quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Estes macacos ainda não aprenderam...


No principio, quando a reciclagem era uma novidade, os publicitários inventaram um macaco – o Gervásio, ou lá como se chamava o bicho – mas nos incentivar a reciclar. A tarefa era tão fácil, garantiam, que até o símio a aprendeu a executar em menos de nada. Passados todos estes anos – e são muitos – ainda há uns estafermos que desconhecem o conceito. Ou então – hipótese a não descurar – estão num estádio de desenvolvimento mais atrasado que o Gervásio.
Presumo que a generalidade das pessoas não sabem – o que não surpreende, porque ninguém lhes explica – que o facto de não reciclarem os resíduos que produzem nos custa dinheiro. Muito e a todos. Mas isso parece importar pouco. Afinal nós semos ricos,  samos?!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Mas os cortes são só nas pensões? É que até parece que são apenas os pensionistas as vitimas destes malucos

Deve ser, assumo, problema meu. Mas, de verdade, não estou a ver razão para a histeria colectiva que tem assaltado a comunicação social a propósito da intenção do governo de reduzir as pensões de aposentação. Tudo o resto parece que não interessa. O desemprego, a diminuição de apoios sociais, a falta de perspectiva de futuro para os jovens ou, até porque o barco é o mesmo, os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, não motivam idêntico nível de preocupação nem constituem tema que mereça, da parte dos média, o mesmo tratamento.
Tal ficará a dever-se, não vislumbro outro motivo, ao facto de Portugal ser um país de reformados. São muitos, logo qualquer assunto que os envolva garante audiência. Destes, não são poucos os que ocupam lugares de destaque na governação do país – logo a começar pelo Aníbal, que nunca escondeu as suas preocupações com a sua reforma – e ainda serão mais os que se dedicam a fazer opinião em tudo o que é jornal, rádio e televisão. Nomeadamente a opinar em defesa da sua dama. A sua rica reforma. Que, ao contrário da maioria dos aposentados e dos que trabalham, é mesmo rica.
Não está, obviamente, em causa a reprovação que merece esta medida do governo. Tenho as pontas dos dedos gastas de tanto me indignar contra ela e outras do mesmo genero. O que me repugna é a maneira como a coisa é apresentada. A parcialidade escandalosa com que o assunto é tratado. O descaramento com que me querem fazer acreditar nas dificuldades por que estarão a passar. Que diabo. Eu também tenho cortes no vencimento – o que me deixa visivelmente aborrecido – e ganho várias vezes menos do que aquela malta que me enche o ecrã da televisão de lamentações. Façam menos cruzeiros e vão ver que nem notam a austeridade!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sim, estou de acordo. E simultaneamente de opinião contrária.

Numa coisa concordo com todos aqueles – e têm sido muitos – que manifestaram a opinião, seja qual for o meio utilizado, que o aumento do salário mínimo constituiria um crime contra os mais pobres porque, garantem, isso contribuiria para aumentar o desemprego e dificultaria, ainda mais, o acesso ao mercado de trabalho aos jovens e aos menos qualificados. Contrariado mas não vejo, nas actuais circunstâncias, como não concordar.
Há mesmo quem defenda, não só de agora mas desde tempos imemoriais, que nem sequer devia existir um mínimo estabelecido por lei para a remuneração do trabalho. Por acaso também acho. São, afinal, dois os itens em que estou de acordo com essa corrente de pensamento. É que, vendo bem, se o mundo fosse tão perfeito como estes opinadores defendem, o desemprego seria praticamente erradicado. Arrisco, até, que o problema passaria a ser a falta de mão de obra.
Nunca tinha equacionado a coisa desta forma mas, visto o tema por este prisma, é, de facto, verdade. Contorço-me de raiva por nunca ter pensado nisso antes, enquanto me vergo perante tanta sapiência. Mais, torno-me desde já um defensor dos salários baixos. Baixíssimos, mesmo. Miseráveis, até. E garanto que, caso esta idílica perspectiva se concretize e os ordenados passarem a ser, sei lá, tipo 50 euros por mês, crio de imediato meia dúzia - ou mais - de postos de trabalho lá na herdade. Se houver quem não se importe de ser escravo, claro.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Um autarca em primeiro-ministro?! A esquerda não tem mesmo amor à carteira...

António Costa, o autarca da capital, parece ser o preferido das esquerdas para chefiar o governo a sair de umas próximas – ou apenas relativamente próximas – eleições legislativas. Ao homem são apontadas umas quantas virtudes que, dizem, têm andado afastadas dos antigos e, também, do actual líder do partido socialista. Para além, garantem, de seguramente ser muito mais capaz de governar o país do que o Parvus Coelho.
O meu habitual cepticismo em relação aos políticos - e em particular aos autarcas – não me permite concordar com o quase consenso em redor do senhor Costa. Por muitas razões. A primeira, porque tenho uma vaga ideia de este destacado militante socialista ter sido o número dois do governo socrático. O tal que rebentou com as nossas finanças e que cavou um buraco de dimensões apocalípticas nas contas do país. Como não se afigura provável que o actual edil tenha aprendido grande coisa desde então, está-se mesmo a ver o rumo que isto levará com ele ao leme...
Depois, porque as suas prioridades, mesmo em momento de crise, são de continuar a gastar os recursos que não têm em futilidades, principalmente em tempo de crise, em lugar de pagar as dividas. Ainda ontem o cavalheiro, na inauguração da iluminação de natal da capital, manifestou opiniões curiosas quanto à maneira de gerir o dinheiro dos contribuintes. Para ele poupar, em anos anteriores, nas iluminações de natal foi um erro que não voltará a repetir. Pois. Gaste, gaste. Que no gastar é que está o ganho. Eleitoral, apenas.  

sábado, 30 de novembro de 2013

Os saqueadores são uma espécie que me aborrece


Portugal está – desde há muitos anos – a saque. E, por mais que a ministra da justiça proclame que a impunidade acabou, aquilo que continuamos a constatar é que vivemos num país de saqueadores. Verdade que uns sacam mais que outros. Há quem saque milhões e quem saque tostões. Cada um saca o que pode, portanto. Desde o gajo que, alegadamente, se afiambrou a toneladas de euros do BPN até ao espertalhão que, não menos alegadamente, se vai escapulindo ao pagamento da renda, da água ou da luz que consome. Num e noutro caso cá estão os dos costume para pagar. Mas estes sem essa coisa do alegadamente. Até um dia que se aborreçam de tanto ser sacados. Nessa altura, ao contrário do que gostariam uns quantos velhotes, nem vai ser preciso andar à porrada. Quando o dia do aborrecimento chegar isto cai de vez. Nas calmas. Mas, se calhar, com estrondo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Em busca da pesquisa perdida


Por algum motivo que me escapa, as pesquisas efectuadas no Google já não aparecem nos contadores de visitas. Deve ter algo a ver com a melhoria do serviço ou assim. Perde-se, por causa disso, informação relevante da qual os administradores de bloggers e outros sites extraíam importantes conclusões quanto à melhor forma de manter e cativar a audiência.
Os restantes motores de busca, por enquanto, não adoptaram esta politica. No entanto, dado o número residual de utilizadores que a eles recorrem, não é a mesma coisa. De certeza que entre as pesquisas a que agora já não tenho acesso estarão expressões mais interessantes e curiosas do que a “grande puta tuga” - da qual, espero, o autor tenha encontrado o rasto – ou do leitor gago que pesquisou “n n nuas”.
Depois de me terem saneado do adsense, agora isto. Palhaços. Acho que vou mudar de motor de busca. Não é que eles se importem. Mas eu também não. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

De hipocondríacos a amantes das novas tecnologias.


Não vai longe o tempo em que clínicas e outros espaços onde se realizam exames complementares de diagnósticos ou, até mesmo, centros de saúde estavam cheios de gente. Velhos e novos, doentes ou a vender saúde, não havia cão nem gato que não fizesse toda a espécie de exames médicos.
Hoje estes locais estão praticamente vazios. Inclusivamente os serviços de urgência estão, a maior parte do tempo, quase às moscas. Deve ser, presumo, mais uma nefasta consequência da crise. Ou, então, trata-se de uma espécie de milagre em que a nossa saúde melhorou ao mesmo ritmo que a carteira se foi esvaziando.
O que, estranhamente, continua cheio são os centros comerciais. O que pode questionar isso da carteira estar mais vazia. No último fim-de-semana os tablets, telemóveis daqueles todos catitas e LCD's de dimensões XXL saiam a uma velocidade estonteante da Worten cá sitio. Tudo coisas sem as quais, obviamente, já não podemos viver. Por mais que a crise nos afecte. A crise ou as nossas prioridades.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Não há almoços grátis. Nem reparações à borla.


Sucedem-se noticias de autarquias que disponibilizam serviços de pequenas reparações ao domicilio. Tudo o que diz respeito a carpintaria, electricidade ou canalizações pode ser consertado por pessoal habilitado, para o efeito disponibilizado pela respectiva autarquia local. De forma gratuita e discriminatória. Bom, talvez não seja bem assim. Nomeadamente na parte do gratuito. Porque a menos que o presidente da câmara pague do bolso dele alguém está a pagar. E desconfio que são os discriminados a quem isso da gratuitidade não se aplica. Inconstitucionalidadezinha da boa, parece-me.
Não sei se a dificuldade cada vez maior em encontrar um carpinteiro, canalizador ou electricista para fazer uma pequena reparação estará, ainda que vagamente, relacionada com tão inteligente medida de apoio social. Talvez não esteja. O pessoal é que está cada vez mais preguiçoso e não se quer dedicar a actividades que envolvam esforço físico. Deve ser isso.

domingo, 24 de novembro de 2013

Ainda isso das quarenta horas


Estremoz será, alegadamente, a única câmara do distrito e uma das poucas no país a aplicar a lei que estabelece o horário de trabalho da função pública em quarenta horas semanais. Nada de mais. Lei é lei e, tanto quanto se sabe, é para cumprir. Daí que tal atitude não constitua, na minha modesta opinião, motivo para elogios ou reparos. É assim e pronto.
O mesmo não digo de certas vozes que, cá pelo burgo e também no resto do país, não contêm o seu regozijo de cada vez que os funcionários públicos vêem piorar a sua situação profissional e financeira. Deviam, digo eu, ter percebido – até porque muitos já o sentem na pele – que qualquer patifaria feita pelo governo à função pública se reflecte, inevitavelmente, no resto da comunidade. Mais ainda numa terra pequena onde a dependência do Estado é esmagadora.
Se a perda de rendimentos conduziu à quebra do consumo e consequente diminuição das vendas, o aumento do numero de horas de trabalho está a piorar ainda mais o cenário. É, pelo menos, do que se queixam alguns comerciantes da cidade. Coisa que devia preocupar – no lugar deles preocupava-me – os que olham com satisfação as atitudes persecutórias do governo. Até porque elas podem significar mais encerramentos de lojas, despedimentos e o resto a que já vamos estando habituados. Mas se o povo gosta...
Perante esta evidência reconheço que me equivoquei quando,  aqui há atrasado, me pronunciei contra a extinção de uns quantos feriados. Afinal o governo tinha mesmo razão. Mais dias de trabalho corresponderão, necessariamente, a um aumento do produto interno bruto. Assim como, inversamente, na sequência da mesma lógica, menos horas de descanso – ou sem trabalhar – diminuirão o consumo. O pequeno comércio local atesta a eficácia da teoria.

sábado, 23 de novembro de 2013

As varandas da crise


Por causa da crise ou de outra coisa qualquer é cada vez mais frequente encontrar alfaces, couves ou outros vegetais comestíveis em locais onde antes apenas existiam ervas ou flores. É o caso desta varanda no centro da cidade. Com a vantagem, relativamente ao meu quintal, da plantação estar a salvo de lesmas e outra fauna como a que arruína a minha “horta”.
É por causa dessa bicheza que, também eu, aderi à “agricultura de vaso e garrafão”. Primeiro foram os morangos e, agora, um criadouro de alfaces. Que, a seu tempo, serão também plantadas no vasilhame estrategicamente espalhado pelo quintal. A salvo, espero, de toda a espécie de rastejantes, criaturas aladas e gatos incontinentes.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O cliente tem sempre razão...excepto nisso da cultura!


Sou um inculto. Revelação que, diga-se, não constitui novidade para ninguém. Muito menos para mim. Mas, fiquei a saber desde esta semana, não sou o único por estas paragens. A julgar por aquilo que tenho lido na Internet os habitantes de Estremoz, todos sem excepção, padecem de uma profunda falta de cultura. Isto porque, pasme-se, nem um só residente desta terra foi assistir a um espectáculo espectacularmente espectacular que estava agendado para o fim-de-semana passado.
Sim, é verdade. Nem um estremocense se dignou a fazer companhia ao único actor que ia subir ao palco do teatro cá do sítio. E isso, compreensivelmente, indignou o pessoal envolvido na peça – que se propôs vir apresenta-la por sua conta e risco – e, incompreensivelmente, uns quantos fulanos que, nas redes sociais, desataram a encontrar culpados pela total ausência de público. Tudo tem servido para justificar o fracasso. Nomeadamente a ofensa reles a funcionários do Município, a atribuição da culpa pela situação ao presidente da câmara e um argumentário de nível abaixo de idiota quanto à pretensa falta de divulgação do evento. Nada que surpreenda muito. Porque, como se sabe, para o pessoal da cultura – esses seres iluminados e de inteligência superior – a culpa é sempre dos outros e nunca deles.
Em momento algum aquela malta equaciona a hipótese de o espectáculo não ser assim tão bom ou admita que nesta terra não exista público para aquele tipo de trabalho. Nem - pelo menos isso - reconheça que temos o direito de, enquanto consumidores seja de cultura ou de outra coisa qualquer, comprar apenas o que nos apetece. Por melhor que seja o produto que nos estão a tentar vender. O que, se calhar, nem era o caso.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ainda o horário de trabalho da função pública


De entre as coisas que me aborrecem a xico-espertice é uma das que ocupa os lugares cimeiros da lista. O xico-esperto é um daqueles seres – em abundância neste país - que não me merece nenhum tipo de respeito e que desprezo profundamente.
O que se está a passar relativamente à questão do horário de trabalho da função pública é, apenas, mais um exemplo do xico-espertismo nacional. O que penso acerca do assunto está mais que explanado em vários posts que dediquei ao tema e, por isso, não faço hoje considerações sobre a bondade, ou falta dela, da decisão de pôr a função pública a trabalhar oito horas.
Aquilo que deixa os meus poucos cabelos em pé é atitude deplorável dos sindicatos e de outros agentes políticos perante a matéria. Primeiro, porque não estou a ver a razão objectiva – subjectivas até vejo muitas – para recursos e providências cautelares. A lei é clara, não deixa margens a interpretações manhosas e não constitui qualquer tipo de discriminação entre trabalhadores do privado e do público. O governo legislou – foi, de resto, para isso que os portugueses o elegeram – e não devem ser outras instâncias, por mais legítimas que sejam, a decidir sobre assuntos da esfera politica. Até porque não me lembro – mas admito que a minha memória me esteja a atraiçoar – de ter ido votar para a eleição de qualquer tribunal. Constitucional ou não.
Depois, porque a luta política em redor do assunto é apenas baseada no oportunismo e protagonizada essencialmente por xicos-espertos. Veja-se o recente caso da greve protagonizada pelos trabalhadores dos transportes colectivos do Barreiro contra a aplicação das oito horas de trabalho por parte daquela autarquia. Liderada, recorde-se, pelo partido comunista. Neste caso, a luta contra a imposição do novo horário não terá merecido grande simpatia, muito menos solidariedade, dos sindicatos e pessoal afecto ao poder camarário. Está-se mesmo a ver que a cor política da autarquia não tem nada a ver com isso… os gajos dos autocarros é que devem ser uns beras do caraças de quem ninguém gosta.

Continua. (Amanhã ou noutro dia qualquer…)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Mais estacionamento tuga!


Se isto da blogosfera ainda desse dinheiro como dava antigamente, o “estacionamento tuga” era coisa para, só por si, constituir motivo mais do suficiente para criar um blogue dedicado ao tema. Assunto para o alimentar não faltava.
Ao tuga de hoje pareceu bem estacionar assim. De esguelha. A ocupar todo o passeio. Que, ao que sabe, ainda é o espaço reservado para circulação de peões. Pessoas a pé, portanto. A menos que, numa interpretação mais moderna da legislação que regulamenta esta matéria, se defenda que o código da estrada não se aplica aos passeios e, sendo assim, nele o automobilista pode fazer o que muito bem lhe apetecer.

domingo, 17 de novembro de 2013

As laranjas da crise


Fruta. Muita fruta. Coisa suficiente para, se no quintal adequado, ganhar dois ou três campeonatos. Como é no meu não vai além de uns quantos sumos. 

sábado, 16 de novembro de 2013

Estacionamento tuga



No que ao acto de estacionar diz respeito, o tuga é um verdadeiro mestre. Estaciona com mestria inigualável a carripana nos locais mais improváveis e mesmo que isso prejudique os outros, ao tuga pouco importa. Eles que façam o mesmo. Desenrasquem-se.  

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

E que tal cortá-los a eles?


O discurso oficial começa a ser perigoso. Diria, até, a dar sinais preocupantes de discriminação relativamente aos funcionários públicos que já vai muito para além da demagogia oficial e do ódio latente que grassa em muitos sectores da sociedade. Dizia ainda agora um deputado da maioria, a propósito do orçamento de Estado para 2014, que a “opção do governo foi cortar no Estado em vez de cortar nas empresas e nas pessoas”. Assim. Sem tirar nem pôr. O que significa, face aos cortes previstos no diploma em discussão, que aos funcionários públicos e aposentados, segundo o ponto de vista de PSD e CDS, não é atribuída a condição de pessoas.
É este tipo de gente – nem sei se lhe atribua este estatuto - que nos governa. Uns porcos. Que não respeitam o povo que governam. Só me apetece mandá-los levar no cú. Mas é melhor não. Às tantas ainda gostam. 

Boas noticias para alguns eleitores...para outros nem por isso.


Pelas notícias que têm sido divulgadas nos últimos dias verifica-se que são muitos os municípios a reduzir as taxas e preços por si praticados. Nomeadamente, por ser a que mais pesa nos bolsos dos contribuintes, os valores que até agora vinham cobrando pelo IMI. É, sem dúvida, uma excelente medida para os contribuintes residentes nos concelhos que estão a optar por estas reduções. Pode também significar que os autarcas estarão, finalmente, a ganhar juízo e a perceber que isso do rigor nas contas públicas toca a todos. É que a diminuição de receitas que está associada a estas deliberações, acrescida aos cortes nas transferências do Estado e à diminuição natural de outras receitas provocada pelo ajustamento no comportamento de empresas e cidadãos, vai provocar um rombo colossal nos orçamentos municipais. Para o qual, espera-se, todos terão de estar preparados. Porque isto, não sei se toda a gente sabe, a menos receita terá forçosamente de corresponder menos despesa. E isso, se desejável e indispensável, é capaz de não estar a ser assimilado pelos eleitores. Nem, se calhar, pelos eleitos que assim decidem. Para além de, quando o exercício de 2014 estiver a decorrer, a coisa ser susceptível de provocar reacções com um nível de entusiasmo significativamente mais comedido…

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Retoma ao raiar do dia


Teremos, alegadamente, saído da recessão. Uma boa noticia, concordemos. Em boa parte, ao que parece, também devido à melhoria verificada na procura interna. Perante isto o que faz o governo? Prepara-se para voltar a diminuir salários, obviamente. Como faria qualquer parvo. Que essa coisa da recessão não é para ser abandonada assim sem mais nem menos. Até porque ninguém manda a malta ser alarve e andar por aí às compras.
Por falar em compras, procura interna e trapalhadas correlativas. O LIDL abriu hoje em Estremoz a sua nova loja. Para além dos visitantes já esperados, provavelmente atraídos pela oferta do pequeno-almoço ou das castanhas, os clientes terão sido mais que muitos. O primeiro, parece, terá chegado quase de madrugada. Para, logo que a loja fosse inaugurada, ter a honra de ser o primeiro a fazer compras na nova superfície comercial. Um consumidor motivado a contribuir para a retoma e a quem os cortes na pensão não tiraram a vontade de adquirir coisas, pelos vistos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Desiludidos?! Ninguém os manda ser parvos.


As primaveras árabes, tão queridas da esquerda e da intelectualidade lusitana que não se cansou de as comparar ao nosso 25 de Abril, contribuíram para degradar ainda mais os direitos das mulheres. Na altura não partilhei do entusiasmo generalizado que corria pela blogosfera. Não era difícil prever que seria mais ou menos isso que acabaria por suceder. Por mais que custe a aceitar a internautas ingénuos ou catraios que mal largaram os cueiros armados em comentadores de meia-tigela. Podiam, digo eu que nem gosto de dar conselhos, era ser um bocadinho menos parvos e admitir que outros possam ter uma visão diferente acerca do mesmo acontecimento. Menos académica, mas mais fundamentada na experiência de vida. E próxima da realidade, no caso.

Prioridades leva-as o fumo


Claro que nisto dos bairros sociais, como se calhar em todos os outros lugares, há gente de todas as condições. Ricos, remediados e pobres. Desde aqueles que, provavelmente num gesto ímpar de altruísmo, pagam onze mil euros de quotas em atraso aos seus camaradas de partido, até aos que não têm dinheiro para, sequer, pagar coisas básicas como o fornecimento de energia e água. Ainda que, mesmo estes últimos e em muitas circunstâncias, tudo se resuma a uma questão de prioridades. Como muito bem dizia uma senhora já velhota, igualmente residente num bairro portuense que tem sido noticia ultimamente por razões relacionadas com calotes a empresas prestadoras de serviços. O que se confirma pelas declarações do vizinho que, garante, não paga a luz nem a água desde tempos imemoriais. Não tem dinheiro para isso, lamenta-se. Enquanto acende um cigarro e manda umas baforadas.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Só posso ter ouvido mal. A "responsabilidade pelas instalações é do sindicato" ?! Mas o que é que andam a fumar em Évora?!





Diz que, por causa da greve da função pública, algumas autarquias do Alentejo estiveram de portas fechadas na última sexta-feira. Num dos casos onde isso ocorreu ficámos a saber, através de reportagem exibida pela SIC, que a iniciativa do encerramento das portas terá partido do sindicato. Por, dizia uma sindicalista, o sindicato ter entendido que não estavam reunidas condições de segurança para o edifício estar aberto. Embora, salientou, tivesse sido autorizada a entrada aos trabalhadores que não aderiram à paralisação. Era, digo eu, também o que mais faltava. Ainda que, encerrar lá dentro quem decidiu exercer o direito a ir trabalhar, constitua uma evidente forma de pressão sobre os que optaram por não fazer greve.
Não sei se é só a mim, mas, assim de repente, parece-me que o facto de uma estrutura sindical a determinar o fecho de um edifício público não será uma coisa muito legal. Mais espantoso é o chamado poder local democrático lá do sitio pactuar com actividades deste género. Por mais simpatias partidárias que existam entre uns e outros. É verdade que isto só acontece em municípios liderados pelo partido comunista. Onde, como todos sabemos, existe democracia e essa coisa das perseguições e da falta de liberdade ficam à porta.  

domingo, 10 de novembro de 2013

A sério?


O Aeroporto de Beja assume-se como um importante motor para o desenvolvimento económico e social da Região do Alentejo, contribuindo, de forma inequívoca, para o combate ao isolamento e à exclusão, constituindo um instrumento de grande eficácia na promoção de maior coesão social e territorial, tal como se assume, também, como uma infra-estrutura aeroportuária de relevância nacional.
Não. Não encontrei esta pérola em nenhum site de anedotas. Nem mesmo desses com anedotas parvas e sem graça sobre alentejanos. Mas podia. Esta prosa brilhante e inspirada está publicada num site institucional.Podiam ter esturrado o nosso dinheiro à vontade mas não precisavam de nos chamar parvos. Não havia necessidade. Podiam era ser sérios.Só um bocadinho, pelo menos.


Não podiam ter um animal doméstico que não aborreça? Uma tartaruga, por exemplo. Um hamster, talvez.



Hoje foi dia de semear as ervilhas da crise. O que envolveu aquela tarefa chata e desagradável de cavar a terra onde os ditos legumes iam ser semeados. Cavar – já devo por aqui ter escrito isto – é de todas as coisas que já fiz a que mais me aborrece. E, atrevo-me mesmo a dizer, também das que ainda não fiz.
O cenário piorou perante a quantidade de merda de gato com que me deparei durante a preparação do terreno. Desconfio que todos os felinos do bairro vêm cagar ao meu quintal. Era cada cavadela cada bosta. Ou quase. Eram muitas, pronto. E, chamem-me o que quiserem, foram todas direitinhas para o meio da rua. Literalmente. Porque se eu não tenho gatos, nem vou cagar ao quintal dos outros, por que raio hei-de apanhar a merda que não é minha? Assim pode ser que algum dos donos a pise. Ou, pelo menos, se sinta incomodado com a javardice que ficou à vista de todos.
Já agora, alguém conhece uma maneira eficaz de manter os bichanos afastados? Soluções demasiados drásticas serão liminarmente ignoradas, obviamente. 

sábado, 9 de novembro de 2013

Não me apetece pagar as prioridades dos outros


A EDP resolveu suspender os cortes de energia que vinha fazendo na região do Porto aos supostos clientes que não pagam a conta ou, melhor ainda, puxam a energia do poste mais próximo. São boas noticias. Nomeadamente para aqueles que não têm o pagamento das despesas básicas de uma casa no topo das suas prioridades.
Para muita gente há, primeiro, que tratar do bólide topo de gama, da roupa de marca e de outras coisas igualmente essenciais à manutenção do estilo de vida. Nem todos, como é óbvio, adoptarão este padrão de comportamento. Muitos estarão desempregados ou terão reformas pouco mais de miseráveis. Tal como acontece em qualquer outro ponto do país. Gente essa que cumpre, sabe-se lá com que sacrifícios, as obrigações que assumiu para poder viver com alguma dignidade. Sacrifícios que alguns não querem fazer porque acham que alguém os deve fazer por eles. O que revela bem a falta de dignidade dessa malta.
De estranhar é que as entidades oficiais pactuem com situações deste género e pressionem uma empresa privada – se fosse pública era reprovável na mesma - para discriminar clientes. Sim, porque quando uns pagam e outros não estamos perante um acto discriminatório. O que, presumo eu, deve ser inconstitucional. Pelo menos em circunstâncias idênticas o tribunal especializado nisso da Constituição já decidiu nesse sentido.
Seja como for, por mim está decidido. Mal acabe a tarifa bi-horária vou mudar de fornecedor de energia eléctrica. Não estou para continuar a pagar a luz que não consumo.  

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

De repente, a norte, começaram a preocupar-se com o despesismo...


O clube de futebol do Porto está indignado. O que é perfeitamente normal dado que aquela rapaziada quando não ganha fica nesse estado. Mas a indignação deles, desta vez, é assaz original. Tem a ver com a decisão da Câmara de Lisboa de apoiar financeiramente a construção de uma estátua em homenagem a um antigo dirigente do maior clube português. O que, na opinião da agremiação nortenha, se trata de um luxo desnecessário e de um despropositado acto despesista da autarquia da capital. Pode, admito facilmente, até ser. Mas, recorde-se, estarão em causa cerca de cinquenta mil euros. Muitas, mas mesmo muitas vezes menos do que a Câmara de Gaia gastou no centro de treinos que construiu para usufruto do tal clube do norte. Ou do que custaram as muitas recepções aos “Dragões” patrocinada pelo Menezes, o ex-autarca esbanjador da margem sul do Douro. Convinha, perante a desproporção dos valores em causa, ter um certo sentido do ridículo. Mas isso deve ser pedir demais ao velhote gagá. Ou xexé, sei lá.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

E é a isto que chegou o nível da discussão acerca das funções do Estado…


Quase todos acham bem que o Estado reduza as suas despesas. Desde que isso, claro está, não os afecte. A polémica dos últimos dias em torno do financiamento do ensino particular vem, mais uma vez, evidenciar este nosso estado de espírito. A defesa desta opção do governo tem vindo a ser feita de forma acérrima pelos mesmos que, ainda não há muito tempo, defendiam o fim da Adse com o argumento que os impostos de todos não devem financiar privilégios de alguns. Menos ainda quando quem deles beneficia pode utilizar, como todos os restantes, as infraestruturas públicas de saúde.
É notável o nível de incoerência dos defensores do chamado cheque-ensino ou desta espécie de PPP para a educação que a TVI recentemente denunciou. No caso da Adse o sistema é em grande parte sustentado pelos descontos de quem dele usufrui e, como está amplamente demonstrado, fica mais barato ao Estado do que o SNS. No entanto, talvez por um ódio cego aos funcionários públicos, defendem a sua extinção. Já no que diz respeito ao ensino, sem que ninguém faça um desconto específico para isso, acham que o Estado deve suportar a opção de quem entenda colocar os filhos numa escola privada, ainda que ao lado exista uma pública. Trata-se de liberdade de escolha, segundo eles. Mesmo que mais cara e que todos a paguemos. A mesma liberdade – eles chamam-lhe privilégio – que não querem reconhecer a quem paga para ter essa escolha. Coerente esta gentinha.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Ora aí está um puto capaz de desenvolver as competências adquiridas no âmbito do desacato.


Há coisas que me são extremamente difíceis de entender. Deve ser, presumo, da idade. A historieta do catraio que tem acessos de fúria em plena sala de aula é uma delas. Ou melhor, até percebo que o puto espatife o mobiliário, faça um berreiro danado capaz de se ouvir em Espanha ou morda quem lhe aparecer pela frente. O que já não entendo é como é possível que reincida no comportamento no dia – ou dias – seguintes. Só a ausência de castigo adequado e proporcional ao desacato que provocou é que podem justificar a reincidência. Se não o teve, então é óbvio que tem de ser mantido afastado das pessoas normais, que estas não têm obrigação de aturar as bestas dos outros.
Os pais, provavelmente, serão do mesmo calibre e, por isso, incapazes de educar o gaiato. Mas disso não têm culpa os alunos, funcionários e professores obrigados a partilhar o mesmo espaço com a fera. Muito menos a ser vitimas passivas da sua má educação. Mas, graças à ditadura do politicamente correcto em que vivemos, ninguém pode tocar no fedelho. Quem o fizer está metido em sarilhos. E o pior é que esta maneira de encarar as coisas, apenas defendido por uma ínfima minoria de anormais auto convencidos da sua genialidade, está apenas a servir para criar delinquentes. Os mesmos que, espero, mais cedo do que tarde tratarão de lhes ir às trombas.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

E o louco sou eu?!


O país está, hoje, certamente mais rico. Graças, entre outras coisas, ao facto de trabalharmos mais horas, mais dias por ano e, principalmente por termos ordenados mais baixos. A riqueza, aliás, vê-se em cada esquina, em cada rua e em cada largo. Diria, até, que se vê cada vez mais ao longe e mais largo.
Tudo isto sem ter sido necessário criar um Ministério da Felicidade Suprema como fez o outro maluco - tão maluco que até faz parecer o Chavez um tipo sensato - lá da Venezuela. De resto, nós nem temos por cá malucos daquele quilate. Jamais teremos no governo um louco que nos garanta estarmos a viver um milagre económico, jure que existem linhas vermelhas para os sacrifícios que jamais serão ultrapassadas e que veja tantos sinais de retoma que até chateiam de tantos que são.
Não é que me esteja a fazer ao lugar, mas ando desconfiado que já vi alguns desses tais sinais de retoma. Inclusivamente um apareceu-me sob a forma de um pombo. Estava metido num buraco, olhou para mim, em seguida bateu as asas duas ou três vezes e desapareceu. Foi um sinal. Inequívoco. Daqueles que só um louco não ia entender. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Marmelada


A publicação de fotos intimas, escaldantes e capazes de fazer arregalar os olhos a qualquer um – ou qualquer uma, que não quero cá discriminações - não tem sido prática regular aqui no Kruzes. Mas isto nem sempre nem nunca, como sabiamente dizia a minha avó. Daí que hoje divulgue uma imagem que é tudo isso. Intima, porque obtida no recesso do meu lar; escaldante, porque acabadinha de sair da panela; e capaz de, pelo menos aos apreciadores, provocar um arregalar de olhos. Porque estes também comem.
Fica assim documentada, da forma possível, a qualidade da marmelada feita por mim e pela minha Maria. E sim, estava tão boa quanto parece. 

domingo, 3 de novembro de 2013

E ainda agora foi eleito...


Não sei se percebi bem o que disse Rui Moreira, o recém eleito Presidente da Câmara Municipal do Porto, a propósito dos cortes de luz num bairro social da invicta. Para além da despropositada solidariedade que manifestou para com as pessoas que acediam de forma irregular ao fornecimento de energia, pareceu-me ouvir que o homem quer ser previamente informado sempre que a EDP for cortar a electricidade a um cidadão do Porto. O que, a confirmar-se, será um dos maiores disparates já alguma vez proferido por um autarca. Por todas as razões. Principalmente porque o seu Município é um dos maiores senhorios do País e, com esta posição, está manifestamente a colocar-se numa posição difícil de sustentar quando quiser cobrar a renda aos caloteiros. Presentes e futuros.
Depois vem tudo o resto. A água, o gás, o telefone, a TV por cabo, a Internet ou mesmo a conta da mercearia. De certo o senhor também pretenderá ser avisado sempre que uma empresa destas áreas de negócios interrompa o serviço a um qualquer consumidor do seu concelho. Ou, por que não, quando o merceeiro lá do bairro resolva deixar de vender fiado...

sábado, 2 de novembro de 2013

Orçamento?! Estamos contra!


A agente infiltrada do Kruzes na manifestação promovida pela CGTP, para protestar contra o orçamento de Estado para o ano que vem, constatou o que se aguardava que constatasse. A fraca adesão a este tipo de iniciativa e a pouca indignação manifestada pelos participantes. Reformados na sua maioria – é o que garante a espécie de enviada especial do KK - que aproveitaram o dia para um passeio. Assim do tipo caminhada matinal mas aos gritos. O que é bom. Exercita o pulmão. Pena que não tenham tido a mesma prática quando da aprovação de sucessivos orçamentos que se expandiram muito para lá dos recursos existentes no país. Se o tivessem feito talvez ontem a canseira fosse escusada...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Não pagam e ainda reclamam!!!!

A julgar pelos valores alegadamente em causa, foi com vários anos de atraso que a EDP resolveu interromper o fornecimento de energia a um número significativo de consumidores de um bairro de mau aspecto na cidade do Porto. Que – pasme-se – ainda têm o descaramento de vir para a rua e, principalmente, para as televisões manifestar o seu protesto por terem ficado sem luz. Devem achar que se trata de uma espécie de direito adquirido que lhes foi roubado. Só faltou, mas tenho esperança que rapidamente alguém o faça, pedir a inconstitucionalidade da acção da EDP. Surpreendente, também, é ainda não ter surgido a notícia de que já foi interposta uma providência cautelar, convocada uma manifestação ou, no mínimo, posta a circular uma petição a favor do direito a luz eléctrica grátis. E, já agora, água, gás, telefone, internet, combustível, droga…

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dia mundial da poupança



Quando se assinala o dia mundial da poupança as noticias não são as melhores para quem procura manter o hábito de poupar. Isto porque o governo prepara-se para voltar a mexer nos nossos bolsos. Área que, diga-se, domina na perfeição e onde os membros que o integram revelam uma imaginação verdadeiramente prodigiosa. Desta vez os alvos são os descontos, as promoções e os cartões de fidelização das principais cadeias de distribuição. É que isso de ficar com mais uns euros na algibeira – ou gastá-los no que mais lhe aprouver - choca frontalmente com o esforço do Parvus & Companhia para reduzir a cinzas o poder de compra do pagode.
O argumento utilizado – algo relacionado com as relações entre produtores e comerciantes – constitui um disparate. Primeiro porque o Estado, até pela doutrina vigente, deve limitar ao mínimo a sua intervenção na economia – sempre que o faz as coisas pioram – e depois porque ao alegadamente pretender proteger os produtores em detrimento dos consumidores acabará, mais cedo do que tarde, por prejudicar quem produz. Mas esperar que a gaiatagem a quem o país está entregue perceba isso é ter as expectativas demasiado elevadas.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Incumpridores



A lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso é, seguramente, a lei mais odiada pelos autarcas. Só porque – veja-se bem o desplante destes governantes de direita – não permite que os organismos públicos, sejam eles quais forem, gastem o dinheiro que não têm. Daí que alguns a ignorem liminarmente e que outros arranjem esquemas, mais ou menos mirabolantes, para a contornar.
No site de uma rádio da região está disponível uma informação, veiculada pelo novo executivo municipal lá da terra, dando conta da situação da autarquia relativamente ao cumprimento daquela lei. Donde, sem grandes surpresa, se pode constatar que aquela Câmara não estará – ou estaria - a cumprir as determinações legalmente estabelecidas quanto à assunção de compromissos. Mas o pior, embora já bastante grave, nem é isso. Espantoso é que o Município não surja na lista de incumpridores divulgados pela Direcção-Geral do Orçamento. Convinha era que os contribuintes soubessem porquê. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

De um estudo que durou sete anos saiu isto?!

O governo – ou alguém por ele – anunciou que vai produzir legislação no sentido de regulamentar a posse de animais domésticos. Nomeadamente por quem reside em apartamentos. Ou mesmo em vivendas desde que não isoladas. Escusado será dizer que acho muitíssimo bem.
Lamentável é que, provavelmente, vai-se desperdiçar uma oportunidade de legislar a sério sobre a matéria. Permitir dois cães ou quatro gatos por residência, ainda mais quando se trata de condomínios, ainda constitui uma aberração. Isto se, como é expectável, o lobbie dos animaizinhos não conseguir elevar o número para o dobro.
Ter um bicho destes em casa é uma evidente falta de higiene. Por mais que se procure negar esta evidência. E se dentro de quatro paredes isso é lá com eles já para os restantes habitantes de um prédio ou - em maior escala - de uma cidade, não é assim. Há, por isso, que impor regras. Sem medos.
Também muito se escreveu e disse sobre a proibição de fumar em locais fechados e hoje, todos reconhecemos, tratou-se de uma excelente decisão. O mesmo acontecerá com medidas como a que agora se anuncia. É tudo uma questão de hábitos. Bons, espera-se.

domingo, 27 de outubro de 2013

Que gente tão boazinha

O facto de milhares de pessoas partilharem esta imagem é, no mínimo, comovente. Mostra que ao contrário do que acontece comigo são pessoas sensíveis e com bom coração. Fofinhas, vá. Embora pareçam pensar mais com o rato do computador do que com a cabeça.
Pois eu não partilho, não apoio e acho esta ideia absolutamente parva. Já existe acção social escolar que chegue. Os meninos carenciados tem livros, material escolar, alimentação e transporte à borla. Ou a preços reduzidos. Bem vistas as coisas, até aqueles que não terão grandes carências beneficiam do sistema. Basta que um ou outro “item” se enquadre em determinados critérios esquisitos que apenas a malta do social e da educação entende. Ser de etnia cigana ou filho de mãe solteira ou divorciada, por exemplo, dá logo direito a apoio social. Mesmo que chegue à escola num automóvel topo de gama ou a mamã ganhe mil e duzentos euros por mês.
Por isso deixem-se de tretas. Quem puder pagar que pague. Quem não puder que seja ajudado na medida das suas necessidades. A vida custa a todos e gente a mamar já existe em demasia. Mas se quiserem continuar a ser parvos estão à vontade para partilhar tão comovente imagem lá no facekoiso...

sábado, 26 de outubro de 2013

Onde estão estes manifestantes sempre que se anuncia mais despesa?!


Onde estavam estes canalhas no 25 de Abril de 1974?” perguntava-se num cartaz passeado em Lisboa durante a manifestação de hoje. Os canalhas serão, adivinha-se, as actuais governantes. Onde estavam, parece-me, não interessará muito. Até porque, nessa data, a maioria deles não passavam de uns pirralhos. Seria, digo eu, muito mais interessante saber onde estava toda esta gente, que agora protesta, quando os governos da época decidiram construir os estádios do Euro, as autoestradas onde ninguém passa ou a distribuição generalizada de dinheiro pelos mais variados sectores da sociedade. A aplaudir o Guterres e o Sócrates, quase de certeza. Ou a babar-se de entusiasmo com tanto desenvolvimento, pelo menos.

Ridícula. A velha, que o animal não tem culpa.


Há quem pareça fazer questão em tornar o seu cão parecido consigo. Ou assemelhar-se o mais possível ao canito. Tudo depende do ponto de vista. Um ou outro é igualmente estúpido. Mais dia menos dia ainda hão-de querer que o bicho tenha conta bancária. E um cartão multibanco, também. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Frutos da crise


Morangos, no quintal cá de casa, e romãs, na propriedade agora a modos que concessionada, são os únicos comestíveis de produção própria em condições de serem consumidos. A agricultura da crise está, portanto, mais ou menos num interregno. Pelo menos no que diz respeito a colheitas. As sementeiras, em virtude da concessão da courela, vão cingir-se ao logradouro. Logo que as condições climatéricas, manifestamente adversas nos últimos dias, o permitam. Isto no caso de se verificar, para além do elemento meteorológico, uma conjugação de outros factores. Nomeadamente que a minha aversão ao acto de cavar seja ultrapassada. De forma temporária, claro.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Viver à pala da fornicação

O governo pretende que as empresas proporcionem aos seus trabalhadores as condições necessárias para que estes passem mais tempo com as suas famílias. Deve estar, calculo, preocupado com a baixa natalidade e pretenderá assim, sem custos para o erário público, que os portugueses desatem a procriar. O que é bom. Nomeadamente a parte que envolve a procriação. Que é, diga-se, essencial para que o país possa ter algum futuro.
Esta intenção é, no entanto, de uma incoerência a toda a prova. Assim do tipo faz o que eu digo mas não faças o que faço. Isto porque para os seus trabalhadores os governo não concede aquilo que sugere aos privados. Pelo contrário. Em lugar de lhes conceder mais tempo para estar com a família, aumenta-lhes o horário de trabalho. O que, a meu ver, constitui mais uma inqualificável discriminação. Das piores, no âmbito das discriminações.
Quem não precisa de incentivos para se reproduzir é um determinado grupo de cidadãos que alguns insistem em apelidar de etnia cigana. Multiplicam-se que nem coelhos. Ou ratos, que também se reproduzem que é uma coisa por demais. O número de gaiatas – terão treze, catorze ou quinze anos, quando muito – grávidas, com bebés ao colo e outros a reboque, é assustador. São mais que muitas ali para os lados do resort. Será, presumo, a forma de aquela gente manter um certo estilo de vida à custa dos subsídios da segurança social. Viver à pala da fornicação, em suma. Claro que se não fossem ciganos tratar-se-ia de pedofilia, assim é um salutar caso de preservação das tradições culturais. Será. Mas por este andar um dia destes isto é a Roménia. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Olha quem foi eleito presidente de câmara


Ricardo Rodrigues vai ser presidente de Câmara. Trata-se, como muitos se lembrarão, do deputado que inadvertidamente levou consigo o gravador do jornalista que o entrevistava. Coisas que acontecem. Nomeadamente isso dos gravadores e de levar consigo objectos que alegadamente pertencerão ao interlocutor. A mim está sempre a acontecer. Até à distância me acontece. De cada vez que o Parvus Coelho vai à televisão fazer uma das suas “conversas em família” leva-me uma parte do ordenado.

domingo, 20 de outubro de 2013

Autocarros ao serviço do povo, pá!

Ontem foi um dia bom para as empresas de camionagem. Nomeadamente as que alugam autocarros de transporte de passageiros. Mais um a juntar a muitos outros que já passaram e a outros tantos que hão-de vir. Ainda bem que é assim. Faz lembrar aquela velha máxima: “Quando todos choram o gajo dos lenços ganha dinheiro”. Ou algo parecido, para o caso importa pouco.
O que importava saber era o que faziam ontem à tarde em cima da ponte 25 de Abril dezenas de autocarros de câmaras municipais. Concorrência desleal, provavelmente. E gastar dinheiro aos contribuintes, também. Aquele dinheiro que não há para pagar os vencimentos aos funcionários nem as dividas aos fornecedores. Apesar disso não consta que os manifestantes se tenham insurgido contra essa situação. Selectiva, a indignação deste povo.

Tão barato nem no OLX...

Os autarcas são conhecidos por, quase todos, realizarem bons negócios. Será o caso do presidente cessante de uma autarquia alentejana que, em fim de mandato, terá adquirido por cinquenta euros o iPad 2, propriedade da empresa municipal lá do sitio, que utilizava enquanto exerceu funções. Traquitana que, parece, foi lançada em Portugal em Março de 2011 e terá um valor de mercado entre os quatrocentos e os quinhentos euros.
Percebo que para o autarca a gerigonça tenha um significativo valor sentimental. Até porque, garante o homem, apenas ele a terá usado e, digo eu, lhe seja desagradável vê-la nas mãos de outro. O que se afigura um tanto estranho é a manifesta diferença entre os valores físico e afectivo da coisa. Embora, justifica, a aquisição do aparelho tenha sido financiada pela União Europeia e, portanto aquilo em termos patrimoniais nada vale. 
Estaremos, segundo o senhor em causa, perante um não assunto. Que é normalmente o que chamam àquilo que não interessa que a malta saiba. Coisas de gente que nada mais tem para fazer do que vir para as redes sociais dizer mal de negócios espectacularmente bons. Um descaramento. Uma vergonha, até. E uma falta de respeito e consideração pelo tempo que o homem passou a brincar trabalhar com aquilo.

sábado, 19 de outubro de 2013

Quem semeia ventos...

Não vejo onde está o espanto – indignação, em alguns casos – por a Ministra das Finanças ter declarado, em recente entrevista televisiva, que não tem poupanças. A senhora, como fez questão de frisar, é funcionária pública, está sujeita aos mesmos cortes e descontos brutais no vencimento e por isso não terá margem para poupanças. A juntar a isso tem, segundo disse, três filhos e uma casa para pagar ao banco. Compreendo perfeitamente a sua confessa incapacidade aforradora. Ainda assim, acredito, não passará grandes dificuldades. Nem pequenas, provavelmente.
Algumas reacções mais intempestivas às palavras da ministra é que parecem pouco compreensíveis e são bem reveladoras do enorme desconhecimento quanto aos valores salariais que se praticam na administração pública. Muita dessa ignorância fomentada, diga-se, pelos próprios governantes. Bem feito que, de vez em quando, sejam vitimas do seu próprio veneno. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Pagar a renda?! Que aborrecimento.

Infelizmente em Portugal, de uma maneira geral, não se premeia a competência, o rigor, ou a disciplina. Pelo contrário. Prefere-se a bandalheira, o facilitismo, o compadrio e o deixa andar. Por norma quem cumpre com as regras estabelecidas é que um sacana, o gajo que só sabe é lixar o próximo e, em suma, um verdadeiro filho da puta. Principalmente quando não está para fazer favores à custa do dinheiro público. Este modo de pensar está enraizado na cultura nacional e pouco ou nada há a fazer para mudar esta mentalidade tacanha e que nos trouxe até aqui.
Os ataques que uma certa classe de gente faz a Rui Rio, enquanto presidente da Câmara do Porto, têm a ver com este tipo de pensamento. O mais recente deve-se ao despejo de uma companhia de teatro, que ocupava um edifício público, por não pagar a renda do espaço que ocupava. Em divida estará para lá de uma conta calada, porque, apesar de tudo, a autarquia portuense – senhoria, no caso - ainda teve uma paciência de santo para com os inquilinos pouco cumpridores. Tanto que terá, em tempos, feito um acordo que permitisse, em suaves prestações, a regularização das rendas em atraso. Que, parece, não terá sido cumprido pelo inquilino.
Desde que a noticia foi conhecida não têm faltado as criticas ao autarca Rio. Como se quem estivesse a proceder mal fosse aquele que fez cumprir a lei e que acautelou o interesse das finanças da autarquia. O homem fez apenas aquilo que tinha a fazer. E já fez tarde, saliente-se. Porque se o edifício fosse dele é que podia permitir que os indivíduos lá continuassem sem pagar. Sendo público tem a obrigação de fazer o que fez. Pena é que a generalidade dos autarcas não tenha a mesma postura. Claro que isto é difícil de entender para o pessoal da “cultura”. E para muita gentinha que acredita que o que é público é “nosso”. Deles, entenda-se.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O tema da moda

Ao que parece são os blogs sobre a vida doméstica, nas suas diversas vertentes, que estarão a suscitar a atenção do internautas. Dicas para poupar, as ultimas tendências da moda ou receitas de deixar qualquer um a babar-se, estão a reunir a preferência de cada vez mais utilizadores da Internet em detrimento dos que se dedicam a outros temas.
Foi por isso que cá pelo Kruzes resolvemos fazer hoje uma incursão por estes domínios. Dos morfes, no caso. Verdade que os conhecimentos quanto a esta matéria são praticamente nulos e, daí, não me alongar em grandes considerandos. Fica a fotografia do jantar. Em conta, garante a patroa. E saboroso, afianço. Agora vou fazer como a restante parolada e ponho no Face. Como eles carinhosamente chamam aquilo.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Expectativa chocante

Compreendo a satisfação dos que enchem as caixas de comentários dos jornais online com manifestações de agrado pela redução dos vencimentos dos funcionários públicos. É da vida. E da natureza humana, também. Já dei o suficiente para esse peditório. Tal como há muito desisti de tentar explicar a quem, labutando no privado, vê isso como algo positivo – por acreditar na retórica oficial ou apenas por gozo pessoal – que as coisas não são bem assim e que, mais cedo do que tarde, vão ter repercussões no seu ordenado ou no seu negócio.
Costumo dizer, sempre que me reduzem o ordenado, que alguém se vai lixar. Para além de mim e dos meus, obviamente. Isto porque não penso recorrer ao crédito, nem pedir fiado, para manter o nível de despesa que fazia antes. E é aqui, precisamente aqui, que o drama começa. O impacto desta medida, num pequeno município como Estremoz, será dramático. Considerando o elevado número de habitantes do concelho que trabalha para o Estado, facilmente se pode concluir que os funcionários dos diversos organismos públicos da cidade deixarão de receber mais de um milhão de euros. Isto deixando de lado tudo o que já perderam e levando apenas em conta os cortes previstos no próximo Orçamento de Estado. A estes números, recorde-se, há ainda que juntar o que vão cortar nas reformas... e reformados é, também, coisa que não falta por aqui.
O reflexo no comércio local será imediato. Com as consequências fáceis de adivinhar. Seguir-se-à o financiamento da própria autarquia. Que, como um ou outro saberá, tem como fonte de financiamento principal a participação no IRS, IRC e IVA. Qualquer quebra nas receitas destes impostos não será de certeza uma boa noticia para os munícipes. Funcionários públicos ou não.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Investiguem, mas não aborreçam.

Diz que lá para as ilhas britânicas os meios de comunicação social estão surpreendidos com a indiferença dos portugueses perante o reabrir da investigação ao alegado desaparecimento da pequena Maddie. Não sei do que se admiram. O assunto foi tratado por quem tem competência para o fazer, foi-lhe dado o tratamento que entenderam dar e, parece-me, que a existirem motivos de interesse serão só e apenas para as autoridades policiais.
Por mim, surpreende-me é que os nossos opinion makers, sempre tão atentos aos jornais angolanos e prontos a espingardar a propósito dos seus artigos, não digam qualquer coisa em relação ao desplante dos bifes em opinar acerca daquilo que nos deve interessar. Ou que não se indignem com o esbanjamento de recursos públicos a reinvestigar um processo que já nos está demasiado caro. Que essa malta da estranja mande palpites quanto ao funcionamento do tribunal constitucional ainda vá que não vá, agora que queira escolher os assuntos que devem suscitar a nossa atenção é que já me parece demais. Como diria o outro: Eles que vão mazé bardamerda!

domingo, 13 de outubro de 2013

Solidariedade intergeracional?! Não percebo...

Isso da solidariedade inter-geracional é, nomeadamente, o quê? Assim à primeira vista e sem pensar por aí além na coisa supunha eu que era a geração actual a trabalhar para, com os seus descontos, financiar a reforma da geração anterior, esperando que a geração seguinte fizesse o mesmo. Mas, se nos debruçarmos ligeiramente mais sobre o assunto, talvez não seja bem assim. Ou então sou eu que não percebo muito bem essa coisa da solidariedade. É que, por mais voltas que dê, não sei por que raio hei-de ser solidário com o viúvo Constâncio. Quem diz eu, diz, por maioria de razão, um qualquer jovem que só tem acesso a empregos precários a ganhar, se tiver sorte, o salário mínimo nacional.
Reitero, portanto, a minha pouca disponibilidade para me solidarizar com o Constâncio. Gajo que, diga-se, até tem sido muito pouco solidário comigo. Ainda não me esqueci que o fulano se fartou de proclamar a necessidade de baixar salários porque, achava, andávamos a ganhar demais. Que falava da sustentabilidade do sistema de pensões, mas que se pode reformar com menos de 20% do tempo de serviço que eu preciso para poder fazer o mesmo. Solidariedade?! Não percebo...