nomeadamente no que diz respeito à parte dos rendimentos do trabalho. Mas, garantem os invejosos, os calaceiros e os maluquinhos que acreditam em unicórnios que ainda não chega. É preciso mais. Para essa gente é imperioso taxar ainda mais, entre outros rendimentos, os juros das poupanças dos reformados. Sim, porque convenhamos, vinte e oito por cento é tão pouco que quase constitui um ultraje a quem nunca quis saber dessa coisa de poupar.

Apesar de tudo o que se vai vendo, ainda há vozes de alguns burros que não chegam ao céu. Mesmo que o IRS sobre o trabalho não desça de forma significativa – o que seria mais do que justo para quem se esforça para ganhar mais – não acredito que, pelo menos nos próximos anos, se cometa a injustiça de aumentar os impostos sobre as poupanças. Já caíram drasticamente nos prediais e se houvesse coragem política também desceriam nas restantes categorias. O dinheiro, convém recordar aos invejosos, não é do Estado. É das pessoas que o ganharam.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Jornalismo de causas, resultados à vista.

Para seu grande espanto e horror, os jornalistas descobriram que nunca a confiança do público nas noticias que produzem foi tão baixa. Pior e mais escandaloso ainda, na perspetiva da comunicação social, as pessoas preferem confiar nas informações que obtém nas redes sociais. Nem sei porque se admiram. Desde que o jornalismo se transformou em activismo de causas, principalmente daquelas que são rejeitadas pela esmagadora maioria da população, outra coisa não seria de esperar.

Quando leio um jornal ou ouço um noticiário a intenção é manter-me informado. A opinião do jornalista acerca seja do que for é, nesse contexto, absolutamente irrelevante e não me interessa para nada. O bom profissional limitar-se-ia a relatar os factos, sem manipulações e a transmiti-los ao público de forma isenta. Infelizmente não é prática comum, Depois não se queixem que os consumidores procurem outros produtos. Nem sempre os melhores, mais fiáveis ou, sequer, mais recomendáveis. Mas isso já é uma questão de saber escolher e filtrar os conteúdos.

Por outro lado a própria comunicação social alimenta-se das redes sociais. Transmite, inclusivamente, noticias falsas que obteve dessa forma. Basta recordar aquele caso, noticiado quando das intempéries ocorridas um ano destes, da fotografia de um carrinho de brincar dentro de uma poça de água, publicada por um brincalhão qualquer numa rede social e exibida numa TV como verdadeira.

domingo, 14 de junho de 2026

A realidade raramente se compadece com a ideologia...

Desconheço se há ou não imigrantes em excesso na Europa. Só sei que há muitos. O que igualmente parece óbvio é que nem todos vieram pelas melhores razões. Chamem-se eles Abdul, John ou Wanderley. Para a esquerda e outros idiotas inúteis são, especialmente se tiverem uma tez mais escura, todos uns anjos que vieram trazer luz às nossas vidas e salvar-nos de um futuro trágico. Só que não. Entre eles vieram criminosos da pior espécie – todos os dias, só por cá, são detidos foragidos de outros países que aqui encontraram um porto seguro - e demasiada gente que, pior do que não se querer integrar na nossa sociedade, odeia os nossos valores. Os casos, quase diários, de atentados contra cidadãos europeus são disso um exemplo flagrante.

Não discutir isto e resumir tudo a “casos isolados” ou “campanhas da extrema direita”, xenofobia, racismo ou o que mais calhar que lhes pareça suficientemente ofensivo e desmotivador do debate, afigura-se altamente preocupante. E muito perigoso, num futuro próximo. É que são já mais do que muitos os relatos de reacções cada vez mais agressivas das comunidades locais aos ataques perpetrados em solo europeu por criminosos a quem acolhemos. Negar o que está à vista de todos e apelidar de fascista quem alerta para o que pode vir a seguir, não vai ajudar a resolver nada. Pelo contrário, apenas serve para acicatar ainda mais os ânimos. Se continuarmos a alimentar esta espiral não serão necessários grandes dotes adivinhatórios para se saber o que irá, mais cedo do que tarde, acontecer por toda a Europa. E por cá, com o atraso habitual.

Por mim, quem vier por bem será sempre bem-vindo. Quanto aos outros, aos de fora e aos de dentro, gosto sempre de citar as sábias palavras do Sheik Munir: “Se não estão satisfeitos em viver num país liberal, podem emigrar”.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Do veto presidencial à navalha do petisco

O Presidente da Republica usou pela primeira vez o seu direito de veto. O primeiro de muitos, prevejo. Mas, no caso presente, fez muitíssimo bem em vetar essa coisa das bandeirolas nos edifícios públicos. Isso de, nesses locais, apenas poderem ser hasteados estandartes institucionais parece-me muito mal. Compreendo perfeitamente a indignação dos criadores de periquitos rabichos ou da confraria do bitoque por, quando da realização do festival alusivo à temática, o município lá da terrinha estar impedido de hastear a respectiva bandeira. Eu também ficarei deveras chateado se no próximo ano, lá para Maio, a bandeira do Benfica não for içada pelo Moedas no edifício dos Paços do concelho.

Fiquei hoje a saber – eu e quem quis ler a noticia – que os municípios já fecharam mais dez mil alojamentos locais. Que são, segundo os especialistas especialmente especializados em questões imobiliárias, uma das principais causas da falta de habitação e do elevado preço das rendas. Apesar de ter pesquisado, não encontrei estudo ou relatório que revele as consequências desta inusitada dinâmica das autarquias. Mas, presumo, deve existir. Tal como também acredito que, por consequência, os preços das rendas e das casas à venda já estarão a baixar.E se não estiverem é porque a realidade ainda não recebeu o memorando dos comentadores televisivos, que costumam resolver crises económicas com a mesma facilidade com que falham previsões.

Entretanto, por essa Europa fora, as facas continuam muito irrequietas. O que não surpreende, dada a quantidade de gente que, em função de crenças religiosas medievais, está legitimada a usá-las. Coisa que, obviamente, não critico. Até porque, em virtude das tradições ancestrais da minha região, também posso ser portador de uma navalha. Desde tempos imemoriais qualquer alentejano que se preze traz sempre consigo a navalhinha do petisco. Ninguém me vai dizer que não posso, pois não? Tratar-se-ia de um acto discriminatório e constituiria razão de sobra para me queixar ao Neves. Ou a quem calhar, porque qualquer dia a única arma culturalmente aceitável será a tesoura da nova censura do politicamente correcto.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Trabalhar? Que ideia absurda!

Anda por aí muito boa gente – e outra não tão boa quanto isso - indignada por o governo ter intenção de condicionar a atribuição da prestação social única a quem prestar trabalho social. Compreendo que o conceito de trabalho, nomeadamente quando aplicado a quem não está habituado, provoque alguma apreensão. É natural. O que me parece preocupante é a existência de tantas criaturas preocupadas com com a preocupação daqueles que querem continuar a não se preocupar com essa coisa do trabalho.

Sinto, confesso, alguma inveja. O que é uma coisa muito feia, reconheço. Mas sinto-me injustiçado. É que ninguém se importa que eu – e tantos outros como eu – tenha de continuar a trabalhar, mesmo tendo idade para ser pai ou avô de muitas daquelas pessoas que teriam de se dedicar ao trabalho se a proposta do governo fosse aprovada. Percebo que alguém tem de trabalhar, no caso os velhos, para que outros, bastante mais novos, possam mandriar. Devia ser ao contrário, mas num país onde são os invertidos que ditam as regras não se pode esperar que reine a normalidade.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Fachos do bem



Muita razão tem o ministro Neves quando garante que a extrema-direita e o seu discurso populista constituem uma ameaça à democracia. Também acho. Olhem-me estes, os desta fotografia. Não querem saber das leis do Estado de direito e sugerem que a casa da democracia seja incendiada. É este discurso de ódio, promovido pela extrema-direita, que incentiva a violência e que pretende acabar com a democracia. Não podemos, obviamente, tolerar algo assim. Digamos, até, que exterminar esta extrema-direita se trata de um imperativo de qualquer democrata.

Muito bem, igualmente, todos os canais televisivos e comentadores em geral, que foram unânimes em condenar este desfile de fascistas que teve lugar um destes dias em Lisboa. Para não falar do vivo repúdio que esta passeata de fachos, gente que despreza a Constituição e os valores de Abril, suscitou entre os partidos de esquerda, forças progressistas e democratas diversos. Desde o BE ao PS todos condenaram. O PCP até lhes terá chamado bafientos, mas isso também já me parece demasiado ofensivo. São apenas mal-cheirosos.


quinta-feira, 4 de junho de 2026

Os verdadeiros artistas



Gastar dinheiro à tripa forra constitui um dos atributos de quase todos os políticos. Se fosse o dinheiro deles, o que lhe sai do lombo, não viria mal nenhum a mundo. O pior é que não é esse. É o nosso. Aquele que roubam todos os meses ao nosso ordenado, o que nos sacam quando compramos seja o que for ou aqueloutro que nos surripiam quando obtemos algum rendimento de poupanças sobre as quais já tínhamos pago imposto antes de cometermos a irresponsabilidade de não as gastar.

Os governantes, desde o governo à mais pequena junta de freguesia, possuem uma imaginação prodigiosa para fazer evaporar os rios de dinheiro que deságuam nos cofres públicos. As contas bancárias e as estantes dos amigos, se possuíssem o dom da palratória, explicariam isso muito melhor do que eu. Que, diga-se, destas coisas não sei nada. É só o que leio e ouço dizer.

Há quem garanta, por ignorância ou vontade de nos fazer rir, que delapidar dinheiro em cultura não se trata de uma despesa, mas sim de um investimento. Deve ser por isso que o governo resolveu investir nesta área. Só num varão de roupa, considerada arte contemporânea, investiu perto de oitenta mil euros. As fotos do “investimento” estão disponíveis na internet e, mesmo não percebendo nada de moda nem de arte, estou convencido que se arranjava igual e muito mais barato na Vinted.

Entretanto, numa passeata recente, captei a imagem que acompanha o texto. Calculo que este conjunto artístico valha uma fortuna. A esta hora, se calhar, já integra também, tal como o varão de roupa usada, a coleção de arte contemporânea do Estado. A menos que não seja criação do autor certo.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

A greve do costume



Mais uma greve geral. Outra vez mesmo a jeito de um fim de semana prolongado. Nada a que não estejamos habituados. A adesão, por isso e pelo que mais calhar, deve ter sido enorme.

Pelo que se vê, aderiram os do costume. Ou seja, aqueles a quem o pacote laboral não se aplica, impedindo os demais – os restantes, a quem realmente se aplica – de ir trabalhar. Tudo muito legitimo, que isto de fazer greve é um direito. Nem que seja na defesa dos seus privilégios. Ou, igualmente carregadinho de legitimidade, na exigência de mais privilégios.

De resto tudo normal. Como de costume passa a imagem de um país parado. Segundo os dados propagandeados, a paralisação superará os noventa por cento. Ou mais. Lá para o final do mês as folhas de vencimento darão a resposta mais exacta. Ou não.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Os dramas que os deixam tragicamente horrorizados



São muitos e graves os problemas que afectam o país e os portugueses. Alguns deles – dos problemas – são, até, ambas as coisas. Muito graves. Nos últimos dias surgiram mais dois. Qualquer um de extrema gravidade e ambos capazes de infernizar a vida a muita gente.

Primeiro foi aquilo das sombrinhas na praia. Acabar com a proibição, imposta pelo concessionários, de espetar o chapéu de sol no areal entre a beira-mar e as espreguiçadeiras de uma zona concessionada, tornou-se quase num desígnio nacional. Ou, a bem-dizer, das televisões que aquilo é gente que sabe muito bem o que desinteressa aos portugueses. Deve ser por isso que, não fossem os nossos impostos, estariam todas falidas.

Outro drama recente é a intenção do governo reunir uma quantidade de prestações sociais numa só. O que já de si era péssimo, como consideram aquelas criaturas de que ninguém faz caso, mas que sabem o que é melhor para nós. Pior ainda é haver a intenção de que os beneficiários de uma ou duas delas terem de prestar trabalho social, quinze longas horas semanais, para as poderem receber. Coisa que, naturalmente, deixou à beira de um ataque de nervos todos aqueles que ficam horrorizados sempre que ouvem a palavra trabalho. Não é para menos, que isto só trabalha quem não sabe fazer outra coisa e muita dessa malta sabe-a toda.