É enternecedora a preocupação que certas pessoas demonstram pelos pobres. Dá gosto ver e toca fundo até nos corações mais empedernidos. A mim comove-me sempre ouvir falar de vulneráveis, de gente que não dispõe de competências para gerir financeiramente a sua vida, da importância dos apoios sociais e, modo geral do Estado-Social, no combate à desigualdade e para tornar a sociedade mais justa. Um discurso bonito e que, confesso a minha lamechice, quase me faz verter uma lágrima. Tenho-o ouvido com frequência sempre que, pelo menos desde 2012, me insurjo contra o saque fiscal que se abate sobre o rendimento de quem trabalha, investe ou tem alguma coisa de seu. Nomeadamente para contrariar e reprovar a minha ambição de ver o magro estipêndio que aufiro, aliviado da gula tributária que lhe devora uma parcela significativa.
Agora, que finalmente parece ir haver uma redução de impostos sobre os financiadores disto tudo, estou mortinho por ouvir essas almas caridosas perorar acerca desta magnânima intenção do governo de me deixar ficar com mais umas centenas de euros no bolso. Será, estou preparado para ouvir e ler, reveladora de uma infinita genialidade na arte de bem governar pois, apesar de cortar na carga fiscal sobre os salários, ainda aumenta os tais apoios sociais, dirão os indefetíveis do regime. Isto porque, em contrapartida, vão aumentar – e muito – os impostos indirectos. Os tais impostos cegos que mais prejudicam quem menos tem, recordo-me de ouvir dizer para justificar o IRS elevado. Por mim, que sempre defendi essa opção, não me vou queixar do aumento destes tributos. Nem, sequer, quando pagar muito mais IUC de um carro com vinte anos para financiar o desconto das portagens onde não passo, aos donos dos “Teslas” acabadinhos de sair do stand.
Os apoios sociais estão muito, mas muito mal distribuidos o que para mim é meio caminho andado para a vigarice!
ResponderEliminarBeijos e um bom fim de semana
O chamado "apoio social" é por si só uma vigarice. Talvez um dia alguém se dê ao trabalho de fazer as contas a quanto custa um gabinete de apoio social de um qualquer organismo e de seguida comparar com os "apoios" que chegam às pessoas...se a relação chegar aos 50 - 50 já será um sucesso estrondoso. Duvido é que chegue, sequer, perto disso.
ResponderEliminarCumprimentos