O muro que parcialmente aparece na foto está junto a uma antiga entrada da cidade. Antiga porque, entretanto, a cidade cresceu e a entrada acabou por ficar dentro da urbe. Como no Alentejo se prima pela limpeza, o dono da parede – um hotel que fica nas imediações – resolveu mandar pintar aquilo. E muito bem. Muito bem a intenção. Muito mal o serviço.
É que, como quase toda a gente reconhece, já não há quem trabalhe. Nem, pior ainda, quem queira trabalhar. Daí a importação massiva de gente de paragens distantes, com hábitos e costumes ainda mais distantes dos nossos. Nomeadamente ao nível da higiene, da limpeza e do saber-fazer. Embora, admito, possam ser bons nalguma coisa. Um dia, eventualmente, descobriremos em quê.
O trabalho que aqui fizeram fala por si. E por eles. A seu favor terão o facto de, se calhar, nunca terem feito nada parecido com pintar. Talvez por desconhecimento empírico da arte de manusear um pincel, não lhes tenha ocorrido a elevadíssima possibilidade de parte considerável da tinta ir parar ao pavimento e, preventivamente, cobrirem o chão com uma proteção qualquer.
Tampouco lhes importou o que estava no muro. Levou tudo com tinta em cima. Até o desgraçado do caracol que dali faz morada. Nem se deram ao trabalho de o retirar. Pintaram por cima e pronto! Obviamente ninguém nasce ensinado, mas coisas destas não se aprendem. É por estas e por outras que, pior do que importar gente sem qualificações, é importar gente desqualificada.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Uns pintam a manta... outros o caracol.
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