sábado, 5 de julho de 2025

Habitação barata não rima com opções caras

Segundo o insuspeito “Expresso” há doze anos que os preços das casas não baixam. Se aquele pasquim o diz é, de certeza, verdade. Tão verdade que até podia ser eu a dizer. Vou mesmo mais longe, assim de repente não me ocorre nada que esteja hoje mais barato do que há doze anos. Ainda que se olhe para um gráfico onde esse espaço de tempo esteja representado, poucas coisas terão tido uma quebra ao longo do período analisado e, se por acaso tiveram, rapidamente recuperaram o ciclo de subida.


Sendo o imobiliário uma actividade que incorpora um sem número de factores, desde a mão de obra à fiscalidade, seria necessário um “alinhamento astral” absolutamente inusitado para conduzir a uma baixa de preços. Esqueçam lá isso. Não vai acontecer. A economia, já dizia o outro, é feita de expectativas. Daí que ninguém equacione vender a sua casa por um preço inferior ao que a adquiriu nem, sequer, admita transacioná-la por valores abaixo daquilo que os vizinhos vendem. É o mercado. Podem continuar a apelar ao Estado paizinho que faça isto e mais aquilo. Não resulta. Ninguém está disposto a perder dinheiro.


Obviamente que percebo o drama de quem procura casa. Já estive desse lado. Ainda me lembro o que foram os primeiros anos dessa fase da minha vida. Uma altura em que, imagine-se, até se pagavam os livros escolares e, pasme-se, nem havia essa coisa dos apoios sociais. O que também não havia eram necessidades básicas como viagens de férias, refeiçoar fora, automóvel próprio, telemóveis, cabeleireiros, massagistas, unhas de gel, tatuagens, copos e mais uma infindável panóplia de cenas das quais não se pode abdicar. Faziam-se opções, ou lá o que se chama aquilo que fazemos quando escolhemos os nossos objectivos de vida. E, reitero o que já escrevi em inúmeras ocasiões, cada um estabelece os seus. Nada contra, mas depois não se queixem. 

2 comentários:

  1. O ramo imobiliário é por demais apetitoso.
    Por que será que existe muita gente 'graúda' ligada ao ramo?
    O preço das casas presta-se a especulações, por vezes absurdas. Se é que há especulações boas.
    O 'Expresso' tornou-se em mais uma coisa com letras. Caro e pesado, com conteúdo duvidoso.
    Cumprimentos, caro KK.

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  2. Partilho da sua opinião relativamente ao Expresso. Já foi um jornal de referência e é pena que tenha deixado de ser. Ou que tenha passado a ser de referências manhosas.

    Quanto ao imobiliário é como tudo o resto. Especulações, muitas delas como bem diz absurdas, há em todas as actividades. Quer negócio mais especulativo do que a venda do João Félix ao Atlético de Madrid por 126 milhões? Os lagartos e os andrades ainda hoje têm inveja. Mais ou menos como acontece nos restantes negócios de todos os outros sectores.

    Cumprimentos, caro António.

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