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sábado, 17 de junho de 2023

Xenofobia do bem

Acho piada ao embevecimento demonstrado pela imprensa do regime relativamente ao surto migratório oriundo da Ásia que estará, ao que dizem, a repovoar o Alentejo e torná-lo mais multicultural do que nunca. Circunstâncias que, antevêem, proporcionarão um futuro idílico à região.


Sendo a desertificação humana e o envelhecimento da população o principal problema do Alentejo, a vinda de estrangeiros será sempre positiva. No entanto a mesma imprensa de Lisboa e outros “fazedores” de opinião que por aí pululam, sempre tão empenhados em promover a diversidade, o multiculturalismo e mais uns quantos conceitos manhosos que gostam de inventar não demonstram o mesmo entusiasmo quando os estrangeiros provêem de outras origens mais tradicionais, chamemos-lhe assim. Espanhóis que compram as terras improdutivas, chineses, franceses, britânicos, russos ou brasileiros endinheirados que estão a comprar casas e a mudar-se ou passar parte significativa do ano por estas bandas são, frequentemente, apontados por aquela malta da capital como potenciais descaracterizadores da região alentejana. Gente para quem o turbante é muito mais valorizável do que o sombrero. Complexos de inferioridade mal resolvidos, é o que é.

sábado, 11 de março de 2023

Comidos de cebolada

1 - O apoio de Portugal à resistência ucraniana terá custado, até agora, quarenta e quatro euros a cada português. Há quem refile e privilegie o discurso hipócrita da paz e mais o diabo a quatro. Leia-se, para abreviar, rendição da Ucrânia. É o preço a pagar pela liberdade. Bem menor, ainda assim, do que aquilo que já pagámos pela especulação que daí resultou.


2 – O aumento do preço dos bens alimentares tem suscitado ataques à grande distribuição, acusando as grandes superfícies de ganhos exagerados e de margens de lucro exorbitantes. Com razão, provavelmente. Ao mesmo tempo ilibam-se os produtores e pequenos comerciantes de eventuais responsabilidades nesta carestia. Pois. Como se a ganância fosse exclusiva da malta que usa gravata. O gajo das alfaces é um excelente exemplo. Ou o das cebolas. As da agricultura da crise, por exemplo, são da colheita passada e se as fosse vender hoje no mercado cá da terra a dois euros e vinte o quilo, não seria certamente um especulador. Apenas mais uma vitima do grande capital.


3 – Para Manuela Ferreira Leite o Alentejo é uma região “morta e sem vida”. Não diria tanto. Está, ainda, ligado à máquina. À máquina do Estado, no caso. A pouca população que resta é praticamente toda dependente do Estado. Directamente – é tudo reformado, empregado da Câmara ou vive de apoios sociais – ou indirectamente, porque trabalha em instituições ou empresas que sobrevivem graças aos primeiros e/ou subsídios do Estado. Lamentavelmente a senhora em causa, que até foi deputada eleita pelo distrito de Évora,  nada fez para alterar isso. Nem isso, nem outra coisa. Que me lembre nunca a vi por cá. 

terça-feira, 13 de setembro de 2022

O Taremi é alentejano?

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Há quem diga que o país perdeu o sentido de humor. De certa forma concordo. Não se podem fazer piadolas – nem, sequer, um simples dichoteacerca do aspecto físico, da desorientação sexual, da cor da pele, da origem étnica e do que mais calhar de ninguém. Só de alentejanos. Desses podem dizer-se as mais deprimentes graçolas. Ninguém se importa e quase todos acham graça. Menos eu. E - nem peço desculpa pela falta de modéstia – até sou um gajo com um sentido de humor de fazer inveja a muita gente. Não tenho é paciência nenhuma para imbecis como o senhor Jaime Coutinho, mediador de seguros e comentador de futebol no Facebook nas horas vagas. Profundo desconhecedor do país, também. Um tipo que deve conhecer tão bem o Alentejo como eu conheço Pataias. Podia, como bom alentejano, responder-lhe com uma piadola jocosa acerca disso de passarmos o tempo deitados. Mas não o faço. Até porque não sei se o senhor é casado ou se ainda tem mãe.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Gente que nem f*** nem sai de cima...

No Alentejo não se pode fazer nada sem que isso suscite a indignação dos patetas de Lisboa. Ou de outros. Agora até uns bacocos de uns alemães se insurgem contra explorações agrícolas do sudoeste alentejano. Como se não chegassem os que se irritam com a culturas intensivas, a criação de gado, o turismo no Alqueva, a caça, a pesca desportiva, os painéis solares e mais sei lá o quê. Para esta gente o Alentejo devia ser um deserto, sem nada nem ninguém. Apesar da voz destas alimárias ser cada vez mais escutada, não terão essa sorte. A vida é feita de ciclos. Uns melhores, outros piores. Acredito que o pior do ciclo mau desta região já tenha ficado para trás e que no futuro, com tudo isto que os urbano depressivos odeiam e muito mais, o Alentejo deixará de ser o parente pobre do país. E, principalmente, nunca será a reserva de “índios” que tanto anseiam por ter ao pé da porta. Num fundo são uns tristes. Daqueles que nem f**** nem saiem de cima, como diria o meu avô.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

O deserto à nossa porta

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Os dados revelados pelos últimos censos são aterradores e deviam ter feito disparar todos os alarmes. Embora, afinal, não constituam mais do que a confirmação daquilo que já todos sabíamos. Uma vastíssima região do país está a definhar, a morrer e a transformar-se num imenso deserto e poucos se importam com isso. O que interessa às pretensas elites é discutir não-problemas como o racismo, atribuir privilégios às novas minorias de malucos, garantir que os animais têm tantos direitos como as pessoas ou criar novas causas cada vez mais desvairadas. O resto não interessa. Muito menos as pessoas que insistem em ficar nestes territórios, para onde “eles” se deslocam em massa aos fins de semana, e que quanto menos cá estiverem menos os incomodam.


Nisto da diminuição acentuada da população não culpo só os políticos. Nem os nacionais, nem os locais. Estes últimos, então, fazem o que podem para fixar população. Criam emprego que se fartam. No Alentejo, nomeadamente, quase toda a gente trabalha – está empregada, vá, que trabalho é outra coisa - na Câmara da respectiva localidade. Assim quando algum empresário, dos poucos que ainda restam, pretende recrutar trabalhadores tem de recorrer a mão de obra estrangeira e, consequentemente, trazer gente para o concelho. Parece uma boa estratégia. Por um lado fixa-se o eleitorado e por outro luta-se contra a desertificação. Pelo menos na primeira vertente tem dado resultado.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Parvoíce profunda

Pior do que um lisboeta armado ao pingarelho, a achar que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, só um alentejano armado em lisboeta armado ao pingarelho a comungar da opinião do citado alfacinha. O que não falta é gente dessa. Daquela a quem basta atravessar o Tejo para desatar a depreciar tudo o que deixou para trás. Enfurece-me, isso. Um dia destes, por um acaso daqueles que apenas o zapping proporciona, deparei-me com um apresentador de televisão alentejano  a situar a sua aldeia no Alentejo profundo. Outro conceito que, para além de não perceber, me deixa para lá de possesso. O homem, sem ofensa, é parvo. A localidade em causa, Vila Boim, fica colada à EN4, um dos principais acessos à fronteira, tem a A6 quase à porta, fica a uma dúzia de quilómetros de Elvas e a cerca de vinte de Badajoz. Uma cidade com mais de cento e cinquenta mil habitantes, o que a tornaria uma das principais cidades do país se ficasse deste lado da raia. Mas isso tudo saberá a criatura. Daí que chamar “Alentejo profundo” à região onde cresceu só pode ser parvoíce ou estupidez. Ou, o mais certo, ambas. E daquelas bem profundas.

sábado, 24 de abril de 2021

O Alentejo não tem direito ao desenvolvimento?

Desde há uns anos a esta parte ouço e leio gente extremamente aborrecida com a nova agricultura que se pratica no Alentejo. Tudo, garantem, está mal. Desde a paisagem em mudança até a uma espécie de tragédia ambiental que não se cansam de profetizar. De caminho lamentam a invasão de migrantes – eles podem lamentar, já eu se o fizer sou racista – que, alegadamente, serão explorados por patrões sem escrúpulos e senhorios gananciosos.


Tenho manifesta dificuldade em perceber o que pretende este pagode ou, sequer, a alternativa que sugerem. Se é que sugerem alguma. Provavelmente desejarão que fique tudo na mesma. Como sempre esteve. Seco, desértico e entregue aos bichos. Preferirão, com certeza, um Alentejo sem pessoas e improdutivo. Por mim prefiro o caminho que está a ser seguido. De preferência percorrido em passo mais acelerado, que já nos chegam as décadas de atraso. Venham mais “culturas intensivas”, venham mais migrantes, venham mais turistas e aqueles que não se sentem cá bem “desamparem a loja”.


Um dos argumentos muito em uso é que este tipo de agricultura não cria postos de trabalho. Para além da evidente contradição, quando lamentam o recurso a mão de obra estrangeira, há que ter em conta a riqueza indirecta que tudo isto gera. A começar nas casas que voltam a ser habitadas por estes trabalhadores e a acabar nos profissionais do activismo, que têm aqui um apreciável nicho de mercado. Que habilmente já estão a explorar, diga-se.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Fachos, comunas, xuxas e outra ladroagem

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E continuam. Deve ser coisa para durar mais uns dias, ainda. Não há cão nem gato que não vá para o Facebook desancar nos alentejanos – uma minoria, apesar de tudo – que votaram no Ventura. Como se a escolha eleitoral  dos outros deixe de ser legitima apenas por não ir de encontro ao nosso pensamento. Mas isso nem é o que me incomoda mais. A bem dizer nem me incomoda nada. No fundo até me diverte. Gosto de os ver assim. Chateados. Aborrecidos por uns quantos – poucos, reitero – alentejanos terem optado por votar num demagogo, em lugar de terem escolhido Marisa Matias, João Ferreira ou Ana Gomes todos eles admiradores confessos de ditadores e criminosos. Sim, porque, tanto quanto sei, para os dois primeiros Cuba, a Venezuela ou criaturas como Lula da Silva constituirão uma espécie de faróis. Ou de sol na terra, sei lá. Já Ana Gomes é pública e confessa fã de criminosos que roubam o correio e limpam a conta bancária a quem lhes apetece. Mas isto, para estes novos moralistas, não interessa nada. É gente de outro nível. Daquela que, certamente, não se importará de levar porrada, de passar fome ou de ser roubada. Desde que seja por alguém da sua laia, claro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Descobriram agora a democracia, coitadinhos...

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Parece que constitui hoje uma espécie de obrigação moral mostrar quanto estamos indignados pela votação obtida por André Ventura no Alentejo. Indignação que, curiosamente ou talvez não, nunca existiu quando um partido estalinista tinha por aqui maiorias arrebatadoras. Ao contrário do que ontem aconteceu com a extrema direita que, para além de Estremoz com 23,32%, obteve os melhores resultados em Elvas (28,76%), Moura (31,41%) e Monforte (31,41%). Votação que, diga-se, a ocorrer em legislativas provavelmente não seria suficiente para eleger deputados.


A este propósito li os maiores impropérios dirigidos aos eleitores alentejanos. Das duas uma. Quem os escreve ou é daqueles negacionistas como os do covid ou é alguém profundamente ignorante que desconhece em absoluto a realidade que se vive por estas paragens. Nem, se calhar, saberá o que têm em comum todos esses concelhos. Também não sou eu que vou gastar os meus dedos a explicar-lhes. Afinal lavar a cabeça a burros sempre foi e continuará a ser gastador de sabão. Continuem a fingir que não vêem o elefante na sala, que não há nenhum problema com “grupos de pessoas” ou, como escreve hoje um colunista do Observador, a preocuparem-se com os fascistas quando o problema são as avestruzes. Depois queixem-se.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Ignorantes das causas fofinhas

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Combater o Chega e o Ventura parece constituir uma espécie de desígnio nacional. Não me parece mal. Cada um combate o que quiser e defende as causas que muito bem lhe aprouver. O mesmo não digo da comunicação social. Esta apenas deve informar e deixar isso das causas e dos desígnios para a sociedade.


O que lamento neste combate é a ignorância, ou a má-fé noutros casos, da esmagadora maioria dos combatentes. Toda esta gente ainda não percebeu que não adianta desmascarar as trafulhices que André Ventura tenha, alegadamente, feito ou possa vir a fazer. Podem dizer o que quiserem, passar as reportagens que entenderem ou relatar as passagens mais escabrosas da vida da criatura. Não adianta. Pelo contrário, mais força lhe dão.


Esta gente não percebe o fenómeno. Nem, pior, o quer perceber. Insiste, antes, em dizer que não existe ou, a existir, não tem relevância nenhuma. Para o entender talvez tenham de vir ao Alentejo. Mas não aquele das revistas, dos restaurantes da moda, adegas, praias fluviais ou dos montes com piscina onde se encerram dias a fio. É preciso falar com as pessoas. As que vão aos supermercados, hospitais ou correios. Podem, até, começar por aquelas que toda a vida votaram no PCP. Vão, de certeza, aprender muito.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

O Alentejo e o Covid

Sem Título.jpgDurante meses não tivémos por cá o vírus chinês. Agora anda por aí à solta e os casos da doença sucedem-se. Alguém trouxe para cá o bicho. Que ele, como muito acertadamente diz o Costa, não anda sozinho. Ninguém terá culpa de o transportar. Poucos, tirando um ou outro maluco, lhes dariam boleia.
Mas não surpreende. Resmas de gente a demandar a região, eventos despropositados e montes de criaturas em patéticas festarias para comemorar coisa nenhuma teriam inevitavelmente de dar nisto. A vida e o país não podem parar. Mas alguns podem. Pelo menos podem parar de ser parvos.


PS - A imagem, da capa do jornal i, assinala os concelhos onde o nivel de contágio é mais elevado. Estremoz. Redondo, Borba e Vila Viçosa fazem parte do grupo.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Anedotas de alentejanos

Nunca tive jeito para contar anedotas. Nem sou, sequer, especial apreciador desse tipo de humor. Muito menos quando ridicularizavam os alentejanos. Aí, então, sentia vontade de partir os cornos aos cabrões que as contavam. Vá lá que esta coisa do politicamente correcto, apesar de todos os defeitos, acabou com esse suplicio e, de maneira geral, com os contadores de anedotas. Sim, porque isto a bem dizer não se podem fazer piadas. Há sempre alguém que fica ofendido.


No anedotário nacional o alentejano foi o mandrião e o idiota que era permanentemente enganado pelo lisboeta sabido e espertalhão. E a malta ria-se. Muito engraçado, isso. Até os alentejanos adoram, só tu é que te ofendes, cansei-me de ouvir. Saber rir de si próprio é sinal de inteligência diziam-me, que era uma maneira de me chamarem parvo.


Mas hoje sou eu que conto a anedota. De alentejanos, obviamente. De um que tinha uma vinha com uma adega lá no meio. Como o Alentejo não tem gente, o homem não arranjava quem lhe fizesse a vindima e pisasse as uvas. Daí que o risco daquilo se estragar, causando-lhe um avultado prejuízo, fosse grande. Até que, assim do nada, surgiu-lhe uma ideia brilhante. Tão brilhante que mesmo ele ficou visivelmente impressionado com o seu brilhantismo. Criou um programa turístico. Uma experiência, resolveu chamar-lhe, a ver se os maganos iam na conversa. E não é que foram? Agora os turistas visitam a adega, passeiam pela vinha, colhem uns cachos, pisam as uvas, no fim bebem um trago de um vinho manhoso e pagam (!!!) cem euros cada um ao alentejano. O que eu me tenho rido. Afinal as anedotas de alentejanos até têm a sua piada...

sábado, 4 de julho de 2020

A sombra que vem do céu...

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Alentejo não tem sombra


Senão a que vem do céu


Chega-te aqui Maria


Para a sombra do meu chapéu”


Nesta rua, que deve ter para aí uns duzentos metros, não existe uma única árvore no espaço público. É uma mania que, desde há muito, existe por estas paragens. Quem tem poderes de decisão sobre esta matéria deve achar que assim é que é bonito, agradável para passear e sem obstáculos que nos impeçam de visualizar as deslumbrantes paisagens alentejanas. A logística que envolveria o arvoredo, desde a plantação até à manutenção, constituiria, presumo, um problema de monta que justificará esta desolação paisagística. Nomeadamente ao nível da mão-de-obra que seria necessária e que, desconfio, não existirá em quantidade suficiente.


Mas nem tudo é mau. Não temos árvores, mas temos placa toponímica. O que é bom. Nomeadamente para os carteiros. Pena é que dê pouca sombra.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Um alentejano foi a Lisboa...

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Por mais que me esforce não consigo ficar indiferente a “noticias” como esta. Mais ainda quando até merecem uma chamada à primeira página. Qual é, afinal, o motivo para tanta irritabilidade?! Será aquilo da “visão estereotipada”? A sério que os indignados com as piadolas contadas pelos brasileiros, acerca dos portugueses, querem mesmo falar disso? Se calhar é melhor não, antes que alguém os recorde de outros estereótipos que tanto apreciam…


Não me parece que as anedotas de portugueses contadas no Brasil constituam uma afronta. Pelo contrário. Rir de nós próprios é um sinal de sentido de humor e, também, de inteligência. Logo duas coisas que eu não tenho, conforme me estão sempre a lembrar os contadores de anedotas de alentejanos. E que agora, vai-se a ver, eles também não. Mas disso há muito que eu já desconfiava.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Compreensão lenta...e pouco educada, também.

A TVI passou ontem parte significativa dos serviços informativos a pedir desculpa ao norte do país. Fica-lhe bem. O conteúdo do noticiário da noite anterior terá sido ofensivo para os habitantes da região. Justifica-se, por isso, a indignação dos habitantes daquela região face ao que consideram – e bem – como afirmações manifestamente despropositadas e depreciativas.


Mas, por outro lado, os mesmos que agora se sentem ofendidos e, até, aqueles que consideraram inadequados os considerandos da TVI a propósito dos nortenhos, continuam a achar muita piada às anedotas de alentejanos. Assim de repente não vislumbro grande diferença. Considero tão pejorativo chamar “pouco educado” a um habitante do norte, como “preguiçoso” a um alentejano. Por que raio em relação ao primeiro é ofensivo e em relação ao segundo é piada? E não, não venham com aquela treta que os alentejanos acham graça às piadolas a seu respeito, porque os alentejanos não contam anedotas que os achincalhem ou menorizem.


A este propósito tenho andado envolvido numa polémica, noutra rede social, com uma emigrante portuguesa no Brasil que está pelos cabelos com as “anedotas de português” que ouve constantemente. Não gosta. Quando lhe expliquei que a compreendia perfeitamente e que eu sentia o mesmo em relação às piadas depreciativas que os portugueses contam sobre os alentejanos, não percebeu os meus motivos. Tal como percebem a generalidade dos tugas de cá. E depois o “lento” sou eu...

domingo, 22 de março de 2020

"Fujem", "fujem"!!!

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Parece que nos últimos dias terão sido mais que muitos os que se fixaram no Alentejo para escapar ao vírus chinês. Os “montes” dos ricaços – ou falidos, que nisto como noutras coisas a doutrina diverge – desertos durante quase todo o ano estarão agora habitados e, segundo alguns relatos, nos supermercados da região o sotaque alentejano já não é predominante.


Uma atitude sensata, admito. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Não vou, portanto, alinhar naquela treta – muito partilhada nas redes sociais – que os desaconselha vivamente a viajar para cá e, ainda que não declaradamente, lhes sugere que zarpem mas é daqui para fora. Nada disso. Por mim são muito bem-vindos.


Tenho, no entanto, uma má noticia. Ainda que o tal Covid-19 tenha por aqui uma taxa de incidência menor que noutras zonas, se olharmos para as estatísticas o Alentejo é a região do país onde se verificam mais óbitos. Por cada cem mil habitantes, no mês de Janeiro, quinaram 146,73. Verdade que isso dos rácios vale o que vale...mas nunca fiando.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Não queriam o Ventura?! Tivessem ido votar...noutro!

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Anda por aí muita gente em alvoroço por causa do “Chega” ter entrado no parlamento. Como se aquilo fosse, até agora, um lugar bem frequentado. Ou, de ora em diante, não existisse por lá outra mistela igualmente repulsiva. É que ninguém, minimamente ajuizado e que pretenda ser intelectualmente sério, pode colocar os deputados do PAN, BE, PCP ou aquela lady gaga do Livre num patamar diferente do André Ventura. Para não falar de outros que por lá se pavoneiam.


Depois há também os que se horrorizam com os resultados obtidos pelo “Chega” aqui no Alentejo. Em Estremoz, por exemplo, teve 3,32%. Mas se olharmos para a única freguesia urbana do concelho e onde estão mais de 60% dos eleitores, o resultado vai aos 4,01%. E o que tem a cidade que as freguesias rurais não têm? Ciganos, claro. Tal como acontece em Alvito, Moura, Elvas e Monforte. Ciganos que, na sua esmagadora maioria, não votam. Mas o melhor é nem falar nesses abstencionistas. Criticá-los por não cumprirem esse dever ainda é capaz de ser considerado racismo, xenofobia ou isso.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Querem queixinhas? Cuidado com o que desejam...

As pessoinhas andam muito sensíveis. Qualquer coisa as ofende ou, pior, acham que qualquer coisa pode ofender este ou aquele grupo de outras pessoinhas que as primeiras pessoinhas consideram vulnerável, desprotegido ou o que calha. Por tudo e – principalmente – por nada exigem que os alegados ofensores façam pedidos de desculpa, se penitenciem pelas alegadas ofensas ou, cada vez com maior frequência, fazem queixinhas às novas policias do pensamento e do bem comunicar. Assim uma espécie de nova PIDE ou policia da virtude, moral e bons costumes ao melhor estilo da Arábia Saudita. Não sei quem lhes passou procuração, mas é assim que funciona.


Por mim só estou à espera de piadas, anedotas ou simples dichotes envolvendo alentejanos. Quem se atrever vai ter-me à perna. Discriminar alguém em função da origem geográfica parece que constitui um crime e se tal é aplicável relativamente a quem escarnecer dos nascidos no Burkina Faso que por cá habitam, também será aos que nasceram no Alentejo. E, de caminho, quem zombar ou propalar alarvidades susceptiveis de ferir os meus sentimentos clubísticos, leva igualmente com a queixinha da ordem. Sim, que isto não há cá ofensas mais toleráveis do que outras.

sábado, 8 de junho de 2019

Alentejo? São só oito deputados...

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Está em apreciação na Assembleia da República uma petição, apresentada pela “Plataforma Alentejo”, em que é apresentado um conjunto de prioridades para o desenvolvimento sustentável da região. Constitui um trabalho sério, com propostas razoáveis e que – não duvido – não fosse todo o imenso Alentejo contribuir apenas com oito deputados, reuniria o consenso de todos os partidos e mereceria a aprovação por unanimidade e aclamação.


Nisto da petição, subscrita por umas quantas dezenas de personalidades alentejanas, há dois aspectos que me surpreendem. Apesar de poucochinho, reconheço. Um deles é a proposta de ligação da A6, em Estremoz, à A23, no nó de Niza. Algo que face aos interesses instalados e ao desinteresse dos autarcas locais – a sugestão da variante a nascente da cidade é risível e para lá de parva – julgava esquecido. E o segundo é a ausência, entre os peticionários, de personalidades estremocenses. Das duas uma. Ou não li com suficiente atenção ou por cá não existem personalidades. Vou pela segunda.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

E que tal desactiva-los?

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Detesto aquilo que agora chamam activistas. Ouvir falar desses espécimes causa-me logo urticária. Incluindo os alegados ambientalistas ou lá o que são os gajos que acham que devíamos viver como na idade da pedra. Pois chegou-me agora aos ouvidos que uma organização com essas ideias terá libertado, aqui há uns anos, numa serra alentejana – pelo menos numa – vários exemplares da cobra venenosa conhecida por víbora cornuda. Venenosa, sublinhe-se.


Apesar destas coisas pouco aparecerem nas noticias, têm sido relatados alguns casos de pessoas mordidas por este bicho. Todas a correrem risco de vida, a necessitarem de tratamento médico urgente, especializado, com internamento relativamente prolongado e, provavelmente, a ficarem com sequelas. Tudo isto sem que ninguém peça justificações, responsabilidade ou dê uma carga de porrada a quem – se tiver sido esse o caso – as andou a soltar.


Há uns meses apareceu um destes répteis no meu quintal. Quando dei por ele já estava morto e ressequido. Devia ter quinado duas ou três semanas antes de o descobrir. Pena, na altura, não conhecer algumas histórias que entretanto chegaram ao meu conhecimento. Mesmo sem saber se são ou não verdadeiras, em lugar de a ter metido no lixo, teria enviado a carcaça para esses activistas.