sábado, 11 de abril de 2026

Reciclar era fácil. Felizmente, corrigiram isso.

 

Já está em vigor o novo imposto. Aquele sobre as embalagens que, disfarçado de taxa, nos estimula a reciclar. Dizem. Por mim desconfio. É que, por estranho que pareça, faço isso desde que há dezenas de anos instalaram um ecoponto a cinquenta metros da minha casa. Agora, para reciclar ainda melhor – ou por outro interesse qualquer, sei lá – vou ter que andar com um saco de garrafas às costas e percorrer cerca de um quilometro até ao supermercado mais próximo para fazer exactamente o mesmo que faço hoje. Como não irei a pé, provavelmente o ambiente não vai ficar melhor. Mas isso não interessa nada. Ninguém quer saber do ambiente, querem é a taxinha.

Obviamente que isto sou só eu a divagar. Não vou fazer nada disso. Só se fosse maluco é que continuava a comprar, como até aqui, o pack de vinte e quatro garrafas de meio litro todos os meses. Dois euros e quarenta de imposto pode ser acessível à minha carteira, mas vai muito para lá da minha tolerância fiscal. Encontrarei outra solução qualquer para continuar a beber a minha água. Nem que compre uma bilha. Daquelas de barro, todas catitas e que é uma coisa mais sustentável.
 
Nisto, como no resto, o mercado vai adaptar-se. Como foi naquilo dos sacos de plástico. Excepto as grandes superfícies, são gratuitos em todo o lado. Mas eles vão continuar a tentar. Ameaçam que o próximo alvo serão as garrafas de vidro e, de certeza, irão por aí fora. Cápsulas de café, latas de conserva e embalagens “tetra pack” também acabarão por não escapar. No limite, quando precisarem de nos esmifrar ainda mais, vão taxar as fraldas e os preservativos. Entretanto, os ecopontos ter-se-ão tornado uma memória distante. Ou, então, continuarão por aí para nos lembrarmos de como era bom quando bastava fazer o óbvio.

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