quinta-feira, 4 de junho de 2026

Os verdadeiros artistas



Gastar dinheiro à tripa forra constitui um dos atributos de quase todos os políticos. Se fosse o dinheiro deles, o que lhe sai do lombo, não viria mal nenhum a mundo. O pior é que não é esse. É o nosso. Aquele que roubam todos os meses ao nosso ordenado, o que nos sacam quando compramos seja o que for ou aqueloutro que nos surripiam quando obtemos algum rendimento de poupanças sobre as quais já tínhamos pago imposto antes de cometermos a irresponsabilidade de não as gastar.

Os governantes, desde o governo à mais pequena junta de freguesia, possuem uma imaginação prodigiosa para fazer evaporar os rios de dinheiro que deságuam nos cofres públicos. As contas bancárias e as estantes dos amigos, se possuíssem o dom da palratória, explicariam isso muito melhor do que eu. Que, diga-se, destas coisas não sei nada. É só o que leio e ouço dizer.

Há quem garanta, por ignorância ou vontade de nos fazer rir, que delapidar dinheiro em cultura não se trata de uma despesa, mas sim de um investimento. Deve ser por isso que o governo resolveu investir nesta área. Só num varão de roupa, considerada arte contemporânea, investiu perto de oitenta mil euros. As fotos do “investimento” estão disponíveis na internet e, mesmo não percebendo nada de moda nem de arte, estou convencido que se arranjava igual e muito mais barato na Vinted.

Entretanto, numa passeata recente, captei a imagem que acompanha o texto. Calculo que este conjunto artístico valha uma fortuna. A esta hora, se calhar, já integra também, tal como o varão de roupa usada, a coleção de arte contemporânea do Estado. A menos que não seja criação do autor certo.

Sem comentários:

Enviar um comentário