terça-feira, 3 de setembro de 2024

Ca(u)sas estimulantes

Surpreende-se a comunicação social por as medidas do governo – deste e do anterior, pouco importa – para apoio à compra de casa pelos jovens terem provocado um aumento do preço da habitação. Olha que surpresa. É mesmo daquelas coisas que ninguém estava à espera que acontecesse. Nunca, jamais, em tempo algum tal consequência seria imaginável por alguém de bom senso, pois não? Agora a sério. Toda a gente sabe que, por norma, tudo o que é devidamente estimulado tende a aumentar. E, no caso da procura, qualquer estimulo que provoque o seu crescimento tem a inevitável consequência de originar também o aumento do preço do produto procurado. Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, seria melhor adoptar outras soluções igualmente estimulantes, mas, desta vez, para enrijar a oferta. Tipo murchar a fiscalidade e a burocracia que incidem sobre a construção. Ou, vejam lá do que eu me fui lembrar, retirar aos talibans da cultura o poder de chumbar a recuperação de edifícios degradados nos centros das cidades. São uns empatas. Não reconstroem nem deixam reconstruir.

2 comentários:

  1. A burocracia neste país é por demais e piora em muito com a dança das cadeiras e há assuntos que demora demasiado tempo. Mas a corrupção essa tem pernas longas!
    Enfim amigo tens toda a razão!
    Beijos e um bom dia

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  2. No caso da cultura é mesmo radicalismo. No centro histórico de uma cidade não se pode nem mudar uma telha quanto mais reconstruir um prédio em ruínas. Ou melhor, poder até pode, desde que o dono estaja disposto a perder anos de vida, dinheiro e tenha uma paciência de santo... depois admiram-se que as casas, as rendas e o resto sejam carissimos.

    Cumprimentos

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