Anda por aí muito boa gente – e outra não tão boa quanto isso - indignada por o governo ter intenção de condicionar a atribuição da prestação social única a quem prestar trabalho social. Compreendo que o conceito de trabalho, nomeadamente quando aplicado a quem não está habituado, provoque alguma apreensão. É natural. O que me parece preocupante é a existência de tantas criaturas preocupadas com com a preocupação daqueles que querem continuar a não se preocupar com essa coisa do trabalho.
Sinto, confesso, alguma inveja. O que é uma coisa muito feia, reconheço. Mas sinto-me injustiçado. É que ninguém se importa que eu – e tantos outros como eu – tenha de continuar a trabalhar, mesmo tendo idade para ser pai ou avô de muitas daquelas pessoas que teriam de se dedicar ao trabalho se a proposta do governo fosse aprovada. Percebo que alguém tem de trabalhar, no caso os velhos, para que outros, bastante mais novos, possam mandriar. Devia ser ao contrário, mas num país onde são os invertidos que ditam as regras não se pode esperar que reine a normalidade.
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