Mostrar mensagens com a etiqueta habitação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta habitação. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Comunas, invejosos e outros malucos

Sem título1.jpg


A esquerda e a comunicação social – passe a repetição – babam-se pelo governo espanhol. Desta vez ficaram particularmente impressionados pelo brilhantismo da intenção anunciada pelos malucos que gerem o país vizinho, que visará transformar cinquenta e três mil alojamentos locais que se encontram em situação ilegal em habitação para arrendamento.


No entanto, por mais que isso desagrade a muita gente e apesar dos esforços desenvolvidos nesse sentido pelo governo lá do sitio, aquilo ainda não é a Venezuela. Por enquanto. Daí que, mesmo sem licença para o ramo turístico, os imóveis continuam a ser propriedade dos respectivos donos que, como é óbvio, farão deles o que muito bem quiserem. Podem, até, arrendar a velhotes ricos estrangeiros se essa for a sua vontade.


Muitos patetas reclamam que por cá se faça algo parecido. Coitados. Esqueçam lá isso. Por mais versáteis, chamemos-lhes assim, que sejam os juízes do Constitucional a Constituição, de que tanto gostam e pela qual rasgam as vestes, não permite que o Estado disponha da propriedade privada a seu belo prazer. Nem, tão pouco, admite discriminações em função da idade ou da nacionalidade dos cidadãos. Por mais que isso custe ou cause inveja a algumas criaturas, um proprietário arrenda ou vende o seus imóveis a quem quiser. Tal como também lhe permite que não faça nem um coisa nem outra. E desengane-se quem acredita nos populistas esquerdalhos ali do lado, em Espanha também é assim.


Sem título2.jpg


 

sábado, 5 de julho de 2025

Habitação barata não rima com opções caras

Segundo o insuspeito “Expresso” há doze anos que os preços das casas não baixam. Se aquele pasquim o diz é, de certeza, verdade. Tão verdade que até podia ser eu a dizer. Vou mesmo mais longe, assim de repente não me ocorre nada que esteja hoje mais barato do que há doze anos. Ainda que se olhe para um gráfico onde esse espaço de tempo esteja representado, poucas coisas terão tido uma quebra ao longo do período analisado e, se por acaso tiveram, rapidamente recuperaram o ciclo de subida.


Sendo o imobiliário uma actividade que incorpora um sem número de factores, desde a mão de obra à fiscalidade, seria necessário um “alinhamento astral” absolutamente inusitado para conduzir a uma baixa de preços. Esqueçam lá isso. Não vai acontecer. A economia, já dizia o outro, é feita de expectativas. Daí que ninguém equacione vender a sua casa por um preço inferior ao que a adquiriu nem, sequer, admita transacioná-la por valores abaixo daquilo que os vizinhos vendem. É o mercado. Podem continuar a apelar ao Estado paizinho que faça isto e mais aquilo. Não resulta. Ninguém está disposto a perder dinheiro.


Obviamente que percebo o drama de quem procura casa. Já estive desse lado. Ainda me lembro o que foram os primeiros anos dessa fase da minha vida. Uma altura em que, imagine-se, até se pagavam os livros escolares e, pasme-se, nem havia essa coisa dos apoios sociais. O que também não havia eram necessidades básicas como viagens de férias, refeiçoar fora, automóvel próprio, telemóveis, cabeleireiros, massagistas, unhas de gel, tatuagens, copos e mais uma infindável panóplia de cenas das quais não se pode abdicar. Faziam-se opções, ou lá o que se chama aquilo que fazemos quando escolhemos os nossos objectivos de vida. E, reitero o que já escrevi em inúmeras ocasiões, cada um estabelece os seus. Nada contra, mas depois não se queixem. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

O estado a que isto chegou

IMG_20250218_082837.jpg


Pouco me incomoda que as minhas opiniões não sejam populares ou difiram daquilo que é geralmente aceite. Não será por isso que as vou mudar. Até porque a realidade, em muitas circunstâncias, acaba por confirmar que estou certo. Noutras não, mas isso faz parte da vida.


Andei durante anos, aqui pelos blogs e noutros locais, a lamentar a desgraça que os fundos comunitários constituíam para o país. O conceito de gastar dinheiro naquilo que calhasse, para obter financiamento da União Europeia, estava instituído e não havia ninguém que não considerasse um negócio excelente esturrar cem para ir “sacar” oitenta a Bruxelas. Nem que fosse para construir um parque de campismo, onde não consta que algum turista tivesse armado barraca, ou uns repuxos manhosos que, dado o incomodo que causavam, nem uma semana estiveram ligados.


Nos dias de hoje penso o mesmo do estado social. É a nossa desgraça colectiva do presente e do futuro. Esta moda de dar tudo a uma parte da sociedade à custa da outra está, para além de criar fraturas sociais, a levar-nos à falência financeira e, também, social. O problema da habitação é disso um exemplo. Casos como o daquela inquilina que não paga renda há dois anos, vive do RSI e a quem a justiça não permite despejar por causa do cão explicam de forma tão simples que até uma criança de seis anos percebe por que razão muita gente prefere ter os imóveis fechados a colocá-los no mercado de arrendamento. E nem precisa de um desenho. A chatice, para a desgraçada da criança, é que vai ter muito que desenhar quando, no futuro, tiver de explicar aos pais e restante família a razão porque o tal estado social teve de ser extinto ou, com sorte, reduzido à insignificância.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Estimular o sitio errado nunca resulta...

Nisto da habitação o PCP tem alguma razão. Se existem setecentas mil casas devolutas no país não há necessidade nenhuma de construir mais. Até porque, muito provavelmente, existirão outras tantas em ruínas que não entrarão para estas contas. O que nos trouxe até aqui está mais que identificado. E, entre todas as causas, não estão a especulação, o mercado, a propriedade privada, a liberdade de cada um dispor como muito bem entende daquilo que é sua propriedade e tudo o mais que os comunistas odeiam. As causas são outras. Uma delas – quase diria a principal, mas não sendo especialista na especialidade não me atrevo a tanto – é aquela ideia peregrina, que ocorre a todos os governos desde que me lembro, de promover apoios à procura em vez de o fazer ao lado da oferta. Num mercado escasso como este o resultado só podia ser o que está à vista.


No âmbito da oferta, nos últimos anos, houve apenas uma tímida diminuição da carga fiscal sobre as rendas. Ainda assim longe de reverter o que foi o aumento exponencial da taxa liberatória sobre o arrendamento. Hoje é de 25%, ou seja um trimestre de rendas por ano são para o Estado, enquanto em 2010, por exemplo, essa taxa situava-se nos 15%. Se a isso juntarmos os custos de contexto – o salário mínimo duplicou e os materiais nem se fala – e acrescentarmos a impunidade de que gozam os inquilinos incumpridores temos razões mais do que suficientes para muita gente preferir ter as casas vazias. Por demagogia, populismo ou o que mais calhar ninguém tem coragem de mexer a sério nestes aspectos. Não ia cair bem junto do eleitorado que é, por norma, invejoso...Então depois não se queixem.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Casas de batota

Para além dos incontáveis boys, as juventudes partidárias já deram grandes lideres aos respectivos partidos e, mesmo sem chegar a cargos de especial importância, muitos políticos que se distinguem da mediocridade vigente. Outros nem por isso.


Isto a propósito de um debate entre os actuais candidatos à liderança da Juventude Socialista. A jovem candidata propõe-se – não ela, evidentemente, mas levar a que o partido se comprometa com a medida - construir seiscentas mil casas nos próximos dez anos. Esta ciclópica iniciativa, diz visivelmente impressionada com a genialidade da sua ideia, será financiada com as receitas dos impostos sobre os casinos e o jogo online. A chatice é que, a preços de agora, os custos de construção por habitação rondarão os 100 mil euros e a receita do tal imposto não vai além de 278 milhões por ano. Ou seja, em dez anos teríamos um investimento de 60 mil milhões financiado por por 2,7 milhões. É fazer a conta. Mas, assim de repente, parece-me que nem com a raspadinha lá vai.


Perante isto acredito que a moçoila terá um futuro político extremamente promissor. Não só dentro do PS, mas inclusivamente na política nacional. Com propostas destas, sustentadas em bases tão sólidas, estaremos em presença de uma potencial líder socialista. Ou, no mínimo, ministra da habitação. Daqui por uns dez anos. Ainda a tempo de entregar a última casa das tais seiscentas mil que os batoteiros vão pagar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Percepções e outras sensações

Essa coisa das percepções, sensações e outros sentimentos correlativos têm muito que se lhe diga. São boas para analisar uns temas e péssimos para  outros. É conforme o jeito que dá a cada qual. No caso da segurança – ou da falta dela, no caso – estamos perante uma falsa perecepção de insegurança. O povo é sereno e não se passa nada, garantem os média, a esquerda em geral e os humoristas do regime em particular. Tudo, claro, corroborado por todos aqueles que não frequentam serviços públicos nem precisam de circular para fora das zonas chiques dos grandes centros urbanos.


Já no caso da habitação, foi criada a percepção que a falta de casas a preços acessíveis à maioria das pessoas é culpa dos fundos imobiliários,  dos estrangeiros endinheirados e dos especuladores. Do grande capital, em suma. Esta ideia é repetida até à exaustão pela comunicação social, pelos partidos de esquerda, movimentos e colectivos de defesa do que calhar e papagaios em geral.


Contudo, de acordo com um estudo de uma consultora especializada na área do imobiliário divulgado hoje pela Rádio Renascença, tudo isso não passa de uma falsa percepção. Refere o dito estudo que “83% das casas vendidas são usadas, o que significa que o mercado continua a ser dominado pelas vendas entre particulares” e, “86% das casas foram compradas por famílias, o que, uma vez mais, contraria aquela ideia de ambição especulativa dos investidores que compram casa em Portugal”. Conclui ainda que “apenas 6% das casas vendidas foram compradas por estrangeiros, o que significa que são os portugueses a dinamizar o mercado”.


Por mim, que tendo a considerar que quem percebe da tenda é o tendeiro, acredito nestas conclusões. As causas das dificuldades no acesso a habitação a preços acessíveis terão mais a ver com a elevada procura, a escassez da oferta, o facto de os portugueses pretenderem rentabilizar o seu património e, principalmente, os custos absolutamente absurdos de construção e recuperação de um edifício ou a incerteza decorrente do cabal cumprimento de um contrato de arrendamento. O resto são sensações. Ou parvoíces, vai dar ao mesmo.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

O problema de ontem é a solução de hoje

Uma das vantagens de um gajo ser velho – se calhar a única – é que se lembra de muita coisa. Eu, por exemplo, ainda sou do tempo em que muitíssima gente reclamava do excesso de construção. Barafustavam contra os interesses imobiliários e autárquicos que estariam, a par de outros esquemas alegadamente manhosos, a levar a que se construissem prédios de forma desenfreada e muito para além das necessidades do país. Que, segundo eles, já então teria habitação suficiente para albergar vinte ou trinta milhões de pessoas. Volvidos vinte anos – as mesmas criaturas, em muitos casos – voltam a mandar bitaites acerca do sector. Desta vez, imaginem lá, o problema é a falta de habitação. Os interesses instalados, ou sejam todos menos eles, são responsáveis por não haver casas para ninguém. Uma vergonha a que urge pôr cobro. Construa-se, aconselham, porque afinal os prédios onde cabia toda a gente já não chegam. Não se cansam de estar errados, eles. O único tema onde lhes dou razão, quando noutra ocasião os leio ou ouço sobre outros assuntos, é nisso de criticarem o Ventura por estar sempre a mudar de opinião.

domingo, 29 de setembro de 2024

Uma manifestação muito engraçada...

Admiro a facilidade com que os manifestantes que ontem desfilaram por algumas cidades propõem medidas que, do seu ponto de vista, solucionariam o problema da habitação. Para muitos deles, se calhar, o primeiro passo seria mudar de visual – tomar banho e vestir uma roupinha adequada, nomeadamente – e deixar de dizer bacoradas em público. Com aquele aspecto e aquele discurso de delinquente duvido que alguém lhes arrende uma casa. Deviam, também, ponderar guardar as bandeiras da Palestina e LGBTurbo mais não sei o quê para outras manifestações. Desconfio que poucos estarão dispostos a arrendar uma casa a simpatizantes de terroristas.


Há, depois, outras questões que passam ao lado de toda esta gente que reivindica casas com fartura, rendas baixas e de preferência no centro das cidades. Como, por exemplo, a imigração. Nos últimos anos entraram quase dois milhões de pessoas no país que, parece óbvio, precisam, também elas, de uma casa para morar. Gente esta que, na sua imensa maioria, não se importa de partilhar habitação. Qualquer um entenderá – a menos que seja burro ou equerdalho, passe a redundância - que mais procura conduzirá inevitavelmente ao aumento dos preços.


Outra coisa que esta malta desconhece, quando se queixa dos prédios devolutos e degradados que podiam estar no mercado, são os custos e o calvário burocrático que envolvem a sua recuperação. São, ambos, um estimulo a que qualquer proprietário com um mínimo de juízo opte por não os recuperar. Mas, se for maluco o suficiente para o fazer terá de ter paciência para esperar dez ou mais anos só para ter o retorno do investimento. Isto se, ao fim desse tempo, o imóvel não precisar outra vez de obras. Para não falar do que entretanto vai ter de repartir com o Estado. Aquele sócio oportunista que fica com o produto dos trabalho dos outros e só aparece para estorvar, sacar e esbanjar.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Ca(u)sas estimulantes

Surpreende-se a comunicação social por as medidas do governo – deste e do anterior, pouco importa – para apoio à compra de casa pelos jovens terem provocado um aumento do preço da habitação. Olha que surpresa. É mesmo daquelas coisas que ninguém estava à espera que acontecesse. Nunca, jamais, em tempo algum tal consequência seria imaginável por alguém de bom senso, pois não? Agora a sério. Toda a gente sabe que, por norma, tudo o que é devidamente estimulado tende a aumentar. E, no caso da procura, qualquer estimulo que provoque o seu crescimento tem a inevitável consequência de originar também o aumento do preço do produto procurado. Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, seria melhor adoptar outras soluções igualmente estimulantes, mas, desta vez, para enrijar a oferta. Tipo murchar a fiscalidade e a burocracia que incidem sobre a construção. Ou, vejam lá do que eu me fui lembrar, retirar aos talibans da cultura o poder de chumbar a recuperação de edifícios degradados nos centros das cidades. São uns empatas. Não reconstroem nem deixam reconstruir.

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Nunca funcionou, mas...desta vez é que vai funcionar!

Um jornal de hoje reproduz em titulo a afirmação “É preciso construir mais habitação pública para o Estado controlar a habitação”. De uma penada parecem ser aqui identificados duas questões. A implícita, que haverá um problema de habitação, e a segunda que existirá uma situação especulativa a envolver o sector. Como isso não me afecta, se calhar é porque não há problema nenhum. Mas, admitindo que haja, a solução preconizada é mais do que parva. É que essa ideia, como maneira de resolver os problemas da habitação, apenas resultou uma vez e num único país. Quando e onde? Nunca e em lugar nenhum, é a data e o local dessa alegada intervenção miraculosa. Quando foi tentada deu os resultados que todos, durante dezenas de anos, pudemos constatar.


Noutra vertente da coisa, pelo país inteiro são muitas as autarquias que “investem” na construção de habitações de cariz social. Apesar dos preços praticados ultrapassarem o ridículo – cinco ou dez euros, não raramente – e de, nesses bairros, os moradores ostentarem sinais exteriores de riqueza incompatíveis com o estatuto de “vulnerável”, “carenciado” ou outro qualquer em voga os valores das renda em divida atingem montantes inimagináveis para a esmagadora maioria dos opinadores. Se calhar, num exercício de cidadania e de escrutínio acerca da forma como se esturram os impostos dos portugueses, ficava-lhes bem indagaram a respectiva Câmara Municipal acerca destas coisas antes de mandarem postas de pescada.


Obviamente que quando se reivindica “habitação pública” não se está apenas a pensar nos alegados pobres. Pretende-se, também, que sejam incluídos aqueles que se convencionou chamar classe média. Que são, diga-se, tão caloteiros como os outros. Mas isso pouca importa a essa malta. Haverá sempre mais um imposto ou uma taxa para pagar esses desvarios.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Para quê comprar se posso okupar?!

Captura de ecrã de 2024-04-09 22-14-28.png


O imobiliário foi um tema que sempre me interessou. Tenho mesmo a pretensão de achar que podia, se a vida tivesse levado esse caminho, ter sido um profissional do sector. Assim um pedreiro, ou isso. Gabarolice à parte, tenho até um certo jeito para a arte.


Por isso – ou apenas porque sim – subscrevo newsletser’s de diversas empresas do ramo. Numa das últimas eram apresentadas vários imóveis para venda que constituíam verdadeiras pechinchas, desmontando assim a ideia segundo a qual comprar casa é uma impossibilidade para quem tem o azar de não ser milionário. Estava, no caso, a ser comercializado um apartamento T2, com 73 m2, no centro de uma capital de distrito, pela interessante quantia de vinte cinco mil euros. Pela fotografia que promovia o imóvel – reproduzida em cima – pode ver-se que a vizinhança gosta de conviver na rua e que existe na zona uma quantidade significativa de furgões brancos. Propriedade dos moradores, certamente. Há, contudo, um pequeno senão. Uma coisinha de nada. O apartamento está ocupado ilegalmente. E, mas isso sou eu a especular, se algum dia alguém o conseguir desocupar, estará todo partido. É nesta parte que me lembro sempre da outra fulana. Aquela que recomenda que não “lhes dês descanso”, referindo-se, presumo eu, a esses patifes especuladores que fazem, com a sua ganância, com que a malta tenha problemas em arranjar uma casa barata e, por consequência, fique impossibilitada de ter uma “vida boa”. Essas palavras de ordem são aqui seguidas em todo o seu maravilhoso esplendor. Por um lado, descanso é - a julgar pelo preço que estão a pedir - o que os donos do apartamento não têm tido. Por outro, os okupas estão certamente a levar uma vida boa. Ou seja, um magnifico exemplo do que o Bloco de Esquerda pretende para o país. As melhoras a quem votou neles.

sábado, 6 de abril de 2024

Fascistas de Abril

 


Screenshot_2024-04-06-22-17-38-043_com.twitter.and


Está finalmente identificada a origem da crise da habitação. É o fascismo. Foi o Livre, esse partido de um homem só, que descobriu. E não se riam, que divino líder daquilo tem toda a razão. Durante o regime fascista – pronunciar “fascista” com a “boca cheia de favas” e em tom enraivecido – os senhorios estavam impedidos de aumentar as rendas para, pelo menos por aí, não provocar conflitualidade social. Mais ou menos o mesmo que sugerem agora o Livre e restante malta que enaltece os valores de Abril para resolver o problema. Ou seja, não têm a mais parva ideia de como a coisa se resolve e, vai daí, culpam o “fascismo”. Há sempre uns quantos parvos que acreditam.

sexta-feira, 22 de março de 2024

Pássaros do sul

IMG_20a.jpg


 


Este casal de andorinhas – uma andorinha e um andorinho, calculo, que os animais sabem que não é com mariquices que garantem a continuidade da espécie – devem ter estudado a melhor localização para a construção do seu ninho e concluíram que o lugar ideal é precisamente a casa que estou a preparar para colocar no mercado de arrendamento a um preço exorbitante e altamente especulativo. Lamento amigues – ó para mim a escrever em inclusivês - mas aqui não dá. Terão de procurar outro espaço. Não ando a esfalfar-se a trabalhar para virem vocês cagar isto tudo. Vão para outra parede qualquer. O que não falta por aí são casas abandonadas onde ninguém vos aborrece. Aqui é melhor não. E não me olhem assim que não penso dar-lhes. Descanso, como a outra.

terça-feira, 19 de março de 2024

Senhorios fofinhos

Afinal, ao contrário do que andava para aí a propagandear o pessoal da direita, Mariana Mortágua não é “senhoria de um T1 pelo qual cobra 650 euros ao inquilino”. Mas se fosse, não tinha mal nenhum. Mau seria se, na qualidade de dirigente partidária ou outra qualquer, pretendesse dar lições de moral acerca de rendas exorbitantes ou isso. Nada disto se verifica. Ao que se refere a comunicação social, a criatura é proprietária de um T1 – na zona de Arroios, em Lisboa – que arrendou por aquele valor entre 2019 e 2021. Já lá vão três anos, mais coisa menos coisa. Altura em que, recorde-se o SMN era de 635 euros. Este montante, mesmo para a época, terá sido considerado pelo Bloco de Esquerda, em reacção a esta notícia, como muito longe de poder ser considerado especulativo. Trata-se mesmo de um absurdo classificar uma renda daquelas como especulativa, segundo a fonte bloquista instada a pronunciar-se sobre o assunto. Também acho. Por uma vez concordo com aquele pagode. Chame-se o senhorio acusado de especulação, por cobrar mais do que um SMN por um T1, Mortágua ou outro apelido menos finório. Mas isso sou eu…

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Habitação: Um negócio sem risco... para o Estado.

Nisto da habitação não há soluções fáceis. Se houvesse, há muito que tinham sido encontradas em países onde o problema é idêntico e a capacidade para resolver situações difíceis é muito maior. Daí que, para disfarçar, a oposição de hoje culpe os governantes actuais e demais partidos que os têm sustentado no poder, e estes atribuam a responsabilidade a quem os antecedeu. Mesmo que uns já lá estejam há oito anos – vai para nove – e os outros de lá tenham saído há igual período.


Há quem insista pretender em baixar o preço das casas por decreto, seja na venda ou no arrendamento. Esqueçam lá isso. Não resulta. Se outra razão não houver, setenta por cento da população ser proprietária de imóveis parece-me constituir motivo mais do que suficiente para augurar um futuro pouco risonho a quem tente concretizar tamanho disparate. Os teóricos da intervenção do Estado nos bens dos outros, que experimentem fazer obras de recuperação num imóvel de que sejam donos. De outra maneira nunca entenderão. É que isto é muito fácil falar dos preços especulativos das rendas, mas ninguém se lembra do custo não menos especulativo da mão-de-obra, dos materiais, das taxinhas, dos projectos e de um sem número de despesas que envolvem uma obra. Como se isso não fosse suficiente, no final, ainda aparece o Estado. Torna-se sócio no negócio, ao "abotoar-se" com quase um terço do rendimento gerado, sem que para além de atrapalhar tenha feito algo de útil ou investido um cêntimo.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Nem todos podem morar na praça...

IMG_20240127_171140 (1).jpg


 


Umas centenas de criaturas mal-apessoadas manifestaram-se mais uma vez pelo direito à habitação. Direito esse que, tanto quanto sei, ninguém colocou em causa. Todos continuam a tê-lo. Desde que, obviamente, o paguem. Fazem-me confusão estas reivindicações dos manifestantes. Nomeadamente quando se acham no direito a ocupar propriedade privada, quando consideram que os senhorios têm o dever de lhes arrendar uma casa pelo preço que eles entendem e quando acham que têm o direito de morar onde muito bem querem, nomeadamente no centro das cidades, sem pagar mais por isso.


Por mim, que estou a recuperar uma vivenda para eventualmente colocar no mercado de arrendamento, dificilmente a arrendaria a qualquer uma das pessoas que aparecem nas televisões a mandar bitaites. Nem eu nem ninguém com juízo. Com aquele aspecto e aquele discurso o melhor é tentarem na Palestina, já que gostam tanto que nem numa manifestação sobre a habitação em Portugal largam a bandeira daquele território. Esta gentinha não percebe que um imóvel é sempre o fruto do trabalho de alguém que poupou e que não esturrou os seus recursos em futilidades. Daí que seja normal que qualquer proprietário procure rentabilizar o investimento. Não conseguem pagar? Temos pena, mas tudo na vida tem uma alternativa. É procurá-la.

domingo, 1 de outubro de 2023

Inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária

Agora que já partiram umas montras e vandalizaram mais umas quantas cenas podemos partir do princípio que se começou a resolver o problema da habitação. É assim que se começa. Pela demolição. Parte do problema é, também, a extrema dificuldade do sector em recrutar pessoal devidamente qualificado para o exercicio desses trabalhos. O que contribuiu igualmente para agravar a crise. O pagode prefere ir para as manifes partir coisas á borla do que ser remunerado por uma actividade para a qual parece ter especial aptidão. Depois queixam-se que não tem dinheiro, os totós. O que não é coisa que me rale, diga-se. O problema é deles. O que me apoquenta é a originalidade dos protestos. Até posso admitir que se tenham esquecido de levar um cartaz - um chegava - a protestar contra a ministra da habitação. Mas, convenhamos, é deveras inquietante o apoio do PS a estes movimentos e a esta manifestação em particular. É que isto do partido do governo estar de acordo com a politica de habitação e simultaneamente de opinião contrária, afigura-se-me um bocadinho esquisito.


Por falar em falta de graveto. Diz que receber um mês de ordenado extra livre de impostos é mau. Do piorio, mesmo. Tal dislate colocaria a sustentabilidade da segurança social em causa, ao que garantem o governo, a esquerda e os especialistas especializados na especialidade de saber o que é  especialmente bom para os portugueses. Desta vez concordo com todos eles. O melhor é não receber nada. Melhor ainda seria se sobre esse nada incidisse uma taxa de cem por cento. O que, pelas contas deles, daria para cima de um dinheirão em contribuições e impostos. 


Outra  polémica que anda por aí tem a ver com uns negócios  que envolvem o PCP e uns prédios em Aveiro. Não sei bem do que se trata, mas tratando-se daquela partido de certeza absoluta que a legalidade estará garantida. Diz que são negócios de muitos milhões e, como toda a gente sabe, negócios desse valor são sempre legais. 


 

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Opções, prioridades e outras endrominações

Contrariando a sabedoria popular, o governo garante--nos que todos podemos morar na praça. Eles estão lá para nos assegurar esse direito. E quando, como é óbvio, a realidade se encarregar de mostrar aos crédulos que tal é impossível, porque a vida é mesmo assim e sempre assim será, a culpa vai ser de todos menos dos pantomineiros que andam a endrominar os mais fracos de sentido que ainda acreditam nas patranhas propaladas por aquela gente. Embora isso não faça diferença nenhuma. O pagode continuará a votar neles, pois está convencido que apenas aquela maralha foi ungida para governar.


Com veto presidencial ou sem veto presidencial, com ou sem alterações ao projecto vetado, o “Mais Habitação” pouco mudará ao panorama actual. Podem pintar aquilo das cores que quiserem, mas fazer uma reforma do sector habitacional hostilizando uma parte dos intervenientes – que, por sinal, até são a maioria – para além de nada resolver, não augura nada de bom. Como o passado já demonstrou e o futuro se encarregará de confirmar.


O envolvimento dos municípios na resolução - previsto e bem, na lei – do problema da habitação devia ser o centro de toda a discussão. Por mais que alguns sustentem o contrário há capacidade na administração local para contribuir de forma decisiva para, pelo menos, minorar o problema. É tudo uma questão de opções, de prioridades e, principalmente, mudar o foco das festas e dos subsídios para algo útil e que melhore a vida dos respectivos munícipes.


 

domingo, 25 de junho de 2023

Abaixo o pequeno capital!

Captura de ecrã de 2023-06-25 16-31-14.png


Mas querem, ao certo – mesmo ao incerto também serve – referendar o quê? Que qualquer cidadão, num momento de aborrecimento ou apenas porque sim, faça um cartaz e vá para a rua reivindicar o que lhe dê na realíssima gana não tem mal nenhum. Antes pelo contrário. È o exercício de um direito legitimo, por maior que seja a excentricidade da reivindicação. Eu é que sou curioso e gosto de saber o que propõem os meus concidadãos no sentido de melhorar a vida de todos. Manias.


No caso trata-se do cartaz de um movimento, supostamente apartidário, que pretende a realização de um referendo local em Lisboa. As perguntas a referendar ainda ninguém sabe quais serão - diz que estão em período de recolha de propostas – mas na página do movimento o alvo escolhido, identificado como principal responsável pela falta de habitação, é o alojamento local. Já quanto aos hotéis de grandes cadeias internacionais, que também ocupam prédios e isso, nem uma palavra. Cá para mim são fachos, ou direitolas. O que, hoje em dia, é a mesma coisa. Gente que prefere atacar quem ganha a vida e se esfola a trabalhar nesse sector e prefere deixar em paz o grande capital, só pode ser da direita mais reaccionária. E bafienta, já se me escapava. Não tarda, ainda estão a culpar os quase oitocentos mil imigrantes, que por cá aportaram, pela falta de casas acessíveis à bolsa dos portugueses. Ou, vá, a pretender referendar se devemos aceitar ou não a vinda de outros tantos que, ao que tudo indica, também irão precisar de casa para morar. Não me admirava, que dessa direita xenófoba espera-se tudo.

domingo, 2 de abril de 2023

Habitação: Criminosos, especuladores e paquidermes.

senhorios


1 – Das manifestações de ontem fiquei sem perceber que solução propõem as criaturas – poucas, atendendo à dimensão que se diz ter o problema - que ontem se manifestaram pelo seu direito à habitação. Matar os senhorios não se me afigura grande ideia. Embora, reconheço, possa contribuir para solucionar o problema habitacional de quem enveredar por esse caminho. Durante vinte anos e tal anos não se precisa de preocupar em arranjar casa. O Estado garante-lhe durante esse tempo cama, mesa e roupa lavada.


Casa



2 – Foram várias as pessoas, a maior parte reformados, que referiram pagar de renda praticamente tudo o que recebem de reforma. A ser verdade – e provavelmente será – como é que sobrevivem? Vão comer à sopa do pobre? Ou será que têm um ou dois quartos sub-arrendados pelos quais cobram uma renda especulativa? Não seriam os únicos...


 


tax


3 – Nisto da habitação temos dois elefantes na sala que andamos ostensivamente a ignorar. Não adianta culpar os estrangeiros ricos, a “invasão” de americanos ou meia dúzia de nómadas digitais. Esses arrendam as casas que não são, nem nunca seriam, para o “bico” dos portugueses. O primeiro paquiderme são os imigrantes que chegam às dezenas de milhares e que, tal como os nossos primeiros emigrantes, não se importam de dividir casa com mais uma ou duas dezenas de compatriotas. O segundo é o governo. Preços altos, dos arrendamentos ou das vendas, significam mais impostos. Muitíssimo mais dinheiro a entrar nos cofres do Estado representam muito mais benesses a distribuir pelas clientelas. Esperar que o tipo de gente que ontem se manifestou perceba isso é ter demasiada esperança na humanidade.