A esquerda adora o actual Ministro da Administração Interna. Mesmo sendo ele membro de um governo que odeia. A direita, por seu lado, odeia-o. Ainda que o homem integre um executivo que é suposto apoiar. Ou, pelo menos para a direita mais à direita, tolerar.
E o que fez o homem, em termos de política governativa, para suscitar estes sentimentos aparentemente contraditórios? Nada. Em bom rigor, não fez absolutamente nada. Não se lhe conhece uma ideia para o país, não é conhecida nenhuma proposta de reforma que mude o rumo seja do que for e nem sequer desfez nada que os antecessores tenham feito.
Assim sendo, qual a razão para a adoração de uns e o ódio de outros tantos? Pergunta parva, obviamente. Toda a gente conhece aquelas declarações do antigo chefe da Judiciária, em que a criatura garantia a inexistência de relação entre imigração e criminalidade, atribuía elevada perigosidade à extrema-direita e proclamava a insegurança como mera e injustificada percepção.
As tropelias que o homem possa eventualmente ter cometido e das quais venha ou não a ser formalmente acusado, são de outro campeonato. Não podem, nem devem, ser exacerbadas nem desvalorizadas em função da nossa concordância ou reprovação com as declarações da criatura sobre a criminalidade ou a imigração. Fazê-lo, como está a acontecer com toda a gente que opina acerca do assunto, diz muito sobre quem o faz. Uns e outros.
sábado, 18 de julho de 2026
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