Desde
há muito que tenho opinião formada acerca do alargamento do horário
de trabalho da função pública, já a manifestei aqui em diversas
ocasiões e ela não é coincidente com a que o Alberto João da
Madeira expressou acerca do assunto. Reconheço, contudo, que o homem
tem razão naquilo que diz. Aprecio, por isso, a coerência com que
assume não aplicar a medida lá no seu reino.
De
facto, parece assim um bocado a atirar para o parvo colocar os
funcionários públicos a trabalhar mais uma hora por dia quando, em
simultâneo, pretendem despedir uns quantos milhares de
trabalhadores. Se é para despedir é porque não fazem falta. Se não
fazem falta é porque não há trabalho. Se não há trabalho não se
prolonga o horário. Raciocínio mais lógico parece-me difícil. Por
norma, ainda que possam existir umas excepções mais ou menos
manhosas, é assim que as coisas funcionam onde impera o bom-senso.
Mas isso é coisa que não se pode exigir aos rapazes do governo. Nem
aos seus conselheiros especialistas que ainda mal largaram os
cueiros.



