Anda muita gente abespinhada por causa da Constituição. Aquela com “C” grande. Uns querem mudá-la à viva força e outros rasgam as vestes para que fique na mesma. Há, ainda, mais uns tantos a exigir que seja cumprida. Tudo muito estranho, digo eu que dessas coisas da Constituição percebo muito pouco. Nada, até. Apesar disso acho esquisito que uma lei – neste caso, para tornar tudo mais estapafúrdio, a lei fundamental do país - não esteja, pelos vistos, a ser cumprida. O que, lendo e ouvindo algumas opiniões de todos os lados das barricadas, parece andar próximo da verdade.
Por mim tanto se me dá como se me deu que mudem ou deixem de mudar a Constituição. Mas, se não está a ser cumprida porquê mudar? Ou, noutra perspetiva, porque não mudar? Se não é para ser levada a sério para quê perder tempo com o assunto? Tudo questões (im)pertinentes, mas, assim como assim, não é por lá estar escrito isto ou aquilo impediu o país de se tornar uma democracia mais ou menos liberal. Contrariamente, diga-se, ao que desejavam os gajos que a redigiram em 1976. Recorde-se que aqueles tipos pretendiam uma democracia tutelada pelos militares, a irreversibilidade das nacionalizações, o fecho de diversos sectores à iniciativa privada, a instauração do socialismo e a dissolução da Nato. Entre outras maluqueiras a que, obviamente, ninguém decente ligou patavina nestes cinquenta anos.
Felizmente os portugueses de hoje não têm de se submeter aos desejos dos antepassados do tempo do PREC. Bem basta que lhes paguemos as mordomias que conquistaram para si próprios.
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