
Sempre ouvi o meu pai dizer que quem guarda o que não presta encontra o que precisa. Não sigo muito essa máxima pelo que, em consequência disso, já me aconteceu em variadas circunstâncias deitar fora um objecto e daí por uns tempos ter de comprar algo igual ou semelhante para resolver uma situação em que a peça jogada no lixo teria servido na perfeição. Apesar disso – e porque é impossível guardar tudo - estou a tentar livrar-me de muita coisa, tentando a sua venda através do Marketplace.
Este post, contudo, não tem a ver com a utilidade presente ou vindoura da tralha que vamos acumulando. Tem, antes, a ver com os burlões que enxamerdeiam – mesmo não existindo parece-me uma palavra adequada – as redes sociais. São, na maior parte dos casos, estrangeiros com perfis falsos que a cada anúncio publicado me invadem o Messenger com propostas quase irrecusáveis de aquisição do item. Inclusivamente oferecendo um valor superior ao pedido. Por norma ignoro, mas já mantive com gente desta diálogos de elevada comicidade. Não foi o caso deste último que, vá lá perceber-se porquê, não aceitou a minha generosa contra-proposta.
Se eu dissesse que concordava com a oferta a criatura iria pedir os dados que, na resposta, lhe pedi. Já, noutras tentativas de burla, tentei enrolar a conversa no sentido de perceber o que fariam com os elementos que eventualmente lhe forneceria. Não obtive sucesso, mas dado que não me pediram dinheiro – ou pelo menos não chegámos a essa fase – continuo sem saber como se consuma o crime. Para além da rudimentar recolha de dados pessoais e eventual utilização em trafico ou “clonagem” de identidades, alguém tem ideia de como funciona este esquema?