domingo, 2 de agosto de 2026

Ódio do bem

Vai por aí uma espécie de dor de corno por uns quantos “influenceres” – seja isso o que for – terem sido convidados pelo governo de Israel a visitar aquele país e, de caminho, fazer uma passeata por Gaza. Achava eu que cada um – leia-se cidadão, organização ou Estado – convidava quem lhe apetecia, com a finalidade que muito bem entende e cada qual aceitava ou não o convite, igualmente de acordo com os seus princípios. Caso os tenha, claro. E se não tiver, desde que não prejudique ninguém, não estou a ver que mal venha daí ao mundo. De resto Israel é a única democracia da região e onde existe livre escrutínio ao poder.

Para a generalidade dos portugueses, o facto de uma dúzia de criaturas ter ido passear uns dias àquelas paragens não aquece nem arrefece. É, digamos, para o lado que qualquer pessoa normal dorme melhor. A questão apenas causa azia àqueles, quando muito, dez por cento de nós que vibram entusiasticamente com as causas terroristas e com tudo o que faça a apologia da destruição da nossa civilização. Abrigados, todos eles, debaixo do chapéu da comunicação social. A mesma – e os mesmos, também - que se entusiarmaram com as flotilhas e que engolem sem pudor tudo o que os terroristas e criminosos diversos lhes derrama goela abaixo.

O assunto em si, obviamente, nem vale um post. O que me chateia verdadeiramente é que muitas das barbaridades ditas a propósito disto não sejam rotuladas como o que realmente são. Discurso de ódio. Parece que essa etiqueta mágica só serve quando em causa estão os valores de estimação da esquerda e o autor é alguém de direita. A democracia não é isto e, a continuar assim, um dia vai correr mal. Depois não se queixem.