domingo, 8 de março de 2026

Agricultura da crise

 

Origem: Wikipédia


Já aqui dei conta em múltiplas ocasiões que o meu quintal exerce um estranho fascínio sobre toda a espécie de fauna. Uma cobra de aspecto ameaçador, um coelho assustado e um pato bravo com o sistema de voo avariado são os exemplos, digamos, mais exóticos. Menos mal que foram exemplares únicos. Nenhum outro de qualquer dessas espécies voltou a aparecer por aqui. 

O mesmo não se pode escrever de gatos e passarada de todas as marcas. Quanto aos primeiros, ao invés de fazerem disto uma coutada de caça, usam-no apenas para arrear o calhau. Os segundos, de dia comem, estragam a agricultura da crise, de noite pernoitam nas árvores, cagam-me o carro e tudo o mais calhar. Depois há toda uma miríade de bicharada – desde lagartas, bichos de conta e outros que a minha ignorância nesta matéria não permite identificar -  que complementam o trabalho dos anteriores. 

Como se tudo isto não fosse já suficientemente desesperante, agora apareceu o Vinicius. Chegou com uma confiança absolutamente desconcertante, o gajo. Tem a mania que é o dono disto tudo. Percorre todo o terreno, espoja-se no chão, esgravata e abre verdadeiras crateras junto às raízes das plantas, o mau-feitio. Um fingido, também. Um destes dias tentei tirar-lhe uma foto e o gajo levantou voo a piar. Deve ter ido fazer queixinhas por violação da privacidade, o raio do melro.

7 comentários:

  1. " O melro, eu conheci-o
    Era negro, brilhante, luzidio
    Madrugador, jovial..."

    Gosto muito deste pássaro, inteligente e com grande sentido protector em relação aos filhotes. Assim o disse Guerra Junqueiro e eu acredito.
    De manhã, ao levantar, fico sempre uns minutos a olhar para a parte que avisto do quintal, da janela do meu quarto. Há sempre um ou dois, junto ao limoeiro a debicar aqui e ali, para descobrir minhocas e levar para as crias, algures num ninho perto de mim. As penas negras, asa de corvo, e o bico amarelo fazem desta espécie de aves uns belos exemplares. Não é fácil apanhá-los quietos, andam sempre a saltitar e, não raras vezes, levantam voo indo pousar nos ramos mais altos do meu limoeiro carregadinho de limões. Adoro melros! Já pardais e outros mais, nem tanto. :)
    Deus me livre se um dia visse por aqui uma cobra. Credo! Apavora-me tudo o que rasteja.
    Bicos-de-conta, brinquei muito com eles lá no nosso quintal no Alentejo. Tocava-lhes e, de imediato, eles se transformavam em bolinhas, então com o dedo médio e o polegar dava-lhes um piparote e lá iam eles para longe...Crueldade infantil. :(

    Boa semana!

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    1. Não gosto do Vinicius. Para além destes estragos todos quando chegar a altura das cerejas come-as todas! Por todas entenda-se as cinco ou seis que a cerejeira produz...

      Cumprimentos

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    2. Apesar de todos os estragos feitos pelo atrevido melro e já aqui relatados por si, poderia jurar que bem lá fundo do seu coração, deve haver um cantinho onde guarda alguma afeição pelo passarão...pois se o batizou!
      A não ser que seja algum ressentimento que tem contra o '...de Moraes'.
      Será? Algo me diz o contrário, mas que sei eu, né??

      Continuação de dias soalheiros. :)

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  2. Também por cá. Acho que a máquina funciona melhor que o velho espantalho.

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    1. O que funcionaria mesmo bem seria uma pressão de ar...mas mesmo que a tivesse com a minha falta de pontaria não lhe acertava. Já na tropa nem uma bala era capaz de acertar no alvo...

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  3. Estás tramado ou terás mel.Gosto muito dos melros e passarada mas há muitos que fazem das deles e num ápice adeus agricultura mas desculpa fizeste-me rir:)))
    Beijos e um bom dia

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    1. Estamos a tentar um metodo alternativo para tentar controlar os estragos. Vamos optar por vasos e garrafões, como já publiquei aqui há tempos. Pelo menos os rastejantes já não podem atacar e para a passarada também fica mais dificil.

      Cumprimentos

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