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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Habituem-se...

A comunicação social em Portugal – se calhar nos outros países também – devia ser objecto de estudo. O tempo de antena ocupado com declarações dos lideres de partidos absolutamente insignificantes e a quantidade de comentadores que lhes são afectos é desproporcional face à sua representação eleitoral. Quem os ouve falar há-de pensar que foram essas forças políticas, meramente residuais na sociedade e no parlamento, que ganharam as eleições. Têm, obviamente, todo o direito a questionar as opções de quem governa. Era o que mais faltava que não tivessem. Não têm é legitimidade – nem eles nem os comentadores que vestem essas camisolas – de pretender impor a sua vontade à maioria dos portugueses. Quem ganhou governa. Isso inclui, parece-me, implementar as ideias em que se acredita. É, afinal, para isso que pagamos aos políticos. Não gostam? Temos pena. As maiorias são o que são, duram o tempo que tiverem de durar e quando acabarem escolhem-se outros que constituam outras maiorias. Nem sempre são aquelas que, individualmente, nós gostamos, mas isso é a vida. Há cinquenta anos que é assim. É a democracia, ou lá o que é.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Promissorium...

Havendo dinheiro dos contribuintes para gastar é normal que os políticos o gastem com o que mais agrada à maioria dos eleitores. Pelo menos aquilo que eles acham que é a maioria. Ou seja, aquela malta que lhes dá palmadinhas nas costas. A mesma que, seja quem for que ganhe as eleições, está sempre do lado de quem governa. Gente com uns principios de vida bastante dinâmicos, chamemos-lhe assim. Mesmo que desse “investimento”, como eles gostam de chamar ao derramar de recursos financeiros em actividades que se esgotam no imediato, nada resulte no bem estar futuro das populações. Os contribuintes, por sua vez, também pouco se importam com o destino do dinheiro que, embora sendo seu, não chega a entrar nos seus bolsos. Muitos não dão conta disso e bastantes mais nem têm conhecimento que existe uma coisa chamada impostos. Daí que pouco lhes importe a maneira como é esturrado o guito dos outros.


É esta ignorância generalizada de uns e outros – diria, até, uma burrice vaidosa – que nos permitirá assistir, à medida que se for aproximando o período eleitoral autárquico, a um desfile de promessas eleitorais absolutamente estapafúrdias. Embora não faça parte do grupo de pessoas que, desinteressadamente, gostam de fazer coisas pelas respectivas terras, também tenho algumas ideias que melhorariam significativamente a vida das populações, mas não vou estar para aqui a dar palpites acerca disso. Há quem tenha a infeliz tendência para me levar a sério e algum putativo candidato que por aqui apareça ainda aproveita. O que, a verificar-se, seria uma chatice. Não ganhava as eleições.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Maior a prenda do que a chaminé

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Já todos tivemos, numa ou noutra situação, motivos para nos queixarmos da entrega de algum item que tenhamos comprado. Faz parte daquelas inevitabilidades a que não podemos escapar. Tal como a morte, os impostos ou Sporting mudar de treinador por alturas do Natal. Neste caso – ainda que pouco provável - pode ter sido o tipo da transportadora que, num inusitado gesto de boa vontade natalícia, deixou a encomenda no local onde o cliente lhe terá pedido. No entanto, estando a embalagem onde está, admito que a ocorrência se deva à pouca habilidade para o desempenho da função por parte de um Pai Natal estagiário que perdeu o objecto quando sobrevoou a área. Parece-me o mais verossímil. Até porque, como todos sabemos, seja qual for a circunstância a culpa é sempre do estagiário. Ou então - vá, também admito - ficou no telhado por não caber na chaminé.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Saudinha

Hoje, por culpa da actualização das comparticipações, a ADSE voltou a ser noticia. Coisa que, como sempre, suscitou a eterna discussão acerca dos privilégios dos seus utentes e da alegada discriminação de que se sentem vitimas todos os outros. Cada um sabe de si. Por mim sei é que a maioria dos jovens que entram para a função pública, nomeadamente os que auferem um vencimento um pouco melhor, não se inscrevem nesse subsistema de saúde. Eles lá saberão porquê. Mesmo quem opta por se inscrever, tirará algum partido das consultas, próteses ou meios auxiliares de diagnóstico. No resto, caso tenha uma daquelas chatices mesmo chatas, ou tem dinheiro – e muito - para se “chegar à frente” ou terá de ir para o SNS como qualquer outro comum dos mortais que não foi ungido pela sorte de ser funcionário público. Não há, nessas circunstâncias, ADSE que lhe valha.


Outra vantagem muito apreciada deste sistema são os chamados convencionados. Por uma consulta de especialidade pagava-se, da última vez que recorri a uma, cinco ou seis euros. Ou sou eu que tenho azar ou não vale a pena. Numa, de oftalmologia, não demorei mais de cinco minutos. Tempo suficiente para fazer a graduação e o médico passar a receita. Noutra, perante a manifesta vontade do jovem médico me despachar, tratei de descrever exaustiva e repetidamente os meus sintomas, aproveitando inclusivamente para nomear outras maleitas passadas e questionar sobre ligações entre elas que até a mim pareciam absurdas. Foi com muito esforço que consegui permanecer no consultório dez minutos mal contados. Apenas, acho eu, porque o rapazola teve alguma consideração por eu ter idade para ser pai dele. Claro que, em ambos os casos, acabei por consultar outro clínico e, desde aí, consulta dessa natureza apenas se conhecer o médico ou me for recomendado por quem o conheça.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Ladroagem altruista

Para muita gente todos os problemas se resolvem com impostos. Especialmente se o âmbito da tributação não os afectar. Desde que calhe a outros pagar o seu bem-estar, vivem num mundo – ou país, no caso – do mais perfeito que há. Daí que todos os anos, por altura da discussão do orçamento do Estado, surjam ideias até mais não para tornar tudo e mais alguma coisa inteiramente grátis e atribuir subsídios a tudo e a todos. A todos é como quem diz, aos potenciais eleitores que podem ficar felizes com a benesse generosamente atribuída com o dinheiro de outros tantos infelizes que a terão de pagar. Isto porque o Estado não gera riqueza, não tem recursos próprios e para ser generoso para com uns tem de saquear outros. O OE do próximo ano não vai fugir à regra. Esperem-lhe pela pancada. Ao que se anuncia, para além de todas as que já foram magnanimamente distribuídas pelo governo, o bodo aos pobres irá continuar a bom ritmo. Mas, há que reconhecer, é disto que o povo gosta. Depois não se queixem da inoperacionalidade de quase tudo o que são serviços públicos nem dos impostos, taxas, taxinhas e outros tributos que têm de pagar. Só por respirar, quase.

domingo, 7 de julho de 2024

Sujidadezinha da boa...

Quando era gaiato gostava, tal como a restante gaiatagem, de chapinhar nas poças de água. Para além de molhados ficávamos com a fatiota salpicada de lama. Coisa que colocava as respectivas mães à beira de um ataque de nervos, face à escassez de indumentárias alternativas e que, não raras vezes, levava a que nos chegassem a roupa ao pêlo como forma de castigo e de dissuasão desta prática.


As crianças de hoje, acho eu, não se dedicam as estas actividades. Ou poucas terão, sequer, oportunidade para tal. Em contrapartida os adultos até pagam para se sujarem. A infantilização da sociedade leva a estas idiotices. Por mim, estou como dizia a minha avó, cada um diverte-se como quer e pode. Mesmo aquelas velhas que, no tempo em que eram novas, malhavam os filhos quando apareciam a casa com a roupa suja por divertirem a pular na lama e que agora acham o máximo ficarem, elas próprias, todas borradas por pozinhos coloridos. Ou outras não tão velhas que igualmente apreciam essas “corridas coloridas”, mas que se indignam muito com o pó provocado pelo vizinho que precisa de cortar uns azulejos para as obras que tem em casa.


Continuar a ser criança aos vinte, quarenta ou setenta anos é uma forma de vida muito legitima. Que muitas autarquias do país, com o dinheiro dos contribuintes, proporcionem aos seus eleitores essa oportunidade, também. Não tem mal nenhum. É para o lado que durmo melhor. E eu durmo igualmente bem para todos os outros. Mas também é legitimo que ache estas cenas uma realíssima parvoíce. Tenho, legitimamente, esse direito.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Habitação: Um negócio sem risco... para o Estado.

Nisto da habitação não há soluções fáceis. Se houvesse, há muito que tinham sido encontradas em países onde o problema é idêntico e a capacidade para resolver situações difíceis é muito maior. Daí que, para disfarçar, a oposição de hoje culpe os governantes actuais e demais partidos que os têm sustentado no poder, e estes atribuam a responsabilidade a quem os antecedeu. Mesmo que uns já lá estejam há oito anos – vai para nove – e os outros de lá tenham saído há igual período.


Há quem insista pretender em baixar o preço das casas por decreto, seja na venda ou no arrendamento. Esqueçam lá isso. Não resulta. Se outra razão não houver, setenta por cento da população ser proprietária de imóveis parece-me constituir motivo mais do que suficiente para augurar um futuro pouco risonho a quem tente concretizar tamanho disparate. Os teóricos da intervenção do Estado nos bens dos outros, que experimentem fazer obras de recuperação num imóvel de que sejam donos. De outra maneira nunca entenderão. É que isto é muito fácil falar dos preços especulativos das rendas, mas ninguém se lembra do custo não menos especulativo da mão-de-obra, dos materiais, das taxinhas, dos projectos e de um sem número de despesas que envolvem uma obra. Como se isso não fosse suficiente, no final, ainda aparece o Estado. Torna-se sócio no negócio, ao "abotoar-se" com quase um terço do rendimento gerado, sem que para além de atrapalhar tenha feito algo de útil ou investido um cêntimo.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Beneficiar o infrator

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Por que carga de água é que a posse – ou a tutoria, vá – de animais de estimação dá direito a benefícios fiscais?! Nomeadamente no IRS. Além de alimentação dos bichos, se adquirida através de associações protectoras da bicharada, beneficiar de isenção de iva. Deve ser para depois fazerem – os donos, que a canzoada não tem culpa – javardices destas à porta dos outros. Que, lamentavelmente, ficam sempre impunes. Numa altura em que – e bem - se quantificam as despesas que decorreriam do aumento das pensões, da redução dos impostos sobre o trabalho e de outras medidas destinadas às pessoas ignoram-se todos os custos derivados da alucinação colectiva pelos animais de estimação. O que é pena. Pois se alguém um dia fizer as contas aos “investimentos” das autarquias em parques caninos, taxas de registo e licenciamento não pagas, benefícios fiscais e custos ambientais associados à inusitada proliferação desta bicheza nos centros urbanos terá uma desagradável surpresa.


Se calhar sou só eu que reparo nestas coisas, mas é impressão minha ou são apenas os cidadãos “brancos” que são afectados por esta maluqueira da adoração pelos animais? É que nunca vi um negro ou um asiático a passear um cão…

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Ide mas é pinar, ou isso.

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Malucas. O meu bairro está cheio de malucas. Não sei que outro nome dê às gajas – sim, que esta maluqueira pelos animais afecta principalmente as gajas – que alimentam os gatos vadios que por aqui vão aparecendo. Não tenho nada contra que aquelas fulanas matem a fome ao bicho. Podiam – e deviam – era fazer isso no recôndito do seu lar. Aí não incomodavam ninguém nem eu lhes chamava nomes. Alimentá-los na rua leva a que os bichanos vagueiem pelas imediações e, como lhes fica mesmo à mão, vão tratar de aliviar a tripa ao meu quintal. O que é uma coisa que me aborrece. Não gosto, estou farto de recolher merda de gato e,  principalmente, não tenho de aturar as consequências dos comportamentos desviantes daquelas senhoras. Podiam, já que pelos vistos lhes sobra tempo, fazer outras cenas menos incomodativas. Ir dar pinotes para a academia sénior, ou isso.

sábado, 19 de agosto de 2023

De ir às lágrimas...

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1 – Pois tem. O cultivo da cebola e de tudo o resto. Desde que deixou de ser necessário trabalhar para angariar o sustento e o Estado passou a garantir a subsistência de toda a gente, cultivar seja o que fôr deixou de ser uma actividade interessante do ponto de vista económico. Pelo menos enquanto metade dos portugueses conseguirem alimentar a outra metade.


2 – A discussão sobre os impostos, nomeadamente o IRS, não suscita o interesse da opinião pública. Grande parte não paga e entre os pagantes a maioria não percebe patavina do assunto. Há também os idiotas úteis. Aqueles que garantem que reduzir os impostos colocaria em causa o estado social. Um argumento tão estúpido e risível que até eles desmontam quando repetem vezes sem conta que Passos Coelho foi o autor da maior subida de impostos de todo o sempre e, também, o carrasco do estado social.


3 – Há, ainda, os que reiteradamente enchem a boca com os “mais vulneráveis” que pouco, ou nada, beneficiam de uma redução do IRS. Para esses já nem tenho paciência. Quando, por causa do esbulho fiscal, a esmagadora maioria dos jovens qualificados emigrarem, a economia paralela cresça desmesuradamente e mais gente ponha o dinheiro ao largo talvez percebam que os seus queridos “vulneráveis” sempre ganham alguma coisa se os que contribuem para manter a sua vidinha de vulnerável pagarem  menos.

terça-feira, 11 de julho de 2023

Então quem mais há-de pagar a ADSE?!

“É injusto que sejam apenas os beneficiários a suportar a ADSE”, proclama um conhecido economista ligado ao PCP, muito apreciado entre a camaradagem e, julgo, com um cargo qualquer naquele Instituto. Sou beneficiário da ADSE e em muitas ocasiões aqui e noutros sítios me insurgi contra discursos que, para além de uma inveja completamente despropositada, apenas revelam desconhecimento do que é hoje e como funciona aquele organismo. Mas opiniões destas não têm defesa possível. Obviamente que faz todo o sentido que sejam os utilizadores a suportar aquilo. O que não faz sentido nenhum é existirem muitos beneficiários isentos de contribuição. Igualmente inconcebível é a impossibilidade do valor descontado no vencimento ser deduzido no IRS, à semelhança do que acontece com os seguros de saúde. E, por mais que alguns não percebam, é isso que é a ADSE. Um seguro de saúde, caro e fraquinho.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Mulheres de armas

Sou do tempo em que eram raras as mulheres em cargos governativos. Tão poucas que havia quem jurasse por todos os santinhos – nomeadamente Marx, Lenine e outros – que se as mulheres mandassem no mundo existiriam muito menos guerras. Para os mais optimistas – ou feministas, dependendo do ponto de vista – quiçá até acabassem as querelas a envolver meios bélicos e a paz reinasse no mundo. Nunca, como agora, existiram tantas mulheres no poder. Bastantes, por acaso ou não, no cargo de ministras da Defesa. As guerras, no entanto, são mais que muitas. Será apenas coincidência, que não sou gajo muito dado a teorias da conspiração. A única teoria que cai por terra é a dos visionários cheios de certezas quanto ao pacifismo feminino e à capacidade das mulheres em resolver as divergências através do diálogo.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Pairam sombras sobre os direitos da mulheres

“As forças de direita estão à espreita nas sombras para retirar direitos às mulheres”, escreve hoje num jornal uma criatura com as ideias notoriamente afectadas por um problema qualquer para o qual apenas a medicina terá explicação. Não é a única. Pelo contrário, essa é uma tese muito popular à esquerda.


Não vai ser preciso a direita sair da sombra ou chegar ao poder para as mulheres verem regredir os seus direitos e a sua liberdade limitada ou colocada em causa. A substituição da população local por outra, com outras regras e outros princípios de vida, tratarão do assunto. As mulheres residentes nalgumas localidades do sudoeste alentejano explicam isso melhor do que eu.


Obviamente que o país precisa da imigração e, seguramente, ainda haverá trabalho para muitos mais. Mas a esquerda apenas quer alguns. Nomeadamente aqueles que são oriundos de países onde as mulheres não têm direitos. Aos americanos, suecos, franceses e ocidentais em geral, a esquerda quer fechar a porta. Às claras. Sem ponta de vergonha na puta da cara. Se querem encher o país de gente para quem a mulher é um ser inferior, sem direitos, estão à espera do quê? Depois a culpa é da direita...isto é com cada maluca!

sexta-feira, 24 de março de 2023

Invejas, ovos e aldrabices

1 – O pessoal de extrema-esquerda – que é como quem diz BE, PCP e outros esquerdalhos onde incluo muitos PS’s - quer ver a Europa a arder. Não é que acreditem que possa surgir algo melhor das cinzas, mas porque a sua ideologia se baseia no ódio e na inveja e nada causa mais incomodo do que ver que a região mais bem sucedida do mundo é capitalista e ocidental.


2 – Ovos de chocolate, mesmo de proporções assinaláveis, a dezoito euros no Continente – nos outros provavelmente também, que os merceeiros não são parvos – constituem motivo suficiente para indignação de muita gente. Injustificada, obviamente. É só não comprar. De resto, se mal pergunto, qual a necessidade de adquirir uma coisa daquelas?


3 – Segundo o PowerPoint do governo a anunciar as medidas de mitigação da crise inflacionária, em resultado do aumento de oitenta cêntimos diários no subsidio de refeição os funcionários públicos terão um acréscimo de dezoito euros mensais. Ou, nas contas mais detalhadas, dezassete euros e sessenta. O que corresponde a vinte e dois dias de trabalho. Situação que apenas ocorrerá em Agosto, se não tiver dias de férias para descontar. Não é que tenha especial significado, mas nem nestas pequenas coisas conseguem perder o hábito de mentir, deturpar e, em suma, ludibriar o pagode.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Rede?! Qual rede?!

“António Costa alimentou rede clientelar que existe nos municípios”, diz hoje a capa de um jornal. Assim, sem mais nem menos. Desconfio da noticia. Primeiro porque me parece demasiado descaramento admitir convictamente a existência de uma rede clientelar nos municípios e, segundo, mas tão descarado quanto o anterior, que António Costa a tenha alimentado.


Tudo “fake news”, quase de certeza. Os municípios não alimentam clientelas. Muito menos em rede. Basta cada um dos cinco leitores do Kruzes pensar no seu próprio município e rapidamente concluirá que, na sua terra, não existe nem nunca existiu nada disso. Pode é admitir, quando muito, que esporadicamente lá para o norte ocorrerá um outro caso. Nunca confirmado, apesar de tudo. Também quanto à alimentação que António Costa terá feito a esta rede inexistente, a noticia parece manifestamente exagerada. Com uma pança daquelas, o mais provável é o alimento – a existir, sublinho -  ter ficado todo para ele.


Embora nada tenha a ver com o assunto, ocorreu-me agora que a maioria dos autarcas, ex-autarcas e outros que não sendo autarcas fazem parte do “métier” tem uma estranha tendência para ostentar uma zona abdominal bastante saliente. Alguns até terão sérias dificuldade em lobrigar a biqueira dos sapatos. Deve ser coincidência. Ou da alimentação.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

E reduzir o financiamento das autarquias com gastos excessivos, não?!

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A imaginação dos autarcas, no que a esturrar dinheiro diz respeito, não conhece limites. E nem falo dos legais, que esses não são a minha “praia”, prefiro focar-me nos outros. Naqueles limites que desafiam a imaginação mais delirante e naquelas ideias que me deixam com inveja de não ter sido eu a tê-las primeiro.


Tirando um autarca – ou um maluco, vá – não estou, assim de repente, a ver quem se ia lembrar de derreter mais de cento e oitenta mil euros a contratar uma empresa para prestar “serviços de criação artística de uma exposição diferenciada, capaz de traduzir os sentimentos e emoções vividas durante os tempos da ditadura em contraponto com a alegria desmedida e euforia transbordante vivida durante e no pós 25 de Abril”. A exigência, reconheço, é enorme. Tão grande como a loucura e a falta de tacto da criatura a quem ocorreu a ideia. Se a empresa em causa conseguir realizar um serviço de acordo com o pretendido, será merecedora de cada euro que os contribuintes os autarcas vão pagar. Ou então, não. O trabalhinho é para uma Câmara comunista e, como todos sabemos, essa malta entusiasma-se facilmente com os temas propostos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Inquietação nacional...

Tenho manifesta dificuldade em entender esta constante e generalizada preocupação com o salário mínimo. Se já assim era quando – para não dizer antes – o seu valor se situava nos quatrocentos e quinze euros, provavelmente seria tempo de percebermos que, se após setenta por cento de aumento continuamos com o mesmo problema, a solução não estará no valor que se paga pelo SMN. Parece-me evidente – e já aqui o escrevi em múltiplas ocasiões – que podem aumentar o que quiserem. Para cinco mil euros por mês, se lhes parecer bem, mas tudo permanecerá igual e o SMN continuará a valer o mesmo que valia quando o seu valor eram os tais quatrocentos e quinze euros.


O constante aumento do SMN não tem, como está amplamente demonstrado, produzido qualquer efeito no poder de compra de quem o aufere. Serve apenas, quando muito, para melhorar as contas da Segurança Social. Tem, isso sim, servido para desvalorizar os vencimentos acima. Quem governa, sustentado pela opinião pública e por quase todos os sábios especialistas na especialidade, acha que este é o caminho. A mim, que tal como o outro não tenho biblioteca nem percebo nada de economia, parece-me um disparate. Gostava de estar errado, mas a realidade anda há anos a insistir em dar-me razão.Só

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Já ouviram falar do mercado, ou lá o que é?

Muito se tem falado e escrito ultimamente acerca da habitação. Um problema, parece. Todos se queixam. Desde estudantes que não conseguem arrendar um quarto a um preço considerado decente, professores deslocados a quem é pedida uma renda por vezes superior ao vencimento e população em geral à procura de casa. Todos, admito, terão razão nos seus queixumes. Estão, contudo, a direccionar as suas queixas no sentido errado. Não são os senhorios, por mais especulativos que sejam os preços praticados, que têm por missão praticar a assistência social. Essa compete ao Estado. Sem o saque fiscal, que o Estado promove sobre os rendimentos e o património, seguramente seria menos doloroso o acesso ao arrendamento por parte de quem procura e mais atractivo colocar um imóvel no mercado do lado de quem arrenda. A preços minimamente aceitáveis apenas um doido varrido aceita fazê-lo. Por todos os motivos. Desde a fiscalidade à protecção que é dada pela lei aos inquilinos. Gente que, em demasiadas circunstâncias, nem numa caverna merece viver. Quando deixam uma casa, muitos deles largos meses depois de deixarem de pagar a renda, esta fica inabitável. Fruto, por vezes, na harmoniosa imundície em que vivem com cães e gatos ou da manifesta indisponibilidade para limpar o espaço em que habitam. Uns javardos, em suma.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

0,5%?! Só? Isso é para meninos!

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O Banco Central Europeu fez saber que aumentou a taxa de juro em meio por cento e, a julgar pelas primeiras reacções, vem aí o drama, a tragédia, o horror e muito possivelmente o caos, também. Tudo em simultâneo, para piorar as coisas. Só que não. Mesmo não sendo um especialista especializado nesta especialidade parece-se que o problema não é esta subida. Terão sido, isso sim, todo estes longuíssimos anos em que os juros estiveram estranhamente baixos. Baixos em demasia, convenhamos.


Ainda sou do tempo em que os juros do crédito à habitação ultrapassavam os dez ou doze por cento. Nessa altura toda a gente, tal como agora, comprava casa e poucos eram os que não cumpriam com o seu pagamento. Não me vou dar ao trabalho de procurar os dados, mas tenho quase a certeza que o incumprimento seria até bem menor do que actualmente.


Na compra de casa, que é onde se estima que este aumento tenha mais impacto, os compradores nada ganharam por as taxas serem historicamente baixas. Pouparam nos juros, mas precisaram de muito mais capital. O que, para quem paga, não faz grande diferença.


Quem, obviamente, também não ganhou nada foram os depositantes. Nem vão ganhar, mesmo que o BCE continue a subir as taxas. Na sequência deste meu post, um leitor enviou-me o print de um extracto bancário que mostra a remuneração do seu depósito. À primeira nem percebi o valor. Aquilo, além de ridículo, é ofensivo. Evidencia de maneira bem elucidativa quem é que tem estado a ganhar com juros tão baixos. Os que têm depósitos e os que contraem créditos é que não são...

terça-feira, 19 de julho de 2022

Que as lágrimas lhe sejam amargas...

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Este ano temos um "ajudante" lá na agricultura da crise. O patife aparece quando não estamos e serve-se do que muito bem lhe apetece. Assim que se note tem manifestado preferência pelas cebolas. Já levou, seguramente, mais de meia-dúzia. Por este andar não sei se chego a colher alguma. Apesar de ainda não estarem devidamente prontas para a colheita já são, pelos vistos, do inteiro agrado do amigo do alheio que frequenta o quintal. Este criminoso, ao contrário dos demais, volta sempre ao local do crime. Rouba uma, ou duas no máximo, de cada vez. Facto que é fácil de constatar por no terreno ficar a marca onde a cebola foi arrancada e, também, por se tratar de um espaço tão pequeno e com tão poucas plantas que qualquer uma que se arranque dá logo para perceber a sua falta.


Não sei, obviamente, quem é o meliante. Tenho as minhas suspeitas, mas não será de admirar se estiver enganado. Aqui há um bom par de anos eram os chuchus que evidenciavam uma estranha tendência para desaparecer. Após montar um intrincado esquema de vigilância – basicamente ficar a espreitar à janela, sem ser visto do exterior – o meu pai apanhou o larápio com a boca na botija. Ou, no caso, a mão no chuchu. Era o carteiro.