quinta-feira, 19 de março de 2026

Não é a guerra, é a ganância.

 As noticias hoje em dia circulam a uma velocidade espantosa. Sendo o mundo uma aldeia grande, não espanta por aí além que assim seja. Nem, estando isto tudo ligado, que escavacar uns quantos poços de petróleo provoque um problema no mundo inteiro. E se o mundo inteiro tem um problema – na verdade até tem muitos – nós, apesar dos milhares de quilómetros que nos separam das explosões, também temos. 

O que me causa estranheza não são as chatices chegarem cá. É chegarem tão depressa.  E com efeitos com efeitos retroactivos, o que ainda é mais extraordinário.  Os combustíveis, por exemplo.  Ainda mal o magala especializado na especialidade tinha apertado  o botão do mecanismo que lança os misseis,  já os preços estavam a subir. Isto apesar de terem sido comprados quando ainda eram todos amigos e o Trump nem tinha sonhado em tomar conta do sitio famoso pelos tapetes. 

Noutros tempos as noticias chegavam primeiro às cidades. Na actualidade, para o bem e para o mal, já assim não é. Tanto que as noticias chegaram igualmente velozes às aldeias e aos campos agrícolas. As consequências de uma guerra longínqua, também e os efeitos nos preços fizeram-se sentir de imediato. Coisa que, sabe-se, acontece quase sempre que uma querela resvala para a luta armada. Curiosamente, quando a paz é restabelecida raramente os preços entram em queda. Vá lá saber-se porquê. Ou melhor, nós sabemos que não é a guerra. É a ganância. 

Lá mais para o Verão vão chegar as beldroegas. No ano passado eram vendidas a dois euros no mercado cá do burgo. Um roubo, como se percebe. Este ano, estou mortinho por ouvir a explicação criativa que há de justificar os três ou quatro euros. Talvez um conflito internacional no setor das ervas daninhas ou uma instabilidade dramática no mercado global do refogado. Imaginação não lhes faltará. Falta-lhes só a vergonha, que essa, como certos preços, raramente desce.

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