Poupança é um conceito que, vá lá saber-se porquê, irrita os portugueses. Muito, a julgar pelas reacções a que se assiste sempre que alguém ousa sugerir a sua despenalização fiscal. Admito que muita gente não tenha condições, por todas as razões e mais alguma, para colocar de parte algum dinheiro. Também não me aflige por aí além que outros, ainda que o pudessem fazer, optem por esturrar tudo o que ganham sem qualquer preocupação em constituir um mealheiro para uma eventual situação de aperto financeiro.
O que me aborrece mesmo é a reacção de toda esta gente – e de outra – quando alguém propõe a isenção ou a diminuição da taxa de imposto que incide sobre a remuneração da poupança. A indignação que a ideia suscita deixa-me, de cada vez que ela surge, mais convencido que vivo num país de invejosos. Pior. Num país onde os invejosos ditam lei. Têm tanto poder que o Estado abotoar-se com 28% do rendimento de um depósito a prazo é das poucas medidas da Troika que até hoje não foram revogadas.
Como um destes dias mencionou um deputado, um prémio até cinco mil euros ganho num jogo de sorte ou azar está isento de imposto. Ainda que seja o jackpot do Euro milhões, o saque fiscal ficará nos vinte por cento de Imposto do Selo. Já os juros de um depósito a prazo ou de certificados de aforro, independentemente do valor, são confiscados em vinte e oito. Há quem ache isto justo. Quase sempre os mesmos que ainda hoje espumam de raiva quando ouvem o nome do Passos Coelho. O que, vendo bem, até faz sentido.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Poupar é caro
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