Há quem garanta que Estremoz está na moda. Não sei se está. Nem a bem-dizer isso me importa muito. É que, assim de repente, não estou a ver em que essa alegada situação contribui para a minha felicidade. Pelo contrário, deve ser por isso e pela vontade de chular quem nos vem visitar atraído por essa fama que os comerciantes locais inflacionam os preços quase ao nível dos sítios verdadeiramente importantes no âmbito do turismo.
Começando pelo mercado de sábado, vi um molho minúsculo de beldroegas à venda por dois euros!!!! Para quem não sabe, trata-se de uma erva – uma praga, quase - muito apreciada na gastronomia alentejana, que nasce espontaneamente nas hortas e que não requer qualquer investimento nem ocupa tempo de trabalho. Depois o café. Paguei oitenta e cinco cêntimos por umas gotinhas que mal cobriam o fundo da chávena. Aliás, se a inclinasse via mesmo o fundo. Por fim um gelado. Uma bola equivalente a uma colher de sopa custou-me dois euros e meio. De realçar que nenhum dos dois estabelecimentos são especialmente “chiques”. São tascos absolutamente banais, daqueles que existem em todas as terriolas.
Serão, certamente, os custos de viver num local que alegadamente estará moda. Será, tudo isto, o mercado a funcionar. Certamente que sim. Nem eu quero que, como noutros tempos, seja o governo a fixar o preço da beldroega, da bica ou do gelado. Mas, digo eu, convinha ter juízo. É que não acredito ser possível aos comerciantes cá do sitio viver apenas dos que nos visitam. Se espantarem os clientes da terra praticando estes preços especulativos não lhes auguro grande futuro. E isto da moda é, como toda a gente sabe, uma coisa muito passageira...
Por aqui é o mesmo e pior ainda mais no centro de Sintra. Não alimento xulos a pão-de-ló e bebo café em casa e tenho gelados cujas caixas não passam de um euro e noventa e nove e almoçar fora? não dá.
ResponderEliminarAdoro beldroegas e apanho um molho no quintal da filha:))))
Beijos e um bom dia
ResponderEliminarAqui nesta terrinha turística é igual
Os madeirenses já não conseguem tomar o seu cafezito numa esplanada à beira mar sem pagar 1€. Uma roubalheira.
Beijinhos
Feliz Dia
Com estes preços só gente endinheirada é que se pode dar a estes luxos com regularidade! Ou então gente a quem o dinheiro não custa ganhar...
ResponderEliminarCumprimentos
Esta classe dos taberneiros vai com demasiada sede ao nosso bolso!
ResponderEliminarCumprimentos.
Pelos vistos o mal é geral. Por aqui, mais a norte, em qualquer eventozeco, nos comes-e-bebes os preços são desproporcionais. Paga-se 20 cl de fraca cerveja a 1,50 euros e por aí fora, um sande de bifanas a 4 euros e por aí fora.
ResponderEliminarQuanto a "beldroegas", de facto na minha horta são uma praga, e das bem tenras e gordinhas. Porque muitas e não as aprecio (mesmo que já experimentadas), sou capaz de pagar a quem as quiser vir colher e vender em Estremoz.
Mas sim, há de facto um oportunismo que não andará longe da fábula da "galinha dos ovos de ouro". À custa de tanta ambição, um dia destes acaba-se a galinha.
O problema é que espantam mesmo. Lisboa que o diga, Sintra idem, o Algarve pelos vistos também.
ResponderEliminarO poder de compra estrangeiro instla-se, corre com os locais e inflaciona os preços. O mercado de Sábado ao qual me desloco de tempos a tempos é um bom exemplo.
Sabem todos o mesmo!
ResponderEliminarE, quase sempre, ao aumento de preço junta-se a diminuição da qualidade...
ResponderEliminarTal e qual como arrendar casa, só arrenda quem pode e só come fora quem tem dinheiro para tal.
ResponderEliminarO valor de um bem é aquele o mercado está disposto a pagar por ele. Por mim não quero viver num país em que seja o governo a fixar o preço de uma renda ou de um bitoque. O resto são pontos de vistas. Legítimos, todos.
ResponderEliminarAs modas é um flash, agora é Évora e arredores primeiro foi a Comporta.
ResponderEliminarQue há 30 anos atrás ninguém gostava da praia eu vivia lá perto. Agora quanto às beldroegas temos muitas no quintal para dar e vender 😀