Não vale a pena. Podem fazer o que quiserem. Cartazes, campanhas, colocar disponibilizadores de sacos em cada esquina ou o que mais calhar. Nada vai resultar. As pessoinhas interiorizaram que o seu canito pode arrear o calhau onde a natureza o exigir e que os demais têm obrigação de aceitar isso.
Toda a gente se acha no direito de ter um cão. Mesmo que habite num T1 sem varanda e o bicho seja um pastor alemão. Noutros tempos, alguém que fizesse essa opção de vida teria de pagar uma taxa de um valor relativamente simpático. Hoje, se pagar, paga uma ridicularia. Daí que, actualmente, a quantidade de cães – e, também, de gatos – assuma proporções bíblicas. Já falta pouco para o país atingir a proporção de um animal doméstico por contribuinte líquido, o que talvez explique muita coisa sobre o estado das contas públicas e o cheiro de certos passeios.
Tudo isto tem um custo. A limpeza do espaço público não se faz de borla e a manutenção dos canis municipais, lotados de cães abandonados e que têm de ser alimentados até desviverem, também não. Mais uma consequência, para os contribuintes, da fantástica governação da geringonça de que uma minoria ainda tem saudades. Parece-me óbvio que, não fossem os tais prostitutos políticos de que fala o outro, há muito teria sido lançado um imposto a sério sobre a posse de animais domésticos em meio urbano. É que fazer alojamento para a canzoada custa entre trezentos mil e quase dois milhões de euros. Ou seja, muito IMI. Até de quem não tem cão.

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