
Os autarcas são pessoas conhecidas por amarem os seus munícipes mais do que a si próprios. Amam-nos tanto que não querem que nos falte nada. Nem, sequer, aquelas coisas que não nos fazem falta nenhuma. Mas, justiça lhes seja feita, é graças ao seu inusitado dinamismo que vão surgindo as cenas importantes que contribuem para o desenvolvimento das nossas terras. Como, por exemplo, amplas avenidas com duas faixas rodagem em cada sentido entre-cortadas por inúmeras rotundas. O que é bom, pois faz fluir o trânsito melhorando a circulação de pessoas e bens. Ou não. Porque, como escrevi ontem, o pessoal está sensibilizado para usar apenas a faixa da direita.
Circulava eu um destes dias numa dessas terras, com um olho no GPS e outro nas rotundas à procura de uma saída que me levasse ao destino, na faixa mais à direita e a baixa velocidade, quando dou por mim a comandar um pelotão mais ou menos compacto de seis ou sete carros. Todos devidamente alinhados atrás do meu bólide. O primeiro dos quais coladinho à minha rectaguarda. Por mais que eu reduzisse a velocidade nenhuma das criaturas me ultrapassava. Isto numa recta com centenas de metros, pouquíssimo trânsito e com a faixa da esquerda completamente livre. Afinal para que andou o desgraçado do autarca a esturrar dinheiro?! Se aquilo está ali é para ser utilizado, porra. Ou é apenas vontade de pressionar o forasteiro que não conhece a urbe? Seja como for, é parvo. Mas a coisa ainda piora, como hei-de contar amanhã. Ou um dia destes.
