Sempre houve quem soubesse lucrar com a desgraça alheia. É por isso que o vendedor de lenços sorri quando todos choram. Faz parte da vida, como diria aquele português que fugiu do pântano que ele próprio criou e ajudou a transformar a ONU na inutilidade falida que é hoje. Sempre assim foi, sempre assim será.
Intolerável é que, numa situação de calamidade como a que atravessamos, existam criaturas — bestas, é o termo mais adequado — que deliberadamente prejudicam toda a comunidade. O roubo de bens essenciais ao restabelecimento da frágil normalidade de centenas de milhares de pessoas é inaceitável. Quem rouba gasóleo e cabos eléctricos, indispensáveis para levar água e energia a populações já privadas do básico, abdica do direito a ser considerado gente.
As televisões estão, e bem, a cair em cima dos ministros que proferiram uma sucessão de alarvidades. As criaturas estavam mesmo a pedi-las. Também me parece meritório mostrar que os estrangeiros que vivem entre nós foram igualmente vítimas do temporal e que outros estão a ajudar, como podem, na recuperação das casas. Afinal, estamos todos no mesmo barco. Excepto uns quantos electricistas alegadamente suecos, igualmente especializados em combustíveis fósseis.
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