terça-feira, 19 de maio de 2026

Gente pouco séria

 

Sou pouco dado a essa cena dos euro-festivais. Nunca liguei peva. Mais ou menos como dizia o outro: “Não vejo e não gosto”. No entanto, nos últimos anos a polémica que os activistas criaram em torno daquele circo de aberrações, por causa da participação de Israel, tem tido o efeito de suscitar a minha curiosidade em relação aos resultados. Como seria de esperar, as votações dos diversos públicos nacionais são esmagadormente diferentes das escolhas dos júris das televisões participantes. Um hábito, essa coisa da opinião pública raramente coincidir com a opinião publicada. Gosto sempre de ver a azia que isto de as pessoas votarem provoca às criaturas que se acham donas da razão. Nisto dos festivais e em tudo o resto. Já deviam estar habituados.

Ficámos igualmente a saber que uns jovens, alegadamente membros de uma organização auto-denominada Climáximo, entraram num supermercado e tiraram coisas das prateleiras. Tendo, acto continuo, saindo do referido espaço sem passar pelas caixas. Ou seja, roubaram. Mas isto, claro, sou eu a concluir. Não sei se, para o indivíduo que escrevinhou a noticia, foi o que aconteceu. Anda um pai a criar um filho e os contribuintes a proporcionar educação à borla a uma criatura, para isto… depois admiram-se de ninguém os levar a sério.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Crise?! Qual crise?

 

Diz que os portugueses gastam seiscentos mil euros por dia em injeções para emagrecer. Ao que garante quem sabe destas coisas, são os mais pobres quem mais padece desta enfermidade. Sim, parece que agora ser gordo é uma maleita. Ainda bem. Não, obviamente, por o ser, mas apenas por assim não constituir motivo para chacota. Que, manda o bom senso, das doenças ninguém se atreve a zombar.

Costumo confiar nos números e se eles evidenciam estas realidades não vejo, também neste caso, motivo para duvidar. Parece-me óbvio, assim de repente, que quem compra estes medicamentos serão os obesos. Ricos, remediados e pobres. Prioridades que, naturalmente, não questiono. Até porque, em muitas circunstâncias, trata-se mesmo de um problema de saúde e preservá-la constitui uma prioridade que poucos ousarão negligenciar.

O meu ponto é que, a fazer fé nos valores divulgados na noticia do Público, cada embalagem custará mais de duzentos euros. Sem comparticipação, acrescenta o jornal. A ser verdade, a crise de que tanto se fala não passa de uma falácia. Nada de que eu não ande desconfiado…

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Família: Essa organização estruturalmente qualquer coisa fóbica e ocasionalmente violenta

 

Começo seriamente a dar razão aos gaiatos da organização juvenil do SPD – o equivalente alemão ao PS – que pretendem acabar com a família tal como a conhecemos. Na moção apresentada ao recente congresso do partido, os pequenos Lenines defendem a abolição do casamento civil e o fim dos privilégios legais e fiscais a ele associados. Segundo os prodígios sociológicos da Juventude Social-Democrata alemã, o casamento tradicional aprofunda estruturas patriarcais, limita a liberdade individual e discrimina pessoas que preferem modelos relacionais mais criativos, fluidos e, imagino eu, logisticamente caóticos. Os benefícios fiscais atribuídos aos casais constituem, dizem eles, uma violência fiscal contra quem opta por não viver em relações monogâmicas. O texto vai ainda mais longe e classifica o casamento como um instrumento ao serviço do Estado capitalista para impor políticas “misóginas, queerfóbicas, classicistas e racistas”. Talvez por não frequentarem a catequese, faltou apenas acusarem Santo António de branqueamento heteronormativo.

Pensando bem, talvez tenham razão. Afinal, basta abrir um jornal ou ligar uma televisão para perceber o flagelo civilizacional que a família representa. São famílias que agridem médicos, enfermeiros, polícias e qualquer infeliz que tenha a ousadia de lhes pedir um mínimo de civismo. São famílias que roubam lojas, assaltam idosos, vivem da burla MbWay e outras, traficam droga, exploram mão-de-obra, protagonizam rixas campais e transformam urgências hospitalares em ringues de MMA. Quase sempre famílias. Nunca, curiosamente, “colectivos afectivos de responsabilidade partilhada”. Perante semelhante evidência, torna-se difícil contestar os jovens camaradas alemães. A extinção da família surge não apenas como uma opção política, mas como um imperativo higiénico. Uma espécie de desinfecção social em nome de um futuro melhor, mais inclusivo e, sobretudo, terminologicamente mais sofisticado.

Em alternativa, os Jusos – assim se chama a JS lá do sítio – propõem a criação de uma “comunidade de responsabilidade”. Um modelo contratual mais flexível, garantem, centrado em cuidados de saúde, heranças e apoio mútuo. Um novo modelo social que podia ter como lema “onde vai um, vão todos”, “mexeu com um, mexeu com todos” ou “um por todos e todos por um”. Evidentemente que onde se lê “um”, também se pode ler “uma” ou “ume”, que eu não sou de discriminar ninguém nem quero ser acusado de violência fonética.

Uma ideia magnífica, esta. Qualquer pessoa percebe imediatamente a superioridade moral de uma “comunidade de responsabilidade” face a uma mera família. Desde logo porque ninguém imagina uma comunidade de responsabilidade a invadir urgências hospitalares aos gritos ou a resolver divergências sacando da pistola. Isso são comportamentos retrógrados, próprios da família tradicional. No fundo, talvez esteja aqui o futuro. Acabam-se as famílias, acabam-se automaticamente os crimes cometidos por famílias. É ciência social de vanguarda. Depois disso, suponho que bastará abolir “grupos de jovens” para acabar com a delinquência juvenil e extinguir “comunidades criminosas” para eliminar o crime organizado. A realidade, como se sabe, resolve-se sempre mudando os nomes às coisas.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Xenofobia imobiliária

 

Segundo dados recentemente divulgados, os estrangeiros estão a comprar cada vez menos casas em Portugal. Actualmente apenas cinco por cento das transações realizadas envolvem a compra por não nacionais. Trata-se do valor mais baixo desde dois mil e dezassete e significa, por exclusão de partes, que noventa e cinco por cento é mercado nacional.

Ainda assim os preços continuam a subir como se não houvesse amanhã. Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, seria boa altura para muitos repensarem os argumentos mais usados para justificar a vertiginosa subida dos preços no mercado da habitação. Seja na venda ou no arrendamento. Quando as casas acabam vendidas, a portugueses, por um valor superior ao inicialmente pedido ou, no mercado de arrendamento, surgem ofertas de empresas com propostas do tipo “diga lá quanto é que quer porque temos de arranjar alojamento para uns trabalhadores e não nos importamos de pagar mais do que está a pedir”, não me parece que a culpa, num e noutro caso, seja dos estrangeiros endinheirados.

Como noutras coisas, pode sempre argumentar-se com a ganância de quem vende ou arrenda. Poder, até pode. Contudo, nas mesmas circunstâncias, a esmagadora maioria optará sempre por fazer negócio pelo valor mais elevado. Excepto, talvez, aquela senhora do Bloco de Esquerda que agora se dedicou aos negócios da restauração. Presumo que lá no estabelecimento dela as cervejas e as bifanas sejam a preços muito abaixo da concorrência, servidas com um generoso acompanhamento de coerência ideológica.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

O luxo e o lixo

 

A América – a, ainda, grande potência – ensandeceu. As consequências do wokismo e da resposta dos americanos a essa doença do âmbito mental dificilmente podiam ser outras. Adivinhavam-se há muito tempo. A radicalização política e social daí resultante conduziram à eleição de Trump e de Mamdani para presidente da Câmara de Nova York e, teme-se, não devem ter revelado o fundo poço. Desconfio que, para mal dos nativos e de todos nós, que ainda exista muito mais para escavar. As tropelias do Trump têm, como é óbvio, eco à escala planetária. Afectam toda a gente. As do Mamdani são localizadas. Não as sentimos no bolso e os efeitos de que nos podemos queixar limitam-se aos delírios que provocam nas mentes mais frágeis e nos esquerdistas, passe o pleonasmo.

Ao presidente islamo-comuna que os nova-iorquinos escolheram para lhes desgraçar a vida ocorreu-lhe, para financiar as suas ideias exóticas, criar um imposto sobre as segundas vivendas de luxo. Uma coisa popular, como convém. O BE, à nossa dimensão, defende uma cena parecida, mas tirando a parte do luxo. Podemos até, assim de repente, simpatizar com a medida. O pior é que, já dizia a minha avó, quem precisa nunca deixa de precisar. E, para acudir a todos será necessário ir baixando os padrõezinhos porque, ao contrário do que ensinava o camarada Mao, esta gente prefere dar o peixe do que ensinar a pescar. Aos entusiastas da ideia deixo uma sugestão. Esperem dois anos para ver os resultados…

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Não há almoços grátis

 

É inacreditável a quantidade de pessoas que julgam convictamente ser possível proporcionar todo o tipo de bens e serviços de forma gratuita a toda a gente. Ou, outros ligeiramente menos ingénuos, a uma enorme franja da população que caracterizam como vulnerável. O Estado, no entendimento dessas pessoas, terá essa obrigação.

Obviamente tal não é possível. E, mesmo que assim fosse, rapidamente constataríamos que o sistema, para além de não ser viável, não seria do nosso agrado. Todos os povos que viveram – ou ainda vivem, infelizmente para eles – sob as ditaduras comunistas, onde essas práticas foram experimentadas, sabem disso. Por mim, prefiro um país onde toda a gente tenha rendimentos – do trabalho, capitais ou outros desde que legítimos - que lhes permitam pagar todos os bens e serviços de que necessitem.

A última exigência de gratuitidade vem, outra vez, dos doidinhos do Bloco de Esquerda. Querem, no que estranhamente são secundados por pessoas aparentemente inteligentes, que as refeições escolares sejam inteiramente gratuitas até ao 12º ano. O mais provável é conseguirem levar a ideia avante. Alguém, obviamente, vai pagar que isto não há almoços grátis. Na parte que me toca, já estou habituado. Paguei as dos meus filhos, por que raio não hei-de pagar as dos outros?

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Dar-lhes o desconto...

 

Outra vez. Esta gente já aborrece com as teorias parvas acerca das desigualdades sociais. Andam por aí uns teóricos a teorizar sobre os malefícios das reduções introduzidas nos escalões e taxas do IRS. Tudo porque, argumentam, contribuíram para a diminuição da progressividade do imposto e, com isso, fizeram com que quem ganha mais fique com mais dinheiro. Ou, na verdade, seja ligeiramente menos espoliado pelo Estado. Esqueceram-se foi de dizer que quem ganha menos também beneficiou. Embora isso, por razões facilmente entendíveis, pouco importe para a história que se pretende impingir.

O que esta gente podia era, de uma vez, esclarecer o que pretende. Se, para eles, diminuir – ainda que em valores ridiculamente pequenos – os impostos sobre o trabalho conduz ao aumento das desigualdades, parece-me legitimo concluir, que defendem o seu aumento para as reduzir. Ou seja, quem trabalha tem de governar quem nada faz. E, por mais estranha que possa parecer esta ideia, há quem ache que devem trabalhar ainda mais para os que nada fazem possam ter uma vida o mais igual possível aqueles que têm de moer o coirão.

Mas não se ficam por aqui. Há cada vez mais malucos desses a achar que o Estado deve igualmente ser herdeiro de quem vai batendo a bota. Tudo porque, dizem os patetas, ninguém tem culpa de ter nascido pobre. Lotaria do berço, como lhe chamam os javardotes dos esquerdistas. Gente de bom coração, esta. Chega a ser comovente ver uma legião de alminhas generosas, muito solidárias, sensíveis e sempre prontas a redistribuir riqueza. Dos outros.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Alguns e os outros

Sou, enquanto munícipe, um critico da maneira como as autarquias esturram o dinheiro público. Acho inadmissível - enquanto contribuinte, reitero - que se distribuam subsídios apenas porque sim e que se delapidem os cofres municipais a fazer festas, espectáculos musicais, certames de interesse publico muito duvidoso ou a dar casinhas e outras benesses a quem não quer trabalhar.

Também não nutro especial admiração pelo jornalismo actual. Não se limita a transmitir a noticia e a deixar a sua apreciação para o ouvinte, ler ou telespectador. Insiste em opinar acerca do conteúdo noticioso, transmitindo quase sempre um ponto de vista enviesado e tendencialmente inquinado pelas opções políticas do jornalista. O que revela uma falta de profissionalismo notável.

Isto a propósito da cobertura noticiosa daquele evento “chiquérrimo” no parque Eduardo VII, financiado pela Câmara de Lisboa. Uma vergonha, como diria o outro, que se esturre dinheiro dos impostos numa coisa daquelas. Muito bem a comunicação social quando refere que se trata de usar o “dinheiro de todos em prol de apenas alguns”. É um facto e fez bem em referi-lo. Atendendo ao contexto percebe-se porque o fez. Lamentavelmente nunca o faz noutras circunstâncias. Aquelas, por exemplo, em que todos pagamos em prol dos “alguns” de que a esquerda gosta. O Presidente da Câmara de Loures, entre outros, que o diga.

domingo, 3 de maio de 2026

Guerra no quintal


 

O meu quintal quase parece o Egipto no tempo das sete pragas. São piolhos nas árvores, lagartas nas couves, formigas por todo o lado, pássaros de várias marcas a devorarem tudo o que podem, pulgões nos morangos e bicharocos que nem o Google identifica a alimentarem-se do que lhes estiver mais à mão. Boca ou seja lá o que for, no caso.

A batalha contra todos estes invasores tem sido épica. E prolongada, também. Os resultados, dado que não uso produtos químicos no espaço cultivado, são mais modestos e o extermínio dos inimigos difícil de conseguir. Ou, pelo menos, de os obrigar a bater em retirada.

Contra as lagartas a luta foi corpo a corpo através da técnica do esmagamento, primeiro dos ovos e depois dos bichos. Os pulgões dos morangos estão igualmente controlados. A água com sabão borrifada sobre as plantas tem o miraculoso poder de os eliminar. Ou, pelo menos, afastar durante um tempo. Depois voltam, provavelmente mais limpos e mais irrritados. Pior são os piolhos das árvores. Uma delas foi atacada por uma praga de proporções bíblicas. Não há nada, de base natural, que os mate. A solução foi mesmo cortar os ramos mais infestados para diminuir a dimensão do problema.

Finalmente o Vinicius. Não há nada que demova aquele melro chato de invadir o meu quintal como se isto fosse tudo dele. Anda feito com os mirtilos, as cerejas e os morangos, o patife. Para já a solução é barrar-lhe o caminho. E, antes que surjam teorias acerca da legalidade da coisa, estas redes não são proibidas. Não se destinam à captura dos pássaros, mas apenas à protecção dos frutos.