Acho piada ao discurso oficial acerca da pobreza. Não, obviamente, que a condição de pobre suscite motivo para risota, mas antes por causa daquilo que os políticos de todos os quadrantes dissertam relativamente ao assunto. Lamentam-se, por um lado, que o número de pessoas nessa condição é exageradamente elevado e, por outro, aprovam sucessivas medidas que contribuem, se não para o aumentar, para não o fazer reduzir.
O caso dos idosos, por exemplo. Segundo os dados divulgados são dos grupos etários onde a condição de pobreza prevalece. E o que fazem os políticos? Aumentam as pensões, o que para além de simpático parece adequado. Ou não, porque entretanto a cada ano que passa quem se vai aposentado vai tendo reformas mais magras e que cada vez representam menos dinheiro face aos últimos ordenados. Ou seja, alguém que hoje aufira mil euros por mês se amanhã se reformar ficará – eventualmente, porque pode nem chegar a tanto – com uma pensão de oitocentos. Abaixo do SMN, apesar de sempre ter descontado acima dessa retribuição, o que a incluirá no número de pobres. A menos que possua um pé-de-meia nem dinheiro terá para pagar um lar. Estão a ser criadas hordas de novos pobres e um dia isso vai ser uma chatice. Daquelas mesmo sérias.
Boa noite
ResponderEliminarNos anos de 1940, um homem-poeta com a terceira classe disse qual era a solução para a pobreza.
Mas Suas Excelências e os doutores sempre riram das propostas dos que eles chamam de "extremistas" e assim desdenham da solução que é tão simples.
Dizia o poeta cauteleiro
«O pão que sobra à riqueza
distribuído pela razão,
matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão.»
Basta os donos deste mundo quererem produzir Pão em vez de produzirem Armas para aferrolharem ainda mais riqueza.
É só querer.
~Zé Onofre
Um "Oreshnik" dava um bom gigante cacete de pão. Na Coreia do Sul tem-se desperdiçado pão para caneco e parece que por lá as padarias não florescem.
ResponderEliminarMas sim, subscrevo a quadra. Utópica, mas ilustrativa.
O sistema funcionava quando o mercado de trabalho absorvia muita gente, ou seja, havia mais a descontarpara a reforma e menos a receber. Agora, com o aumento da esperança média de vida e com o número de pessoas a trabalhar (ainda vão ser menos no futuro) o equilibrio tem que ser conseguido através da taxação dos robots ou de outra forma de financiar o estado social.
ResponderEliminarA solução encontrada tem sido o corte drástico - e dramático, diria - nas pensões futuras, em tempo e dinheiro. Não tenho, obviamente, solução para isto mas, se os recursos são escassos não se devia subsidiar a ociosidade, quem não precisa e diminuir a máquina administrativa. Um dia destes há em certos serviços mais assistentes sociais do que pobres...
ResponderEliminarNão resulta. Veja-se por exemplo o SMN. De que adianta dar mais SMN às pessoas se os preços dos bens e serviços aumentam igualmente? Até podiam pagar 5000 euros por mês que seria sempre o minimo e compraria sempre o mesmo...
ResponderEliminarNão é o facto de uns serem menos ricos que faz os outros serem menos pobres. Até porque quando o Estado tira a uns - e tira muito - os outros não ficam melhor. Como, de resto, se vê.
"Um "Oreshnik" dava um bom gigante cacete de pão" e os russos bem que precisam, que aquilo é uma miséria ainda maior do que a nossa!
ResponderEliminarKK, pois tem razão.
ResponderEliminarEm todo o caso, esta história das armas por progresso, saúde e pão, é velha, tão antiga quanto a humanidade. É por natureza uma utopia e todos sabemos que nunca se concretizará. Ora nesta impossibilidade, se as armas têm alguma utilidade, que seja sempre para defesa do bem e da razão e não para invadir e subjugar e ao sabor da sede de poder de poucos sobre muitos.