sábado, 25 de abril de 2026

25 de Abril, sempre. Mas mesmo sempre.

 

Nesta data, este ano mais do que nunca, há sempre quem nos lembre – e bem – que não podemos dar a liberdade e a democracia como algo garantido para todo o sempre. Com razão, reitero. Mas, no meu caso e porque já cá ando vai para muito tempo, sei isso desde mil novecentos e setenta e cinco. Muito antes, portanto, do que aqueles que agora fazem questão de me alertar para o perigo de as perder. O que não deixa de ser irónico é a esmagadora maioria desses “alertas” vir daqueles que, ainda não há assim tanto tempo, se aliaram para chegar ao poder e governar durante quase dez anos precisamente com aqueles que quiseram acabar com ambas, ainda mal as tínhamos conquistado.

Também nas redes sociais vejo inúmeras mensagens de idêntico conteúdo. Legitimas, obviamente. Mas não menos hipócritas, lamento. Defender Abril não é seguramente apreciar as ditaduras que oprimem outros povos, sejam elas de que espécie forem, nem tolerar ditadores. Não existem ditaduras boas, seja em Cuba, na Venezuela ou no Irão. Nem, sequer, aspirantes a ditadores que mereçam o apreço de quem ama a liberdade e a democracia. Chamem-se eles Orbán, Trump ou Putin. Nem tão pouco, mesmo em democracia, pactuar com gente que se acha investida do direito a governar e que tudo faz para se perpetuar no poder. E disso está o mundo cheio. Inclusive em Portugal.

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