sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O insulto inclusivo

Todos os dias aprendemos qualquer coisa. E nisto da aprendizagem, nomeadamente no âmbito do insulto, os últimos foram particularmente férteis. Aprendi muito, confesso. Cuidava eu, mas ninguém me manda ser ignorante em matérias insultuosas, que chamar “filho da puta” a outra pessoa constitui uma das maiores ofensas que se dirige a outrém. Esta ou outra qualquer que envolva a progenitora do interlocutor que pretendemos insultar.

Só que não. Estava, para meu enorme espanto, redondamente equivocado. Afinal, berrar isso nas trombas de alguém não é ofensivo. Ao que tiveram a paciência de me explicar trata-se, pelo contrário, de algo que pode não se gostar de ouvir, mas que não entra no conceito de ofensa, discriminação ou o que seja. Logo perfeitamente admissível de utilização quando pretendemos aborrecer alguém. É até, garantiram-me, uma expressão bastante inclusiva, dado que mãe todos têm. 

Como bom casmurro, ousei retorquir que a expressão em causa envolve algum tipo de discriminação por mencionar a alusão a uma actividade que, apesar da senhora em causa provavelmente não praticar, não é especialmente considerada pela generalidade das pessoas e que poucos apreciarão que a respectiva mãe pratique. Mais uma vez estava enganado, mas achei melhor não aprofundar o assunto. Desconfiei que estava a um passo de ficar a saber o quanto muitos se orgulham das práticas sexuais, enquanto prestadora de serviços, da mulher que os trouxe ao mundo. 

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