Mostrar mensagens com a etiqueta juros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta juros. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Juros à Lagardère

Uma das frases que mais me apraz ler ou ouvir é que isto ou aquilo vai colocar mais dinheiro no bolso das pessoas. É uma cena fixe, essa de aumentar o pecúlio do cidadão. Tenho, no entanto, muita dificuldade em perceber como é que alguns desses anúncios se concretizam e a maçaroca chega à minha algibeira. Deve ser problema meu. Por exemplo, esta coisa da descida dos juros por parte do BCE. Apesar dos especialistas da especialidade garantirem que o corte nas taxas faz com que as pessoas tenham mais dinheiro disponível ao fim do mês, não estou a ver como é que isso se traduz em realidade para a esmagadora maioria das pessoas. Beneficiará no curto prazo, quando muito, quem possui crédito à habitação com taxas variáveis. Ou seja, provavelmente menos de vinte por cento da população. No longo prazo e se a tendência se mantiver, pelo facto dos encargos com a divida diminuírem, pode libertar recursos públicos para despesas sociais ou assim. Mas nem isso é garantido e, caso aconteça, também não é seguro que beneficie muita gente.


Dito isto e perante os dados do Banco de Portugal, que evidenciam sucessivos recordes do montante investido pelas famílias em depósitos a prazo e certificados de aforro, parece-me que restarão poucas duvidas acerca da maneira como a queda dos juros afectará o bolso da maioria dos portugueses. Mas isso não interessa nada. Seria uma chatice a verdade estragar uma boa história.

sábado, 4 de março de 2023

O Estado a que isto chegou

Screenshot_2023-03-04-14-04-25-794_com.facebook.katana


1 – O Estado não aprecia quem faz pela vida. Detesta quem poupa e quem tem algo de seu. Este é só mais um sinal que não vale a pena ser previdente e ter preocupações com os dias que estão para vir. O que interessa são os amanhãs que cantam. A mensagem socialista não podia ser mais clara. Não poupem, endividem-se e esturrem tudo o que têm mais o que não têm. O Estado-paizinho está para vos ajudar. À custa das poupanças dos outros, obviamente.


Screenshot_2023-03-04-18-58-44-887_com.twitter.android


2 – Os especialistas que defendem o imposto sucessório serão especializados em que especialidade? Inveja, provavelmente. Nunca como nos últimos anos se retirou tanto dinheiro à sociedade para enfiar no Estado e o resultado desse confisco é o que se vê. Já temos o Estado-ladrão, não precisamos do Estado-herdeiro.


3 – Pedro Nuno Santos tem uma legião de admiradores dentro e fora do PS que fará dele, mais tarde ou mais cedo secretário-geral daquele partido e, também, primeiro-ministro. O homem, recorde-se, foi nos últimos anos responsável pela TAP, CP e Habitação. Um bom currículo, convenhamos. E, principalmente, uma boa amostra do que nos espera.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

No poupar é que está o prejuízo...


A malta dos bancos não é especialmente reconhecida pela sua generosidade. É mais de se coçar para dentro, como dizia a minha sábia avó. Nem sequer chega aquele nível dos que dão um chouriço a quem lhes dê um porco. Darão, quando muito, as unhas do bacorito. Mal comparado é o que fazem com as poupanças dos portugueses. Apesar dos sucessivos apelos para que aumentem as taxas de juro a que estão remunerar os depósitos, o resultado é o que se vê.


Claro que, se existisse um banco público, o Estado podia intervir no mercado dando indicações a esse banco para subir as taxas. E quem diz os juros diz, também, reduzir ou eliminar as comissões absurdas que são cobradas aos clientes. Se esse banco público fosse, por exemplo, o maior do sector e seguisse essas práticas, os restantes não teriam outro remédio senão fazer a mesma coisa. Mas não. Por culpa das políticas de direita, dos ultra-liberais, do Passos, do capitalismo em geral ou do que mais calhar o Estado não é dono de nenhum banco. Para chatices já lhe chega a companhia de aviação que comprou um ano destes para os meninos do PS brincarem aos aviões.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Há que redefinir o conceito de agiotagem...

Captura de ecrã de 2022-12-08 18-46-43.png


Por razões ideológicas há quem defenda – no caso da banca, mas noutros também – que todo o sector devia pertencer ou, no mínimo, estar sob o controlo do Estado. Outros defendem exactamente o contrário. Por mim tanto se me dá. Interessa-me é que funcione de maneira séria. Coisa, como a história recente nos mostrou e a realidade actual continua a evidenciar, não acontece. Sejam os privados ou o governo a mandar nos bancos.


Veja-se o caso da Caixa Geral de Depósitos. Não terá sido privatizada para o Estado ficar com o poder de influenciar o mercado. É, pelo menos, a justificação oficial para a sua manutenção na esfera estatal. Embora toda a gente saiba que o verdadeiro motivo terá mais a ver com as incontáveis “colocações”, de políticos e afins, que permite realizar.


Se fosse mesmo para regular o mercado, nomeadamente no que se refere às taxas de juros praticadas nas remunerações aos depositantes, certamente os valores em causa seriam outros bem diferentes. Ter o descaramento de pagar estas taxas por um depósito a prazo, quando nos empréstimos os juros já estarão dez ou quinze vezes superiores, constitui uma afronta. Ou especulação, até. Se é para ser igual aos privados, então, fico esclarecido quanto à razoabilidade das convicções de uns e outros.

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Meter o bedelho...

Acreditava eu que a inflação se combatia com a redução do consumo e implementação de medidas de estimulo à poupança. Não admira a minha ignorância. De economia percebo tanto como um barbeiro, um taxista ou o Presidente da República. Afinal, para combater a carestia de vida, deve é dar-se dinheiro às pessoas para que elas possam comprar cenas inflacionadas. Por mim podem continuar com esse método. O meu IBAN está disponível para o efeito.


Também tinha ideia de, aqui há atrasado, a propósito de uma proposta – chumbada, evidentemente - de um partido qualquer a propor o fim ou a limitação de algumas comissões bancárias, se ter dito e escrito que o governo não podia intervir por se tratar de matéria da competência do Banco de Portugal. Ou isso ou uma explicação parecida, não sei ao certo. Embora, estranhamente, a ingerência já fosse possível quando se tratou de meter dinheiro na banca.


Agora, ao que parece, voltou a ser possível ao governo meter o bedelho nos negócios entre os bancos e os cidadãos. Nomeadamente aqueles que contrataram créditos à habitação. Não é que ache mal, mas fico ligeiramente baralhado com esta selectividade ao nível da ingerência. Dar dinheiro público ao sistema bancário, pode-se. Obriga-lo a renegociar contratos nos quais o Estado não é parte, também. Obrigar a aumentar os juros aos depositantes e/ou proibir comissões abusivas, não pode. Não percebo. Mas não admira. Entendo tanto de economia, finanças e ciências correlativas como o Marcelo. Ou o António Costa.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

0,5%?! Só? Isso é para meninos!

IMG.jpg


O Banco Central Europeu fez saber que aumentou a taxa de juro em meio por cento e, a julgar pelas primeiras reacções, vem aí o drama, a tragédia, o horror e muito possivelmente o caos, também. Tudo em simultâneo, para piorar as coisas. Só que não. Mesmo não sendo um especialista especializado nesta especialidade parece-se que o problema não é esta subida. Terão sido, isso sim, todo estes longuíssimos anos em que os juros estiveram estranhamente baixos. Baixos em demasia, convenhamos.


Ainda sou do tempo em que os juros do crédito à habitação ultrapassavam os dez ou doze por cento. Nessa altura toda a gente, tal como agora, comprava casa e poucos eram os que não cumpriam com o seu pagamento. Não me vou dar ao trabalho de procurar os dados, mas tenho quase a certeza que o incumprimento seria até bem menor do que actualmente.


Na compra de casa, que é onde se estima que este aumento tenha mais impacto, os compradores nada ganharam por as taxas serem historicamente baixas. Pouparam nos juros, mas precisaram de muito mais capital. O que, para quem paga, não faz grande diferença.


Quem, obviamente, também não ganhou nada foram os depositantes. Nem vão ganhar, mesmo que o BCE continue a subir as taxas. Na sequência deste meu post, um leitor enviou-me o print de um extracto bancário que mostra a remuneração do seu depósito. À primeira nem percebi o valor. Aquilo, além de ridículo, é ofensivo. Evidencia de maneira bem elucidativa quem é que tem estado a ganhar com juros tão baixos. Os que têm depósitos e os que contraem créditos é que não são...

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Juro...ou então não!

Aquele senhor que agora manda na Caixa Geral de Depósitos será, com toda a certeza, um gestor de topo. Daqueles muito competentes, até. Já deu provas disso noutros cargos que desempenhou ao longo da sua carreira. Deve ser por isso que é muitíssimo bem pago. Daí que nem me atrevo a criticar – ao contrário do que muita gente tem feito nos últimos dias - aquela ideia de não pagar juros inferiores a um euro. O homem é que sabe. A mim, por exemplo, nunca tal me ocorreria. Mas, se bem me recordo, já terá ocorrido a um bancário que, aqui há muitos anos, terá conseguido engendrar um esquema manhoso qualquer para os arredondamentos dos juros dos depósitos irem todos parar à sua conta. Foi despedido, coitado. Má sorte não ser administrador.