Destas cenas carnavalescas percebo pouco. Nada, mesmo. Tirando aquela parte das gajas nuas, das trapalhadas previsíveis e das piadas de qualidade duvidosa que costumam assinalar a época, sou, digamos, um perfeito analfabeto em tudo o resto que envolva o culto ao Rei Momo. Talvez seja essa ignorância que me impede de lhe prestar vassalagem. Ou então é só falta de jeito. Ou de paciência. Enfim, pouco importa.
Isso, ainda assim, não me impede de nutrir uma profunda admiração pelos seus súbditos. Especialmente por todos aqueles que aproveitam a ocasião para fazer figuras tristes em público. Coisa que exige coragem, treino e uma autoestima à prova de bala. E, sobretudo, por aquelas que, apesar do frio de rachar e do bom senso implorar por um casaco se despem de preconceitos e de outros agasalhos para, enfrentando estoicamente o rigor do inverno, desfilarem pelas ruas nos corsos de Carnaval. Aquilo não é para todos. É preciso fibra. E hipotermia controlada. Um grande bem-haja para essa malta, que sofre para nosso entretenimento.

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