Admito que seja uma tese manifestamente popular. Ou populista, diria, se o termo se pudesse aplicar a ideias defendidas pela corrente ideológica que domina o espaço mediático. Refiro-me àquela ideia, igualmente defendida por muitos especialistas especialmente especializados em fiscalidade que o IRS deve ter uma função redistributiva e, assim, servir para combater a desigualdade social. Ou seja, o fisco seria uma espécie Robin dos Bosques que rouba a quem ganha mais para dar a ganha pouco.
De certa forma já é. Nomeadamente no que diz respeito à parte dos rendimentos do trabalho. Mas, garantem os invejosos, os calaceiros e os maluquinhos que acreditam em unicórnios que ainda não chega. É preciso mais. Para essa gente é imperioso taxar ainda mais, entre outros rendimentos, os juros das poupanças dos reformados. Sim, porque convenhamos, vinte e oito por cento é tão pouco que quase constitui um ultraje a quem nunca quis saber dessa coisa de poupar.
Apesar de tudo o que se vai vendo, ainda há vozes de alguns burros que não chegam ao céu. Mesmo que o IRS sobre o trabalho não desça de forma significativa – o que seria mais do que justo para quem se esforça para ganhar mais – não acredito que, pelo menos nos próximos anos, se cometa a injustiça de aumentar os impostos sobre as poupanças. Já caíram drasticamente nos prediais e se houvesse coragem política também desceriam nas restantes categorias. O dinheiro, convém recordar aos invejosos, não é do Estado. É das pessoas que o ganharam.
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