sábado, 29 de agosto de 2026

Um souvenir para a sola do sapato

 


Eu não queria. Juro que não queria. Mas que hei-de fazer, se esta gente insiste em colocar coisas destas no meu caminho? São mais que muitas e estão por todo o lado. Este imponente cagalhão podia ontem à noite ser admirado em todo o seu esplendor no Largo dos Combatentes. Bem no centro da cidade, para quem não conhece. Faz sentido. Parece-me um bom lugar para uma obra de arte pública que, sem dúvida, valoriza a calçada e o calçado de quem passa. Uma verdadeira lembrança turística para levar para casa no sola do sapato. E de borla.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Ainda não há parque, mas já há merda de cão.

 


Em boa hora – ainda que essa hora tenha demorado trinta anos a chegar – a Junta de Freguesia cá do sítio decidiu avançar com a recuperação de um espaço urbano aqui nas redondezas. O “Parque da Nogueira”, assim se vai chamar a área em fase final de requalificação, deve o nome ao facto de no local existir uma outrora frondosa nogueira, que agora já não é assim tão frondosa graças aos sucessivos cortes radicais de que ciclicamente é vítima.

Aquilo, quando concluído, vai ficar catita. Até, para meu grande espanto, terá árvores. Atendendo ao que costuma ser hábito noutras requalificações de espaços – tanto cá na terra, como noutras do Alentejo –, foram plantadas espécies que prometem sombra dentro de poucos anos, ao contrário daquilo que se costuma ver noutras intervenções onde, com sorte, a sombra só chegará dentro de meio século.

Lamentavelmente, o parque – essencialmente destinado às crianças, creio – prevejo que se torne num novo cagatorium canino. Para já, está assim. Neste bonito estado que a imagem nem sequer evidencia na sua plenitude. É com este cenário que se deparam os trabalhadores da obra e os moradores das vivendas contíguas quando abrem a porta.

Há gente a quem parece ser este o local adequado para o passeio higiénico do canito. Se elegem a porta dos vizinhos e o local de trabalho dos outros para os seus patudinhos cagarem, certamente não se importarão de continuar a fazer o mesmo quando o parque estiver pronto e por ali brincarem crianças. São os javardos que temos.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Os devotos das causas profanas renderam-se ao sagrado...

Não desconfiava – nem eu, nem provavelmente ninguém – da existência de tanto especialista em sustentabilidade do sistema de pensões. Há-os por todo o lado. Basta ligar a televisão, aceder às redes sociais ou, simplesmente, dobrar uma esquina e lá estão eles a perorar, cheios de convicção, acerca da melhor maneira de tornar a segurança social sustentável até à eternidade e mais além, se necessário for. O que revela, também neste assunto, a enorme incompetência do governo. Com tanto perito, foram logo escolher um gajo que é quase unanimemente reconhecido como o menos adequado para analisar a coisa.

Uma das criticas que fazem ao estudioso e, por consequência ao governo, é que pretendem entregar o “dinheiro da segurança social” aos privados. Referindo-se, penso eu que sou praticamente ignorante nestas cenas da alta finança, à eventual criação de fundos de investimento, para onde cada um de nós canalizará parte do que agora descontamos, de forma a garantir uma pensão um pouco melhor. Se assim for – isto sou eu a supor, mas não vejo que outra coisa possa ser – por que raio se referem àquela parte do nosso ordenado que corresponde à TSU como “dinheiro da Segurança Social”?! É que, não sei se já repararam, somos nós que pagamos IRS sobre essa parcela…

Depois vem aqueles que desafiam o governo a atrever-se a mexer nas reformas – “e vai ver o que lhe acontece”, ameaçam – os que garantem que as pensões são sagradas e os que acham que os reformados entraram em pânico com estas noticias. Em pânico estou eu e há muitos anos. É que os governos andam desde há bastante tempo a mexer na minha reforma. Aquela que vou receber dentro de alguns meses, à qual já cortaram mais de um terço e que se atreveram a adiar por dez anos. E diz o outro totó que é sagrada. Olha se não fosse.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Pobres, um bem manifestamente escasso.

Escrever sobre a actualidade começa a aborrecer-me. A bem dizer já me aborrece há muito tempo, mas o nível de aborrecimento está a subir de uma maneira que não julgava possível. Noutros tempos até era divertido dissertar acerca dos assuntos do momento. Fazia umas piadolas jocosas, outras com mais ou menos sarcasmo e, na maioria das textos, procurava olhar para o quotidiano com algum humor. Hoje é quase impossível. A realidade enlouqueceu e é ela própria a piadola. E da boa, diga-se. Escrever alguma coisa com graça acerca de uma declaração que mais parece uma anedota, de uma parvoíce perfeitamente desconchavada ou de algo tão ridículo que até parece coisa dos “apanhados” requer dotes que, obviamente, estou muito longe de possuir.

A pobreza é um assunto sério. Pelo menos quando a pobreza é séria. Mas é também um negócio. Veja-se, por exemplo, os empregos que proporciona aquela malta dos cursos da treta que, se não fosse ela, dificilmente encontraria que fazer de forma remunerada. Interessa, por isso, a toda essa gente que existam muitos pobres.

Deve ser essa a preocupação de um tal Sindicato do Ensino Superior, a quem o “Público” resolveu dar voz. Ficaram alarmados por a percentagem de estudantes pobres ser extremamente baixa em relação ao total de alunos matriculados no ensino superior e, pior do que isso, ter descido face ao ano anterior. Por mais estranho que pareça – ou, se calhar, não - por vontade do tal sindicato existiriam mais pobres. O facto de existirem menos alunos em situação de pobreza podia, se vissem o copo meio cheio em lugar de meio vazio, alegrar aqueles sindicalistas.

Fazem-me lembrar uma autarca do norte que, um destes dias em plena reunião do órgão autárquico a que pertence - igualmente lá para o norte, que é um local simpático para situar as coisas – lamentou que o respectivo município do norte gastasse tão pouco dinheiro a ajudar os pobres. Devia gastar mais, segundo a excelsa senhora. Só faltou recriminar os pobres por não pedirem mais ajuda.

Num e noutro caso a pobreza pouco importa. É preciso é que haja pobres. E se não houver inventam-se. O que não se inventam é graçolas para isto.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A solidariedade é um saco sem fundo

Tem havido muito paleio a propósito de mais um estudo sobre a sustentabilidade da segurança social. Nada que se aproveite muito, diga-se. Afinal os estudos, seja qual for a matéria estudada, concluem sempre aquilo que for do interesse de quem paga ao estudioso. Por seu lado os números, aqueles ou outros que resultem destas coisas, dizem o que nós quisermos que eles digam.

Faz-me espécie, nesta cenas das reformas, é que ainda um dia destes estava tudo garantido. Para os actuais reformados, para mim que me hei-de reformar um dia destes e para quem viesse a seguir. Até para aí à quinta geração, ou isso. Cuidava eu, por aquilo que me andavam a dizer, que se o milhão de imigrantes já garantiam a sustentabilidade, quando entrassem no país mais três ou quatro milhões deles a idade da reforma baixaria para os cinquenta anos. Ou menos.

Há, depois, quem fale em solidariedade intergeracional como forma de manter o sistema a funcionar. Também quando a isso parece que andei a ser enganado. Os quarenta e seis anos que já trabalhei para pagar reformas aos mais velhos e subsídios aos mais novos que não querem trabalhar, não chegam. Tenho sido muito solidário – que o diga o meu recibo de vencimento - mas segundo os especialistas especializados na especialidade não é, ainda assim, solidariedade que chegue. No fim de contas, quando o sistema finalmente der o pifo, ainda me vão explicar que a culpa foi minha por ter tido o descaramento de continuar vivo.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Alguém tem de pagar as coisas grátis

 


Um estudo, especialmente aprofundado, levou os especialistas especializados na especialidade a concluir que em Espanha os combustíveis são, antes de impostos, mais caros do que em Portugal. Nem desconfiámos que assim fosse. Num país com um nível de fiscalidade tão baixo, ninguém minimamente informado ia achar que o Estado se abotoava com uma parte tão significativa do dinheiro pago na bomba.

Excluindo aquela parte em que - no actual estado de coisas - o preço já não está para graças, costumo achar piada às constantes reclamações sobre a carestia dos combustíveis. Por várias razões. A primeira porque ninguém altera os hábitos de mobilidade e, mesmo para deslocações curtas, toda a gente continua a usar o seu belo carrinho. Nem, sequer, muda o estilo de condução. Continua-se a carregar no acelerador – na estrada toda a gente me ultrapassa e quando isso não é possível formam-se bichas enormes atrás do meu carrito – e, nas cidades, a levar o automóvel até à porta do café ou da esteticista.

A segunda razão para achar graça à indignação – e principal, admito – é a comovente incapacidade de os portugueses perceberem que esta política de dar tudo a todos, inaugurada pela geringonça e continuada pelos governos seguintes, já de si insustentável e condenada a deixar todos e tudo na penúria, só é possível de existir graças aos impostos que nos sugam os rendimentos. Não gosto nada de impostos, mas nos combustíveis deixem lá estar como está. Aí, ao menos, todos pagam. Primeiro corte-se na despesa. Há muito por onde escolher. Depois alivie-se a roubalheira sobre os rendimentos. Quem tiver dúvidas olhe para a Demonstração da Liquidação de IRS. Na última página está lá bem explicado para onde se some o nosso dinheiro. Só o pior cego – aquele que não quer ver – é que não percebe.

domingo, 16 de agosto de 2026

Numa rua perto de mim...e de si, se calhar.

 


A estupidez dos alegados amiguinhos dos animais parece não conhecer limites. Especialmente entre as mulheres. Estão absolutamente loucas, sem qualquer noção de bom senso e cometem actos que o reles mortal confunde com falta de noitadas, mas apenas classifico como tresloucados por não ter como hábito andar por aqui a escrever obscenidades.

Veja-se o que fazem com os gatos. Espalham comida em doses industriais por tudo quanto é sitio, geralmente acompanhada de recipientes com água não vão os bichanos embuchar com a ração gourmet. E, não raramente, as gateiras mais fundamentalistas adoptam outras práticas que facilmente podiam ser confundidas com manifestações clínicas de claro desequilibro psíquico. No caso da fotografia tratar-se-à, provavelmente, de alimentação para cão. Nem poderei saber se isto é obra de gaja em transe ou de um descompensado qualquer.

Obviamente que não é possível colocar um fiscal em cada rua, vinte e quatro horas por dia, a patrulhar esta restauração ao ar livre. Mas, por uma questão de bom senso elementar, quem insiste em transformar a via pública num self-service para a bicharada devia ao menos ter a decência de limpar o salão de festas. É que no meio de tanta empatia por quatro patas, esquecem-se frequentemente das regras mais básicas do civismo. O amor aos animais é muito bonito, mas a porcaria que deixam no chão continua a ser de quem lá a põe.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A realidade, a cartilha e as bestas

 


Finalmente, nesta coisa da imigração, já se começa a poder dizer que tem vantagens e inconvenientes sem que quem assim pensa seja acusado do que na altura ocorrer aos alienados que acham que todos os que aqui aportam são verdadeiros anjos, encarregados por uma divindade qualquer de nos enriquecer culturalmente, salvar a segurança social e tornar o país um paraíso na Terra.

Descontando os exageros, é óbvio para quem pensa pela sua cabeça sem ligar a cartilhas que, como tudo na vida, a imigração nos trouxe soluções e problemas. Sendo que, no caso dos problemas, o país não estava preparado para receber tanta gente. Pior, escancararam-se as portas sem a mais pequena triagem, deixando entrar quem vinha para trabalhar e, já que ali estavam, a criminosos e bandidos que fazem aqui aquilo que já faziam nos países de origem.

Durante anos repetiram até à exaustão que não podíamos associar a imigração à criminalidade. Nem a isso nem a coisa nenhuma que, mesmo ao de leve, pudesse ter uma conotação negativa. Essa associação estava reservada em exclusivo para as coisas boas. A chatice é que a realidade tem o péssimo hábito de não ler os manuais de boas intenções e acaba sempre por se impor, obrigando a dar umas cambalhotas no discurso.

Hoje, perante a impossibilidade de esconder a origem nacional, étnica ou religiosa dos criminosos saltou-se para o argumento-trunfo, "ah, e tal, mas os portugueses também cometem crimes!". O que constitui uma daquelas verdades de La Palisse. Estranho seria se assim não fosse. Perante tanta sapiência continuo a preferir a sabedoria da minha avó. Costumava ela dizer que “não temos obrigação nenhuma de aturar as bestas dos outros. Já nos bastam as da casa”.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Tratado de Tordesilhas com as osgas

Tenho um pacto com as osgas. Se elas não me chatearem, eu não as chateio. É um pacto não escrito – até porque elas, coitadas, são demasiado pitosgas e não o iam decifrar – que consiste na demarcação de território e que envolve a garantia, da minha parte, que não as ataco se elas se mantiverem dentro de um perímetro previamente estabelecido. Aquilo a que agora se chamam linhas vermelhas. Gozam de total liberdade para circular nos muros, estão proibidas de se movimentar nas paredes exteriores da casa e serão abatidas se tiverem a ousadia de se introduzirem no interior. Nesta última parte, há que  reconhecer, têm cumprido a parte delas. Tanto que nem me lembro da última vez que alguma incumpriu o tratado.

O tamanho do bicho que ontem se passeava alarvemente em zona restrita, revela que até agora tem cumprido estas regras. E, diga-se, nem é das mais avantajadas. Algumas parecem primas afastadas dos jacarés. Esta insistiu em prevaricar e como primeiro aviso – toda a gente, até uma osga, merece uma segunda oportunidade – foi demovida de prosseguir a caçada à base de mangueirada. Uma espécie de incentivo a procurar insectos noutro lado.

A quantidade destes bichos nestas paragens é assustadora. Serão muito úteis como insecticida natural, mas, como tudo o resto, o que é demais não presta. Embora quase não veja aranhas e as melgas sejam raríssimas, se todos os anos dezenas delas não desvivessem não haveria paredes que chegassem para tanta osga.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Indignaçãozinha selectiva

Ninguém é obrigado a ser coerente. Todos mudamos de ideias e, ao longo da vida, vamos alterando o modo como olhamos para determinados assuntos. Faz parte, sempre assim foi e sempre será enquanto andarmos por cá.

O que me irrita é a indignação selectiva. A de hoje tem a ver com o caso daquela turista que estava a comprar pasteis de nata - na seguríssima capital de um dos mais seguros países do mundo - e levou com um balázio. O autor do disparo, depois de presente a juiz, ficou em liberdade. Afinal, o desgraçado tem de ganhar a vida e maneira como, alegadamente, a ganhará não é compatível com a clausura. De resto, ao que referem algumas fontes, pertencerá até a um selecto e exclusivo grupo de excelsos cidadãos que estarão dispensados de seguir escrupulosamente os ditames da lei.

Houve quem se indignasse com a decisão judicial. Entre eles o presidente da Câmara de Lisboa. Outros indignaram-se com a indignação do Moedas. Os mesmos indignados que condenaram, no momento e ainda antes de conhecerem os contornos da ocorrência, aquele policia que abateu um cavalheiro com antecedentes criminais, que desobedeceu às ordens das autoridades e que resistiu à ordem de detenção. Não é que esta “indignaçãozinha do bem” me surpreenda. Eles estão sempre, mas sempre, do lado do criminoso. É um padrão típico entre uma certa corrente absolutamente minoritária na sociedade, mas amplamente dominante nos média e nas ruas. Ide indignar-vos para o c*****inho, mazé...

terça-feira, 11 de agosto de 2026

A salvação do planeta está no pacote

 


Todos sabemos – a maior parte de nós pelas piores razões – que a União Europeia se preocupa com coisas. Daquelas sem importância nenhuma, nomeadamente. Daí a sua cada vez maior irrelevância no contexto internacional, quando em causa estão as grandes decisões que realmente importam à humanidade.

Num momento de rara sagacidade e de inusitada lucidez, os tipos lá da Europa decidiram proibir a venda de saquetas de açúcar. Daquelas que gajos como eu insistem em usar para adoçar o café. Parece que constituem uma ameaça global para não sei a quê. Deve ser para o ambiente, mas não tenho bem a certeza. As toneladas de pacotes vazios que vão para o lixo todos os dias devem estar a fazer um mal ao planeta que só visto. Muito mais do que a merda de cão espalhada pelas cidades ou as tintas usadas pelos marginais que grafitam as paredes, os comboios e tudo o que mais calhar. Nada disso prejudica o quer que seja. Às tantas ainda se hão-de lembrar de instituir um prémio europeu para o mais vistoso cagalhão do ano - com direito a uma menção honrosa para o cocó que melhor represente a diversidade de género – e outro para o graffiti mais inclusivo, só para garantir que nenhuma minoria se sente excluída da mediocridade europeia.

A maluquice não se fica apenas pelos desgraçados dos pacotes de açúcar. Vai muito mais longe. A perseguição daqueles inúteis estende-se a muitos outros artigos que, no entender dos génios de Bruxelas, devem ser banidos ou reutilizados. E não ficará por aqui. A imaginação destes malucos não conhece limites. A proibição de mais de um par de sapatos e de duas “mudas” de roupa – uma para o verão outra para o inverno – por cidadão, poderão ser os próximos passos. Diz que a roupa e o calçado também causam muita poluição.

domingo, 9 de agosto de 2026

Penduricalhos vermelhos


 

Presumo que a espécie de coisa que escreveu esta bacorada no X não seria nascida por alturas do 25 de Abril. Ou, sendo, ainda andaria de cueiros. No entanto, como comunista assumida, sabe que por aquela época os fachos deviam ter sido pendurados da ponte com o mesmo nome. Não me surpreende. Por essa altura ouvi gente defender a necessidade de pendurar pessoas. Só mudava o local. No caso, seria nos candeeiros que circundam o Rossio cá da terra. Como se trata de um espaço bastante amplo daria para muitos. Praticamente todos, os que por cá havia na altura. Já se fosse para pendurar comunistas, nos dias de hoje, sobrariam muitos candeeiros. E é isso que lhes dói.

Por mim defenderei sempre que estes cagalhotos tenham direito a escrever baboseiras destas e outras piores. Mas isso sou eu, que não ando por aí a bradar contra “discursos de ódio” nem a defender a censura na Internet. Gosto da liberdade, da democracia e de cada um ter a opção política que quiser. Por mais absurda e estúpida que ela seja. Como é o caso desta tal Rute.

De resto, quanto a isso de pendurar o único objecto que me parece adequado para o efeito é o chambaril.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Um chafariz vitima da falta de superstição

 


Estou cansado de perguntar a mim mesmo – sempre achei isto uma expressão parva, mas agora não me apetece apagar – por que raio ninguém deita moedas para este chafariz. Será que nenhum dos muitos turistas, estrangeiros e nacionais, que por aqui deambulam possui um desejo secreto que anseie ver realizado? Noutras terras mal veem um lago, repuxo ou, até, um charco há logo a gente a atirar moedas lá para dentro. Tantas que, às vezes, parece a caixa forte do Tio Patinhas em versão aquática. Aqui não. Há anos que reclamo desta desfeita que os muitos visitantes desta fantástica cidade – ou não fosse a minha - nos fazem. Tanto, que até já senti vontade de me desfazer de cinco cêntimos só para tentar iniciar uma espécie de corrente que levasse mais criaturas a atirar dinheiro para a água. Nenhum desejo, obviamente, se realizaria. A não ser, quiçá, os de quem se fosse abotoando com o graveto, mas ao menos tínhamos um chafariz dos desejos.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Sem pinga de civismo



Sou pouco menos do que abstémio e, talvez por isso, pouco percebo de vinhos. Ainda assim, do parco conhecimento que tenho acerca da matéria, parece-me que o conteúdo que antes preenchia o volume da garrafa não seria, pelo menos a julgar pela informação disponível on-line, propriamente uma zurrapa. Além de ser alentejano, o que só por si já é um sinal de qualidade, é também premium. O que, assim à vista de um leigo, reforça ainda mais as suspeitas quanto à elevada qualidade da pomada.

Com todos estes atributos não será um vinho para ser consumido numa rua mal afamada, por um qualquer bebedolas. Nem, muito menos, para deixar o vasilhame ao Deus dará. Nem, pior que tudo o resto, depois de emborcar a pinga, derramar os resíduos na parede mais a jeito. Até no âmbito da bebedeira há que manter a dignidade. Pelo menos a do vinho.

domingo, 2 de agosto de 2026

Ódio do bem

Vai por aí uma espécie de dor de corno por uns quantos “influenceres” – seja isso o que for – terem sido convidados pelo governo de Israel a visitar aquele país e, de caminho, fazer uma passeata por Gaza. Achava eu que cada um – leia-se cidadão, organização ou Estado – convidava quem lhe apetecia, com a finalidade que muito bem entende e cada qual aceitava ou não o convite, igualmente de acordo com os seus princípios. Caso os tenha, claro. E se não tiver, desde que não prejudique ninguém, não estou a ver que mal venha daí ao mundo. De resto Israel é a única democracia da região e onde existe livre escrutínio ao poder.

Para a generalidade dos portugueses, o facto de uma dúzia de criaturas ter ido passear uns dias àquelas paragens não aquece nem arrefece. É, digamos, para o lado que qualquer pessoa normal dorme melhor. A questão apenas causa azia àqueles, quando muito, dez por cento de nós que vibram entusiasticamente com as causas terroristas e com tudo o que faça a apologia da destruição da nossa civilização. Abrigados, todos eles, debaixo do chapéu da comunicação social. A mesma – e os mesmos, também - que se entusiasmaram com as flotilhas e que engolem sem pudor tudo o que os terroristas e criminosos diversos lhes derramam goela abaixo.

O assunto em si, obviamente, nem vale um post. O que me chateia verdadeiramente é que muitas das barbaridades ditas a propósito disto não sejam rotuladas como o que realmente são. Discurso de ódio. Parece que essa etiqueta mágica só serve quando em causa estão os valores de estimação da esquerda e o autor é alguém de direita. A democracia não é isto e, a continuar assim, um dia vai correr mal. Depois não se queixem.