A Internet é um espaço de indignação. Toda a gente se indigna. Até eu. Hoje, logo pela manhã, dei com gente que se indignou por causa de uma fotografia. Um bom motivo, por vezes. Outras, na maioria, nem por isso. A indignação a que me refiro era por causa da foto de um prato de passarinhos fritos que alguém resolveu partilhar. Um pitéu para alguns e para outros de repulsa capaz de os levar ao vómito. O que, na Internet, se traduz por um chorrilho de disparates e ofensas ao autor da postagem. Ou pior. É que houve até quem se desse ao trabalho de pesquisar e publicar, com ameaça de denúncia, a legislação que proíbe as práticas que envolvam o abate, captura e detenção de aves selvagens como serão as que compunham a iguaria fotografada. Presumo, embora os indignados de serviço não o refiram, que o seu uso culinário e respectiva degustação também constituam uma ilegalidade.
Ora tudo isto, especialmente a parte que envolve a indignação de umas dezenas de parvos que acham que os pardais estão em vias de extinção, me deixou indignado. Esta gente não tem noção. Se no meu quintal não existisse já fauna suficiente, era gajo para os convidar a vir constatar in locco o quanto estão errados. Bicheza dessa é coisa que não falta. Cá na terra temos pardais aos milhões - é vê-los e, principalmente, ouvi-los ao anoitecer junto de qualquer árvore ou arbusto mais frondoso - andorinhas aos milhares, pombos às centenas e passarada diversa que até aborrece. Podem levar os que quiserem, a malta agradece.
O pessoal das cidades desconhece o conceito de praga. Por eles não se matava nem um único bicho. Devem pensar que aquilo que comem nasce de geração espontânea nas prateleiras dos supermercados. Coitados. E de nós, que temos de aturar esses malucos.
Sem comentários:
Enviar um comentário