Segundo o “Correio da Manhã”, que se baseia num estudo do fisco, mais de metade das rendas escapam aos impostos. Apesar de considerar a carga fiscal elevadíssima – ao nível do furto – e de achar que, no actual quadro fiscal, escapulir ao pagamento dos impostos é um acto de legitima defesa esta é uma prática que não recomendo. Não neste sector. Por muitas razões. Umas que tem a ver com as garantias do próprio senhorio e outras com as do inquilino que, coitado, nestas circunstâncias se vê impossibilitado, também ele, de resistir ao esbulho fiscal nos casos em que é igualmente vitima.
Nisto de impostos os portugueses são, na sua maioria, uns absolutos analfabetos. É arrepiante a ignorância que, nesta matéria, por grassa. Mesmo entre gente com cursos superiores e em posições sociais ou profissionais com algum destaque. Deparo-me todos os dias com criaturas que, por exemplo, desconhecem como funciona o IRS ou os rendimentos sobre os quais incide. Há, até, quem nem saiba ao certo o que isso é. Mas, confesso, aos que acho mais piada são aqueles – malta de esquerda, essencialmente - que espumam com a intenção do governo de reduzir o IRC. Não é que seja um entusiasta da ideia, mas relativamente a esta coisa de baixar impostos aos ricos, às grandes empresas e ao grande capital em geral gosto sempre de recordar os “incentivos” que os municípios de todas as cores concedem a essa tropa com o fundamento da atracção do investimento. Lembro-me, inclusivamente, de um que se recusava a reduzir a sua participação no IRS, mas arranjou maneira de isentar de IMT um certo figurão. Tudo dentro da legalidade, obviamente. É, no fundo, aquela velha mania lusitana de “se for eu a fazer não tem mal nenhum, se forem os outros é que está errado”.























