Nisto da habitação o PCP tem alguma razão. Se existem setecentas mil casas devolutas no país não há necessidade nenhuma de construir mais. Até porque, muito provavelmente, existirão outras tantas em ruínas que não entrarão para estas contas. O que nos trouxe até aqui está mais que identificado. E, entre todas as causas, não estão a especulação, o mercado, a propriedade privada, a liberdade de cada um dispor como muito bem entende daquilo que é sua propriedade e tudo o mais que os comunistas odeiam. As causas são outras. Uma delas – quase diria a principal, mas não sendo especialista na especialidade não me atrevo a tanto – é aquela ideia peregrina, que ocorre a todos os governos desde que me lembro, de promover apoios à procura em vez de o fazer ao lado da oferta. Num mercado escasso como este o resultado só podia ser o que está à vista.
No âmbito da oferta, nos últimos anos, houve apenas uma tímida diminuição da carga fiscal sobre as rendas. Ainda assim longe de reverter o que foi o aumento exponencial da taxa liberatória sobre o arrendamento. Hoje é de 25%, ou seja um trimestre de rendas por ano são para o Estado, enquanto em 2010, por exemplo, essa taxa situava-se nos 15%. Se a isso juntarmos os custos de contexto – o salário mínimo duplicou e os materiais nem se fala – e acrescentarmos a impunidade de que gozam os inquilinos incumpridores temos razões mais do que suficientes para muita gente preferir ter as casas vazias. Por demagogia, populismo ou o que mais calhar ninguém tem coragem de mexer a sério nestes aspectos. Não ia cair bem junto do eleitorado que é, por norma, invejoso...Então depois não se queixem.
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