terça-feira, 12 de maio de 2026

Xenofobia imobiliária

 

Segundo dados recentemente divulgados, os estrangeiros estão a comprar cada vez menos casas em Portugal. Actualmente apenas cinco por cento das transações realizadas envolvem a compra por não nacionais. Trata-se do valor mais baixo desde dois mil e dezassete e significa, por exclusão de partes, que noventa e cinco por cento é mercado nacional.

Ainda assim os preços continuam a subir como se não houvesse amanhã. Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, seria boa altura para muitos repensarem os argumentos mais usados para justificar a vertiginosa subida dos preços no mercado da habitação. Seja na venda ou no arrendamento. Quando as casas acabam vendidas, a portugueses, por um valor superior ao inicialmente pedido ou, no mercado de arrendamento, surgem ofertas de empresas com propostas do tipo “diga lá quanto é que quer porque temos de arranjar alojamento para uns trabalhadores e não nos importamos de pagar mais do que está a pedir”, não me parece que a culpa, num e noutro caso, seja dos estrangeiros endinheirados.

Como noutras coisas, pode sempre argumentar-se com a ganância de quem vende ou arrenda. Poder, até pode. Contudo, nas mesmas circunstâncias, a esmagadora maioria optará sempre por fazer negócio pelo valor mais elevado. Excepto, talvez, aquela senhora do Bloco de Esquerda que agora se dedicou aos negócios da restauração. Presumo que lá no estabelecimento dela as cervejas e as bifanas sejam a preços muito abaixo da concorrência, servidas com um generoso acompanhamento de coerência ideológica.

Sem comentários:

Enviar um comentário