sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dar a volta ao Volta


Diz que aquilo do “Volta” está a correr bem. A adesão por parte dos consumidores tem superado todas as expectativas e o número de embalagens devolvidas – garrafas e latas, por enquanto – são para lá de muitos. Muitíssimos, mesmo. Coisa que deixou o manda chuva que administra a organização manifestamente surpreendido, ao que confessou publicamente quando divulgou os resultados do primeiro mês de existência deste novo sistema de extorsão aos consumidores.

Por mim, que me fartei de reclamar desta ideia, dou a mão à palmatória. Até porque, ao que me garante quem vê, haverá famílias – ou grupos, a doutrina linguística divide-se quanto a isso – que passarão o dia junto às maquinetas dos supermercados a reciclar aqueles recipientes. Bebem muito, eles. Foi, assim de repente, o que me ocorreu. Mas não. Garantiu-me quem assiste a estas cenas que terão engendrado um esquema que lhes permite meter, tirar e voltar a introduzir na traquitana, vezes sem conta, a mesma embalagem até se aborrecerem. Ou, quiçá, considerarem que o valor do vale já valeu o esforço.

A ser verdade – e não tenho razão nenhuma para duvidar dos relatos que tenho ouvido – acho genial. Um exemplo de empreendedorismo a ser replicado, diria. Ou, parafraseando a minha sábia avó, para esperto, esperto e meio. Afinal, isto é tudo uma questão de guito. E de guita, também.

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