quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Onde vota um votam todos?! Tá tudo parvo, é o que é...

Diz que o Ventura é o cabeça de lista do Chega à Assembleia Municipal de Moura. Provavelmente não vai ganhar. Nem, mesmo que vença, a sua eleição alterará o quer que seja. As assembleias municipais são órgãos de relevância muito limitada - quase decorativos, diria - limitando-se a sua competência a pouco mais do que aprovar ou rejeitar as propostas da câmara.


Haverá nesta candidatura, quando muito, um simbolismo bacoco. Aplicando a bacoquice do simbolismo que lhe atribuem aos dois lados. Os “pró” e os “anti”. Daí que me pareça absolutamente parvo, quiçá até ligeiramente anti-democrático e eventualmente a merecer uma intervenção da Comissão Nacional de Eleições, que os ciganos lá do sitio se juntem para decidir em conjunto o partido em que – todos – vão votar. O lema, ao que leio, será “onde vota um votam todos”.


O comportamento de manada é perigoso. Seja qual for o objectivo ou a fauna envolvida. No caso, dentro da comunidade em questão, haverá gente com opiniões e interesses diversos que, só por idiotice alinhará neste esquema. Se a ideia – legitima, diga-se – é que o peso eleitoral do dito candidato seja o menor possível, basta-lhes ir votar ao invés de, como é hábito da maioria daqueles cidadãos, ficarem em casa. Se todos, cada um de acordo com a sua livre escolha, votar noutro partido que não o Chega o resultado percentual deste será exactamente o mesmo. E ganha a democracia.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Vai ser cá um crescimento do PIB na freguesia...ui, ui!

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Admito que por razões válidas – embora, assim de repente, não esteja a ver nenhuma – os candidatos aos órgãos políticos locais assumam a vontade de manter os impostos e taxas sobre os quais incide o seu poder de decisão, nos valores actuais. Ou por acharem que sãos os adequados, apenas porque sim ou, até mesmo, por simples demagogia populista.


O que já não admito – ou melhor, admito, que outro remédio tenho eu se não admitir – que existam forças políticas que nada propõem em matéria de IRS, mas prometem, caso cheguem ao poder, isentar os fregueses do pagamento da licença do canito. Por mim, obviamente, estou absolutamente contra. Por várias razões. Mas fico-me por duas. Uma é que esta licença, até por questões ambientais, devia ser muitíssimo mais cara e ser objecto de uma fiscalização digna desse nome. A outra é que esta borla não beneficia quem não tem cão e, outro aspecto a ter em conta, pode comprometer o apoio que a Junta deve providenciar aos cães vadios.

sábado, 4 de setembro de 2021

É só fumaça...

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Descarto qualquer hipótese de incluir no rol das minhas preocupações a possibilidade do céu se abater sobre a minha cabeça. Nem, sequer, tenho nenhuma espécie de temor que algum avião se despenhe em cima de mim. Mas lá que o espaço aéreo cá da zona estava hoje especialmente congestionado, lá isso estava. E, garanto, a imagem mostra apenas uma pequena parte dos rastos que, logo pela manhã, ainda eram visíveis. Ao contrário do que aconteceu durante meses, em que nada disto se via nos nossos céus. Sinal, mais um, de que felizmente a vida, tal como a conhecemos, está de regresso.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

A eficácia da bazuca

Segundo um dos muitos estudos que todos os dias se publicam, a maioria dos portugueses desconfia da eficácia da chamada bazuca. Acham que os fundos europeus aplicados no PRR vão deixar tudo na mesma. Não estou, assim de repente, a ver nenhum motivo razoável para tanto cepticismo. Vai mudar alguma coisa, sim senhor. Vidas haverá que vão melhorar muito. Atente-se ao que aconteceu com os anteriores quadros comunitários e veja-se o quanto a vida de alguns melhorou nesse espaço temporal. É só ver onde moravam antes e onde moram agora, que carros tinham então e que automóveis têm hoje, onde petiscavam noutros tempos e onde se repastam nos dias que correm. Nada disso deve constituir surpresa. Nem, de resto, a evolução destes espécimes representa qualquer indicio de marosca. É apenas a vida, como diria o outro. Ou, como se cá estivesse haveria de dizer a minha avó, para ficarem todos mal mais ficar só um bem.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Impostos bons e impostos maus

Isto do IRS enerva-me. Ouvir argumentos a defender a manutenção das elevadas taxas a que vencimentos miseráveis estão sujeitos, só para que outros ainda mais miseráveis não se sintam prejudicados, dá-me cabo dos nervos. De acordo com este ponto de vista nunca nenhum imposto pode baixar. Desde o ISP ao IVA. O primeiro porque o pobres não têm carro ou fazem menos viagens e o segundo porque os ricos compram mais e se o IVA baixasse tirariam daí mais beneficio. Um pouco, convenhamos, o argumentário daqueles que são contra a taxa plana do imposto sobre o rendimento.


É uma ideia interessante, essa, a de fazer justiça social através do IRS. Lamentavelmente parece ser o único imposto com queda para justiceiro. O IMI e o IMT são uns mariquinhas. Verdadeiros cobardes, até. Pior. Esquivam-se a ajudar os pobres de uma maneira perfeitamente ignóbil. Basta um gajo, coitado, cheio de boas intenções declarar que um pardieiro qualquer é, afinal, um chalé todo catita e cheio de pedigree, que aquela dupla de tributos deserta de imediato da guerra contra a pobreza e nunca mais ninguém o vê a lutar pela justiça social. Mas não faz mal. Quem precisa de estrupícios como o IMI e o IMT quando tem o IRS?

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Um caso pouco sério

Nunca levei essa cena da religião muito a sério. Confesso até que, por vezes, acho-lhe uma piada dos diabos. Como agora, por causa dessa polémica que por aí anda, em resultado da leitura da epistola do tal Paulo que manda as mulheres baixar a bolinha e obedecer mas é aos respectivos consortes. Uma lengalenga velha como o caraças que eu me lembro de ter ouvido, pela primeira vez há mais ou menos quarenta anos, recitar a um padre na cerimonia religiosa de um casamento. Palavreado que, recordo-me como se tivesse sido hoje de manhã, nessa ocasião deu origem a uma animada troca de piadolas entre alguns convivas mais jovens.


Mas, reitero, acho piada a toda esta polémica. Isto porque, tal como eu, a esmagadora maioria dos indignados com a leitura do tal texto não leva a religião a sério. E, por outro lado, até a própria igreja vem agora esclarecer que a tal passagem da bíblia não é para levar a sério. Ou seja, se a igreja não se leva a sério e se os indignados de ocasião não levam a igreja a sério, por que raio estão a fazer disto um caso sério? A sério pá, não vale a pena.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

A velha carcaça

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Vender é uma arte. Há até quem consiga convencer os outros a adquirir algo de que não precisam e que, em condições normais, nem dado aceitariam. Contudo não vivemos na normalidade. São tempos estranhos, estes. Tão estranhos como seria ver esta velha carcaça de novo a navegar. Mas pode acontecer. Por muito improvável que nos pareça, ou por mais tempo que demore a surgir um comprador, haverá sempre alguém disposto a compra-la. É por isso que as velhas carcaças continuam por aí. Enquanto existirem “jeitosos”, daqueles que gostam de “untar as mãos” a recuperar estas coisas, as velhas carcaças manter-se-ão sempre à tona.

domingo, 22 de agosto de 2021

Adoro os impostos dos outros...

Os portugueses gostam de impostos. Nomeadamente do IRS. Num país onde muito mais de metade da população escapa a esse tributo, não surpreende que assim seja. Os políticos, os nacionais e os locais, jogam com esse sentimento e têm ao longo dos últimos anos esticado a corda a seu belo prazer. Os primeiros, subindo a taxação sobre os rendimentos como muito bem lhes apetece e os segundos não prescindindo nem de uma migalha da fatia que lhes é destinada.


O Costa, como político experiente que é, sabe melhor do que ninguém jogar com esta mesquinhez. Daí que venha agora prometer uma baixa no IRS e, como já o fez noutra ocasião, acabe por, com sorte, a redução se ficar por valores meramente residuais. Daqueles que não dão nem para um café por mês ou uma carcaça por semana. Só para usar um termo de comparação que o pessoal da esquerda percebe.


Li um número relativamente significativo de comentários produzidos a propósito destas declarações do primeiro-ministro. Acredito que constitua uma amostra, mais ou menos fiável, do pensamento dos portugueses. A conclusão a que chego expressei-a no inicio do texto. Somos um povo que temos um carinho especial por impostos. Queremos cada vez mais despesa e temos uma imaginação prodigiosa para sugerir novos impostos que financiariam as nossas divagações. Daqueles que apenas seriam os outros a pagar, nem preciso esclarecer. Que isto a malta padece de iliteracia financeira aguda, mas não é parva.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Agricultura da crise

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A melancia da crise, no caso. A única sobrevivente dos dois pés que plantámos lá na cooperativa. (Cooperativa por ser o resultado da cooperação com a minha Maria, nada de confusões). Nenhuma das demais sobreviveu mas, ainda assim, atrevo-me a considerar a experiência como um sucesso. Não apenas pela qualidade, a mais saborosa que comi este ano, mas essencialmente por esta Citrullus lanatus, contra todas as expectativas, ter chegado à nossa mesa - hoje ao jantar, mais precisamente -  sem aqueles pózinhos pirilipimpim que as tornam mais vermelhas do que a camisola do maior clube do mundo. 

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Planeta dos macacos

Se, como naqueles passatempos da adolescência, tivesse de escolher um filme para caracterizar o que se está a passar no Afeganistão não teria grandes dúvidas em optar pelo “Planeta dos macacos”. Parte dois, no caso. Aquilo, a começar pelos protagonistas, é mesmo do que dá ares.


A dificuldade é maior em encontrar adjectivos que exprimam o que sinto pelos muitos que, de uma ou de outra forma, manifestam compreensão pela actuação dos símios que tomaram o poder e, pior ainda, criticam todos aqueles que desesperadamente tentam deixar o país. Falar é fácil. Nomeadamente quando se está a vários séculos de distância.


Não deixa de ser curioso é que, desta vez, muitos dos que têm andado a defender que a Europa tem obrigação de acolher as hordas de migrantes africanos e asiáticos, não mostrem agora a mesma disponibilidade para reivindicar o acolhimento dos afegãos. Se calhar, digo eu, era altura de exigirem uma ponte aérea que conseguisse tirar daquele inferno todos, mas mesmo todos, os que se recusam a viver governados por macacos.

domingo, 15 de agosto de 2021

Dinossauros que não sobrevivem longe do poder ou a infinita vontade de bem servir o povo...

Com o aproximar da data das eleições começam a aparecer as primeiras sondagens. Para um concelho relativamente próximo as intenções de voto, apuradas por uma empresa da especialidade, dão uma claríssima vitória – maioria absoluta – ao actual presidente. Não surpreende. Por norma apenas os eleitos mais inaptos para esta coisa da política são apeados do poder.


O que me surpreendeu, quando vi a dita sondagem, foi constatar que um ex-presidente vai mais uma vez a votos. O homem esteve no poleiro uma dúzia de anos, perdeu na primeira tentativa, tem mais do que idade para ter juízo,terá todas as condições para gozar a reforma mas, mesmo assim, insiste em candidatar-se. Para quê? O que move esta gente? O desejo de servir os outros é assim tão grande? E, ao que consta, não será o único a insistir no regresso ao poder. Haverá mais, ao que me dizem. Alguns até, ao que sugerem as más línguas, por interposta pessoa. Acredito que a vontade de trabalhar em prol dos respectivos munícipes seja mais que muita. Mas, desculpem lá, já estou como diz o outro. Toda a dúvida é legitima. Se estão assim tão interessados no bem comum, no melhor para as vossas terras e blá blá blá, por que raio não vão fazer voluntariado? Ou, adaptando um dichote presidencial de outros tempos, desapareçam seus jurássicos, desapareçam!

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Não há bicicletas grátis

Parece que o governo vai esturrar três milhões de euros a comprar bicicletas para as escolas. Para ensinar os meninos a andar de bicicleta, diz. Ainda que admitindo a existência frequente de maneiras piores de esbanjar dinheiro, não se me afigura que isto constitua uma necessidade ou, sequer, que alguém com um nível de bom senso ligeiramente acima de zero possa considerar que estamos perante uma prioridade que justifique esta ida ao bolso dos contribuintes. Se existe folga orçamental então que se diminua a carga fiscal. Os quarenta e sete por cento dos que trabalham, para sustentar os restantes e financiar estes e outros devaneios destes malucos, certamente ficariam agradecidos.


Mas não é apenas a parte do gastadouro de dinheiro público – público é uma maneira de dizer, porque todo o dinheiro do Estado é gerado pelos impostos para por particulares e empresas – que me suscita alguma irritabilidade. É que, assim de repente, não estou a ver por que raio há-de ser a escola a ensinar as crianças a andar de bicicleta. Então os papás e as mamãs servem para quê? Para tirar as fotos e publicar as fotos dos pirralhos na internet? E essa treta de que nem toda a gente tem dinheiro para comprar uma bicicleta é, também, conversa para embalar totós. Qualquer puto ranhoso tem nas mãos um telemóvel tão caro – ou, até, mais – do que uma bicicleta.


O ambiente e a sua alegada defesa estão na moda. Daí que, cada que o governo nos vai ao bolso – seja com medidas destas ou com a criação de novos impostos “verdes” – a manada abana o chocalho. Ou, como diria a minha avó, vão-lhes à peida e eles gostam.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Agricultura da crise

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Pouco percebo de alterações climáticas. Mas, se calhar, na perspectiva de alguns fundamentalistas isto constitui uma heresia. Um crime, quase. Seriam gajos, se vissem a foto, para se questionar acerca da quantidade de água que foi precisa para produzir estes produtos e, provavelmente, suscitar mais umas interrogações sobre a sustentabilidade do planeta que a mim, pobre agricultor das horas vagas, nem me ocorrem.


Confesso o meu cepticismo sobre as teorias dessa malta do clima. Tão grande, ou parecido, com o que tinha acerca dos resultados da agricultura da crise quando tudo isto foi plantado. Vá lá que não se concretizou e o resultado está à vista. Tudo isto, mais as colheitas anteriores e o que ainda há para colher. Para principiantes a coisa não está má. E, esclareça-se, tudo verdadeiramente natural. Do mais que há. É que estes, ao contrário dos ditos biológicos que podem incorporar até cinco por cento de ingredientes não biológicos, não têm um único produto químico. Zero por cento. Mais biológico é impossível.

domingo, 8 de agosto de 2021

“Pontapear ela”, a gramática.

Estou muito longe de constituir um exemplo, seja para quem for, no que se refere ao bom uso – escrito ou falado – da língua portuguesa. Por vezes arrefinfo-lhe com cada pontapé que só visto. Ou ouvido, depende das circunstâncias. Mas tudo tem um limite. E o meu é atingido quando leio ou ouço barbaridades como “vou ajudar ele”, “procurei ela” e outras bacoradas parecidas, escritas e pronunciadas por gente que sempre viveu deste lado do Atlântico. Pior ainda quando expressões desta natureza são usadas por gente que frequentou a escola no tempo em que esse era um local onde se aprendiam coisas - nomeadamente português – e não servia apenas, como agora, para adquirir competências. Seja lá o que for que isso signifique.


Um destes dias, num serviço público, ouvi uma destas calinadas. Espero que a criatura não escreva da mesma forma. Nem é tanto pelo exemplo pois, no caso, “despedir ela” não deixaria de ser adequado. Mas não. “Contratar ela” é, nos tempos que correm, muito mais utilizado. Tudo, obviamente, para “ganhar ele”.

sábado, 7 de agosto de 2021

Mudam os tempos...mas continua a mesma vontade!

Agora é que vai ser. Depois de anos a prometer tomar conta das casa devolutas, para as arrendar a preços módicos, parece que o governo vai mesmo avançar com esta intenção tantas vezes anunciada. Caberá, segundo a proposta, às autarquias tratar do assunto.


Tal como caberá aos portugueses proteger os seus bens dos comunistas e outros malucos que tomaram conta do poder e, também, de toda a cambada de invejosos, mal-feitores diversos e corruptos vários que virão a estar envolvidos nesta negociata. O primeiro passo será contornar o conceito de “devoluto”. O que, acredito, não vai ser difícil.


Como sempre acontece quando se caminha para o socialismo, as primeiras medidas são sempre fofinhas. E esta, à primeira vista, também parece. Mas não é. Constituirá, isso sim, mais uma forma de discriminação. Nomeadamente dos que pagam impostos e que, para além de ter de pagar as casas que compraram sabe-se lá com que sacrifício, vão ter de pagar igualmente as daqueles que não entendem conceitos básicos como trabalhar, poupar ou investir.


Requalificar as cidades deve constituir um imperativo nacional. Daí que até eventualmente podia concordar com esta proposta se, em lugar de “devoluto”, o critério usado fosse “degradado”. Mas isso não é coisa que assista aos comunas e afins que nos governam. A roubar, roubam o que é bom. Já vimos este filme nos tempos da reforma agrária.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Censurável? Depende...

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Parece que sujar paredes constitui um daqueles direitos inalienáveis que a constituição parida em pleno período revolucionário – no tempo em que caminhávamos alegremente para o socialismo – definitivamente consagrou. Lamentavelmente este meio de desinformar e de difundir mensagens comprovadamente falsas, escapou à fúria dos censores que elaboraram e aprovaram a lei da censura. Aquela que ainda recentemente tiveram oportunidade de alterar mas que, em vez disso, prefiram manter tal como estava. Ou seja, se escrever no Kruzes ou no meu perfil do Facebook – onde apenas duas ou três criaturas vão ler – o mesmo que as imagens mostram, sou gajo para ter uns quantos aborrecimentos. Já ao palhaço que andou a borrar paredes com parvoíces - vistas diariamente por centenas de pessoas – nada acontece. É justo.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

O deserto à nossa porta

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Os dados revelados pelos últimos censos são aterradores e deviam ter feito disparar todos os alarmes. Embora, afinal, não constituam mais do que a confirmação daquilo que já todos sabíamos. Uma vastíssima região do país está a definhar, a morrer e a transformar-se num imenso deserto e poucos se importam com isso. O que interessa às pretensas elites é discutir não-problemas como o racismo, atribuir privilégios às novas minorias de malucos, garantir que os animais têm tantos direitos como as pessoas ou criar novas causas cada vez mais desvairadas. O resto não interessa. Muito menos as pessoas que insistem em ficar nestes territórios, para onde “eles” se deslocam em massa aos fins de semana, e que quanto menos cá estiverem menos os incomodam.


Nisto da diminuição acentuada da população não culpo só os políticos. Nem os nacionais, nem os locais. Estes últimos, então, fazem o que podem para fixar população. Criam emprego que se fartam. No Alentejo, nomeadamente, quase toda a gente trabalha – está empregada, vá, que trabalho é outra coisa - na Câmara da respectiva localidade. Assim quando algum empresário, dos poucos que ainda restam, pretende recrutar trabalhadores tem de recorrer a mão de obra estrangeira e, consequentemente, trazer gente para o concelho. Parece uma boa estratégia. Por um lado fixa-se o eleitorado e por outro luta-se contra a desertificação. Pelo menos na primeira vertente tem dado resultado.

domingo, 1 de agosto de 2021

Os feijões da crise

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Tem sido uma época agrícola interessante, esta. A agricultura da crise, agora numa nova dimensão, tem proporcionado resultados surpreendentes. É, como diria alguém, a admiração da malta. E por malta entenda-se, como diria outro alguém cujo nome não será igualmente mencionado, eu e um grupo reduzido de nós. Até, contra todas as expectativas, o feijão se reproduziu em grande quantidade. Vamos ver se é desta que começo a achar que este legume é comestível...

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Dinheiro para todos!!!

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Há quem afiance que somos um país de doutores. Mas, pelos vistos, ainda assim não chegam. Deve ser por isso que o governo está a estudar um esquema que consistirá – ao que rezam as crónicas – no pagamento integral do salário, através do dos fundos da “bazuca”, a quem tirar uma licença sabática para melhorar as qualificações profissionais ou o nível de ensino.


Estou mesmo a ver. Eu e toda a gente. Isto é juntar a fome com a vontade de comer. Por um lado a esquerda concretizará o sonho de ter toda a gente a viver à conta do Estado e, por outro, mais um imenso rol de criaturas passará a poder viver sem fazer nenhum. Vou ver se me consigo incluir nesse grupo. Ao fim de quarenta anos a trabalhar acho que mereço uma oportunidade de ter dinheiro na conta sem aborrecimentos. Até já escolhi o curso. Medicina. Deve dar para estudar até à reforma.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Os abrunhos da crise

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Ou ameixas, sei lá. Sempre lhe ouvi chamar abrunhos mas, ao que parece há quem insista que são ameixas rainha-cláudia. Não vou discutir. Para mim é tudo a mesma coisa. Mas, seja lá o que for, é saboroso e, ao que garantem os especialistas da especialidade, possui uma panóplia de propriedades especialmente benéficas para a nossa saúde. Assim tipo vitaminas e cenas dessas. E um poderoso efeito laxante, também.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Não há talões grátis

CGD limita talões de multibanco a um por semana”. Ridículo. Ou poupar nos farelos. Tudo, como agora é moda, para proteger o ambiente e, de caminho, levar a clientela a optar pelos canais digitais. Opção que, como é sabido, é muito melhor para o planeta. Sim, que isto os computadores pessoais, as impressoras caseiras e o papel que gastamos em nossas casas são muito mais ecológicos do que os regurgitados pelas ATM’s.


Por enquanto, ao que parece, a medida aplica-se apenas aos extratos e consultas de movimentos. Depois logo se verá. Talvez aquela opção de imprimir o talão cada vez que levantamos dinheiro também desapareça. Ou, melhor ainda, quiçá comecem a cobrar por isso para nos desincentivar de ficar com o comprovativo da operação. Isto enquanto, para nos convencerem mesmo a usar apenas a banca electronica, não cobram uma comissão sobre cada vez que entrarmos numa agência.


Não sei se vão apurar os ganhos resultantes desta estratégia. Oxalá que sim. Com sorte podem concluir que ganharam o suficiente para suportar os custos com o papel higiénico da casa de banho da administração. Se, claro, também aí não optarem pelos canais digitais.

sábado, 24 de julho de 2021

Eh pá, "deslarguem-me" a carteira!

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Quando leio ou ouço declarações de gente da CGTP, BE ou PCP a solidarizar-se com trabalhadores em protesto por verem o seu ordenado “engolido” pelo SMN – salário mínimo nacional – só me apetece arrancar os cabelos. Os deles, que eu poucos tenho. Esse meu desejo de me atirar às pilosidades alheias advém não tanto das alarvidades proferidas pelas criaturas oriundas daquelas áreas políticas, até porque dali não espero grande coisa, mas sim com o facto de ninguém – e reitero, ninguém – ter a decência de os confrontar com a evidência que a causa do protesto que dizem apoiar é, em grande medida, culpa deles. Quem tem exigido a constante subida do SMN tem sido aquela malta, sem olhar às consequências que daí resultam para os restantes trabalhadores. A mais óbvia e que apenas um burro – ou uma besta, vá – não vê, é a desvalorização dos restantes vencimentos.


Esta postura da esquerda pouco espanto me causa. Só irritação. Muita, no caso. Para esta cambada de retardados quem ganha meia dúzia de euros para além do SMN é rico, privilegiado ou, no mínimo, tem de ser “solidário com os mais pobres”. É isso que alegam quando defendem o actual nível de impostos e recusam a sua eventual diminuição. No que diz respeito ao IRS, então, a coisa vai para lá do delirante. O argumentário, que estou sempre a ler e a ouvir, usado para justificar o roubo perpetrado ao rendimento do trabalho é, para ser simpático, próprio de uma criança de três anos. Mas triste, mesmo muito triste, é que gente aparentemente inteligente continue a votar nessa opções e, mais triste ainda, a corroborar esses argumentos. Deve ser aquela cena do quanto mais me roubas, ou lá o que é...

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Quem o come em chibo, não o come em bode... já garantia a minha sábia avó!

Com inusitada frequência surgem relatos de artistas a queixarem-se da magreza das suas pensões de reforma e, quase sempre, a lamentar que o país os deixe a viver no limiar da miséria. Queixinhas e lamentos deveras estranhos, diga-se. É que, atendendo à vida faustosa que ostentaram enquanto estiveram no activo, tudo leva a crer que ganharam uma maquia simpática. Mas, aos que alguns confessam, não amealharam um pecúlio que lhes permita ter uma velhice sem sobressaltos financeiros nem, tão-pouco, descontaram para a Segurança Social sobre os rendimentos efectivamente auferidos. Nenhuma destas circunstâncias me suscita qualquer critica. Relativamente às poupanças fizeram as opções que lhes pareceram melhores e quanto ao facto de terem fugido às contribuições que legalmente estavam obrigados a fazer eu próprio, se pudesse, faria o mesmo. Só perdem a razão quando se queixam. A vida é feita de escolhas e eles escolheram o que agora têm. Ou seja, pouco. Já o ganharam, esturraram e gozaram. Agora desemerdem-se, como diria o outro. E, sobretudo, não aborreçam os contribuintes, que já pagamos as tropelias de muitos vadios.


A propósito deste assunto e desta malta, ocorreu-me agora que foi esta gente que andou com o actual primeiro-ministro “ao colo” nas últimas campanhas eleitorais. Recordo-me até de inúmeros jantares, profusamente divulgados pelas televisões, de apoio ao PS, a António Costa e, depois, à geringonça. Sendo, ao que publicamente revelaram alguns destes artistas, a fuga aos impostos uma prática comum no sector, presumo que nas próximas campanhas eleitorais os diversos candidatos não queiram ver nem de perto esse pagode da cultura. Como já fazem aos do futebol.

domingo, 18 de julho de 2021

Politicos, desporto e cultura

Muito se fala – e não é só agora - das ligações entre a política e o futebol. Hoje em dia é quase impensável um político ser avistado nas cercanias de um dirigente desportivo sem que isso levante de imediato uma onda de suspeição. É, até, um daqueles temas que reúne um estranho consenso entre a generalidade da população.


Por mim, como não podia deixar de ser, estou contra esta ideia. Se o Presidente da República é adepto confesso do Braga, não estou a ver motivo nenhum para não ir ver jogos do seu clube. Ele ou qualquer outro titular de órgão de soberania.


No fundo isto é tudo uma imensa hipocrisia. Políticos e futebol é uma mistura explosiva mas já com a cultura, por exemplo, não é. Até parece que alegadamente não existem inúmeras associações alegadamente culturais a viver alegadamente à conta de subsídios do erário público com as quais, alegadamente, os políticos convivem alegre e regularmente. Era capaz de ter uma certa piada, entre outras coisas, fazer o cruzamento das alegadas despesas com refeições, alegadamente suportadas por algumas associações, com os comensais alegadamente presentes. Não sei, digo eu que não percebo nada disto mas, ouço dizer, acontecerá muito lá para o norte. Alegadamente, claro.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

No passarán!

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Os fascistas estão por todos o lado, os patifes. Até nos lugares mais improváveis. Como Cuba, por exemplo. Aquilo, diz, são manifestações de fachos por toda a ilha. Parece que querem acabar com a revolução popular que proporcionou ao povo cubano uma qualidade de vida difícil de encontrar noutras paragens onde os trabalhadores e o povo ainda não se libertaram do jugo capitalista. Maravilhas que, comprovadamente, são testemunhadas pelos muitos milhares de americanos que todos os anos arriscam a vida para, a partir da Flórida, chegar à ilha do camarada Fidel.


Mas o povo armado – em parvo – está vigilante. Nomeadamente a policia e as milícias populares de proletários, camponeses e intelectuais da mais brilhante intelectualidade. Todos juntos partirão os dentes à reacção. O que, assim de repente e de uma assentada, resolverá os três únicos problemas de Cuba. O pequeno-almoço, o almoço e o jantar.

A inclusão é uma cena muito fixe...

E está na moda. Hoje tudo tem de parecer inclusivo e todos se esforçam muito por incluir nesse conceito alarve o quer que seja mais um par de botas. Ou não. É que isto da inclusão é o raio de uma modernice idiota que nada significa e faz parecer quem a pratica ou promove, quase sempre, um verdadeiro imbecil. Veja-se este dialogo, deveras edificante se fosse verdadeiro, que circula pelas redes sociais:


Fui a um restaurante com uma amiga. A empregada chega para nos atender e cumprimenta-nos com um sorriso:


- "Olá Amigues!"


- "Amigues?", interrogo, também com um sorriso.


- "Isso mesmo, somos um restaurante inclusivo!", respondeu ela, com orgulho.


- "Olha que bom! Isso é ótimo porque daqui pouco tempo chegará um amigo que é cego. Você tem a carta em Braille?"


- "Não, não temos isso.”


- "Ok, mas também espero uma amiga, que virá com a afilhada, que é autista. Menu com pictogramas, otimizado para pessoas autistas, vocês têm?”


- "Não, desculpe...", ela disse visivelmente nervosa.


- "Não tem problema, isso geralmente acontece. Imagino que a linguagem de sinais para clientes surdos você deve saber certo?"


- "A verdade é que você está me encurralando", responde sorrindo de nervoso.


Ela não estava mais confortável, tímida de vergonha, um pouco de culpa e um pouco de desconforto também.


Então eu disse:


"- Não se preocupe, isso geralmente acontece. Mas então lamento dizer que vocês não são um lugar inclusivo, vocês querem estar na moda. Aqui, essas pessoas não conseguiriam comunicar ou pedir para comer ou beber.


Se quer ser inclusivo, inclua todos.


Todos aqueles a quem o sistema não dá oportunidade. É difícil sim, e muito, mas não devemos achar que um E, um X, ou @ no final faz de você inclusivo.”


Em conclusão. Vão ser inclusivos para a puta que vos pariu. Se todos tratar-mos os outros com o devido respeito, essa coisa da inclusão está resolvida sem necessidade de assassinar a língua portuguesa.

sábado, 10 de julho de 2021

O feitiço ainda se vai virar contra o feiticeiro...

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Como muito bem escreve um brilhante intelectual pelo qual não nutro simpatia nenhuma, hoje é mais fácil arregimentar uns milhares de pessoas para manifestações para as causas fúteis da moda – desde os gays aos animais, passando pelo racismo e “perigos” da extrema direita – do que mobilizar umas escassas centenas para protestar contra as baixas reformas ou os impostos elevados. Excepção feita – ainda que apenas na parte das reformas – ao PCP, toda a esquerda abraçou as causas minoritárias e esqueceu aquilo que realmente importa. Os problemas reais das pessoas reais. A cartilha da esquerda urbano-depressiva deixou esses problemas para aquilo a que insistem em chamar, vá lá saber-se porquê, extrema-direita. Agora admiram-se e ficam escandalizados com a popularidade que os candidatos dessa área política estão a conseguir junto dos portugueses. Ainda se vão admirar muito mais. Esperem pela noite de vinte seis de Setembro. E outras se seguirão. Desconfio que isso não traga muito de particularmente bom, mas, se assim for, sabemos a quem agradecer. E culpar.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Metam o arco-íris no rabinho...

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Se há coisa que aprecio nos autarcas da minha terra é o facto de não irem em modas. Em iniciativas parvas, nomeadamente. Como aquelas que o politicamente correcto dita como quase obrigatórias quando se quer ficar bem na fotografia. Pelo menos nas fotografias que as gajas das causas e demais alienados acham que devem ser vistas. Provavelmente noutra cidade esta fantástica muralha estaria iluminada, por estas noites, com as cores do arco-íris. Uma parvoíce agora muito em voga. Mas, felizmente, não está. Assim está muito mais bonita. E, embora tardiamente, se quiserem homenagear alguém ou alguma coisa iluminem-na de verde. Sempre é uma cena mais normal.

sábado, 3 de julho de 2021

Orientem-se, mas é...

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O problema não é a proliferação de malucos. Doidos absolutamente varridos, gente que não “junta o gado todo” e “apanhados do clima” com pancas diversas sempre existiram. Só que ninguém lhes ligava. Ou, como me ensinaram desde pequeno, dava-se-lhes o “desconto”. Hoje não é assim. Pelo contrário. Até parece que a condição de “aleijadinho das ideias” é quase obrigatória para ser ouvido, lido e tido em consideração. O mundo rendeu-se aos loucos. De tal maneira que as suas loucuras são as novas verdades e quem se atrever a questioná-las está feito ao bife.


O policiamento da linguagem é uma das missões que essa gentinha acha estar-lhe destinada. Todos têm de falar ou escrever de acordo com o que dita a sua maluqueira ou sofrerão as consequências. A vitima, desta vez – ironia das ironias – foi o “Público”. Imagine-se que teve o topete de titular uma noticia com a previsão que vamos ter “um Verão negro”. Expressão que, como não podia deixar de ser, fez disparar os alarmes no manicómio. A coisa, reconheço, até teria a sua piada. As reacções, cada uma mais exacerbada do que a anterior, seriam de rir até às lágrimas não fossem estar, cada vez mais, a fazer escola e a condicionar o que se escreve. Por mim, quero que eles vão ter um menino de olhos azuis. Vou mas é comer qualquer coisinha, que a fome é negra e hoje já trabalhei que nem um mouro.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

25 horas de serviço

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Desconheço o que se vende nesta superfície comercial. Acho, mas não tenho a certeza nem isso interessa muito, que se trata de um rede de lojas de vending, ou lá o que é. Do que não tenho grandes dúvidas é que, assim à primeira vista, parece publicidade enganosa. Ou não. Se calhar é apenas um nome bem esgalhado. Faz-me, de certa maneira, lembrar aqueles funcionários autárquicos que, alegadamente, trabalham vinte e cinco horas – ou até mais – num só dia. Há quem garanta, mas eu duvido, que acontece muito lá para o norte. Invejas.